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quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Repercutimos as Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 16/09/2021

Repercutimos as Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 16/09/2021

 

- Ontem, 15 de setembro, completou um mês da tomada de Cabul, no Afeganistão, pelos talibãs e o anúncio da derrota americana após 20 anos de invasão e ocupação militar do país. No intervalo de um mês os olhos do mundo estavam voltados para o Aeroporto Internacional Hamid Karzai, em Cabul, de onde foram evacuados os norte-americanos remanescentes no país, além de cidadãos e militares de países aliados dos EUA na ocupação, como Alemanha, França e Reino Unido. Também afegãos, especialmente os que trabalharam diretamente com as forças de ocupação ou com o governo Ashraf Ghani, tentaram deixar o país. Alguns conseguiram outros não e esse ainda é um ponto de tensão com as forças ocidentais. Nesse período, o aeroporto também foi cenário de um ataque terrorista com homens-bomba promovido pelo grupo ISIS-K, um braço do ISIS na região e opositor dos talibãs, que deixou mais de 180 pessoas mortas e dezenas de feridos. Durante esse período, os talibãs também neutralizaram o último ponto de resistência ao seu domínio no país, localizado no vale do Panjshir, onde está baseada a Frente Nacional de Resistência (FNR) liderada por Ahmad Massoud, filho do comandante Ahmed Shah Massoud, assassinado pela Al-Qaeda no início dos anos 2000. Há um debate em curso sobre a participação ou não do governo do Paquistão nesta operação. Na disputa entre Índia e Paquistão, interessa ao governo indiano associar o governo paquistanês aos talibãs. No último dia 7, os talibãs anunciaram seu governo, que será liderado por Mohammad Hasan Akhund e terá como número dois Abdul Ghani Baradar, que foi o negociador com Trump em 2020 e assinou o acordo de Doha para retirada das tropas dos EUA do Afeganistão. Como ministro da Defesa estará o mulá Yaqub, filho do mulá Omar, o ministro do interior será Sirajuddin Haqqani, que possui divergências metodológicas com Baradar. Haqqani parece defender um governo mais linha dura e de ataque frontal ao ocidente, enquanto Baradar faz mais a linha de um governo negociador. Na ocasião, o líder máximo do grupo, Hibatullah Akhundzada, anunciou que o novo governo se esforçará em “fazer respeitar as normas islâmicas e a sharia no país”. Como serão as políticas do Talibã em relação às mulheres e aos direitos segue sendo um grande debate internacional. Na última segunda (13), a alta comissária de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, fez críticas nesse sentido ao novo governo afegão. Segundo Bachelet, “contradizendo as garantias de que o Talibã manteria os direitos das mulheres, nas últimas três semanas, ao invés disso, mulheres foram progressivamente excluídas da esfera pública”. Ela também se referiu ao não cumprimento da anistia prometida a ex-funcionários civis ou de forças de segurança ligados ao antigo governo e proibição a buscas em suas residências. Há denúncias de perseguições a ex-trabalhadores de empresas, órgãos da ONU e organizações não governamentais que operavam no país. Nas últimas horas o novo governo afegão anunciou ter retido cerca de 12,4 milhões de dólares em dinheiro e ouro de ex-altos funcionários do governo (Reuters e outras agências). 

 

- As eleições na Alemanha estão cada vez mais próximas. Serão no próximo dia 26 de setembro. A aliança governista CDU/CSU, da chanceler Angela Merkel, os verdes e a social-democracia disputam a liderança nas últimas pesquisas. Embora, nos últimos dias, o candidato do Partido Social Democrata (SPD), Olaf Scholz, conte com a preferência de mais de quase um quarto dos e das eleitoras. A candidata do Partido Verde, Annalena Baerbock, que começou a corrida eleitoral muito bem posicionada nas pesquisas, deixou de ser a preferida do eleitorado por enquanto. Ela tem feito um discurso mais linha dura contra a Rússia, por exemplo. O candidato de Merkel, Armin Lschet, atual governante da Renânia do Norte-Vestfalia, apesar de ser herdeiro de uma chanceler popular mesmo após 16 anos de governo, não está em uma situação confortável na corrida em que representa a União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã (CSU). Ele possuía uns 24% e hoje caiu para 20%. Interessante lembrar que Scholz fez e ainda faz parte do governo Merkel como ministro das finanças e vice-chanceler. (Fonte: Flávio Aguiar – RFI)

 

- A relação entre EUA e China teve um novo capítulo nos últimos dias. Até agora, desde a posse de Biden em janeiro, os dois presidentes ainda não se encontraram pessoalmente. Há uma tentativa dos EUA em promover o encontro durante a cúpula do G20 no final de outubro em Roma. No último dia 9 os dois presidentes se falaram por telefone e o tema foi que “se evite um conflito”, de acordo com os anúncios da Casa Branca à imprensa. Foi a segunda chamada telefônica entre eles. Segundo fontes da imprensa chinesa, o presidente Xi teria dito: “se China e EUA se enfrentarem, ambos países e o mundo sofrerão”. No telefonema, o presidente Biden teria proposto um encontro presencial, mas Xi, que não deixa o solo chinês já há cerca de 600 dias, não deu nenhuma sinalização para o possível encontro. Inclusive não deverá estar em Nova Iorque na próxima semana para a Assembleia Geral da ONU.

 

- No último dia 5 de setembro houve um golpe militar na Guiné-Conacri. Um grupo de militares liderados pelo tenente-coronel Mamady Doumbouya deteve o presidente do país, Alpha Condé (90 anos), suspendeu a Constituição, dissolveu o governo e demais instituições e fechou fronteiras terrestres e aéreas. Tanto a Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) como a União Africana suspenderam o país das plataformas e tentaram intervir para a libertação do presidente Condé. Foi permitida a visita de uma comissão da CEDEAO que alegou ter encontrado o presidente em bom estado de saúde. Os presidentes do Congo e da Turquia ofereceram asilo para o presidente deposto. Hoje (16) ocorre uma cúpula da entidade sobre o golpe em Acra, Gana. Umaro Sissoco Embaló, presidente da Guiné-Bissau, tem sido um dos articuladores das iniciativas internacionais frente ao golpe. A Guiné-Conacri faz fronteira com a Guiné-Bissau e é um dos países mais pobres do mundo.

 

- No Haiti, houve novidades quanto às investigações sobre o magnicídio do presidente Jovenel Moise. O primeiro-ministro do país, Ariel Henry, demitiu o promotor Bel-Ford Claude horas depois que um representante do Ministério Público solicitou a um juíz que abrisse investigação contra o premiê como réu no caso do assassinato. A alegação é de que Henry teria falado poucas horas após o crime por duas vezes ao telefone com um dos suspeitos de ter ordenado o assassinato, o ex-oficial Joseph Felix Badio (fonte: El País). Até agora, 44 pessoas estão em prisão domiciliar preventiva, inclusive 18 colombianos, implicados no caso do assassinato de Moise, inclusive há policiais que faziam a segurança do presidente entre os presos. Outra novidade é que no último sábado as principais forças políticas do país concordaram em redigir uma nova Constituição e organizar eleições ao final de 2022 para a sucessão de Moise. No intervalo até as eleições e posse do novo governo, Henry conduzirá um governo de unidade “apartidário” com membros ainda a serem nomeados. Mas a revelação dos telefonemas às 4h e 4h20 da manhã entre Henry e o possível executor do crime na madrugada do magnicídio pode colocar tudo em suspenso.

 

- No Peru, a vice-presidente, Dina Boluarte, informou que estão sendo coletadas assinaturas para um referendo que permita a convocação de uma nova assembleia constituinte. A atual constituição peruana está vigente há 28 anos e não prevê a instauração de uma nova Assembleia Constituinte, portanto será necessário fazer uma reforma constitucional que pode ser proposta pelo presidente, o próprio Congresso ou 0,3% dos aptos a votar no país. Recentemente 10 parlamentares do partido Peru Livre apresentaram um projeto neste sentido. 

 

- Na Argentina, após o mal resultado do governo no PASO, que são as primárias eleitorais obrigatórias que funcionam de antessala das eleições propriamente ditas, funcionários e ministros do governo Fernandez colocaram seus cargos à disposição. Na província de Buenos Aires, onde governa Alex Kicillof, membros do governo também colocaram seus cargos à disposição. A Frente de Todos teve resultados negativos em 17 unidades territoriais – províncias, incluindo a de Buenos Aires.


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terça-feira, 14 de setembro de 2021

Repercutimos as Notas INternacionais - por Ana Prestes - edição 14/09/21

 



Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 14/09/2021

 

- O Partido Trabalhista da Noruega conquistou o maior número de representantes nas eleições da Noruega que se deram ontem (13). Foram eleitos/as os/as 169 representantes do Storting, parlamento do país, na capital Oslo. Uma coalizão liderada pelos trabalhistas tem todas as condições de formar uma larga maioria. Dois partidos aliados do Partido Conservador não cumpriram os 4% de votos da cláusula de barreira e assim impedem que a aliança centro-direita se mantenha com a maioria. Os conservadores dirigem o país desde 2013, com dois mandatos da conservadora Erna Solberg. O grande tema das eleições foi a questão do que fazer com o petróleo. O país é o maior produtor europeu. O Partido Verde, potencial aliado dos trabalhistas, propõe o cessar da exploração do petróleo. Os trabalhistas querem uma meta para iniciar a redução da indústria petrolífera a partir de 2035. Os primeiros partidos com quem Jonas Gahr Stoere, líder dos trabalhistas, vai conversar são o Partido do Centro e a Esquerda Socialista. Junto a outros partidos, a aliança de centro-esquerda pode chegar a 100 assentos, hoje possuem 81. A indústria do petróleo representa 14% do PIB norueguês, ocupa 40% de todas as exportações nacionais e emprega 160 mil pessoas (fonte: RFI). A Noruega é hoje um dos países mais ricos do mundo, graças ao petróleo e o gás do Mar do Norte. Estão pressionados pelos compromissos multilaterais de combate às alterações climáticas. 

 

- A Argentina realizou no final de semana seu PASO – Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias – que preparam as eleições de 14 de novembro deste ano. Além do ou da presidente, neste dia se elegerão 24 novos senadores/as (são 72 no total) e 127 deputados/as (são 257 no total). O governo Fernandez e sua coalizão Frente de Todos não saíram bem no PASO. Perderam em 17 dos 24 distritos do país. Houve também muita abstenção que junto com os votos em branco e nulos somam 38,45% dos habilitados para votar. A oposição centrou sua campanha nos distritos com maior peso e na província de Buenos Aires. A ex-governadora de Buenos Aires, María Eugenia Vidal, derrotada nas eleições de 2019, alcançou os votos para concorrer pela capital em novembro. A votação foi bem apertada na província de Buenos Aires com 38% para o Juntos e 33,6% para a Frente. O Juntos por el Cambio, oposicionista, também ficou bem em Córdoba, Jujuy, Santa Cruz, Chaco e outros. Outra chapa oposicionista, La Libertad Avanza, também conseguiu projeção. Na cidade de Buenos Aires surpreendeu a votação do ultradireitista Javier Milei com 13% dos votos. 

 

- Faleceu no sábado (11), no Peru, o líder histórico do grupo guerrilheiro Sendero Luminoso, Abimael Guzmán, aos 86 anos. Morreu no cárcere onde cumpria prisão perpétua. Guzmán era professor de filosofia quando iniciou atividades de insurgência contra o governo peruano na década de 80. Defendia uma revolução camponesa via luta armada. O Sendero Luminoso já existia desde os anos 60 quando Guzmán se integrou ao grupo. Como já era de se esperar, a morte de Guzmán impactou no governo recém empossado de Pedro Castillo. Qualquer gesto do novo presidente é utilizado pela oposição fujimorista para tentar implicá-lo como associado ao Sendero Luminoso. Frente a isso, o governo Castillo está advertindo que qualquer iniciativa de homenagens póstumas a Guzmán será considerada como apologia ao terrorismo com previsão de pena de até 4 anos de prisão. Por isso, os restos mortais do guerrilheiro estão em pauta para que se decida sobre o seu destino, quando, pela lei, essa decisão deveria caber somente à família. A esposa de Guzmán, Elena Iparraguirre, também era integrante do SL e está encarcerada. Ainda assim, cabe a ela a decisão sobre o destino do marido. Ambos foram presos em 1992. 

 

- O Irã vai permitir que a agência nuclear da ONU faça manutenção nas câmeras de monitoramento das instalações nucleares iranianas. A informação é do chefe da AIEA – Agência Internacional de Energia Atômica – Rafael Grossi. Esta aproximação faz parte das conversas que buscam o reavivamento do acordo nuclear com o Irã de 2015, abandonado pelos EUA durante a gestão Trump. A imprensa americana criticou duramente o acordo e diz que Biden está “vendido” para uma reativação do acordo nuclear com o Irã. Enquanto isso, circulam informações de um think tank americano, o Instituto para Ciência e Segurança Internacional, com a mesma sigla do grupo terrorista ISIS, de que em aproximadamente um mês o Irã terá urânio enriquecido em quantidade suficiente para a produção de armas nucleares e o governo Biden está internamente pressionado para reagir. O novo presidente iraniano Ebrahim Raisi está conduzindo a política nuclear do país a um ponto em que os EUA precisarão baixar a guarda para negociar. O embaixador da Rússia na IAEA, Mikhail Ulyanov, se pronunciou ao dizer que o acordo alcançado com relação às câmeras de monitoramento é técnico mas muito importante, pois constrange as especulações sobre as atividades nucleares do país.

 

- Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da Síria, Bashar al-Assad, se reuniram ontem (13) em Moscou. Um dos pontos do debate foi sobre o terrorismo e segundo Putin, “ainda existem bolsões de resistência por parte de terroristas que controlam certos territórios”. No entanto, nas palavras de Assad em declaração conjunta com Putin, “nossos exércitos, posso constatar, deram uma enorme contribuição para proteção de toda a humanidade desse mal (terrorismo)”. Os dois governantes ainda sublinharam que as relações comerciais e econômicas entre os dois países cresceram 250% apenas na primeira metade de 2021. (fonte: Sputknik).

 

- Outro encontro desta semana foi entre o presidente egípcio Abdel Fattah Sisi e o premiê israelense Naftali Bennet. Primeiro encontro deste nível entre os dois países em 10 anos. Após o encontro, Bennet disse que o Egito possui um papel significativo para a “manutenção da estabilidade de segurança na Faixa de Gaza” (qual estabilidade??? questionamento inevitável desta autora das Notas). Em maio, o Egito mediou um cessar-fogo entre Israel e o Hamas que governa Gaza. 

 

- Ecoa internacionalmente e em especial na América Latina que enquanto o Brasil chega a 21 milhões de infectados pelo coronavírus, o presidente Bolsonaro admite não ter tomado nenhuma vacina contra o vírus. Ele ainda admitiu que já pode ter sido infectado pela segunda vez, de acordo com exames IGG. As declarações de Bolsonaro chocam o mundo poucos dias antes do presidente brasileiro abrir a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque. 

 

- O Brasil também foi citado na recente reunião do Conselho de Direitos Humanos da ONU. Durante a abertura do encontro, a presidente do Conselho, Michelle Bachelet, disse estar alarmada com “os recentes ataques contra membros dos povos Yanomami e Munduruku por garimpeiros ilegais na Amazônia”, além das “tentativas de legalizar a entrada de empresas em territórios indígenas e limitar a demarcação de terras indígenas”. O Brasil tem sido denunciado ao TPI – Tribunal Penal Internacional – por genocídio e crimes contra a humanidade por conta da situação dos povos indígenas. Bachelet também informou que seu escritório na ONU está preocupado com “a nova proposta de legislação antiterrorista no Brasil que inclui disposições excessivamente vagas e amplas que apresentam riscos de abusos, particularmente contra ativistas sociais e defensores dos direitos humanos”. 

 

- Em El Salvador estão marcadas mobilizações para amanhã, 15 de setembro. Mais de 32 entidades da sociedade civil estão unificadas para protestar pela restituição do Estado de Direito no país e para defender a democracia. Pelo menos três medidas do governo de Bukele têm provocado fortes reações na população: a entrada em vigor da lei do Bitcoin, o aval à reeleição imediata e a reforma da lei da carreira jurídica. Um dos pontos de encontro para a saída da marcha será a Universidade de El Salvador, com concentração de estudantes, ambientalistas e indígenas, em outros pontos estarão as feminista, sindicalistas e outros setores que somam mais de 30.

terça-feira, 18 de maio de 2021

Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 18/05/2021

 Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 18/05/2021

 

- A Faixa de Gaza segue sendo impiedosamente bombardeada. Na noite de ontem (17) o relatório do Ministério da Saúde palestino atestava 212 mortos, sendo 61 crianças, 36 mulheres e 16 idosos. Há quase 1500 feridos, incluindo também crianças, mulheres e idosos. Mais de 100 edifícios da faixa de Gaza foram atacados, vários derrubados e mais de 3500 residências destruídas. Em um dos edifícios derrubados, funcionavam os escritórios de mais de 20 órgãos de imprensa, entre eles a Aljazeera e a Associated Press, prejudicando por óbvio a divulgação de informações sobre o que está ocorrendo em Gaza. Até mesmo as equipes de emergência estão tendo dificuldades de transitar com ambulâncias pelas ruas dado o nível de destruição da infraestrutura palestina. Para hoje, 18 de maio, o partido nacionalista Al Fatah, do presidente Mahmud Abbas, está convocando uma greve geral de todos os palestinos residentes nos territórios ocupados de Jerusalém oriental e da Cisjordânia. Árabes israelenses também estão sendo chamados a se juntar. A tentativa de mediação de uma mediação entre palestinos e israelenses dos egípcios não apresentou nenhum resultado até agora. Segundo fontes palestinas, o que se propõe é um cessar fogo sem compromissos da parte israelense de não atacar palestinos em Jerusalém e lugares sagrados e isso não seria aceitável. Há também um enviado da ONU, Tor Wennesland, que está na região em conversações com autoridades palestinas, israelenses e egípcias. Os israelenses dizem que não houve contatos para cessar fogo e que a “operação” continuará. Sabe-se que Blinken, secretário de Estado dos EUA, também tem mantido conversas com o governo egípcio. O governo Biden dos EUA, se negou ontem (17) pela terceira vez em uma semana a referendar a declaração do Conselho de Segurança da ONU sobre o que chamam de “conflito israelense-palestino”. O texto foi escrito por representantes da China, Tunísia e Noruega e pede “o fim da violência e o respeito ao Direito Internacional Humanitário, incluindo a proteção de civis, especialmente crianças”. O Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU informou que quase 40 mil palestinos já abandonaram suas casas nesta semana de ataques. Os israelenses justificam que seus ataques são respostas aos mais de 3 mil projéteis lançados pelo Hamas contra Israel. A maioria dos foguetes foram interceptados pelos escudo antimísseis Domo de Ferro. As informações são de que 10 israelenses desde o dia 10 quando iniciaram as agressões contra os palestinos em Jerusalém oriental. Da última vez em que Israel atacou a Faixa de Gaza, em 2014, os ataques duraram 51 dias, deixando 2251 mortos do lado palestino e 74 em Israel, a maioria soldados. Ao custo da vida de muitos palestinos, ficou clara na última semana a decisão de líderes internacionais, como Biden e Merkel de tentar isolar os ataques israelenses como algo específico contra o Hamas. Tanto EUA, como Alemanha, tem argumentado que “Israel tem o direito de se defender dos ataques do Hamas”. Essa é linha que resolveram adotar enquanto não param de morrer famílias palestinas inteiras em Gaza.

 

- Na Colômbia, o governo Duque faz negociações durante o dia e mata pela noite, é o que dizem várias lideranças políticas, como o Senador Gustavo Petro em sua conta no twitter. De fato, após a imprensa internacional ter divulgado os passos dados na mesa de negociações entre governo e oposição no domingo (16) e na segunda (17), ontem circularam muitas imagens da militarização das rodovias em várias localidades como Yumbo, Boaventura, Antioquia, Cali e outras. Nas cenas percebe-se forte presença de militares, com tanques de guerra e armamento pesado, presença da polícia especial Esmad e paramilitares em cenas de violência contra civis. Em Yumbo houve a explosão de um posto de distribuição de gasolina, 29 pessoas feridas e pelo menos 3 mortas. A ofensiva se deu após uma ordem do presidente Duque, dada na noite de ontem (17) para que todas as vias do país fossem desbloqueadas. Novas manifestações estão sendo convocadas pelo Comitê Paro Nacional para amanhã, 19 de maio. Da mesa de negociações, o governo saiu com uma proposta para subsídio de 25% do valor de um salário mínimo para jovens entre 18 e 28 anos que sejam contratados. O salário mínimo na Colômbia é perto de 1300 reais. Curiosamente o nome do plano para os jovens é Plano de Choque. Mas na realidade o choque não é de investimentos nos jovens, pois na sequência do anúncio, Duque deu a ordem de acabar indiscriminadamente com todas as barricadas no país e os efeitos tem sido de mais violência e mortes como se viu durante a madrugada.

 

- Chilenas e chilenos já sabem quem serão (as e os) 155 representantes do povo responsáveis por escrever uma proposta de novo texto constitucional. De antemão, algumas características marcam a eleição, alta abstenção (40% compareceram para votar), muitos votos direcionados para candidates independentes (sem partido), novidade da paridade de gênero na composição da assembleia. A enorme pressão popular que emergiu nos protestos de 2019 foi o motor da vitória dos partidos e dos movimentos de esquerda na eleição e seguirá tendo grande papel nos trabalhos da Constituinte, pois nenhum bloco formou uma maioria de 2/3. A ultradireita e a direita neoliberal mais arraigada (Vamos por Chile) ficaram com 37 assentos, os partidos da esquerda (Apruebo Dignidad) conquistaram 28 e o centro (Apruebo) ficou com 25. Entre os independentes, dois grupos se destacaram, a Lista del Pueblo (lideranças populares antineoliberais sem partido), com 24 vagas, e a Nueva Constitución (católicos progressistas), com 11. Os povos indígenas terão 17 representantes escolhidos entre suas comunidades (Mapuches, Quechuas, Aimaras e outros).  Os demais 13 representantes são independentes, majoritariamente ligados às pautas de transformações defendidas nas manifestações desde 2019, aos temas ambientais, lideranças religiosas e comunitárias. Olhando para a composição da Assembleia fica forte a impressão de que o bloco Apruebo e seus partidos centristas poderão ser o fiel da balança para a formação dos 2/3 necessários para a aprovação das mudanças, mas também há ainda muitos questionamentos sobre a composição da enorme bancada dos independentes e como se comportará. 

 

- Mas o Chile também elegeu prefeitos, vereadores e governadores. E nessas eleições também houve derrotas importantes dos candidatos apoiados pelo governo Piñera. Dentro da grande Santiago, pelo menos em duas comunas foram eleitos comunistas, o candidato presidencial Daniel Jadue, que foi reeleito na Recoleta e Irací Hassler em Santiago. O partido Revolução Democrática, da Frente Amplio, também conquistou comunas importantes, como Viña del Mar, com a candidata Macarena Ripamonti. Para os 16 governos regionais, esta é a primeira vez em que a cidadania chilena elege as pessoas que ocuparão esses cargos, antes indicados pelo presidente, visto que o Chile é um Estado unitário e não uma Federação como o Brasil. Dos 16 cargos disputados, em 3 a eleição foi concluída domingo (16) e outros 13 vão para o segundo turno. As três regiões que já tem governadores eleitos são Valparaíso (Frente Ampla), Aysén (Partido Socialista) e Magallanes (Independente). Uma eleição que promete ser emocionante no segundo turno em 13 de junho é a da Região Metropolitana de Santiago em que concorrem Karina Olivo do Comunes e Claudio Orrego da Democracia Cristã.

 

- O diretor da OMS, Tedros Adhanom, disse que “o mundo vive apartheid de vacinas”. Segundo ele, países de alta renda respondem por 15% da população mundial e tem 45% das vacinas, enquanto os países de média e baixa renda somam quase metade da população mundial e possuem hoje 17% das vacinas. No continente africano, por exemplo, chegaram menos de 2% de todas as doses de imunizantes já fabricadas. Para piorar a situação, muitas matérias-primas e equipamentos para produzir as vacinas estão em falta. Isso poderia ser resolvido, segundo especialistas, com mais pressão sobre a indústria farmacêutica para cooperar mais com outras empresas, sem condicionantes e segredos. Por isso é tão importante a abertura das patentes e a transferência de tecnologia, para que mais fábricas possam produzir os imunizantes. Até agora não existe um consenso entre os países dentro da OMC (Organização Mundial do Comércio) para que isso seja feito.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 13/05/21

 Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 13/05/21 

 

- A agressão israelense contra palestinos continua sendo uma grande preocupação em todo o mundo. Ontem (12) houve reunião do Conselho de Segurança da ONU, mas a delegação dos EUA bloqueou a aprovação de uma resolução que pedia o fim das hostilidades.  As investidas do governo Netanyahu começaram no final de semana com o impedimento aos árabes de Jerusalém oriental de realizarem as atividades de celebração do dia de Al-Quds (Jerusalém) que marca o fim do Ramadã na esplanada das mesquitas, nas proximidades da mesquita de Al-Aqsa, e o desalojamento forçado de famílias palestinas do bairro Sheikh Jarrah. Houve reação dos palestinos na Faixa de Gaza, comandados pelo Hamas, com disparos de foguetes em direção ao lado israelense. O Hamas já havia se pronunciado ao dizer que “não há linha vermelha se Al-Aqsa for violada”. Há notícias de 7 israelenses mortos e 80 feridos. A contra-ofensiva israelense foi com bombardeios que já deixaram 84 mortos, sendo 17 crianças, e 480 feridos, segundo dados do Ministério da Saúde da Palestina divulgados pela Aljazeera. Um prédio de 13 andares foi derrubado por bombas lançadas dos aviões israelenses sobre a Faixa de Gaza. Várias companhias aéreas dos EUA e da Europa interromperam seus voos para Tel Aviv. O governo israelense, comandado por Benjamin Netanyahu insiste que Jerusalém seja reconhecida apenas como a capital do Estado judaico e isso tem trazido reações por parte de árabes não palestinos residentes em Jerusalém. Neste momento Gaza está absolutamente cercada e bloqueada e é iminente o esgotamento de alimentos e combustível. Uma delegação do governo do Egito teve conversações com a direção do Hamas e neste momento está em Israel na tentativa de mediação de um cessar-fogo. O chanceler do Egito, Sameh Shoukry, e o chanceler da Rússia, Sergey Lavrov, já se pronunciaram pedindo que Israel pare com os ataques a Gaza. Lavrov também propôs uma reunião entre EUA, União Europeia, Rússia e Nações Unidas para uma mediação. A Palestina teria eleições no próximo dia 22 de maio, como já comentamos aqui nas Notas, mas provavelmente serão adiadas. 

 

- Novas marchas ocorreram ontem (12) na Colômbia, convocadas pelo comitê nacional da paralisação. A convocação foi feita após o fracasso das negociações com o governo Duque na última segunda (10), que contou com a presença de representantes da ONU e da Igreja Católica. Segundo um dirigente sindical que participou da reunião, o governo não cedeu em nenhum pedido de desmilitarização dos pontos de protestos. A situação ficou ainda mais tensa com a comoção que tomou o país em torno da confirmação da morte de Lucas Villa Vásquez, de 37 anos, também na última segunda-feira (10). Lucas havia recebido oito disparos durante uma manifestação do dia 5 de maio em Pereira, no estado de Risaralda. A Esmad, que é uma força policial específica “anti-distúrbios” da Polícia Nacional colombiana, voltou a reprimir violentamente os protestos na Praça Bolívar em Bogotá, capital do país. Mobilizações ocorreram também em Medellín, Cali, Bucaramanga, Barranquilla, Pereira, Yopal, Cartagena, Neiva, Putumayo e outras cidades espalhadas pelo país. Os protestos pedem renda básica de um salário mínimo para as famílias mais vulneráveis à pandemia, retirada do projeto de Lei da Saúde, defesa da produção nacional e fim da repressão às manifestações. Não há consenso sobre o número de mortes fruto dos ataques do governo às manifestações desde 28 de abril. O governo, através de sua ouvidoria de direitos humanos, admite 26 mortes, a organização Human Rights Watch fala em 38 óbitos e o Instituto Indepaz relata que 47 pessoas foram assassinadas.

 

- O presidente da Argentina, Alberto Fernández, terminou uma viagem à Europa para buscar apoios ao seu governo no processo de negociação das dívidas que seu país herdou após a passagem do governo Macri com o FMI (US $45 bilhões) e o Clube de Paris (US $2,4 bilhões). Ele passou por Lisboa, onde recebeu apoio do governo português. Esteve na Espanha, onde se reuniu com o rei Felipe VI e com o premiê Pedro Sánchez, de quem também recebeu apoio. Inclusive, Sánchez deve fazer uma visita pessoal à Argentina nos dias 8 e 9 de junho. Depois da Espanha, Fernández foi a Paris, onde se reuniu com Macron e a Roma, onde foi recebido pelo governo e pelo Papa Francisco. Por onde passou, Fernández também pediu apoio para a quebra das patentes das vacinas contra o coronavírus como forma de combater a pandemia de modo mais eficiente.

 

- Nos EUA, durante o último final de semana, um ataque de hackers interditou o maior oleoduto do país, que transporta mais de 2,5 milhões de barris de óleo por dia, e roubou mais de 100 GB de informações. Diante da situação, foi necessária a declaração de estado de emergência em 17 Estados da costa leste. A emergência permite o transporte de combustíveis por via rodoviária sem restrições de horários. Enquanto a empresa controladora do oleoduto, Colonial, tenta reabrir suas operações, o governo Biden tem se concentrado em encontrar os responsáveis pelo ataque e a Rússia já foi citada. Ontem (11) a embaixada da Rússia nos EUA se pronunciou e negou qualquer participação no ataque virtual. 

 

- Ontem (12) a Câmara dos Deputados do Brasil aprovou o PL 3729/2004 que praticamente extingue o licenciamento ambiental no Brasil. A aprovação já ressoou pelo mundo e pode prejudicar ainda mais a imagem que se tem do país no exterior como um “pária ambiental”. Se virar lei, o projeto pode impactar muito nas negociações já frágeis do Acordo Mercosul-União Europeia. Na prática, o projeto cria uma situação de insegurança jurídica, pois deixará de haver um parâmetro nacional para as legislações estaduais nos 27 Estados da federação.

 

- Embora o COI faça cara de paisagem, as autoridades médicas do Japão estão cada vez mais contundentes na linha de rejeição à realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio. Um grande sindicato médico escreveu ao governo japonês, segundo divulgação da imprensa: “nós nos opomos com força à disputa dos Jogos de Tóquio em um momento em que as pessoas em todo o mundo lutam contra o novo coronavírus”. Os médicos consideram “impossível disputar os Jogos de forma segura durante a pandemia”. O maior temor é quanto às novas variantes que podem chegar ao país junto com os atletas e suas equipes. Faltam 10 semanas para a abertura dos Jogos.

 

- O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se pronunciou sobre as investidas de Juan Guaidó dos últimos dias de demonstrar busca de diálogo com o governo. Nas palavras de Maduro, “se ele quer (Guaidó) se incorporar aos diálogos que já estão em curso, desenvolvendo-se em todos os temas, bem vindo e que se incorpore aos diálogos que já existem”. A tentativa de diálogo se dá no âmbito da convocação de eleições pelo Conselho Nacional Eleitoral venezuelano. Serão reuniões regionais e municipais conjuntas, para eleger 23 governadores, 335 prefeitos, assim como deputados regionais e vereadores para compor as Câmaras legislativas.  

 

- O Chile se prepara para ir às urnas no final de semana. Para além dos 155 representantes que vão compor a nova Assembleia Constituinte, serão eleitos prefeitos, vereadores e pela primeira vez governadores regionais. Esse cargo de governador substituirá os “intendentes” que eram nomeados pelo presidente da República. Serão eleitos 16 governadores que serão a principal autoridade nas 16 regiões do país por um mandato de 4 anos, podendo ser reeleitos apenas uma vez. O segundo turno, para as regiões e municípios que não definirem a eleição no primeiro turno será no dia 13 de junho. Apesar da eleição direta para governador, o governo central manterá a indicação de um “delegado do governo” para cada região. Quanto aos constituintes, esta será a primeira vez em todo o mundo que se realiza uma eleição em que tanto as chapas como os eleitos terão paridade de gênero. Se dois homens forem os mais votados, a lista correrá até a mulher com mais votos. 

terça-feira, 20 de abril de 2021

INTERNACIONAL: Repercutimos a edição de 20/04/21 das Notas Internacionais - por Ana Prestes

 




Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 20/04/21 

 

- Vai acontecer essa semana, nos dias 22 e 23, a Cúpula de Líderes sobre o Clima, organizada pelo governo Joe Biden, dos EUA. Foram convidados 40 líderes internacionais. O encontro será uma espécie de pré-Cop 26, que ocorrerá na Escócia em novembro. O objetivo é debater as metas para alcançar a neutralidade de carbono. O Secretário John Kerry, designado para cuidar da agenda ambiental e climática do novo governo norte-americano foi pessoalmente a vários países convidados para a cúpula, inclusive à China. No sábado (17) foi publicada uma nota sobre o encontro entre Kerry e Xie Zhenhua, sua contraparte chinesa. No documento os dois países se comprometem a “cooperar bilateralmente e com outros países para enfrentar a crise do clima”. Antes da chegada de Kerry, a chancelaria chinesa havia sido bem dura ao se referir à saída dos EUA do Acordo de Paris (assinado em 2015) com Trump (2016-2020) e ao dizer que os americanos não podem voltar quatro anos depois dando as cartas sobre o tema. “É como a volta de um estudante que faltava às aulas” disse o porta-voz da chancelaria chinesa. A cooperação ou não entre EUA, Europa e China é também um dos pontos de interrogação do encontro, assim como da posição de países em desenvolvimento como Brasil, Índia e África do Sul. 

 

- O Brasil já foi uma liderança internacional no tema ambiental, tendo organizado a ECO 92 e desde lá sempre crescendo em influência, mas hoje, presidido por Bolsonaro, as posições brasileiras são encaradas com desconfiança e rechaço pela comunidade internacional. Afinal, Bolsonaro e seu ministro do meio ambiente têm sido negligentes e colecionam recordes em desmatamento, queimadas e contenção do papel dos órgãos de fiscalização, como Ibama e ICMBio. Nos dias que antecedem a cúpula, foram publicados dados de que o desmatamento da Amazônia no mês de março de 2021 foi o maior em 10 anos. Os dados são do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia) e apontam que 810 km² no mês, um aumento de 216% em relação ao mesmo período do ano anterior.

 

- O presidente Bolsonaro não escondeu o contentamento com a vitória e disse que pretende ir à posse do presidente eleito do Equador, Guillermo Lasso, em 24 de maio. Em uma mensagem no twitter, Bolsonaro disse que a vitória de Lasso reforça “nossa luta em defesa da democracia e da liberdade na região”. Na mesma mensagem ele diz que pretende ir à posse. O presidente brasileiro participou da posse de Lacalle Pou, no Uruguai, mas não compareceu à posse de Alberto Fernández, na Argentina, e tampouco de Luis Arce, na Bolívia. Ele não vai à posse de presidentes eleitos com projetos de esquerda. Enquanto isso, a primeira viagem de Lasso como presidente eleito foi ontem pela noite para a Colômbia onde se reunirá com o presidente Ivan Duque, fazendo a felicidade dos EUA.

 

- A Rússia já anunciou as retaliações às sanções impostas pelos EUA na semana passada, dia 15. O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que “a obsessão com sanções de nossos contrapartes americanos segue inaceitável”. O porta-voz da chancelaria chinesa, Zhao Lijian, também se pronunciou sobre as retaliações americanas ao dizer que elas “constituem política de força bruta e ‘bullying hegemônico’”. Serão banidos de entrar na Rússia oito pessoas que ocupam ou já ocuparam altos cargos na administração americana. Serão expulsos dez diplomatas. Há outras sanções americanas no plano econômico, como impeditivos de transações com títulos do tesouro russo e negociações entre empresas russas e americanas. As sanções e retaliações ocorrem em um momento de tensão entre os dois países em torno da questão ucraniana. Cerca de 80 mil soldados russos estão posicionados na fronteira com a Ucrânia e parte do Mar Negro foi fechado para navios de guerra estrangeiros, depois das ameaças feitas pelo governo de Kiev. Segundo o Ministério da Defesa russo, a passagem de navios estrangeiros militares ou estatais fica suspensa até 31 de outubro. Para o governo da Ucrânia, a medida viola leis internacionais sobre o trânsito marítimo. 


- O primeiro ministro japonês, Yoshihide Suga, é o primeiro a fazer uma visita à Casa Branca desde a posse de Joe Biden em janeiro deste ano. O ponto central do encontro foi a China. Em março os americanos já haviam retomado as conversas no âmbito do Quarteto (EUA, Austrália, Japão e Índia), também para tratar da relação com a China na região asiática. Em sua declaração durante o encontro, Biden disse que os EUA e o Japão estão “comprometidos em trabalhar juntos para enfrentar os desafios vindos da China em temas como os mares do Leste da China e do Sul da China, assim como a Coreia do Norte, para garantir um futuro de uma região Indo-Pacífica livre e aberta”. Taiwan, Hong Kong e Xinjiang também estiveram na pauta, como já era esperado. O premiê japonês ainda pediu o apoio de Biden para levar a cabo a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio mesmo em meio à pandemia.

 

- Na Alemanha, seguem os debates sobre a sucessão de Merkel, que está há 16 anos no poder. As eleições serão no dia 26 de setembro deste ano, de modo indireto e dentro do Bundestag (parlamento alemão). Esta semana, a CDU (União Democrata Cristã) reafirmou que apoia o presidente do partido e também governador do estado da Renânia do Norte-Vestfália, Armin Laschet, para ser o candidato a chanceler federal do país pela chapa CDU-CSU. Ele disputou a preferência com Markus Soder, presidente da CSU (União Social Cristã) e governador da Baviera. A rivalidade foi acirrada pois apesar de Laschet ser o mais próximo à Merkel e presidente do maior dos dois partidos, Soder vinha pontuado bem nas pesquisas de intenções de votos da população. O Partido Verde também já anunciou que sua candidata será Annalena Baerbock. Pesquisas recentes mostram que os verdes contam com 23% das intenções de voto, enquanto o SPD (Partido Social Democrata) conta com 18% e o Die Linke (A Esquerda) conta com 9%. Juntos, Verdes, SPD e Die Linke, podem formar um bloco que ameaça a aliança CDU-CSU. Já o FDP (Partido Liberal Democrático) pontua em 9%. Há um ano a CDU contava com uma aprovação de 40% da população, mas o fracasso na contenção da pandemia tem gerado muitas críticas da população e hoje pontuam entre 25% e 29%. Enquanto isso, o partido da extrema direita AfD (Alternativa para a Alemanha), que conta com 11% das intenções de voto, segue combatendo as medidas do governo Merkel com relação à pandemia e defendendo o DEXIT (o Brexit da Alemanha).

 

- As eleições no Peru seguem chamando atenção de todo o mundo, pela surpresa de um segundo turno formado por candidatos tão antagônicos como Pedro Castillo (Peru Libre) e Keiko Fujimori (Fuerza Popular). No último domingo (18), uma pesquisa da América TV com o Ipsos Peru apontou uma liderança de Castillo nas intenções de voto, pontuando com 42% contra 31% de Keiko. Declaradamente um candidato de esquerda, o professor Castillo vem recebendo fortes ataques da direita, que apelam para os eleitores mais conservadores naquele discurso bem conhecido aqui no Brasil de que o Peru seria transformado em uma Cuba ou uma Venezuela. Enquanto isso, a candidata de direita, Keiko, tenta autorização da justiça para poder viajar pelo país para fazer campanha, uma vez em que ela está sob liberdade condicional devido aos inúmeros processos de investigação sobre corrupção aos quais responde. É bom lembrar que 70% não votou em nenhum dos dois candidatos no 1º turno, o que aponta um segundo turno ainda muito incerto.

 

- Os EUA já passaram a marca dos 50% da população adulta vacinada contra Covid-19. As informações estão na imprensa e são do CDC (Centro de Controle de Doenças) do país. Mais de 30% dessas pessoas já tomaram as duas doses da vacina. Observando a curva de infecções pelo coronavírus na população norte-americana fica evidente o efeito da vacina. Se em 8 de janeiro o país chegou a ter 300 mil novos casos em 24h, ontem, 18 de abril, foram registrados 40 mil novos casos. 

 

- Em Cuba, foi concluído o 8º Congresso do Partido Comunista Cubano e Raúl Castro foi substituído por Miguel Díaz-Canel como Primeiro Secretário do coletivo partidário em um claro movimento de mudança geracional de liderança política com continuidade do projeto revolucionário. Simbolicamente, o congresso terminou no mesmo dia (19 de abril) em que se deu a vitória na Batalha de Girón, após tentativa de invasão militar norte-americana na Baía dos Porcos, há exatos 60 anos.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

INTERNACIONAL - Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 25/02/21 - Uma pesquisa realizada nos EUA com 2596 cidadãos, pelo Pew Research Center, entre 1º e 7 de fevereiro, e comentada em artigo de Rafael Balago na FSP, mostra que 75% dos americanos esperam que a política externa de Biden seja capaz de promover a proteção dos empregos nacionais. Junto com emprego, as maiores preocupações dos americanos em relação à política externa são o terrorismo e as doenças contagiosas, ambos preocupam 71% dos americanos. O controle da proliferação de armas de destruição em massa foi citado por 64%. A pesquisa fez ainda uma estratificação entre as pessoas que se identificam com republicanos ou democratas. Aqueles que se identificam como republicanos se preocupam mais com a proteção ao emprego (85%) e terrorismo (81%). Já os que se identificam como democratas se preocupam mais com controle de doenças contagiosas (80%) e mudanças climáticas (70%). Mais infos: https://tinyurl.com/8cbxn3sj - Ainda sobre o artigo de Balago na FSP, ele nos lembra que, sob Trump, o desemprego nos EUA chegou a ficar em 3,5% antes da pandemia. Menor índice em meio século. Depois da pandemia, no entanto, foi para 14,7%, maior índice desde a grande depressão causada pela crise de 1929. Em janeiro deste ano (2021) o índice ficou em 6,3%, ou seja, 10,1 milhões de norte-americanos em busca de trabalho. - Os EUA querem voltar pra valer para o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Segundo o chefe do departamento de Estado, Antony Blinken, os americanos vão abandonar a política da “cadeira vazia” de Trump. Eles vão concorrer a um assento para o mandato de 2022-2024. Trump havia abandonado o conselho em 2018. Em seu discurso, no entanto, Blinken não deixou de dar uma alfinetada no CDH dizendo que o órgão dá uma “atenção desproporcional a Israel”. Criticou ainda a Rússia pelo tratamento dado aos opositores de Putin, com citação nominal a Navalny e a China por “atrocidades” cometidas em Xinjiang e Hong Kong. O CDH tem 47 membros plenos, eleitos pela maioria dos Estados da AGNU (assembleia geral da ONU) para um mandato de três anos. Os demais países não eleitos ficam como observadores. Hoje os EUA têm status de observadores nesta 46ª sessão do CDH que começou segunda (22). - Por falar na 46ª sessão do CDH, o Brasil participa através do ministro Ernesto Araújo e da ministra Damares Alves. A ministra falou do projeto “Abrace o Marajó” que deverá cuidar da Amazônia e da população que vive no bioma amazônico. Ela também pintou um quadro de ficção sobre o enfrentamento do governo brasileiro à pandemia. Segundo ela, “o governo brasileiro apresentou planos de contingência, estruturados nos eixo saúde, proteção social e proteção econômica” e que o governo garantiu a vacinação de profissionais de saúde, idosos e povos indígenas. A fala de Araújo tentou ser protocolar: “trabalharmos para uma ordem internacional que honre os padrões estabelecidos na Declaração Universal...”, mas na prática foi absurda, com sua bandeira da Ordem de Cristo ao fundo, disse que as populações estão sacrificando suas liberdades em troca de saúde. Em sua coluna, Jamil Chade, comenta que cerca de 60 organizações brasileiras fizeram uma carta afirmando que a fala do governo brasileiro no CDH não representa a realidade, pois a verdade é que o próprio governo patrocina graves e persistentes violações dos direitos humanos na condução das políticas frente à pandemia no país. Coluna de J. Chade: shorturl.at/yKR23 - O governo da Venezuela declarou Isabel Brilhante, Embaixadora da União Europeia no país, persona non grata. Deu 72 horas para que ela deixe o país. A decisão veio após o bloco apresentar novas sanções contra 19 funcionários, incluindo Indira Alfonzo, presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e Remigio Ceballos, militar de alta patente. As sanções incluem a proibição de viagens para os países do bloco e o congelamento de bens. - Em Israel, um estudo realizado com 1,2 milhão de pessoas confirma que a vacinação massiva tem potencial de deter a pandemia. Os israelenses estão usando a vacina Pfizer/Biontech. Este é o primeiro grande estudo em condições de vacinação em massa com a vacina Pfizer e foi publicado ontem (24) na New England Journal of Medicine. O uso das duas doses do imunizante reduziu os casos sintomáticos de covid-19 em 94% em todas as faixas etárias. A vacinação começou em Israel em 19 de dezembro e até hoje, dos mais de 9 milhões de habitantes, metade já recebeu a primeira dose e um terço as duas doses. Transformando o país em um laboratório de estudo do “mundo real”. Mais infos: https://tinyurl.com/2cxyxz2b - Mas por falar em Israel e vacina, circulam informações de que procurado por vários países para obtenção de vacinas, o premiê Benjamin Netanyahu estaria condicionando doações ao reconhecimento de Jerusalém como capital do país. A denúncia foi feita pelo jornalista Sami Boukhelifa, correspondente da Rádio França Internacional (RFI) em Israel. - Quando olhamos para o mapa de evolução da vacinação pelo mundo, a situação dos países da União Europeia chama atenção. Na média dos países, apenas 6% da população foi vacinada com a primeira dose dos imunizantes. Resultado bastante distante do Reino Unido, por exemplo. A pressão está tão forte que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que representa os 27 países membros, foi obrigada a admitir falhas em recente entrevista. Segundo ela: “demoramos para autorizar, fomos muito otimistas quanto à capacidade de produção e talvez muito confiantes de que o que pedimos seria realmente entregue”. Os três fabricantes contratados fizeram cortes nas quantidades vendidas: Pfizer, Astrazeneca e Moderna. Boatos sobre a ineficácia das vacinas e exigências para a população, como na França em que se requer consulta médica para tomar a vacina, também tem colaborado pela estagnação do processo. Mais infos: shorturl.at/loxAL - Já na América Latina, o Chile lidera a corrida da vacinação com 14% da população já vacinada. O país foi o primeiro a iniciar a vacinação na região e em 21 dias mais de 3 milhões de pessoas já haviam recebido pelo menos a primeira dose, segundo o Our World in Data. O país possui 19 milhões de habitantes e pretende ter 5 milhões de vacinados até o fim de março e 15 milhões até o fim de julho. Eles estão usando as vacinas da Sinovac, Astrazeneca, Pfizer e Johnson & Johnson. Você pode acessar o mapa de vacinação no site do Opera Mundi: shorturl.at/nsGZ0 - O primeiro país a receber um lote de vacinas do fundo Covax será Gana, localizado na África Ocidental. O país deve receber 600 mil doses da vacina AstraZeneca, fabricada pelo Instituto Serum, da Índia. O mesmo instituto vai fabricar o primeiro bilhão de doses do fundo. Foi o primeiro passo daquele que pode ser o maior empreendimento de fornecimento e distribuição de vacinas da história do planeta. Só em 2021, cerca de 2 bilhões de vacinas podem ser distribuídas. A OMS tem sistematicamente denunciando que países ricos estão minando o sistema Covax ao abordarem diretamente os fabricantes para obterem mais doses. - Uma situação que não comentei por aqui, mas está se desenrolando desde o final de semana passado é o da desestabilização política na Armênia. Poucos meses após o conflito com Azerbaijão pelo território de Nagorno-Karabakh, que comentei bastante aqui nas Notas, Forças Armadas e governo armênio estão em confronto. O comando do Estado-Maior pediu a renúncia do premiê Nikol Pashinyan alegando “incapacidade de tomar decisões adequadas”. O premiê está denunciando tentativa de golpe, destituiu o chefe do Estado-Maior e está convocando a população para protestar nas ruas. Pashinyan sofre pressão desde o confronto com o Azerbaijão, com mediação de um cessar-fogo pela Rússia, em que aceitou a conquista de áreas de Nagorno-Karabakh por azeris, além da retirada de tropas armênias da região. O cessar-fogo é visto pelos militares como humilhação nacional.






Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 25/02/21
 
- Uma pesquisa realizada nos EUA com 2596 cidadãos, pelo Pew Research Center, entre 1º e 7 de fevereiro, e comentada em artigo de Rafael Balago na FSP, mostra que 75% dos americanos esperam que a política externa de Biden seja capaz de promover a proteção dos empregos nacionais. Junto com emprego, as maiores preocupações dos americanos em relação à política externa são o terrorismo e as doenças contagiosas, ambos preocupam 71% dos americanos. O controle da proliferação de armas de destruição em massa foi citado por 64%. A pesquisa fez ainda uma estratificação entre as pessoas que se identificam com republicanos ou democratas. Aqueles que se identificam como republicanos se preocupam mais com a proteção ao emprego (85%) e terrorismo (81%). Já os que se identificam como democratas se preocupam mais com controle de doenças contagiosas (80%) e mudanças climáticas (70%). Mais infos: https://tinyurl.com/8cbxn3sj
 
- Ainda sobre o artigo de Balago na FSP, ele nos lembra que, sob Trump, o desemprego nos EUA chegou a ficar em 3,5% antes da pandemia. Menor índice em meio século. Depois da pandemia, no entanto, foi para 14,7%, maior índice desde a grande depressão causada pela crise de 1929. Em janeiro deste ano (2021) o índice ficou em 6,3%, ou seja, 10,1 milhões de norte-americanos em busca de trabalho.
 
- Os EUA querem voltar pra valer para o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Segundo o chefe do departamento de Estado, Antony Blinken, os americanos vão abandonar a política da “cadeira vazia” de Trump. Eles vão concorrer a um assento para o mandato de 2022-2024. Trump havia abandonado o conselho em 2018. Em seu discurso, no entanto, Blinken não deixou de dar uma alfinetada no CDH dizendo que o órgão dá uma “atenção desproporcional a Israel”. Criticou ainda a Rússia pelo tratamento dado aos opositores de Putin, com citação nominal a Navalny e a China por “atrocidades” cometidas em Xinjiang e Hong Kong. O CDH tem 47 membros plenos, eleitos pela maioria dos Estados da AGNU (assembleia geral da ONU) para um mandato de três anos. Os demais países não eleitos ficam como observadores. Hoje os EUA têm status de observadores nesta 46ª sessão do CDH que começou segunda (22).
 
- Por falar na 46ª sessão do CDH, o Brasil participa através do ministro Ernesto Araújo e da ministra Damares Alves. A ministra falou do projeto “Abrace o Marajó” que deverá cuidar da Amazônia e da população que vive no bioma amazônico. Ela também pintou um quadro de ficção sobre o enfrentamento do governo brasileiro à pandemia. Segundo ela, “o governo brasileiro apresentou planos de contingência, estruturados nos eixo saúde, proteção social e proteção econômica” e que o governo garantiu a vacinação de profissionais de saúde, idosos e povos indígenas.  A fala de Araújo tentou ser protocolar: “trabalharmos para uma ordem internacional que honre os padrões estabelecidos na Declaração Universal...”, mas na prática foi absurda, com sua bandeira da Ordem de Cristo ao fundo, disse que as populações estão sacrificando suas liberdades em troca de saúde. Em sua coluna, Jamil Chade, comenta que cerca de 60 organizações brasileiras fizeram uma carta afirmando que a fala do governo brasileiro no CDH não representa a realidade, pois a verdade é que o próprio governo patrocina graves e persistentes violações dos direitos humanos na condução das políticas frente à pandemia no país. Coluna de J. Chade: shorturl.at/yKR23
 
- O governo da Venezuela declarou Isabel Brilhante, Embaixadora da União Europeia no país, persona non grata. Deu 72 horas para que ela deixe o país. A decisão veio após o bloco apresentar novas sanções contra 19 funcionários, incluindo Indira Alfonzo, presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e Remigio Ceballos, militar de alta patente. As sanções incluem a proibição de viagens para os países do bloco e o congelamento de bens. 
 
- Em Israel, um estudo realizado com 1,2 milhão de pessoas confirma que a vacinação massiva tem potencial de deter a pandemia. Os israelenses estão usando a vacina Pfizer/Biontech. Este é o primeiro grande estudo em condições de vacinação em massa com a vacina Pfizer e foi publicado ontem (24) na New England Journal of Medicine. O uso das duas doses do imunizante reduziu os casos sintomáticos de covid-19 em 94% em todas as faixas etárias. A vacinação começou em Israel em 19 de dezembro e até hoje, dos mais de 9 milhões de habitantes, metade já recebeu a primeira dose e um terço as duas doses. Transformando o país em um laboratório de estudo do “mundo real”. Mais infos: https://tinyurl.com/2cxyxz2b
 
- Mas por falar em Israel e vacina, circulam informações de que procurado por vários países para obtenção de vacinas, o premiê Benjamin Netanyahu estaria condicionando doações ao reconhecimento de Jerusalém como capital do país. A denúncia foi feita pelo jornalista Sami Boukhelifa, correspondente da Rádio França Internacional (RFI) em Israel.
 
- Quando olhamos para o mapa de evolução da vacinação pelo mundo, a situação dos países da União Europeia chama atenção. Na média dos países, apenas 6% da população foi vacinada com a primeira dose dos imunizantes. Resultado bastante distante do Reino Unido, por exemplo. A pressão está tão forte que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que representa os 27 países membros, foi obrigada a admitir falhas em recente entrevista. Segundo ela: “demoramos para autorizar, fomos muito otimistas quanto à capacidade de produção e talvez muito confiantes de que o que pedimos seria realmente entregue”. Os três fabricantes contratados fizeram cortes nas quantidades vendidas: Pfizer, Astrazeneca e Moderna. Boatos sobre a ineficácia das vacinas e exigências para a população, como na França em que se requer consulta médica para tomar a vacina, também tem colaborado pela estagnação do processo. Mais infos: shorturl.at/loxAL
 
- Já na América Latina, o Chile lidera a corrida da vacinação com 14% da população já vacinada. O país foi o primeiro a iniciar a vacinação na região e em 21 dias mais de 3 milhões de pessoas já haviam recebido pelo menos a primeira dose, segundo o Our World in Data. O país possui 19 milhões de habitantes e pretende ter 5 milhões de vacinados até o fim de março e 15 milhões até o fim de julho. Eles estão usando as vacinas da Sinovac, Astrazeneca, Pfizer e Johnson & Johnson. Você pode acessar o mapa de vacinação no site do Opera Mundi: shorturl.at/nsGZ0
 
- O primeiro país a receber um lote de vacinas do fundo Covax será Gana, localizado na África Ocidental. O país deve receber 600 mil doses da vacina AstraZeneca, fabricada pelo Instituto Serum, da Índia. O mesmo instituto vai fabricar o primeiro bilhão de doses do fundo. Foi o primeiro passo daquele que pode ser o maior empreendimento de fornecimento e distribuição de vacinas da história do planeta. Só em 2021, cerca de 2 bilhões de vacinas podem ser distribuídas. A OMS tem sistematicamente denunciando que países ricos estão minando o sistema Covax ao abordarem diretamente os fabricantes para obterem mais doses.
 
- Uma situação que não comentei por aqui, mas está se desenrolando desde o final de semana passado é o da desestabilização política na Armênia. Poucos meses após o conflito com Azerbaijão pelo território de Nagorno-Karabakh, que comentei bastante aqui nas Notas, Forças Armadas e governo armênio estão em confronto. O comando do Estado-Maior pediu a renúncia do premiê Nikol Pashinyan alegando “incapacidade de tomar decisões adequadas”. O premiê está denunciando tentativa de golpe, destituiu o chefe do Estado-Maior e está convocando a população para protestar nas ruas. Pashinyan sofre pressão desde o confronto com o Azerbaijão, com mediação de um cessar-fogo pela Rússia, em que aceitou a conquista de áreas de Nagorno-Karabakh por azeris, além da retirada de tropas armênias da região. O cessar-fogo é visto pelos militares como humilhação nacional.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 22/02/21






Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 22/02/21

 

- O final de semana foi agitado na Argentina com a demissão do Ministro da Saúde, Ginés González García, na sexta (19), a pedido do presidente Alberto Fernández, após ter sido descoberto um esquema de desvio de vacinas contra Covid19. O jornal Página 12 trouxe as seguintes aspas de Fernández: “Ginés foi um grande ministro. E, além disso, o adoro. Mas o que ele fez é imperdoável. (...) Eu não tolero coisas assim. Não faço coisas assim. Dirijo meu próprio carro. Quando eu não era funcionário público e me ofereceram para ir à sala VIP sem fila, eu recusei. Como presidente não posso consentir que esses privilégios sejam concedidos”. Pessoas que não faziam parte dos grupos prioritários que estão sendo vacinados, profissionais de saúde e maiores de 70, e que têm relações próximas ao Ministro foram vacinadas. No sábado assumiu o ministério, como substituta, a médica Carla Vizzotti que já trabalhava na pasta na secretaria de acesso à Saúde. Ela foi uma das principais articuladoras para trazer a vacina russa Sputnik V para a Argentina. A imprensa argentina está chamando o caso de “Vacinação VIP”. As pessoas teriam sido vacinadas na própria sede do ministério. 

 

- Por falar em vacina russa, a Rússia acaba de registrar sua terceira vacina contra a Covid19. Foi o anúncio do primeiro-ministro Mikhail Mishustin no sábado (20). Segundo ele, as doses da terceira vacina já estarão disponíveis em março, embora os testes de fase 3 ainda não tenham sido realizados. A notícia foi muito comemorada pelo governo russo, pois a Rússia é hoje o único país que possui três vacinas praticamente prontas. O nome da nova vacina será Kovivak. As outras duas são a Sputnik V e a EpiVacCorona. A diferença da última vacina anunciada é que ela usa a tecnologia tradicional do vírus inativado (partes do próprio vírus Sars-CoV-2 morto), enquanto as outras usam vetores de adenovírus (vetor viral não-replicante de adenovírus de chimpanzé com gene do Sars-CoV-2 inserido), mesma tecnologia da vacina da Oxford/AstraZeneca. A vacina russa Sputnik V, que a princípio foi vista com desconfiança pela comunidade internacional, melhorou sua imagem ao ser validada pela revista científica The Lancet e já está sendo aplicada na Argentina, na Bolívia e na Venezuela por aqui na América Latina.

 

- Ainda no tema das vacinas russas, o precioso imunizante está se transformando em instrumento de ação geopolítica não somente na América Latina, mas em cenários mais complexos também. Foi muito comentado no final de semana o vazamento da informação sobre uma cláusula secreta de um acordo envolvendo a Rússia, a Síria e Israel para troca de prisioneiros. Segundo esta cláusula, como parte da troca para trazer de volta seus cidadãos que estão presos na Síria, Israel compraria milhares de doses da Sputnik V e doaria para a Síria.

 

- E por falar em Israel, o país passará por nova eleição daqui justamente um mês, no dia 23 de março. Justamente em um momento em que Netanyahu é réu em três processos na justiça, o Tribunal Penal Internacional tem acolhido denúncias contra seu governo e ele ainda tem recebido forte pressão internacional por não estender seu programa de vacinação para a população palestina na Cisjordânia e Gaza. Esta já é a quarta eleição em apenas dois anos. Os prognósticos eleitorais não são nada animadores, dado que pode haver ainda maior recrudescimento da direita sionista comandada por Netanyahu e que alimenta os colonos fundamentalistas. 

 

- Em seu discurso anual no Conselho de Direitos Humanos da ONU, que realiza sua 46ª reunião, o Secretário Geral da organização, António Guterres, citou apenas um país: Mianmar. O país vive protestos intensos e muita repressão há semanas, já relatados aqui nestas Notas, desde que o exército do país deu um golpe e impediu a posse em 1º de fevereiro do governo liderado pela Sra. Aung San Suu Kyi (agora presa) reeleita em novembro do ano passado. Mesmo os militares dizendo que as pessoas que vão aos protestos se “arriscam a morrer”, as manifestações tem sido gigantescas. Guterres também citou uma outra chaga do país que é a limpeza étnica da população rohingya.

 

- Um comboio das Nações Unidas foi atacado na República Democrática do Congo e matou o Embaixador da Itália no país, Lucca Attanasio. Foi um ataque a tiros em Goma, na face leste do país, próximo à fronteira com a Ruanda. O comboio fazia um monitoramento do Programa Mundial de Alimentos. Além do Embaixador, mais duas pessoas teriam morrido no ataque. A região é área de disputa por controle de riquezas naturais.

 

- O final de semana foi também de intensas manifestações em Barcelona, capital da Catalunha, na Espanha, após a prisão, no decorrer da semana, do rapper Pablo Hasél. Nas ramblas (avenidas para trânsito de pedestres) barricadas foram formadas por manifestantes para se defenderem da polícia. O rapper foi preso e condenado a nove meses de prisão por tweets em que ataca a monarquia e a polícia. O governo espanhol está dividido sobre os protestos, de um lado o PSOE de Pedro Sánchez condena e do outro o Podemos de Pablo Iglésias apoia os manifestantes.

 

- Por falar na Catalunha, a região passou por eleições no último dia 14 de fevereiro. Houve grande abstenção com mais de 50% da população não indo votar. No entanto, dos que foram votar, mais de 50% votou em uma pauta pró-independentista. O Partido Socialista foi o mais votado com 23% dos votos. Em seguida veio a Esquerda Republicana com 21,31% e o Juntos pela Catalunha (de Carles Puigdemont) com 20,04%. Uma surpresa foi o Vox ter alcançado 11 cadeiras no parlamento e a queda do Ciudadanos de 36 cadeiras para 6. O PP também foi mal com 3 cadeiras conquistadas. Apesar da votação do PSOE, as siglas separatistas devem formar governo, a ERC (esquerda republicana) junto com o JxCAT (juntos por Catalunha) e a CUP (unidade popular) somam 74 parlamentares de uma assembleia com 135 assentos. Esses partidos são os mesmos que patrocinaram o plebiscito separatista de 2017 que obteve 98% de votos pela independência da região. Para quem não conhece essa história, o governo não reconheceu o plebiscito e seus principais articuladores foram presos, o presidente regional de então, Puigdemont continua foragido em Bruxelas, na Bélgica.

 

- Vai ocorrer amanhã (23) uma cúpula de líderes mundiais do Conselho de Segurança da ONU para tratar das "implicações da mudança climática para a paz mundial”. A reunião será por videoconferência e foi convocada por Boris Johnson, premiê do Reino Unido, que ocupa a presidência rotativa do Conselho. Estão previstos os discursos de John Kerry, responsável pelo tema no governo Biden, do presidente francês E. Macron, do ministro chinês das relações exteriores Wang Yi e dos primeiros ministros da Irlanda, Vietnam e Noruega, entre outros. A reunião debaterá os aspectos de segurança mundial frente à mudança climática. Há uma polêmica hoje instalada se o tema ambiental deveria ser foco de reuniões do Conselho de Segurança da ONU. 

 

- Finalmente o Conselho Nacional Eleitoral – CNE - do Equador anunciou ontem (21) o resultado oficial das eleições presidenciais de 7 de fevereiro, apontando que Andrés Arauz disputará o segundo turno em 11 de abril com Guilherme Lasso. Arauz teve 32,72% dos votos e Lasso 19,74% segundo o órgão eleitoral. Uma marcha indígena está se dirigindo à capital do país, Quito, para protestar contra o resultado que o candidato Yaku Pérez alega ser fraudulento. 

 

- Outra notícia muito comentada no final de semana foi a chegada do robô Perseverance à superfície de Marte. Trata-se de uma sonda produzida pela NASA e que viajou 480 milhões de quilômetros, ao longo de 8 meses e teve pouso bem sucedido, após ter entrado em Marte a uma velocidade de 20 mil km/h. Uma grande frustração se deu, no entanto, por conta da má qualidade das primeiras imagens enviadas pós-pouso. Mas logo a NASA conseguiu publicar imagens melhores. O objetivo da sonda é identificar sinais de vidas passadas no planeta, como vestígios químicos de vida nas rochas com restos de compostos orgânicos (carbono) ou comunidades microbianas fossilizadas (Infos: G1 Mundo).

quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 27/01/21


 


Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 27/01/21

                                                                                                                                                                                            - Há uma polêmica instalada sobre a realização dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos em Tóquio este ano, marcados para o período que vai de 23 de julho a 8 de agosto (olímpicos) e 24 de agosto a 5 de setembro (paraolímpicos). As pesquisas de opinião publicadas pela imprensa americana apontam que 80% dos japoneses não querem a realização dos jogos no país. Há muita especulação se o governo japonês irá cancelar o evento. O governo japonês estaria condicionando a realização dos jogos alguns fatores, tais como: a) controle do atual ressurgimento de casos de Covid; b) os participantes do evento terão que aceitar o rastreamento de seus passos via smartphones; c) a vacinação precisa começar no país em fevereiro (o Japão já adquiriu 314 milhões de doses da Pfizer, Moderna e AstraZeneca para sua população de 126 milhões de pessoas). Outra notícia que circula é que as autoridades da Flórida, nos EUA, teriam oferecido ao Comitê Olímpico Internacional – COI – a possibilidade de sediar os jogos no caso da desistência do Japão.            

                                                                                                                                                                                            - Após perder maioria no Senado na semana passada, o premiê italiano Giuseppe Conte renunciou e está aberta uma série de possibilidades para a bastante instável política italiana. Há três hipóteses na mesa: que Conte consiga organizar uma coalizão e garantir que o presidente Mattarella dê aval a seu terceiro governo, antecipação das eleições ou apontamento de outro primeiro-ministro com a formação de uma nova maioria. A crise foi gerada pelas diferenças em torno da aplicação do pacote de 200 bilhões de Euros da União Europeia para a reconstrução do país no contexto da pandemia. O ex-primeiro ministro Matteo Renzi retirou seu partido Itália Viva da coalizão governante e assim quebrou a maioria que havia no Senado. Com a saída do Itália Viva de Renzi, a coalizão de Conte ficou entre os partidos M5Estrelas, PD (Partido Democrático), LeU (Livres e Iguais – que abarca o Articolo Uno, Sinistra Italiana e o Possibile). Enquanto isso, a ultra direita liderada por Salvini e Georgia Meloni estão construindo alianças para tentar alcançar o poder, se não agora, em um futuro próximo. Os partidos, Liga, Irmãos de Itália e Força Itália, serão ouvidos juntos nas consultas feitas pelo presidente Mattarella. As últimas pesquisas divulgadas pela TV RAI apontam que, somados, os partidos da coalizão da ultradireita contam com quase 48% das intenções de voto.

                                                                                                                                                                                            - Na Holanda, uma onda de destruição contra as restrições impostas pelo governo para conter a pandemia está sendo promovida por pessoas que estão sendo chamadas de “hooligans corona”. Até mesmo instalações hospitalares e laboratórios estão sendo depredados. Partidos de extrema direita, como o Partido pela Liberdade e o Fórum pela Democracia, são apontados como os responsáveis por incitar principalmente jovens a protestar violentamente contra o lockdown, uso de máscaras e qualquer restrição sanitária com o discurso de “privação de liberdade”. Na Holanda, atualmente quem sai de casa sem motivo entre as 21h e as 4h30 paga multa de 95 euros, além disso, bares, restaurantes, escolas e comércio não essencial estão fechados. Isso se deve aos altos índices de contágios e mortes em um dos países que mais demorou a tomar medidas contra o vírus e é um dos últimos europeus a iniciar uma campanha de vacinação.

                                                                                                                                                                                                - Ainda sobre a pandemia na Europa, o Reino Unido foi o primeiro país europeu a chegar a uma marca de 100 mil mortes pelo coronavírus. Em entrevista, o primeiro ministro Boris Johnson assumiu a responsabilidade por todas as ações do governo na pandemia, mas não apontou se haverá alguma mudança nas políticas direcionadas a conter contágios e mortes. Há uma grande aposta nas vacinas e na proibição de entrada de estrangeiros. Em Portugal, ontem o presidente Marcelo Rebelo cogitou pedir ajuda internacional após um dos hospitais, localizado em Amadora, ter que transferir às pressas vários pacientes para a capital, Lisboa, por insuficiência no suprimento de oxigênio. O país também está batendo recordes de contágios e mortes nos últimos dias. Ao todo, 11 mil portugueses já perderam a vida para a Covid.

                                                                                                                                                                                            - O Senado americano aprovou ontem (26) a indicação de Antony Blinken para assumir o cargo de Secretário de Estado dos EUA. Foram 78 votos a favor e 22 contrários (todos republicanos). Sua sabatina ocorreu em 19 de janeiro, um dia antes da posse de Biden, mas somente ontem veio a confirmação de sua indicação. Blinken já foi das equipes de assessoramento internacional e diplomacia estatal de Clinton, Obama e do próprio Biden quando vice-presidente e é conhecido pela defesa de uma política intervencionista na Líbia e na Síria, para citar somente dois casos. Com a aprovação de Blinken, Biden já conta com Jake Sullivan, Conselheiro de Segurança Nacional, que não precisa da aprovação do Senado, Avril Haines, como Diretora Nacional de Inteligência e o Secretário de Defesa, Lloyd Austin, ambos já aprovados pelo Senado. Só para termos um pequeno exemplo do que Blinken pensa sobre América Latina, em sua sabatina no Senado, interpelado pelo Senador Marco Rubio sobre qual será a relação com a Venezuela, ele disse que pretende fazer com que o governo Maduro “sinta realmente a dor” das sanções impostas pelos EUA, em um indicativo de que aumentará a pressão sobre o país. Vídeo com íntegra da sabatina de Blinken no Senado:  https://www.youtube.com/watch?v=uRzjGxmI6Oo

                                                                                                                                                                                            - O Senado americano também aceitou ontem (26) dar continuidade ao processo de impeachment contra Trump, por incitação à invasão do Capitólio. A votação ficou em 55 a favor e 45 contrários, somente 5 republicanos votaram contra Trump. Para que ele seja condenado são necessários 67 votos. Sua condenação abriria caminho para a inelegibilidades e perda de uma série de prerrogativas destinadas aos ex-presidentes. Durante a sessão, foi quente o debate sobre a constitucionalidade ou não do impeachment de um presidente que já não está no cargo. Um dos senadores republicanos (Rand Paul) disse: “cidadãos privados não sofrem impeachment. O impeachment é para a remoção do cargo, e o acusado aqui já está fora do cargo”. Ao que, outra senadora (Lisa Murkowski) respondeu: “é constitucional o reconhecimento do impeachment não somente para remover um presidente, mas também por ser uma questão com consequências políticas”. 

                                                                                                                                                                                            - O novo presidente dos EUA, Joe Biden, teve seu primeiro contato com o presidente russo Vladimir Putin. Na pauta da conversa, segundo as agências de notícias, esteve a prisão do líder oposicionista Navalny, a situação da Ucrânia, a suposta cyber-espionagem russa e a prorrogação por cinco anos do acordo nuclear Novo Start (assinado em 2010 por Obama e Medvedev). Nas palavras do chanceler russo, Sergei Lavrov no último dia 18 de janeiro, em uma conferência de imprensa, para eles “a mais importante prioridade é a situação absolutamente anormal na esfera do controle de armamentos” e que o país estaria pronto para negociar com Biden a prorrogação do Novo Start que vence dia 5 de fevereiro e que ficou sem solução com Trump. Sobre Navalny, antes do telefonema de Biden para Putin, o conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan já havia enviado mensagem via redes sociais de que “Mr. Navalny deveria ser solto imediatamente...”. Biden telefonou para Putin, após ter falado com Boris Johnson, Emmanuel Macron e Angela Merkel. 

                                                                                                                                                                                            - Está ocorrendo em Davos, na Suíça, o Fórum Econômico Mundial. Desta vez em formato de vídeo conferências. Sendo que a que mais chamou atenção até agora foi a do presidente chinês Xi Jinping na abertura do encontro na segunda-feira (25). O discurso foi marcado pelo destaque à necessidade do multilateralismo e da cooperação internacional: “já ficou provado várias vezes que empobrecer o outro, sair sozinho e cair em isolamento arrogante sempre fracassa”. Dedicou também parte considerável de sua fala para tratar dos desafios econômicos mundiais no futuro contexto pós-pandêmico, com necessidade de reforma da OMC e cumprimento dos compromissos do Acordo (climático) de Paris, tudo isso com o “abandono dos preconceitos ideológicos e a procura de um caminho de coexistência pacífica”. Outra intervenção que se destacou foi a de Angela Merkel, inclusive por provavelmente ser a última enquanto chefe de governo da Alemanha. Também falou de “era do multilateralismo” e disse que não acredita que um mundo dividido entre China e EUA não encontrará as soluções para seus problemas. Segundo ela, a pandemia testou “a resiliência de nossos sistemas e sociedades” e mostrou “nossa vulnerabilidade”. Dedicou boa parte de sua fala também ao tema da “competição no mundo tecnológico” e da necessidade de regras claras, com alfinetadas tanto nos EUA, como na China (em especial nos temas democracia e direitos humanos).

                                                                                                                                                                                            - Na Índia, segue em curso a crise entre agricultores e trabalhadores rurais com o governo Modi. A crise já dura meses. Ontem (26) foi mais um dia de protestos e com repressão das forças de segurança. Só para termos uma ideia do potencial contido na insatisfação popular, com as novas leis agrícolas de Modi, em uma população de 1,3 bilhão de pessoas, quase metade trabalha no campo. Todas as negociações entre governo e manifestantes foram infrutíferas, nem mesmo a mediação da Suprema Corte funcionou até agora. Já falei do tema aqui nas Notas, mas só para lembrar, os agricultores acusam o governo de aprovar uma série de três leis que, entre outras coisas, autoriza o Estado a deixar de comprar o mínimo de grãos e outros produtos cultivados a um preço pré-fixado. Segundo os trabalhadores, isso resultará em uma selvageria comercial entre empresas e corporações que podem empurrar os preços para níveis insustentáveis para os trabalhadores e pequenos produtores rurais. O primeiro-ministro Narendra Modi insiste que o projeto vai beneficiar os agricultores por atrair investimentos privados, mas os manifestantes dizem que nunca foram consultados pelo governo. A lei foi aprovada em setembro e já houve inúmeras tentativas de negociação, sem que o governo ceda nos aspectos principais.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 19/01/21

 




Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 19/01/21

 

- Ingrediente Farmacêutico Ativo – IFA – um novo termo que passa a fazer parte de nossas análises em tempos de pandemia e corrida mundial por vacinas. O material, nomeado em inglês como Active Pharmaceutical Ingredient, é a base ou a “liga” das vacinas. Sem ele não há vacina. Em um planeta de bilhões de pessoas precisando ser vacinadas, o IFA virou ouro, a demanda para sua compra é gigantesca e seus maiores fornecedores vêm da Ásia: China e Índia. Andei lendo a imprensa asiática e percebi que a exportação do IFA é tema quente na disputa por liderança regional que marca hoje a relação entre Índia e China. A imprensa asiática comemora o aumento em 18% das vendas do material pela Índia em 2020 após o “ocidente” retaliar a China por uma suposta negligência com relação ao surgimento do coronavírus em Wuhan. É a narrativa do “vírus chinês” interferindo no mercado de fármacos e beneficiando a Índia, embora quando olhamos os números vemos que a Índia importa grande parte do IFA que revende da própria China. É como se para uma parte do ocidente, presa em uma narrativa anti-China, fosse mais “limpo” comprar da Índia. Enfim, uma grande guerra comercial em curso e um grande esforço indiano para potencializar sua já grande (terceira do mundo) indústria farmacêutica. Fato é que neste momento o Brasil depende completamente da chegada desse material para que o Butantan e a Fiocruz possam prosseguir na fabricação das vacinas que imunizarão a população brasileira.

 

- O primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, enfrentou e venceu ontem (18) mais uma votação de moção de confiança na câmara dos deputados do país. A votação prossegue hoje no Senado. Entre deputadas e deputados o resultado ficou em 321 contra 259 pela manutenção do governo de Conte. Foram 27 os que se abstiveram de votar. Apoiando Conte estão os partidos Movimento 5 Estrelas, PD – Partido Democrático e o Livres e Iguais. Na oposição votaram os partidos Itália Viva e os mais à direita: Liga, Irmãos de Itália e Força Itália. A crise foi causada pelo rompimento do ex-premiê e hoje senador, Matteo Renzi, líder do partido Itália Viva, que semana passada anunciou a saída de duas ministras de seu partido do governo de Conte, a ministra da agricultura, Teresa Bellanova, e a ministra da Família, Elena Bonetti. Com as saídas, a coalizão governista deixou de ter maioria no parlamento. A desavença gira principalmente em torno de como a Itália vai aplicar os 200 bilhões de euros concedidos pela União Europeia, dentro do plano aprovado para a recuperação econômica do bloco. Segundo Renzi, o plano está centralizado nas mãos de Conte e com pouca possibilidade de participação dos outros partidos nas decisões. O partido de Renzi, o Itália Viva, é uma dissidência do Partido Democrático e teve 3% de votos nas eleições de 2018. A ação de Renzi deixou Salvini animado com a possibilidade de convocação de eleições antecipadas. 

 

- Mesmo em um ano pandêmico como o de 2020, o balanço final do PIB chinês foi positivo e na casa dos 2,3% de crescimento econômico. No primeiro trimestre de 2020, quando o país era o epicentro do surto por um novo tipo de coronavírus, sua economia chegou a cair 6,8%. Mas a recuperação veio nos trimestres seguintes, com mais força no último (6,5%). Somente a produção industrial registrou um avanço em 2020 de 7,3%. O anúncio foi feito pelo Escritório Nacional de Estatísticas da China no dia de ontem (18). 

 

- Acontecerá amanhã (20) a posse do novo presidente dos EUA. Os democratas Joe Biden e Kamalla Harris tomarão posse dentro de um esquema de segurança não muito comum nas últimas posses presidenciais dos EUA. Ruas e avenidas fechadas, um muro de quatro metros envolve o capitólio, e uma presença massiva de Guardas Nacionais, polícia local, polícia do capitólio. Fala-se em um contingente de 25 mil da Guarda Nacional, número maior do que as tropas americanas hoje posicionadas no Iraque e no Afeganistão juntas. O presidente Trump não estará na cerimônia. Ele deixará Washington ainda hoje rumo ao seu resort de Mar-a-Lago, na Flórida. Entre as suas últimas ações no dia de ontem houve uma liberação para entrada de viajantes nos EUA, Brasil incluído, apesar da atual gravidade da pandemia, a partir do dia 26 de janeiro. Logo que saiu tal resolução, a porta-voz de Biden anunciou que essa medida será revogada e que na verdade as restrições de entrada no país serão aumentadas diante da crise do coronavírus ainda em alta com uma média de 4 mil mortos por dia no país. Também é aguardada a lista de indultos de Trump como último ato na presidência. 

 

- O Peru se prepara para eleições em abril. A presidente do congresso peruano, Mirtha Vázquez, anunciou ontem (18) um protocolo sanitário para vigorar durante a campanha e o pleito. O Peru ainda é um dos países mais atingidos pelo coronavírus na América do Sul. Mirtha assumiu a presidência do parlamento logo que o então presidente Francisco Sagasti assumiu a presidência do país dado o vácuo político deixado pelo impeachment de Martin Vizcarra e a renúncia de Manuel Merino. Ela era vice-presidente na chapa que elegeu Sagasti. As eleições no Peru vão acontecer em 11 de abril. Se houver segundo turno será em 6 de junho. Serão eleitos o/a presidente, dois vices, 130 parlamentares e 5 parlamentares andinos para o período que vai de 2021 a 2026. Uma última pesquisa Ipsos aponta que ainda há indefinição em 25% do eleitorado peruanos sobre o candidato em que votarão. As intenções de voto aparecem assim: George Forsyth (ex-jogador de futebol, partido Vitória Nacional) com 17%, Keiko Fujimori (filha de Alberto Fujimori, candidata pela terceira vez, partido Força Popular) com 8%, Verónika Mendoza (psicóloga/antropóloga de esquerda, partido Novo Peru) com 7%, Julio Guzmán (economista/centrista, Partido Morado) com 7%, e Daniel Uresti (militar aposentado, partido Podemos Peru) com 6%. O Peru está neste momento vivendo uma greve de médicos e profissionais da área de saúde em geral. Os hospitais estão em colapso com falta de oxigênio e leitos de UTI, semelhante ao que ocorre em Manaus. O país conta com quase 40 mil mortos pelo coronavírus. 

 

- O Chile também terá eleições presidenciais, mas em novembro de 2021. Ontem foram anunciados novos “sondeos”, sondagens de opinião pública, pelo instituto Cadem. O comunista do PCChileno, Daniel Jadue, divide a liderança nas preferências espontâneas do eleitorado com Joaquín Lavín da UDI, com 7% cada. São seguidos por Evelyn Matthei, 4%, Sebastián Sichel, 4%, José Antonio Kast, 3%, e Pamela Jiles (2%). No entanto, a aprovação de Jadue caiu de 47% para 39% e quando perguntados sobre quem acreditam que será eleito, os números apontam 15% para Lavín, contra 6% de Jadue. Foram feitas questões também sobre a nova candidata, Paula Narváez, do PS, ex-ministra de Bachelet que apareceu com 30% de aprovação. Piñera aparece com aprovação de 17% e desaprovação de 72%. Jadue pode ter sido atingido pela exploração midiática do assim chamado “caso Luminarias”. Trata-se de uma investigação que está sendo feita nos contratos de iluminação pública em vários municípios e um deles é o da Recoleta, município governado por Jadue. Embora não exista nenhuma prova de corrupção cometida pela administração, a imprensa chilena está explorando o caso para diminuir a aprovação do comunista. Outro destaque do momento na corrida presidencial é a candidatura Paula Narváez, que foi ministra no segundo governo Bachelet e funcionária da ONU Mulheres hoje em dia. Narváez é da esquerda do partido socialista e herda o legado de Bachelet.

 

- Além das presidenciais, o Chile terá no dia 11 de abril a eleição das/dos representantes constituintes. Eles farão a elaboração da nova Constituinte do país. No mesmo dia, os/as chilenos votarão para governadores regionais, prefeitos e vereadores. Serão quatro cédulas. Estão inscritas 101 chapas, sendo 79 delas para constituintes. Cada uma dessas listas será correspondida a uma letra do alfabeto e a combinação das letras define o voto do cidadão. 

 

- Chegam notícias de que a Índia vai começar a exportação de sua vacina, mas o Brasil ainda não consta da lista de países receptores das doses do imunizantes. Estão lá na lista o Bangladesh, Butão, Ilhas Maldivas, Nepal, Mianmar, Sri  Lanka, Afeganistão e Ilhas Seychelles.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 18/01/21 - O Brasil passou um vexame semana passada em termos de relações internacionais ...

 Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 18/01/21

 

- O Brasil passou um vexame semana passada em termos de relações internacionais. Há exatamente um ano, em janeiro de 2020, Bolsonaro realizou visita à Índia e esteve com seu homólogo, o presidente Narendra Modi. Na época, os bolsonaristas comemoraram  bastante a grande parceria. No entanto, parece que a relação criada não frutificou a ponto de estabelecerem uma comunicação básica, inteligível no mínimo. A Índia é conhecida como um dos gigantes dos fármacos e das vacinas. Muitos países estão na fila para adquirirem sua vacina. O que fez o governo brasileiro pensar que seria o primeiro da fila (antes do início da vacinação da população local na Índia), plotar um avião e estar a ponto de enviá-lo diretamente do aeroporto de Recife rumo a Mumbai para “buscar as vacinas”? A Índia obviamente negou a entrega imediata dos imunizantes e o avião não chegou a sair do Brasil. As informações são de que o chanceler Ernesto Araújo chegou a fazer uma última ligação para o chanceler indiano Subrahmanyam Jaishankar na quinta-feira (14) para fazer um último apelo, mas sem sucesso. Bolsonaro havia enviado uma carta a Modi em 8 de janeiro. Nas palavras do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Anurag Srivastava, “o processo de vacinação na Índia está apenas começando. É muito cedo para dar uma resposta específica sobre destinação para outros países enquanto ainda estamos analisando os cronogramas de produção e entrega. Nós tomaremos decisões a esse respeito no devido tempo, isso pode demorar”. Uma cerimônia estava marcada para amanhã (19) no Palácio do Planalto para marcar o início da vacinação com a vacina da Oxford/Astrazeneca produzida na Índia pelo Serum Institute, mas com o fracasso da operação, acabou por ser desmarcada. Enquanto isso, a Índia começou no sábado (16) a maior campanha de vacinação contra a Covid19 do mundo. Esperam vacinar 300 milhões de pessoas até o meio do ano. Um desafio logístico e de recursos humanos monumental para o país de 1,3 bilhão de pessoas.

 

- Caminhões carregados com oxigênio venezuelano atravessaram ontem ao fim do dia (17) a fronteira da Venezuela com o Brasil. Esse é outro fato que demonstra o fracasso da diplomacia antiglobalista, antibolivariana e pró-Trump do Governo Bolsonaro. Em dois anos de gestão, o atual governo pautou sua política externa especialmente nos ataques à Venezuela, inclusive com ameaça de participar de invasão militar do país junto à Colômbia e aos EUA. Mas o fato de que a empresa (White Martins) fornecedora de oxigênio em Manaus ter estoque disponível em solo venezuelano deixou o governo Bolsonaro em xeque. O transporte do oxigênio líquido, essencial para o abastecimento dos hospitais no Amazonas, precisou, portanto, da gestão do Governo Maduro para garantir a logística e a segurança do transporte. O mais importante ainda, no entanto, é que o próprio governo venezuelano disponibilizou oxigênio de uma estatal venezuelana que fica em Puerto Ordaz, no estado de Bolívar (na divisa com Roraima), sem custo para o Brasil. Serão enviados oito caminhões com 18 toneladas cada, atravessando 1500 km de distância. Por fim, os venezuelanos também enviaram 107 médicos, entre brasileiros e venezuelanos, formados na Escola Latino-Americana de Medicina Salvador Allende, em Caracas, para ajudar a combater a pandemia no Amazonas.

 

- Foi anunciada na última sexta (15), pelo presidente palestino Mahmud Abbas, a realização de eleições legislativas na Palestina em 22 de maio e presidenciais em 31 de julho. São as primeiras eleições desde 2005, quando Abbas venceu após o falecimento de Yasser Arafat. Haverá ainda uma terceira votação em 31 de agosto para a eleição do Conselho Nacional Palestino. O estabelecimento de uma data para as eleições é fruto de um acordo firmado em setembro de 2020 entre a liderança do Fatah, partido que dirige hoje a Autoridade Nacional Palestina e o território da Cisjordânia, e o Hamas, partido que ganhou as eleições parlamentares de 2006 e dirige o território da Faixa de Gaza. Certamente haverá muita tensão em todo o processo eleitoral, em especial para a participação dos palestinos que vivem em Jerusalém oriental, ocupada por Israel.                                                                                                                                       

                                                                                                                                                                                            - A Era Merkel está chegando ao fim na Alemanha. Foram 16 anos de governo como primeira-ministra da maior economia da Europa. Ao longo do final de semana saíram várias matérias e reportagens sobre esse período e os grandes desafios enfrentados por ela, desde a crise econômica de 2008 que se abateu sobre o bloco europeu, a onda migratória, a crise do Brexit, as relações com Rússia, China, EUA e a própria pandemia de Covid19. Seu governo na Alemanha se confunde com sua liderança no bloco, que impôs uma política de austeridade sobre as economias mais frágeis e lutou para manter a Zona do Euro a qualquer custo. Internamente, ficou marcada pela maior tolerância com a entrada de migrantes e uma política acertada de combate ao coronavírus. A retrospectiva vem ao tempo que o partido de Merkel, CDU (União Democrata Cristã), elegeu no sábado (16) seu novo líder, Armin Laschet. Ele é governador do estado da Renânina do Norte-Vestfália. Sua eleição se deu em uma convenção partidária virtual com a participação de pouco mais de mil delegados. Seu concorrente principal foi o atual líder da bancada do CDU no Bundestag (câmara dos deputados), seguido de Norbert Rottgen, com menor votação. A decisão se deu em dois turnos. As eleições parlamentares na Alemanha serão em 26 de setembro e se a CDU confirmar seu favoritismo, Laschet deve suceder Merkel como chanceler federal alemão.

 

- Portugal tem eleições presidenciais marcadas para 24 de janeiro, mas a votação já começou. As pessoas puderam se inscrever para votar antecipadamente e as urnas foram abertas ontem (17). Com a pandemia, o país teve um recorde de inscritos para votar antecipadamente, foram 247 mil eleitores cadastrados. Idosos e pessoas adoecidas pela Covid puderam pedir voto em domicílio. As pesquisas apontam para a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa (PSD e CDS-PP) já no primeiro turno. Ele concorre com Ana Gomes (PS, apoiada por PAN e Livre), André Ventura (Chega), João Ferreira (PCP, apoiado por “Os verdes”), Marisa Matias (Bloco de Esquerda), Tiago Mayan (Iniciativa Liberal) e Vitorino Silva (RIR-Reagir Incluir Reciclar). Segundo as últimas pesquisas, ou sondagens como dizem os portugueses, Ana Gomes do PS e André Ventura do Chega (ultradireita) disputam o segundo lugar com aproximadamente 10% cada. João Ferreira (PCP) e Marisa Matias (Bloco de Esquerda) disputam o voto da esquerda com aproximadamente 4% cada. Rebelo de Sousa está praticamente inalcançável na liderança com 70% das intenções. 

 

- Aconteceu semana passada e não comentei por aqui ainda o 8º. Congresso do Partido do Trabalho da República Popular e Democrática da Coréia – RPDC – ou Coreia do Norte. O congresso foi coroado com um desfile militar em Pyongyang na última quinta (14) em que foram exibidos um míssil balístico e foguetes. O desfile ocorre poucos dias antes da posse do novo presidente dos EUA e dois anos após o último encontro de cúpula entre os dois países (Hanói, fevereiro de 2019). 

 

- A caravana de migrantes centro-americanos que partiu de Honduras no último dia 15 rumo aos EUA encontra-se detida sob forte repressão neste momento na Guatemala, como já era previsto. Segundo uma reportagem da BBC, o total de pessoas que formam a caravana pode estar próximo de 9 mil, entre hondurenhos, salvadorenhos e guatemaltecos. Muitas pessoas ficaram feridas ontem (17) na cidade de Chiquimula, na fronteira com a Guatemala. Os migrantes fogem da pobreza, da violência e da devastação deixada por grandes furacões que atingiram a região no ano passado. As cenas do confronto entre as forças de segurança da Guatemala e os migrantes são chocantes. 

 

- Semana passada falei aqui nas Notas das turbulentas eleições presidenciais em Uganda, na África. De acordo com um anúncio feito sábado (16), o eleito foi o atual presidente Yoweri Museveni para seu sexto mandato com 58,6% dos votos. Ele está no poder desde 1986. O rival, Bobi Wine, com os oficiais 34,8% dos votos, denunciou que houve fraude e fez um chamado à população para não aceitar o resultado.