quinta-feira, 30 de setembro de 2021

Repercutimos a Edição de 30/09/21 do Ex-Blog do César Maia - VETO A HAITIANOS NOS EUA DESGASTA BIDEN! (Amber Phillips, analista de política do Washington Post - O Estado de S. Paulo, 24)

Repercutimos a Edição de 30/09/21 do Ex-Blog do César Maia - 

VETO A HAITIANOS NOS EUA DESGASTA BIDEN!  

(Amber Phillips, analista de política do Washington Post - O Estado de S. Paulo, 24) 



VETO A HAITIANOS NOS EUA DESGASTA BIDEN!

(Amber Phillips, analista de política do Washington Post - O Estado de S. Paulo, 24) As travessias ilegais estão aumentando e os haitianos representam uma parte cada vez maior delas. O Haiti é um país com problemas políticos, econômicos e humanitários, incluindo um presidente assassinado e um forte terremoto recente. Mas muitos desses haitianos no Texas são refugiados de um outro tremor, o de 2010. Na época, eles se refugiaram na América do Sul, mas, por uma série de razões, agora estão fugindo para os EUA.

O motivo pode ser econômico. “Um trabalhador que vem do Chile pode ter uma renda 3,5 vezes maior nos EUA”, disse Alex Nowrasteh, analista do Cato Institute. O agravamento da pandemia em países como o Brasil também desempenha um papel importante. “Quando você olha o que está impulsionando a migração, é uma combinação de deterioração econômica, social e, às vezes, de segurança nos países em que eles vivem”, disse Jessica Bolter, do Migration Policy Institute. “Além da percepção de que, sob o governo de Joe Biden, é mais fácil entrar nos EUA.”

Biden fez várias mudanças na política de imigração de Donald Trump – principalmente reduzindo as deportações. Mas ele continuou a usar ferramenta controversa para expulsar os estrangeiros: um código de saúde, conhecido como “Título 42”, que cita a pandemia como razão para limpar a fronteira o mais rápido possível. Então, os migrantes estão sendo mandados para casa sem a chance de solicitar asilo.

Biden reconhece que as coisas no Haiti estão muito ruins. No semestre passado, o governo concedeu proteção temporária a milhares de haitianos que já estavam ilegalmente nos EUA, citando “condições extraordinárias e temporárias”, como uma crise política, violência e abusos dos direitos humanos. Talvez isso tenha alimentado a falsa percepção de que os imigrantes poderiam entrar nos EUA agora, disse Theresa Brown, do Policy Center. Agora, muitos desses haitianos presos na fronteira estão sendo deportados – muitos dos quais não moram lá há anos. Alguns disseram que foram algemados nos voos para casa.

Mais atenção do público na fronteira é a última coisa de que Biden precisava. É seu ponto fraco desde que assumiu o cargo, e ele tem se preocupado em ser visto como muito leniente em temas migratórios. Mas, enquanto o presidente segue a mesma política de Trump, os migrantes continuam chegando. A crise no Texas ganhou espaço porque os haitianos são diferentes dos migrantes da América Central, mais comuns na fronteira, e por causa da foto de agentes perseguindo os refugiados a cavalo.

Defensores dos direitos humanos e das liberdades civis aumentaram o tom contra Biden. Agora, muitos democratas entraram na fila para criticar o governo. O líder democrata do Senado, Chuck Schumer, pediu a Biden o fim das deportações. “Não podemos continuar essas políticas odiosas e xenófobas de Trump”, afirmou. A NAACP, uma das mais fortes organizações de defesa da igualdade racial, também disparou contra a Casa Branca. “A crise humanitária que está acontecendo sob esse governo espelha de forma repugnante alguns dos momentos mais sombrios da história dos EUA. Se fechássemos os olhos e isso estivesse ocorrendo sob o governo de Trump, o que faríamos? O tratamento desumano dispensado aos refugiados haitianos é repugnante”, disse o presidente da NAACP, Derrick Johnson.

domingo, 26 de setembro de 2021

INTERNACIONAL - A irmã do líder norte-coreano afirmou que a Coreia do Norte está pronta para uma nova cúpula com a Coreia do Sul para negociar um tratado de paz que encerre formalmente a Guerra da Coreia (1950-1953)

 Bandeira da Coreia do Norte

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A irmã do líder norte-coreano afirmou que a Coreia do Norte está pronta para uma nova cúpula com a Coreia do Sul para negociar um tratado de paz que encerre formalmente a Guerra da Coreia (1950-1953).

irmã de Kim Jong-un e alta funcionária norte-coreana, Kim Yo-jong, disse no sábado (25) que as negociações de paz podem prosseguir se houver respeito e imparcialidade por parte da República da Coreia.

"Eu acho que apenas quando a imparcialidade e a atitude de respeito mútuo forem mantidas pode haver um entendimento tranquilo entre o Norte e o Sul", disse Kim.

Kim acrescentou que as pessoas de ambos os países compartilham o desejo de paz.

"Senti que a atmosfera do público sul-coreano que deseja recuperar as relações intercoreanas de um impasse e atingir a estabilidade pacífica o mais rápido possível é irresistivelmente forte", sublinhou Kim. "Nós também temos o mesmo desejo."

Na sexta-feira (24), a irmã do líder norte-coreano destacou que é preciso entender se agora é o momento certo e se todas as condições são satisfeitas para discutir a declaração do fim do estado de guerra.

O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, em seu discurso nesta terça-feira (21) na 76ª Assembleia Geral da ONU, voltou a propor o anúncio do fim da guerra na península da Coreia com apoio dos Estados Unidos e da China. Moon disse que a Coreia do Sul está totalmente disposta a alcançar a paz duradoura na península.

As duas Coreias permanecem tecnicamente em estado de guerra, dado que a Guerra da Coreia de 1950-1953 terminou com um cessar-fogo em vez de um tratado de paz. 

Créditos Sputnik

INTERNACIONAL - Após saída do Afeganistão, Erdogan quer que forças dos EUA abandonem Síria e Iraque

 Em Ancara, Turquia, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, participa virtualmente da Cúpula do Clima, em 22 de abril de 2021

ORIENTE MÉDIO E ÁFRICA
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A Turquia quer que os EUA retirem suas tropas de outros países da região de modo semelhante à sua retirada do Afeganistão, declarou o presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

Erdogan apontou, especificamente, a Síria e o Iraque como duas nações onde Washington deveria acabar com sua presença militar.

Na opinião do presidente turco, tal evento ajudaria a promover a paz na região.

"É claro que, se eu tivesse a escolha, gostaria que eles [EUA] saíssem da Síria e do Iraque. Da mesma forma como se retiraram do Afeganistão. Porque se vamos servir a paz em todo o mundo, não faz mais sentido permanecer nessas partes do mundo. Podemos, simplesmente, deixar esses povos, deixar suas administrações tomarem suas próprias decisões", comentou Erdogan, citado pelo CBS News.

Quando perguntado se alguma vez teria questionado uma possível retirada da Síria com o presidente norte-americano, Joe Biden, o presidente turco respondeu que nunca lhe falou sobre o assunto quando se encontraram em Bruxelas.

Motivos para saída ou permanência dos EUA

As forças dos EUA e da OTAN se foram retirando do Afeganistão até 30 de agosto de 2021, depois que Biden anunciou o fim da guerra de quase 20 anos. Contudo, todo o processo foi marcado pelo caos e insegurança, uma vez que muitos aliados civis afegãos que ajudaram as forças estrangeiras acabaram por não conseguir abandonar o país, agora sob comando do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países).

Militares dos EUA na área do campo de petróleo Omar na província síria de Deir Ez-Zor
© AFP 2021 / DELIL SOULEIMAN
Militares dos EUA na área do campo de petróleo Omar na província síria de Deir Ez-Zor

Quanto às duas repúblicas mencionadas por Erdogan, desde março de 2003 que os EUA têm mantido sua presença no Iraque, onde dezenas de milhares de soldados norte-americanos foram destacados para derrubar o então presidente Saddam Hussein e "desarmar" Bagdá de armas de destruição em massa, cuja existência nunca foi confirmada.

Durante a administração Obama, vários membros das forças de Washington foram, momentaneamente, retirados de solo iraquiano, mas acabaram sendo reenviados em 2014 com o surgimento do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países), que tinha conseguido conquistar grandes extensões do noroeste do Iraque e prosseguido com sua expansão para o leste da Síria.

Em 2017, o Iraque e os EUA anunciaram que o Daesh havia sido derrotado, mas as forças de combate norte-americanas permaneceram no país desde então, justificando sua presença citando a ameaça que as forças restantes do grupo terrorista representavam na região. 

Créditos Sputnik

sábado, 25 de setembro de 2021

Comentário: “Lista de Fatos” mostra o quão inescrupulosos são os EUA para difamar a governança chinesa em Hong Kong

 

Comentário: “Lista de Fatos” mostra o quão inescrupulosos são os EUA para difamar a governança chinesa em Hong Kong

Fonte: CRI Published: 2021-09-24 19:55:22
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O Ministério das Relações Exteriores da China divulgou hoje (24) uma lista de fatos que mostram a interferência dos Estados Unidos nos assuntos de Hong Kong e seu apoio às forças anti-China.

A lista tem cinco partes e listou 102 fatos de interferência estadunidense nos assuntos de Hong Kong, incluindo publicar leis relacionadas a Hong Kong, aplicar as chamadas sanções, abrigar e apoiar elementos anti-China e desestabilizadores, reunir aliados para intervir nos assuntos de Hong Kong, entre outros. A lista mostra quão inescrupulosa é a Casa Branca para difamar a governança chinesa em Hong Kong.

Através desta lista, podemos ver a atitude ambígua ridícula dos EUA em questões sobre democracia, liberdade, direitos humanos e estado de direito. Os EUA sempre usaram esses pretextos para interferir nos assuntos de Hong Kong e atacar a Lei sobre a Salvaguarda da Segurança Nacional na região, além de atrapalhar o aperfeiçoamento do sistema eleitoral da RAEHK. No entanto, o próprio país tem recordes ruins nestas áreas.

Atualmente, em todo o mundo se encontram caos e fatos de violação da democracia, direitos humanos, liberdade e estado de direito causados pelos EUA. O “defensor dos direitos humanos” é justamente o seu maior violador. A lista de fatos publicada pelo China pode servir como um espelho para os EUA verem sua imagem falsa de “pregador dos direitos humanos”.

O povo chinês não cria problemas, mas também não se acovarda diante deles. A tentativa dos EUA de frear o desenvolvimento da China por meio de perturbar Hong Kong não terá sucesso. A Lei sobre a Salvaguarda da Segurança Nacional em Hong Kong recuperou a segurança e a estabilidade da região, além de ter promovido a transformação da cidade, tirando-a da turbulância para a tranquilidade e revitalização. Com o andamento estável das eleições, o princípio de “governança de Hong Kong por patriotas” será implementado e o de “um país, dois sistemas” aperfeiçoado de modo a garantir a paz duradoura da região.

Tradução: Florbela Guo

Revisão: Erasto Cruz 

Fonte: http://portuguese.cri.cn/news/china/407/20210924/704139.html 

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

ARGENTINA - "RECONCILIAÇÃO É DIFÍCIL PORQUE CONFRONTO FOI LONGE! (María Matilde Ollier, doutora em ciência política pela University of Notre Dame e diretora do doutorado em Ciência Política da Escola de Política e Governo da Universidade Nacional de San Martín - O Estado de S. Paulo, 17)" - Repercutimos a edição de 23/09/21 do Ex-Blog do César Maia

 


RECONCILIAÇÃO É DIFÍCIL PORQUE CONFRONTO FOI LONGE!

(María Matilde Ollier, doutora em ciência política pela University of Notre Dame e diretora do doutorado em Ciência Política da Escola de Política e Governo da Universidade Nacional de San Martín - O Estado de S. Paulo, 17) Para entender a crise, ainda em desenvolvimento, que ocorre na Argentina, é preciso voltar a seus antecedentes distantes e imediatos.

Os primeiros referem-se a uma anomalia política instalada desde a origem do atual governo pelo qual a vice-presidente, Cristina Kirchner, elege seu companheiro de chapa, Alberto Fernández, como presidente. Desta forma, ela estava em condições de retornar ao poder, algo que seus 30% de fluxo eleitoral e seu perfil radicalizado não possibilitavam. Fernández, um moderado, deu-lhe os 20% restantes.

A aposta ficou completa com a participação de outro peronista, Sergio Massa, que havia rompido com Cristina, derrotando-a, em 2013, na poderosa Província de Buenos Aires.

O experimento, um “panperonismo” feito de seus diferentes fragmentos, não só carecia de um único líder, mas também tinha uma liderança de duas faces: Cristina Fernández Kirchner (CFK) detinha o poder real (ela comanda Buenos Aires, preside o Senado com o próprio quórum e seu filho é o chefe do bloco peronista na Câmara dos Deputados) e o poder formal do presidente, sem qualquer pretensão de construir o próprio espaço.

O duplo comando teve repercussões na gestão do governo, quando a vice-presidente passou a intervir, impondo sua radicalização. E, aos poucos, foi se resolvendo a seu favor, não só porque todos os ministérios contavam com figuras de seu rebanho, mas também porque CFK expressou publicamente a Fernández a existência de “funcionários que não trabalham”, ocasionando a saída da ministra da Justiça (uma área sensível para CFK, que responde a vários processos judiciais).

Na mesma época, o ministro da Economia não pôde demitir um subsecretário respaldado pela vice, entre tantos outros episódios. As tensões entre cristinistas e albertistas tornaram-se um problema político e de gestão, somando-se aos inúmeros erros presidenciais na luta contra a covid e nas áreas educacional, econômica e social.

Nesse quadro, o gatilho imediato emerge. Antes das eleições, CFK alertou o presidente da necessidade de fazer mudanças no gabinete para melhorar a atuação do governo e, aliás, avançar sua participação: o chefe da Casa Civil e o ministro do Turismo deveriam ser chefes da lista de candidatos na Província de Buenos Aires e na própria capital.

O presidente recusou, colocando dois outros candidatos seus nesses lugares. A fórmula “panperonista”, útil para vencer as eleições presidenciais de 2019, provou ser um fracasso no governo, conforme revelado pela derrota esmagadora – em 17 das 24 Províncias – nas eleições primárias de domingo.

Na tentativa de reverter os resultados das eleições de novembro, a vice-presidente voltou a propor mudanças urgentes, mirado o chefe de gabinete. No entanto, o presidente considerou que elas deveriam ser feitas após as eleições.

Além das duas versões que circulam sobre se, na noite de segunda-feira, os dois chefes de governo organizariam mudanças em novembro ou não, uma série de funcionários importantes, incluindo ministros, como o do Interior, apresentou sua renúncia, alguns informalmente, pegando de surpresa Fernández, que descobriu através da mídia. Desencadeia-se uma crise no governo, latente desde a sua origem, que não é apenas produto da derrota, mas também do desígnio governamental que o levou à Casa Rosada.

Em vez de buscar soluções, a resposta do peronismo é um confronto entre suas duas figuras-chave. Com o passar das horas, o presidente recebeu o apoio de vários governadores peronistas, da Confederação-Geral do Trabalho e de alguns movimentos sociais.

Como Fernández não aceitou imediatamente as demissões (formais ou informais são um detalhe), a queda de braço continua, embora a ruptura da coalizão não pareça ser o caminho escolhido por ele. Diante do fracasso eleitoral, essa crise, em meio a uma eleição que ainda não terminou, enfraquece em vez de fortalecer o governo.

A conciliação exige que cada um abra mão de algo. Nesse caso, o desafio que virá passa fundamentalmente pela recomposição do vínculo entre o presidente e sua vice – algo bastante difícil em razão de quão longe foi o confronto.

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Repercutimos a edição de 22/09/21 do ex-Blog do César Maia - COMISSÃO DA VERDADE (NO PERU)! (Cesar Maia - Folha de São Paulo 14/04/11)

 

COMISSÃO DA VERDADE!

(Cesar Maia - Folha de São Paulo 14/04/11) O Informe da Comissão da Verdade e Reconciliação do Peru cobre 20 anos, de 1980 a 2000. Em agosto de 2003, foi entregue ao presidente Alejandro Toledo. O relatório foi transformado no documentário “Para que Não se Repita”, dividido em 12 blocos, com seis horas de duração.

O escopo do informe e o período que cobre foram amplos: “Esclarecer as violações contra os direitos humanos cometidas pelo Estado e por grupos terroristas entre maio de 1980 e novembro de 2000”. Cada “comissão” criada na América Latina tem um escopo e um período de análise diferentes.

O relatório mostra a complexidade de uma comissão desse tipo. Foram 69 mil vítimas no período: 90% de mortos e 10% de desaparecidos.

O informe destaca o Sendero Luminoso/Partido Comunista Peruano, apresentando-o como um grupo terrorista. Também trata das causas históricas da violência no Peru, a discriminação de índios e negros e as diferenças sociais.

Após sublinhar as características democráticas dos ex-presidentes Fernando Belaúnde e Alan García, relata ações repressivas do Exército e da polícia tidas como terroristas.

Em Ayacucho, base do Sendero onde lecionava seu líder, Abimael Guzmán ou “presidente Gonzalo” (preso desde 1992), concentrou-se a violência, passando depois a Lima.

O governo de Alberto Fujimori, que liquidou o Sendero, tem seus méritos minimizados e, nesse caso, associa-se a ele a repressão e o terrorismo da polícia e do Exército.

Destaca-se ainda o papel das milícias locais (rondas), armadas pelo próprio Exército e atuando em cada região com independência. Mesmo informando casos de terror praticados pelos “ronderos”, o relatório tenta realçá-los como autodefesas das comunidades, e que teriam tido papel básico.

Para concluir, o informe condena a passividade da Justiça e do Ministério Público, que deveriam ter tido papéis ativos, mas seriam responsáveis, por omissão, por crimes contra os direitos humanos.

O documento “esquece” o MRTA (Movimento Revolucionário Tupac Amaru), ostensivamente financiado pelo tráfico de drogas e responsável pelo sequestro múltiplo na Embaixada do Japão, desintegrado pela inteligência policial em operação cinematográfica e ao vivo, no período Fujimori.

De tudo o que mostra o relatório/documentário, o mais importante é o risco do trabalho de comissão similar passar a cumprir um papel político, ter uma abrangência sem limites e igualar ou encobrir excessos de forças heterogêneas.

Uma comissão de tal tipo pode terminar servindo para atirar em qualquer direção e, assim, incorporar riscos de excitar e deformar a memória.

Por isso, nunca poderá ser governamental nem ter cor ideológica. Deve ter foco específico e detalhado em um período.

domingo, 19 de setembro de 2021

Repercutimos o Informativo Notícias da China | No. 68


No. 68 | 18.09.2021
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"Cidade-fantasma" de Kangbashi na província da Mongólia Interior, 2019 [Caixin/Chen Liang]

Geopolítica

Presidente Xi anuncia doação de mais 100 milhões de doses de vacina contra a covid-19 para países em desenvolvimento esse ano

China já forneceu 1 bilhão de doses a mais de 100 países e promete chegar a 2 bilhões até o fim do ano, além de doar R$ 525,8 milhões a COVAX; OMS apela para que países do G20 cumpram promessas de distribuição de vacinas

CGTN, 10.09.2021

CGTN, 09.09.2021

China critica golpe militar na Guiné e solicita soltura do presidente Alpha Condé, diante de crescente instabilidade na África Ocidental

Guiné é segundo maior produtor global de bauxita – matéria-prima fundamental do alumínio –, fornecendo 50% das importações da China, maior produtora e consumidora global de alumínio; país africano possui maior depósito inexplorado de minério de ferro do mundo, em Simandou

South China Morning Post, 12.09.2021

Global Times, 06.09.2021

Economia

Preço do carvão dispara (R$ 930,4/t) devido a aumento da demanda da China e Índia, aproximando-se do recorde histórico de 2008 (R$ 946/t)

Recuperação econômica e chegada do verão aumentam demanda energética de ambos países, que consomem 65% do carvão global; distribuidoras de energia chinesas pedem aumento da tarifa ao governo para evitar perdas milionárias

Nikkei Asia, 13.09.2021

South China Morning Post, 10.09.2021

Crescente demanda por produtos de alta tecnologia faz disparar preços de metais de terras raras e deve diminuir lucro de fabricantes de componentes

Desde setembro de 2020, mercado viu alta de metais como hólmio (109,4%), praseodímio-neodímio (73,7%) e térbio (60,4%), matérias-primas fundamentais para eletrônicos, carros elétricos, turbinas eólicas, etc.; China, único país a controlar toda a cadeia produtiva, refina 85% do total global

Nikkei Asia, 14.09.2021

Política Nacional

Governo aumentará salário de professores, visando compensar aumento de jornada e equiparar com remuneração de servidores públicos de categorias similares

Salário dos professores de escolas públicas varia por região, com média anual de cerca de R$ 87 mil (2020); anúncio ocorre após recentes reformas na educação, que diminuíram atividades extracurriculares e aumentaram horas de trabalho dos docentes

Sixth Tone, 08.09.2021

Investimentos governamentais ressuscitam “cidades-fantasmas” chinesas, atraindo empresas privadas e residentes através de empregos, moradia e escolas

Enquanto população urbana cresceu de 18% a 64% do total (1978-2020), excesso de construções, dívidas e migração insuficiente criaram “cidades-fantasmas” como Kangbashi, Binhai e Zhengdong que, nos últimos anos, atraiu fábricas (iPhone, farmacêuticas e automóveis), viu população crescer 27,5% (2019-2020) e preço dos imóveis decuplicar

Bloomberg, 02.09.2021

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Agricultura e Meio Ambiente

Em 5 anos, governo investiu R$ 26,7 bilhões em subsídios à produção de veículos de nova energia (VNE), mas planeja reorganizar setor

China visa tornar indústria mais competitiva globalmente, retirando subsídios até final de 2023 e incentivando fusões de empresas nacionais; desde janeiro, vendas de VNE saltaram 190% interanual, atingindo 1,8 milhão de unidades

Caixin Global, 08.09.2021

CGTN, 13.09.2021

Após não cumprir plano de armazenamento de energia com Usinas Hidrelétricas Reversíveis (UHRs), China dobra a meta para os próximos 5 anos

Estocagem chegou a 31,5 dos 40 GW previstos para 2020, e meta de 2025 passou para 62 GW; China é líder global em capacidade instalada de armazenamento de UHRs, mas sistema é responsável por apenas 1,4% da rede nacional

South China Morning Post, 13.09.2021

Cultura e Vida do Povo

Cresce a demanda de educação artística e física para crianças no setor de aulas particulares, após governo proibir ensino de temas do currículo escolar

Plano nacional para aumentar peso de artes e esportes nos exames escolares impulsiona educação artística - cujo mercado espera movimentar cerca de R$ 244 bilhões até 2022 -, mas foco em notas pode contrariar meta do governo de aliviar carga sobre os estudantes

Beijing Review, 10.09.2021

South China Morning Post, 05.09.2021

Baseada na tradição confuciana, China possui longa história de filantropia, realizada por políticos, acadêmicos e comerciantes

Inspirados pela doutrina de que os ricos devem contribuir para o bem-estar de todos, filantropo Fan Li doou três vezes toda a sua fortuna há 2500 anos, enquanto político da Dinastia Song, Fan Zhongyan, transformou sua casa em uma escola para os pobres

The World of Chinese, 09.09.2021

Professora de dança com seus alunos em Chongqing, 2021 [Xinhua via Beijing Review]








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quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Repercutimos as Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 16/09/2021

Repercutimos as Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 16/09/2021

 

- Ontem, 15 de setembro, completou um mês da tomada de Cabul, no Afeganistão, pelos talibãs e o anúncio da derrota americana após 20 anos de invasão e ocupação militar do país. No intervalo de um mês os olhos do mundo estavam voltados para o Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, de onde foram evacuados os norte-americanos remanescentes no país, além de cidadãos e militares de países aliados dos EUA na ocupação, como Alemanha, França e Reino Unido. Também afegãos, especialmente os que trabalharam diretamente com as forças de ocupação ou com o governo Ashraf Ghani, tentaram deixar o país. Alguns conseguiram outros não e esse ainda é um ponto de tensão com as forças ocidentais. Nesse período, o aeroporto também foi cenário de um ataque terrorista com homens-bomba promovido pelo grupo ISIS-K, um braço do ISIS na região e opositor dos talibãs, que deixou mais de 180 pessoas mortas e dezenas de feridos. Durante esse período, os talibãs também neutralizaram o último ponto de resistência ao seu domínio no país, localizado no vale do Panjshir, onde está baseada a Frente Nacional de Resistência (FNR) liderada por Ahmad Massoud, filho do comandante Ahmed Shah Massoud, assassinado pela Al-Qaeda no início dos anos 2000. Há um debate em curso sobre a participação ou não do governo do Paquistão nesta operação. Na disputa entre Índia e Paquistão, interessa ao governo indiano associar o governo paquistanês aos talibãs. No último dia 7, os talibãs anunciaram seu governo, que será liderado por Mohammad Hasan Akhund e terá como número dois Abdul Ghani Baradar, que foi o negociador com Trump em 2020 e assinou o acordo de Doha para retirada das tropas dos EUA do Afeganistão. Como ministro da Defesa estará o mulá Yaqub, filho do mulá Omar, o ministro do interior será Sirajuddin Haqqani, que possui divergências metodológicas com Baradar. Haqqani parece defender um governo mais linha dura e de ataque frontal ao ocidente, enquanto Baradar faz mais a linha de um governo negociador. Na ocasião, o líder máximo do grupo, Hibatullah Akhundzada, anunciou que o novo governo se esforçará em “fazer respeitar as normas islâmicas e a sharia no país”. Como serão as políticas do Talibã em relação às mulheres e aos direitos segue sendo um grande debate internacional. Na última segunda (13), a alta comissária de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, fez críticas nesse sentido ao novo governo afegão. Segundo Bachelet, “contradizendo as garantias de que o Talibã manteria os direitos das mulheres, nas últimas três semanas, ao invés disso, mulheres foram progressivamente excluídas da esfera pública”. Ela também se referiu ao não cumprimento da anistia prometida a ex-funcionários civis ou de forças de segurança ligados ao antigo governo e proibição a buscas em suas residências. Há denúncias de perseguições a ex-trabalhadores de empresas, órgãos da ONU e organizações não governamentais que operavam no país. Nas últimas horas o novo governo afegão anunciou ter retido cerca de 12,4 milhões de dólares em dinheiro e ouro de ex-altos funcionários do governo (Reuters e outras agências). 

 

- As eleições na Alemanha estão cada vez mais próximas. Serão no próximo dia 26 de setembro. A aliança governista CDU/CSU, da chanceler Angela Merkel, os verdes e a social-democracia disputam a liderança nas últimas pesquisas. Embora, nos últimos dias, o candidato do Partido Social Democrata (SPD), Olaf Scholz, conte com a preferência de mais de quase um quarto dos e das eleitoras. A candidata do Partido Verde, Annalena Baerbock, que começou a corrida eleitoral muito bem posicionada nas pesquisas, deixou de ser a preferida do eleitorado por enquanto. Ela tem feito um discurso mais linha dura contra a Rússia, por exemplo. O candidato de Merkel, Armin Lschet, atual governante da Renânia do Norte-Vestfalia, apesar de ser herdeiro de uma chanceler popular mesmo após 16 anos de governo, não está em uma situação confortável na corrida em que representa a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU). Ele possuía uns 24% e hoje caiu para 20%. Interessante lembrar que Scholz fez e ainda faz parte do governo Merkel como ministro das finanças e vice-chanceler. (Fonte: Flávio Aguiar – RFI)

 

- A relação entre EUA e China teve um novo capítulo nos últimos dias. Até agora, desde a posse de Biden em janeiro, os dois presidentes ainda não se encontraram pessoalmente. Há uma tentativa dos EUA em promover o encontro durante a cúpula do G20 no final de outubro em Roma. No último dia 9 os dois presidentes se falaram por telefone e o tema foi que “se evite um conflito”, de acordo com os anúncios da Casa Branca à imprensa. Foi a segunda chamada telefônica entre eles. Segundo fontes da imprensa chinesa, o presidente Xi teria dito: “se China e EUA se enfrentarem, ambos países e o mundo sofrerão”. No telefonema, o presidente Biden teria proposto um encontro presencial, mas Xi, que não deixa o solo chinês já há cerca de 600 dias, não deu nenhuma sinalização para o possível encontro. Inclusive não deverá estar em Nova Iorque na próxima semana para a Assembleia Geral da ONU.

 

- No último dia 5 de setembro houve um golpe militar na Guiné-Conacri. Um grupo de militares liderados pelo tenente-coronel Mamady Doumbouya deteve o presidente do país, Alpha Condé (90 anos), suspendeu a Constituição, dissolveu o governo e demais instituições e fechou fronteiras terrestres e aéreas. Tanto a Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) como a União Africana suspenderam o país das plataformas e tentaram intervir para a libertação do presidente Condé. Foi permitida a visita de uma comissão da CEDEAO que alegou ter encontrado o presidente em bom estado de saúde. Os presidentes do Congo e da Turquia ofereceram asilo para o presidente deposto. Hoje (16) ocorre uma cúpula da entidade sobre o golpe em Acra, Gana. Umaro Sissoco Embaló, presidente da Guiné-Bissau, tem sido um dos articuladores das iniciativas internacionais frente ao golpe. A Guiné-Conacri faz fronteira com a Guiné-Bissau e é um dos países mais pobres do mundo.

 

- No Haiti, houve novidades quanto às investigações sobre o magnicídio do presidente Jovenel Moise. O primeiro-ministro do país, Ariel Henry, demitiu o promotor Bel-Ford Claude horas depois que um representante do Ministério Público solicitou a um juíz que abrisse investigação contra o premiê como réu no caso do assassinato. A alegação é de que Henry teria falado poucas horas após o crime por duas vezes ao telefone com um dos suspeitos de ter ordenado o assassinato, o ex-oficial Joseph Felix Badio (fonte: El País). Até agora, 44 pessoas estão em prisão domiciliar preventiva, inclusive 18 colombianos, implicados no caso do assassinato de Moise, inclusive há policiais que faziam a segurança do presidente entre os presos. Outra novidade é que no último sábado as principais forças políticas do país concordaram em redigir uma nova Constituição e organizar eleições ao final de 2022 para a sucessão de Moise. No intervalo até as eleições e posse do novo governo, Henry conduzirá um governo de unidade “apartidário” com membros ainda a serem nomeados. Mas a revelação dos telefonemas às 4h e 4h20 da manhã entre Henry e o possível executor do crime na madrugada do magnicídio pode colocar tudo em suspenso.

 

- No Peru, a vice-presidente, Dina Boluarte, informou que estão sendo coletadas assinaturas para um referendo que permita a convocação de uma nova assembleia constituinte. A atual constituição peruana está vigente há 28 anos e não prevê a instauração de uma nova Assembleia Constituinte, portanto será necessário fazer uma reforma constitucional que pode ser proposta pelo presidente, o próprio Congresso ou 0,3% dos aptos a votar no país. Recentemente 10 parlamentares do partido Peru Livre apresentaram um projeto neste sentido. 

 

- Na Argentina, após o mal resultado do governo no PASO, que são as primárias eleitorais obrigatórias que funcionam de antessala das eleições propriamente ditas, funcionários e ministros do governo Fernandez colocaram seus cargos à disposição. Na província de Buenos Aires, onde governa Alex Kicillof, membros do governo também colocaram seus cargos à disposição. A Frente de Todos teve resultados negativos em 17 unidades territoriais – províncias, incluindo a de Buenos Aires.


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terça-feira, 14 de setembro de 2021

Repercutimos as Notas INternacionais - por Ana Prestes - edição 14/09/21

 



Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 14/09/2021

 

- O Partido Trabalhista da Noruega conquistou o maior número de representantes nas eleições da Noruega que se deram ontem (13). Foram eleitos/as os/as 169 representantes do Storting, parlamento do país, na capital Oslo. Uma coalizão liderada pelos trabalhistas tem todas as condições de formar uma larga maioria. Dois partidos aliados do Partido Conservador não cumpriram os 4% de votos da cláusula de barreira e assim impedem que a aliança centro-direita se mantenha com a maioria. Os conservadores dirigem o país desde 2013, com dois mandatos da conservadora Erna Solberg. O grande tema das eleições foi a questão do que fazer com o petróleo. O país é o maior produtor europeu. O Partido Verde, potencial aliado dos trabalhistas, propõe o cessar da exploração do petróleo. Os trabalhistas querem uma meta para iniciar a redução da indústria petrolífera a partir de 2035. Os primeiros partidos com quem Jonas Gahr Stoere, líder dos trabalhistas, vai conversar são o Partido do Centro e a Esquerda Socialista. Junto a outros partidos, a aliança de centro-esquerda pode chegar a 100 assentos, hoje possuem 81. A indústria do petróleo representa 14% do PIB norueguês, ocupa 40% de todas as exportações nacionais e emprega 160 mil pessoas (fonte: RFI). A Noruega é hoje um dos países mais ricos do mundo, graças ao petróleo e o gás do Mar do Norte. Estão pressionados pelos compromissos multilaterais de combate às alterações climáticas. 

 

- A Argentina realizou no final de semana seu PASO – Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias – que preparam as eleições de 14 de novembro deste ano. Além do ou da presidente, neste dia se elegerão 24 novos senadores/as (são 72 no total) e 127 deputados/as (são 257 no total). O governo Fernandez e sua coalizão Frente de Todos não saíram bem no PASO. Perderam em 17 dos 24 distritos do país. Houve também muita abstenção que junto com os votos em branco e nulos somam 38,45% dos habilitados para votar. A oposição centrou sua campanha nos distritos com maior peso e na província de Buenos Aires. A ex-governadora de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, derrotada nas eleições de 2019, alcançou os votos para concorrer pela capital em novembro. A votação foi bem apertada na província de Buenos Aires com 38% para o Juntos e 33,6% para a Frente. O Juntos por el Cambio, oposicionista, também ficou bem em Córdoba, Jujuy, Santa Cruz, Chaco e outros. Outra chapa oposicionista, La Libertad Avanza, também conseguiu projeção. Na cidade de Buenos Aires surpreendeu a votação do ultradireitista Javier Milei com 13% dos votos. 

 

- Faleceu no sábado (11), no Peru, o líder histórico do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, aos 86 anos. Morreu no cárcere onde cumpria prisão perpétua. Guzmán era professor de filosofia quando iniciou atividades de insurgência contra o governo peruano na década de 80. Defendia uma revolução camponesa via luta armada. O Sendero Luminoso já existia desde os anos 60 quando Guzmán se integrou ao grupo. Como já era de se esperar, a morte de Guzmán impactou no governo recém empossado de Pedro Castillo. Qualquer gesto do novo presidente é utilizado pela oposição fujimorista para tentar implicá-lo como associado ao Sendero Luminoso. Frente a isso, o governo Castillo está advertindo que qualquer iniciativa de homenagens póstumas a Guzmán será considerada como apologia ao terrorismo com previsão de pena de até 4 anos de prisão. Por isso, os restos mortais do guerrilheiro estão em pauta para que se decida sobre o seu destino, quando, pela lei, essa decisão deveria caber somente à família. A esposa de Guzmán, Elena Iparraguirre, também era integrante do SL e está encarcerada. Ainda assim, cabe a ela a decisão sobre o destino do marido. Ambos foram presos em 1992. 

 

- O Irã vai permitir que a agência nuclear da ONU faça manutenção nas câmeras de monitoramento das instalações nucleares iranianas. A informação é do chefe da AIEA – Agência Internacional de Energia Atômica – Rafael Grossi. Esta aproximação faz parte das conversas que buscam o reavivamento do acordo nuclear com o Irã de 2015, abandonado pelos EUA durante a gestão Trump. A imprensa americana criticou duramente o acordo e diz que Biden está “vendido” para uma reativação do acordo nuclear com o Irã. Enquanto isso, circulam informações de um think tank americano, o Instituto para Ciência e Segurança Internacional, com a mesma sigla do grupo terrorista ISIS, de que em aproximadamente um mês o Irã terá urânio enriquecido em quantidade suficiente para a produção de armas nucleares e o governo Biden está internamente pressionado para reagir. O novo presidente iraniano Ebrahim Raisi está conduzindo a política nuclear do país a um ponto em que os EUA precisarão baixar a guarda para negociar. O embaixador da Rússia na IAEA, Mikhail Ulyanov, se pronunciou ao dizer que o acordo alcançado com relação às câmeras de monitoramento é técnico mas muito importante, pois constrange as especulações sobre as atividades nucleares do país.

 

- Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Síria, Bashar al-Assad, se reuniram ontem (13) em Moscou. Um dos pontos do debate foi sobre o terrorismo e segundo Putin, “ainda existem bolsões de resistência por parte de terroristas que controlam certos territórios”. No entanto, nas palavras de Assad em declaração conjunta com Putin, “nossos exércitos, posso constatar, deram uma enorme contribuição para proteção de toda a humanidade desse mal (terrorismo)”. Os dois governantes ainda sublinharam que as relações comerciais e econômicas entre os dois países cresceram 250% apenas na primeira metade de 2021. (fonte: Sputknik).

 

- Outro encontro desta semana foi entre o presidente egípcio Abdel Fattah Sisi e o premiê israelense Naftali Bennet. Primeiro encontro deste nível entre os dois países em 10 anos. Após o encontro, Bennet disse que o Egito possui um papel significativo para a “manutenção da estabilidade de segurança na Faixa de Gaza” (qual estabilidade??? questionamento inevitável desta autora das Notas). Em maio, o Egito mediou um cessar-fogo entre Israel e o Hamas que governa Gaza. 

 

- Ecoa internacionalmente e em especial na América Latina que enquanto o Brasil chega a 21 milhões de infectados pelo coronavírus, o presidente Bolsonaro admite não ter tomado nenhuma vacina contra o vírus. Ele ainda admitiu que já pode ter sido infectado pela segunda vez, de acordo com exames IGG. As declarações de Bolsonaro chocam o mundo poucos dias antes do presidente brasileiro abrir a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. 

 

- O Brasil também foi citado na recente reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Durante a abertura do encontro, a presidente do Conselho, Michelle Bachelet, disse estar alarmada com “os recentes ataques contra membros dos povos Yanomami e Munduruku por garimpeiros ilegais na Amazônia”, além das “tentativas de legalizar a entrada de empresas em territórios indígenas e limitar a demarcação de terras indígenas”. O Brasil tem sido denunciado ao TPI – Tribunal Penal Internacional – por genocídio e crimes contra a humanidade por conta da situação dos povos indígenas. Bachelet também informou que seu escritório na ONU está preocupado com “a nova proposta de legislação antiterrorista no Brasil que inclui disposições excessivamente vagas e amplas que apresentam riscos de abusos, particularmente contra ativistas sociais e defensores dos direitos humanos”. 

 

- Em El Salvador estão marcadas mobilizações para amanhã, 15 de setembro. Mais de 32 entidades da sociedade civil estão unificadas para protestar pela restituição do Estado de Direito no país e para defender a democracia. Pelo menos três medidas do governo de Bukele têm provocado fortes reações na população: a entrada em vigor da lei do Bitcoin, o aval à reeleição imediata e a reforma da lei da carreira jurídica. Um dos pontos de encontro para a saída da marcha será a Universidade de El Salvador, com concentração de estudantes, ambientalistas e indígenas, em outros pontos estarão as feminista, sindicalistas e outros setores que somam mais de 30.