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quinta-feira, 15 de fevereiro de 2024

Lula anuncia aporte brasileiro para UNRWA e defende Estado palestino soberano

Créditos CNN



Lula anuncia aporte brasileiro para UNRWA e defende Estado palestino soberano

Presidente discursou na sede da Liga Árabe, no Cairo

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é recebido pelo presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, no Cairo
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva é recebido pelo presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, no Cairo15/02/2024Presidência do Egito/Divulgação via REUTERS

Lisandra Paraguassuda Reuters

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (15) que o Brasil fará uma nova doação para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina (UNRWA), no momento em que vários países, como os Estados Unidos, decidiram cortar fundos para a organização.

Lula disse ainda, em discurso na sede da Liga Árabe, no Cairo, que o Brasil mantém sua defesa da existência de um Estado palestino soberano e sua admissão como membro pleno da ONU.

“O governo brasileiro fará novo aporte de recursos para a UNRWA. Exortamos todos os países a manter e reforçar suas contribuições”, disse o presidente, sem mencionar valores.

Lula chamou de “desumanidade e covardia” a suspensão de aportes dos países ricos à agência, anunciada depois que Israel acusou a agência de acobertar funcionários que atuariam para o Hamas.

“No momento em que o povo palestino mais precisa de apoio, os países ricos decidem cortar a ajuda humanitária à Agência da ONU para os Refugiados da Palestina (UNRWA). As recentes denúncias contra funcionários da agência precisam ser devidamente investigadas, mas não podem paralisá-la”, disse Lula.

“Refugiados palestinos na Jordânia, na Síria e no Líbano também ficarão desamparados. É preciso pôr fim a essa desumanidade e covardia. Basta de punição coletiva”, acrescentou.

Israel acusa 13 funcionários da UNRWA de terem participado dos ataques do Hamas a Israel em outubro, e apresentou um dossiê acusando 190 funcionários da agência de ligações com o grupo. As acusações levaram os 10 principais doadores — como os Estados Unidos, o principal doador — a suspenderem recursos para agência.

A falta de dinheiro pode suspender toda a operação da UNRWA no final deste mês, segundo seus dirigentes.

Lula também voltou a criticar a resposta militar de Israel em Gaza. Reafirmando que o ataque do Hamas ao país é indefensável e foi duramente criticado pelo Brasil, o presidente classificou a resposta de Israel de “desproporcional” e indefensável.

“É urgente parar com a matança. A posição do Brasil é clara: Não haverá paz enquanto não houver um Estado palestino, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas, que incluem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital”, afirmou.

“A decisão sobre a existência de um Estado palestino independente foi tomada há 75 anos pelas Nações Unidas. Não há mais desculpas para impedir o ingresso da Palestina na ONU como membro pleno.”

Mais cedo, em fala ao lado do presidente do Egito, Abdel Fattah al-Sisi, o presidente já havia criticado Israel afirmando que o país parece ter “primazia de não cumprir” nenhuma decisão das Nações Unidas.

“O que é lamentável é que as instituições multilaterais que foram criadas para ajudar a solucionar esses problemas não funcionam. Por isso o Brasil está empenhado para que a gente consiga fazer as mudanças necessárias nos órgãos de governança global”, disse.


terça-feira, 31 de janeiro de 2023

EGITO, À BEIRA DO COLAPSO, VÊ AUMENTO DA POBREZA E PODE REPETIR SINA DO LÍBANO! (Folha de SP, 30) --- créditos Ex-Blog do César Maia

 

EGITO, À BEIRA DO COLAPSO, VÊ AUMENTO DA POBREZA E PODE REPETIR SINA DO LÍBANO!

(Folha de SP, 30) Em julho, o líder do Egito, Abdel Fattah al-Sisi completa dez anos no poder. Mas o general terá pouco tempo para pensar no aniversário do golpe que deu em 2013. Dada a crise, esse mês parece cada vez mais distante e, em meados do ano, Sisi encontrará uma população ainda mais pobre e insatisfeita.

A libra egípcia perdeu cerca de 50% do seu valor desde março do ano passado. Já a taxa anual da inflação passou dos 20%. Os preços mudam durante o dia e são rabiscados e corrigidos a mão nas etiquetas.

Produtos básicos como ovo, carne e leite viraram itens de luxo. A classe média tem acumulado dois ou três empregos para poder pagar o aluguel e as parcelas do carro.

Dados de 2020 indicam que 30% da população vivia abaixo da linha da pobreza, uma cifra que, afirmam especialistas, aumentou bastante com os últimos anos de colapso.

Não é a pior crise econômica do Oriente Médio. Nas redondezas, o Líbano passa por uma hecatombe, com a desvalorização de sua moeda em 95% em relação ao dólar e a maior parte da população varrida para baixo da linha da pobreza. Mas o Líbano tem menos de 6 milhões de habitantes. Já o Egito, com quase 110 milhões, é o país árabe mais populoso; sua instabilidade repercute nesta região e no mundo.

Sisi tem culpado a conjuntura externa. A Guerra da Ucrânia é um dos principais fatores. Russos e ucranianos estavam entre os principais grupos que visitavam o Egito, país que depende do turismo. Deixaram de ir. O conflito também impediu a importação de trigo –o Egito é o maior comprador do grão no mundo. Na esteira, investidores externos deixaram o país, levando US$ 20 bilhões (R$ 100 bilhões).

Esses fatores externos provocam tanto impacto devido à fragilidade do sistema. "A economia egípcia depende da importação para os setores da indústria e da agricultura", diz Amr Adly, professor de economia política na Universidade Americana do Cairo e autor de "Cleft Capitalism" (capitalismo de fissura). O livro, de 2020, trata do fracasso egípcio em desenvolver sua economia.

Nesse contexto, a súbita piora da crise nesses meses não é bem uma surpresa. "Houve muitos sinais que foram ignorados pelo governo e pelo Fundo Monetário Internacional", afirma Adly.

Nos últimos anos, o país tem dependido cada vez mais de empréstimos em dólar e foi se expondo ao movimento de capital, razão pela qual a fuga dos investidores gerou tanto dano.

Para Adly, a crise egípcia, no entanto, não deve chegar ao extremo da libanesa. Ele menciona a dívida dos dois países, por exemplo. A do Líbano supera 150% de seu PIB. Já a do Egito está em torno de 90%. Além disso, o Líbano vive um vácuo de poder, com desavenças políticas impedindo a eleição de um novo presidente desde a saída de Michel Aoun em outubro. O professor menciona, também, o fato de que o sistema bancário do Egito é mais sólido do que o libanês, em colapso.

Para resolver a crise, o governo precisa agir. Com ajuda externa, pode reforçar os setores produtivos para que dependam menos de importação. "Isso precisa aparecer no radar de doadores e aliados", diz Adly.

Especialistas —incluindo os credores do Egito— têm sugerido que o governo reduza a participação do Exército na economia, permitindo o desenvolvimento da iniciativa privada em setores como a construção e a comunicação. Hoje, militares controlam parte da cadeia produtiva nesse regime autoritário.

A ausência de protestos, por ora, não pode ser tomada como um indicador de apoio popular ao regime de Sisi. O Egito proíbe manifestações públicas, prendendo e torturando opositores. Mas esse é o mesmo país que, no passado, revoltou-se pelo preço do pão. É também o país que, em 2011, foi às ruas exigir o fim da ditadura de Hosni Mubarak, durante o que ficou conhecido como Primavera Árabe.




Créditos Ex-Blog do César Maia



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domingo, 26 de setembro de 2021

INTERNACIONAL - Após saída do Afeganistão, Erdogan quer que forças dos EUA abandonem Síria e Iraque

 Em Ancara, Turquia, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, participa virtualmente da Cúpula do Clima, em 22 de abril de 2021

ORIENTE MÉDIO E ÁFRICA
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A Turquia quer que os EUA retirem suas tropas de outros países da região de modo semelhante à sua retirada do Afeganistão, declarou o presidente turco Recep Tayyip Erdogan.

Erdogan apontou, especificamente, a Síria e o Iraque como duas nações onde Washington deveria acabar com sua presença militar.

Na opinião do presidente turco, tal evento ajudaria a promover a paz na região.

"É claro que, se eu tivesse a escolha, gostaria que eles [EUA] saíssem da Síria e do Iraque. Da mesma forma como se retiraram do Afeganistão. Porque se vamos servir a paz em todo o mundo, não faz mais sentido permanecer nessas partes do mundo. Podemos, simplesmente, deixar esses povos, deixar suas administrações tomarem suas próprias decisões", comentou Erdogan, citado pelo CBS News.

Quando perguntado se alguma vez teria questionado uma possível retirada da Síria com o presidente norte-americano, Joe Biden, o presidente turco respondeu que nunca lhe falou sobre o assunto quando se encontraram em Bruxelas.

Motivos para saída ou permanência dos EUA

As forças dos EUA e da OTAN se foram retirando do Afeganistão até 30 de agosto de 2021, depois que Biden anunciou o fim da guerra de quase 20 anos. Contudo, todo o processo foi marcado pelo caos e insegurança, uma vez que muitos aliados civis afegãos que ajudaram as forças estrangeiras acabaram por não conseguir abandonar o país, agora sob comando do Talibã (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países).

Militares dos EUA na área do campo de petróleo Omar na província síria de Deir Ez-Zor
© AFP 2021 / DELIL SOULEIMAN
Militares dos EUA na área do campo de petróleo Omar na província síria de Deir Ez-Zor

Quanto às duas repúblicas mencionadas por Erdogan, desde março de 2003 que os EUA têm mantido sua presença no Iraque, onde dezenas de milhares de soldados norte-americanos foram destacados para derrubar o então presidente Saddam Hussein e "desarmar" Bagdá de armas de destruição em massa, cuja existência nunca foi confirmada.

Durante a administração Obama, vários membros das forças de Washington foram, momentaneamente, retirados de solo iraquiano, mas acabaram sendo reenviados em 2014 com o surgimento do Daesh (grupo terrorista proibido na Rússia e em outros países), que tinha conseguido conquistar grandes extensões do noroeste do Iraque e prosseguido com sua expansão para o leste da Síria.

Em 2017, o Iraque e os EUA anunciaram que o Daesh havia sido derrotado, mas as forças de combate norte-americanas permaneceram no país desde então, justificando sua presença citando a ameaça que as forças restantes do grupo terrorista representavam na região. 

Créditos Sputnik