terça-feira, 16 de junho de 2020

Baleado por policial, Rayshard Brooks foi vítima de homicídio

Baleado por policial, Rayshard Brooks foi vítima de homicídio

A morte de Rayshard Brooks, um homem negro morto por um policial branco da cidade norte-americana de Atlanta na sexta-feira (12), foi um homicídio causado por feridas de tiros nas costas, disse o escritório do legista do condado de Fulton no domingo (14). Créditos R7
 

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sexta-feira, 5 de junho de 2020

Notas internacionais (por Ana Prestes) – 04/06/20




Notas internacionais (por Ana Prestes) – 04/06/20
 
- Brasil já é o terceiro país do mundo em mortes por Covid19. A “gripezinha”, assim denominada pelo presidente Bolsonaro, já mata uma pessoa por minuto no Brasil. Mais de 34 mil pessoas perderam sua vida para o vírus. Pode passar o Reino Unido que possui perto de 40 mil mortes e se nada for feito para mudar o curso da doença no Brasil, podemos passar os EUA que teve 107 mil vidas perdidas até agora na pandemia.
 
- A noite de ontem (4) foi a 10ª. de protestos anti racistas nos EUA. Ao longo desse período, mais de 9 mil pessoas já foram presas. Nos últimos dias houve um relativo arrefecimento das medidas repressivas policiais. Apesar de uma maior militarização de Washington e vários episódios com registros em imagens e vídeo de policiais agredindo violentamente manifestantes e mesmo transeuntes, como a agressão divulgada ontem de um senhor de idade em Nova Iorque. Parte da calmaria pode ser explicada por uma pesquisa da Reuters/Ipsos que aferiu que 64% dos norte-americanos têm simpatia pelos protestos, contra 27% que diz não concordar e 9% que não opinam. A mesma pesquisa mostra que 55% dos norte-americanos reprova a condução de Trump ao lidar com os protestos, sendo que 40% reprovam “fortemente” e um terço apoia as medidas do presidente. Cenas de policiais abraçando manifestantes ou tentando resolver “na conversa” circulam pelas redes. Não raro, no entanto, há outras tantas imagens de abuso da força contra as e os ativistas. Pela primeira vez o ex-presidente Obama se pronunciou sobre a onda de manifestações. Em suas palavras, “para aqueles que falam sobre protestos, apenas lembrem que este país foi fundado por um protesto – nós o chamamos Revolução Americana”. Prosseguiu dizendo que todas as conquistas dos americanos são provenientes do esforço de tornar “desconfortável o status quo”. A liderança de Obama é controversa e divide opiniões no movimento negro organizado dos EUA, mas o fato de ter sido o único presidente negro dos EUA faz com que suas palavras tenham muito eco neste momento. E a promotoria de Minnesota ampliou a acusação contra o ex-policial Derek Chauvin que asfixiou George Floyd. Foi acrescida a acusação de homicídio doloso. O agente policial pode pegar até 40 anos de prisão. Os três policiais que o acompanhavam também foram formalmente acusados de incentivarem e serem cúmplices da violência de Derek. 
 
- E começou ontem (4) o funeral de George Floyd, o homem negro assassinado por um policial (agora ex-policial) na cidade de Minneapolis, nos EUA no passado mês de maio e que desencadeou uma onda de protestos que entra hoje em 11º. dia. Centenas de pessoas estiveram ontem em uma capela em Minneapolis onde o reverendo Al Sharpton iniciou as homenagens que devem durar dias. Em um dos trechos da pregação de Sarpton ele diz: “porque há 401 anos nós não podemos ser quem desejamos e sonhamos é que vocês mantém seu joelho em nosso pescoço”.
 
- E aconteceu ontem (4) a Global Vaccine Summit (Cúpula Global de Vacinas). Foi organizada pelo governo do Reino Unido e reuniu representantes de 50 países. Chefes de Estado de pelo menos 35 destes países participaram pessoalmente da videoconferência e o evento arrecadou 7,4 bilhões de dólares que serão destinados a um fundo para aplicação de vacinas em todo o mundo. Não se trata apenas de uma eventual vacina descoberta para o coronavírus, mas de vacinas básicas contra poliomielite, difteria e sarampo, por exemplo, que estão prejudicadas devido à pandemia. Um dos participantes da reunião, o primeiro ministro do Japão, Shinzo Abe, aproveitou o evento para dizer que os Jogos Olímpicos e Paralímpicos do Japão em 2021 serão a prova de que o mundo venceu a Covid 19. A primeira ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern disse que “este é o momento de encontrarmos uma solução global para a covid-19”. O evento mostra que um esforço de cooperação mundial é capaz de encontrar soluções para vários problemas da humanidade. Por que será que esse esforço não é feito para combater a fome, a miséria, a situação dos refugiados de guerra ou das mudanças climáticas? Em um mercado tão competitivo e de altos interesses comerciais como o farmacêutico, há sempre muitas dúvidas sobre o real destino de tantos recursos arrecadados.
 
- Em meio a toda esta mobilização em torno de vacinas para a Covid19 e a garantia da aplicação de vacinas já existentes em tempos de pandemia, emergiu o protagonismo de Gavi – The Vaccine Alliance – fundada em 2000 pelo instituto de Bill Gates e sua esposa Melinda Gates, a Bill & Melinda Gates Foundation. A organização, que possui sede física em Genebra, na Suíça e é uma PPP – parceria pública privada. Circulam notícias nos últimos dias de que a Gavi está em uma forte ofensiva para ganhar espaço em territórios nacionais neste setor tão sensível e carente que é o da proteção à saúde, como se vê nesta pandemia. Nas palavras de Bill Gates, em recente entrevista, “existe uma plano para ter várias fábricas na Ásia, várias fábricas nas Américas, várias fábricas na Europa, e se pudermos fazer de 1 a 2 bilhões de doses por ano (vacina contra a Covid), o problema de alocação não será super agudo”. O criador da Microsoft e um dos homens mais ricos do mundo não ia “investir em fábricas de vacina na África” simplesmente por altruísmo. A ver.   
 
- E está na coluna do Jamil Chade de ontem (4) e em vários veículos a notícia de que o Parlamento da Holanda aprovou na quarta (3) uma moção contra o acordo comercial negociado entre Mercosul e União Europeia. Um dos argumentos mais utilizados pelos  parlamentares que rechaçaram o acordo foi a condução da política ambiental brasileira. Argumentos em geral contra o governo Bolsonaro estão ficando cada vez mais comuns na Europa. A deputada alemã Yasmin Fahimi, por exemplo, que preside o grupo parlamentar Alemanha – Brasil disse recentemente que “Bolsonaro representa um perigo para a democracia, para o Estado de Direito e para a existência permanente da floresta amazônica. Atualmente não vejo como é possível conciliar as políticas de Bolsonaro com as nossas exigências para o acordo UE-Mercosul nas áreas de desenvolvimento sustentável e direitos humanos”. Setores nacionais europeus que já eram contra o acordo por fatores protecionistas estão aproveitando o “ensejo” para barrar o acordo. São grupos que no fundo não estão preocupados com o desmatamento da Amazônia, mas se aproveitam dos absurdos do governo Bolsonaro para assegurarem o protecionismo. Na Bélgica também há muita resistência à ratificação do acordo e na Áustria o parlamento também aprovou moção de censura. Para que o acordo entre em vigor todos os parlamentos dos países signatários precisam ratificá-lo. 
 
- E não são só os países europeus que colocam o Brasil como um destino “inadequado” para negócios. Saiu esta semana, nos EUA, uma recomendação do Comitê de Assuntos Tributários da Câmara dos Deputados, para que o governo Trump não expanda seus laços econômicos com o Brasil por seu histórico recente de desrespeito aos direitos humanos e ao meio ambiente. Em carta ao representante comercial dos EUA, Robert Lightihizer, os parlamentares dizem que o governo Bolsonaro demonstra “total desconsideração pelos direitos humanos básicos”.
 
- E os chineses reagiram a mais uma “interferência grosseira” como vem chamando a ofensiva dos EUA e do Reino Unido em relação à sua política para Hong Kong. Desta vez a ingerência veio por parte de Boris Johnson ao propor que propôs à população de Hong Kong que venha morar no Reino Unido. A proposta de Johnson é tão estapafúrdia que até mesmo os ativistas de Hong Kong a rejeitaram. Nas redes sociais, mesmo os críticos à nova legislação da China para a segurança nacional da ilha dizem que a proposta de Johnson é para que muitas pessoas saiam e Hong Kong quebre economicamente deixando vulnerável a população que restar.
 
- Um anúncio do Secretário Geral da ONU desta semana aponta que neste momento os refugiados enfrentam três crises de uma vez. A crise de saúde, com a exposição ao vírus em contextos de grandes aglomerações e seu acesso a cuidados básicos de saneamento e nutrição. A crise socioeconômica, especialmente para os que trabalham no setor informal. E a crise de proteção, com fortes restrições nas fronteiras e aumento da xenofobia, do racismo e da estigmatização. Some-se a isso uma quarta crise específica para mulheres e meninas, vítimas da violência de gênero, do abuso e da exploração. 
 
- E um relatório da Organização Mundial do Turismo do sistema ONU aponta que 100% de todos os destinos em todo o mundo seguem com algum tipo de restrição de viagem devido ao coronavírus. Desses, 75% ainda estão completamente fechados ao turismo internacional. Com isso, entre 100 e 120 milhões de empregos estão em risco.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Chefe do Legislativo da China destaca resoluta oposição à "independência de Taiwan"

Chefe do Legislativo da China destaca resoluta oposição à "independência de Taiwan"


CHINA-BEIJING-LI ZHANSHU-ANTI-SECESSION LAW-ANNIVERSARY-SYMPOSIUM (CN)

(Xinhua/Liu Weibing)

Beijing, 29 mai (Xinhua) -- O presidente do Comitê Permanente da Assembleia Popular Nacional, Li Zhanshu, sublinhou na sexta-feira o total reconhecimento da importância da Lei Anti-Secessão, e pediu pela forte oposição à "independência de Taiwan" e firme progresso rumo à reunificação da China.

Li, que também é membro do Comitê Permanente do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China (PCC), fez a declaração ao discursar em um simpósio no Grande Palácio do Povo para marcar o 15º aniversário da implementação da Lei Anti-Secessão.

Ele considerou a lei como uma importante parte dos sistemas e instituições destinados a defender "um país, dois sistemas" e promover a reunificação pacífica da China. Li explicou que a lei é uma regra importante que apoia os esforços para cumprir a responsabilidade política e a missão de se opor à "independência de Taiwan" e promover a reunificação.

Desde sua implementação há 15 anos, a Lei Anti-Secessão vem oferecendo uma sólida garantia legal para salvaguardar a paz e a estabilidade através do Estreito de Taiwan e promover os laços através do Estreito, acrescentou Li.

Por algum tempo, as forças separatistas que defendiam a "independência de Taiwan" julgaram mal a situação e continuaram com suas provocações, disse Li.

Eles ameaçaram severamente os interesses vitais dos compatriotas de ambos os lados do Estreito de Taiwan e os interesses fundamentais da nação chinesa, prejudicaram gravemente a paz e a estabilidade através do Estreito e desafiaram seriamente o limite para proteger a soberania e a integridade territorial da China, assinalou ele, enfatizando determinadas etapas para conter e combater esses atos.

"O fato histórico e jurídico de que Taiwan faz parte da China nunca pode ser mudado, não importa como eles e as forças estrangeiras conspirem e apresentem seu show", disse Li. "'A Independência de Taiwan' é um caminho que leva a lugar nenhum", acrescentou.

O chefe do Legislativo pediu às pessoas de ambos os lados que se unam em oposição à "independência de Taiwan" e busquem a reunificação da China.

Sempre preocupados com os interesses e o bem-estar dos compatriotas de Taiwan, o Partido Comunista da China e o Estado estão trabalhando para criar condições para os intercâmbios e a cooperação através do Estreito, continuou.

Rejeitando a interferência estrangeira, Li disse que resolver a questão de Taiwan e alcançar a reunificação nacional fazem parte dos assuntos internos da China.

"O conceito de 'reunificação pacífica e um país, dois sistemas' é a melhor abordagem para a realização da reunificação nacional", enfatizou Li, acrescentando que a adesão ao princípio de Uma Só China é a base para alcançar a reunificação pacífica da China.

"Estamos dispostos a criar um vasto espaço para a reunificação pacífica, mas definitivamente não deixaremos nenhum espaço para atividades separatistas em prol da 'independência de Taiwan' de qualquer forma", disse ele. 


http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/29/c_139098855.htm

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Processar a China por causa da COVID-19 viola a lei internacional, diz especialista

Processar a China por causa da COVID-19 viola a lei internacional, diz especialista


Beijing, 28 mai (Xinhua) -- As tentativas de alguns funcionários norte-americanos de processar a China por causar da pandemia de COVID-19 são uma violação à lei internacional, de acordo com um artigo publicado na quarta-feira pelo jornal Diário do Povo.

De acordo com reportagens da mídia, o procurador-geral do Missouri, Eric Schmitt, entrou com uma ação contra a China no Tribunal Distrital dos EUA do Distrito Leste do Missouri, exigindo que o governo chinês assuma a responsabilidade e faça compensações pela pandemia global.

Foi uma violação grave à soberania nacional da China e ao princípio da igualdade soberana que é amplamente reconhecido pela comunidade internacional e pela Carta da ONU, de acordo com o artigo sob a assinatura de Huang Jin, presidente da Sociedade Chinesa de Lei Internacional.

Huang criticou a ação como um ato ilegal que é totalmente contra o direito internacional.

A resposta chinesa ao coronavírus é um tipo de ação soberana ou pública em vez de uma ação comercial e deve ser protegida pela imunidade soberana, de acordo com Huang.

O processo foi baseado em ideias infundadas de que a China deve ser responsabilizada pela pandemia e que o governo chinês estava escondendo o surto, disse Huang.

"Essas acusações não têm base factual ou legal na lei internacional", afirmou.

A origem do coronavírus é assunto para os cientistas estudarem e responderem e não deve ser politizada, disse Huang, observando que, de acordo com a lei internacional, o assunto sobre a origem do vírus não tem nada a ver com a responsabilidade do Estado.

Huang destacou que os esforços do governo chinês na divulgação de informações e na prevenção e controle da epidemia cumpriram o Regulamento Sanitário Internacional.

Os danos causados pelo coronavírus nos Estados Unidos foram causados pelos erros do país e não têm relação causal com a resposta chinesa à COVID-19, destacou Huang.

A própria China é vítima do vírus, destacou Huang. "Opomo-nos fortemente a qualquer tentativa de politizar a pandemia e encenar uma farsa de responsabilização ilegal". 


Créditos Xinhua, publicado originalmente em - http://portuguese.xinhuanet.com/2020-05/28/c_139094436.htm

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 27/05/20








Notas internacionais (por Ana Prestes) – 27/05/20
 
- Segundo a OPAS, Brasil, Chile, Equador, Peru e México são os países latino-americanos que apresentam dados mais preocupantes no tocante ao controle da pandemia pelo novo coronavírus. O Brasil tem o triste título de campeão mundial em mortes de profissionais de enfermagem durante a pandemia do novo coronavírus. Já são mais de 16 mil infectados e 150 mortos. 
 
- Dados de uma pesquisa da Universidade de Washington indica que o Brasil poderá chegar a 125mil mortes por covid-19 até o início de agosto. São Paulo terá maior concentração de falecidos, podendo passar dos 30 mil e o Rio mais de 25 mil. Os dados são do Instituto para Métricas de Saúde e Avaliação (IHME) ligado à Universidade. A projeção da OPAS para o mesmo período (até início de agosto) é de 88,3 mil mortes no Brasil.
 
- A empresa Latam, maior companhia aérea da América Latina, pede falência após “colapso na demanda”. A empresa foi pedir recuperação judicial nos EUA. No comunicado estão listadas suas afiliadas no Chile, Colômbia, Equador, EUA e Peru. Não foram citadas as subsidiárias da Argentina, Brasil e Paraguai, pois serão casos tratados especificamente com os governos desses países. Já estão em curso negociações com o BNDES brasileiro com valores em torno de 2 bilhões de reais. O anúncio da Latam vem pouco depois do anúncio da Avianca, segunda maior cia aérea da América Latina, que também solicitou recuperação judicial nos EUA. 
 
- Pelo menos duas postagens de Trump no Twitter foram marcadas como duvidosas pela plataforma. A sugestão é para que os seguidores “chequem os fatos”. As postagens tratavam de supostas fraudes eleitorais. Em reação, Trump disse que “as plataformas de mídia social silenciam totalmente as vozes conservadoras” e ameaçou: “vamos regular fortemente, ou fechá-las”. 
 
- Na Argentina, o ex-presidente Maurício Macri, pode ser investigado por espionagem ilegal durante seu governo. Foi apresentada uma denúncia por uma auditora, Cristina Caamano, com uma lista de centenas de políticos e jornalistas que teriam sido espionados durante o governo. E-mails de mais de 100 pessoas teriam sido invadidos. 
 
- No Chile volta a crescer a tensão social em meio à pandemia do novo coronavírus. Ontem (26) foi dia de protestos nos bairros periféricos de Santiago, como San Bernardo, La Granja e Cerro Navia. Um dos principais pedidos é que o governo entregue logo as mais de 2 milhões de cestas básicas prometidas por Piñera. A resposta dos carabineros tem sido o ataque aos manifestantes com jatos de água e gás lacrimogênio. Enquanto isso, o sistema hospitalar chileno está muito perto do colapso com mais de 80% de UTIs ocupadas, como o próprio Piñera admitiu no sábado (23). 
 
- O Equador é outro país que está convulsionado com marchas e protestos apesar das medidas de isolamento social. As manifestações se dão contra as medidas econômicas anunciadas por Lenin Moreno de taxação dos salários de toda a população e contra a Lei Orgânica de Apoio Humanitário aprovada em 15 de maio de regulação das relações laborais e que afeta vários direitos dos trabalhadores e pequenas empresas. Um dos grupos mais mobilizados é dos estudantes que denuncia a retirada de 98 milhões de dólares do orçamento da educação e a continuidade do pagamento da dívida com o FMI. 
 
- O governo de Maduro da Venezuela apresentará uma petição ao Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre a retenção de ouro venezuelano depositado no Banco da Inglaterra desde 2008. Segundo a vice-presidente do país, Delcy Rodríguez, “exerceremos todas as ações que correspondam para a defesa das reservas internacionais da Venezuela, para que se respeite a lei de imunidade soberana sobre as reservas, para que se respeite a soberania jurídica da Venezuela”. Há indícios de que um comitê de “reconstrução da Venezuela” instalado na Inglaterra por partidários de Guaidó esteja sendo remunerado com dividendos do ouro venezuelano depositado no banco inglês. Há ainda denúncias de que um navio inglês presente no mar do Caribe nos meses de março e abril deste ano estava em colaboração com a ofensiva norte-americana sobre a Venezuela do período. Mais concretamente com o aceite de denúncia de envolvimento de líderes do país com o narcotráfico pela PGR dos EUA, justificando uma busca marítima por narcotraficantes e a operação frustrada de invasão do país por mercenários na região de La Guaíra desbaratada no começo de maio. 
 
- Aconteceu ontem (26) uma conferência organizada pela União Europeia e o Governo da Espanha para arrecadação de fundos (2,5 milhões de euros foram arrecadados) para ajuda de venezuelanos que se encontram no exterior. 
 
- Na Bolívia, dirigentes do MAS instaram as autoridades eleitorais a fixarem uma data para a eleição presidencial. Apontam que até o dia 31 de maio a data do pleito deve ser definida e que há forte mobilização nas bases do partido para o início de mobilizações no país exigindo uma data para as eleições que coloque fim ao governo de transição instalado após o golpe sobre Evo de 10 de novembro de 2019.
 
- O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, se reuniu com o presidente da Câmara de Representantes da Líbia, Aquila Saleh. A conclusão do encontro é a urgência do início dos diálogos de pacificação do país entre todas as forças políticas do país. A Líbia está devastada por uma guerra interna que já dura anos, desde a queda de Gaddaffi. 
 
- Em Israel, o premiê Benjamin Netanyahu está causando tensão interna com a polícia, procuradores, tribunais e partidos de oposição. Diante do início de seu julgamento por denúncias de corrupção, Netanyahu diz que há uma “tentativa de golpe”. Para além da tensão interna, o premiê corre para não perder, em suas palavras, a “oportunidade histórica” de ampliar a anexação da Cisjordânia. Em reunião ministerial no começo da semana ele disse: “temos uma oportunidade histórica, que não exiete desde 1948, de aplicar a soberania judicialmente como uma medida diplomática na Judeia e Samaria (nomes bíblicos da Cisjordânia). É uma grande oportunidade e não vamos deixá-la passar”. 
 
- Já estão em águas venezuelanas pelo menos três dos cinco navios petroleiros do Irã que se dirigiam ao país. Já chegaram as embarcações “Fortune”, “Forest” e “Petunia”. Ainda faltam chegar “Faxon” e “Clavel”. 
 
- Uma brasileira, Carla Monteiro de Castro Araújo, venceu o Prêmio de Defensora Militar da Igualdade de Gênero na ONU. Ela está servindo na Missão de Paz na República Centro-Africana. Criado em 2016, o prêmio reconhece a dedicação e esforço das boinas-azuis na promoção dos princípios da Resolução 1325 do Conselho de Segurança sobre Mulheres, Paz e Segurança. Ela vai dividir o prêmio com Suman Gawani, boina-azul da Índia na Missão das Nações Unidas no Sudão do Sul. 
 
- Com 7 milhões de habitantes, 865 casos de infectados e 11 mortes por coronavírus, o Paraguai é um dos casos de sucesso no controle da covid-19 na América Latina. O êxito se compara ao conquistado pela Nova Zelândia. A explicação pode estar na baixa conexão do país com grandes metrópoles. A resposta rápida à pandemia, com medidas de quarentena e confinamento dos doentes, também ajuda a explicar. Esta semana o país começa uma nova fase da quarentena com volta parcial das atividades, sendo que só serão admitidos de volta ao trabalho 50% dos trabalhadores e o mesmo vale para a ocupação do transporte público.

terça-feira, 26 de maio de 2020

Notas internacionais (por Ana Prestes) – 26/05/20


 

Notas internacionais (por Ana Prestes) – 26/05/20
 
- Semana passada (22), tive a oportunidade de conversar no bate papo que tenho feito às sextas no face e youtube do Portal Vermelho com o ex-senador boliviano, Adolfo Mendoza. Esta semana conversaremos com a deputada chilena Karol Cariola. Adolfo nos trouxe informações muito importantes sobre o que está acontecendo na Bolívia e que nossa imprensa não tem publicado. Exatamente um dia antes da nossa conversa, na quinta 21 de maio, um grupo do alto comando militar da Bolívia, dirigido pelo comandante em chefe das Forças Armadas, general Sergio Carlos Orellana, entrou no parlamento nacional (Assembleia Legislativa Plurinacional) em trajes camuflados de campanha e deu um ultimatum aos senadores para que aprovassem e “sem mudanças” a “orden de ascensos”, ou seja, as promoções de carreira para os oficiais militares do Exército, da Força Aérea, generais de Divisão e Vice-Almirantes. Na saída do edifício da Assembleia, Orellana disse: “já passou tempo demais em relação à resposta que deveria ter sido dada às Forças Armadas. Como instituição, vamos esperar até a próxima semana para que a Assembleia se pronuncie e ratifique as promoções”. Na sequencia, Orellana ainda ameaçou que caso o Senado não aprove a nominata de promoções, as Forças Armadas o farão por “meios próprios”. A presidente do Senado boliviano, Eva Copa, reagiu dizendo que “caso seja consumado o ato das promoções através de alguma manobra jurídica se colocará em evidência que o Governo é “de Fato”, hostil ao sistema democrático da Bolívia e com ações próprias de uma ditadura”. Nesse mesmo dia, o ex-presidente Evo Morales se manifestou pelo twitter: “é inédito e altamente preocupante que um Comandante em Chefe das Forças Armadas se apresente em uniforme de campanha para impor prazos à Assembleia Legislativa, inclusive passando por cima da autoridade de Órgão Executivo; e que logo se declare à imprensa mobilizada na Praça Murillo”. Segundo a constituição boliviana (artigo 160), é atribuição do Senado ratificar a proposta de promoções a generais das Forças Armadas apresentada pelo Executivo. O governo da presidente de fato Jeanine Añez, que chegou ao governo amparada pelas Forças Armadas, já enviou uma proposta com amplas promoções ao generalato no âmbito das FFAA e principalmente desconsiderando que muitos estiveram envolvidos nos massacres de civis que resistiram ao golpe de 2019. O Senado, hoje de maioria parlamentar do MAS, partido do ex-presidente Evo Morales, ainda não deliberou sobre a nominata também como forma de resistência ao avanço do golpe. Os dias seguintes ao ultimatum têm sido de muita tensão, especialmente depois que as e os senadores disseram que não vão fazer caso do prazo determinado pelas FFAA. O ministro do interior, braço direito de Añez, Arturo Murillo, chegou a fazer ameaças de prisão das/dos senadores, ao dizer: “cuidado que amanhã estarão na prisão e vão dizer que é perseguição política”. (Com dados da Prensa Latina e do Página 12)
 
- Os EUA anteciparam a restrição para viajantes que tentem chegar ao país via Brasil. A princípio começaria a valer a partir da sexta, 29 de maio, mas foi antecipado para amanhã (27). A proibição não tem data para acabar e não afeta cidadãos norte-americanos e residentes permanentes legais nos EUA. O governo brasileiro tentou minimizar a medida anunciando que os EUA vão enviar 1000 respiradores para o Brasil, mas o governo dos EUA ainda não deu detalhes sobre quando e como chegarão esses aparelhos.
 
- Nossos vizinhos aqui do sul também estão aprimorando as medidas de isolamento do Brasil. Argentina, Colômbia, Paraguai e Uruguai são os países que mais estão blindando as fronteiras binacionais com o Brasil, para proteger sua população do contágio pelo novo coronavírus. Na cidade de Rivera, no Uruguai, houve contágios provocados pela proximidade com Santana do Livramento, cidade gaúcha. Por enquanto, o Uruguai registra apenas 22 mortes por Covid-19 e com uma taxa de letalidade de 2,8%, já o Brasil está com mais de 23 mil mortes e uma taxa de letalidade de 6,24% (com dados do G1). Será implementado um Tratado de Ação Binacional Sanitária para o controle da infecção na região.
- Uma notícia que escapou aqui das notas na semana passada foi a do rompimento por parte dos EUA do Tratado dos Céus Abertos, assinado em 1992 como parte do contexto do fim da guerra fria, e que trata desregulação de voos de aviões militares responsáveis por monitorar arsenais balísticos como mísseis e ogivas nucleares. Permissão para aviões sobrevoarem instalações, como uma forma de checagem recíproca entre as duas potências. A formalização do rompimento se deu na última sexta (22) e vem meses depois do rompimento de outro acordo com a Rússia, que reportamos aqui nas Notas, referente a Forças Nucleares de Alcance Intermediário, o INF. O governo Trump justifica a saídas dos acordos com o que qualifica de “não cumprimento por parte dos russos”. Diante do rompimento, autoridades russas disseram que o tratado não é bilateral, mas multilateral e que essa decisão afetará os interesses de todos os participantes, se referindo nos interesses de segurança dos países europeus. 
 
- Os EUA continuam violando os direitos humanos de crianças das famílias de migrantes. Segundo uma reportagem da Reuters, desde março pelo menos mil crianças migrantes desacompanhadas foram enviadas ao México, El Salvador, Guatemala e Honduras. Segundo a Unicef, “isso significa que muitas crianças devolvidas estão agora em risco dobrado se comparado ao período quando deixaram suas comunidades”. Por outro lado, há relatos da Guatemala e Honduras de impendimento de entrada de migrantes que retornam, inclusive crianças e tudo isso no contexto da pandemia do novo coronavírus. Comunidades inteiras rechaçam deportados dos EUA com medo de contágio. 
 
- O internacionalismo médico cubano fez aniversário. Data de 23 de maio de 1963 a primeira missão médica cubana para o exterior, quando um voo da Cubana de aviação pousou na Argélia na África, logo após a independência argelina de 1962. Com a independência, a população de 11 milhões de habitantes ficou sem médicos, quase todos franceses. Poucos meses depois, os médicos cubanos se encontrariam com Che em terras argelinas. Estas informações estão no texto de Maribel Acosta Damas no site Juventud Rebelde. Hoje, em plena pandemia do novo coronavirus, Cuba apresenta dados favoráveis no enfrentamento da doença causada pelo vírus. Até o dia 24 haviam 445 pacientes hospitalizados, sendo 159 confirmados como positivos para o vírus, desses, 154 em condição clínica estável. Até agora, Cuba registrou 82 falecidos pela Covid-19. 
 
- Chegam poucas notícias da pandemia na África. O continente já passou dos 110 mil casos registrados e mais de 3 mil mortes. A infecção já chegou em todos os países do continente. Os mais atingidos são a África do Sul, o Egito e a Argélia. Os países com menos registros são a Namíbia, Seychelles e o Lesoto. Egito e Argélia lideram com mais mortos. Segundo o chefe de emergências da OMS, Mike Ryan, reportou que há subnotificação considerável e quatro países tiveram aumento de 100% dos casos na semana passada. O grande temor das agências humanitárias é quanto à população que se encontra nos campos de refugiados.
 
- A Suécia, um dos países que recusou as recomendações da OMS quanto à pandemia e já foi usado como exemplo a ser seguido pelo presidente Bolsonaro, continua com uma alta taxa de mortalidade pelo coronavirus. A mais elevada dos países nórdicos e a sexta do mundo. Por lá, a maior parte do comércio ficou em atividade, assim como restaurantes, cabeleireiros, bares e academias, até que foram obrigados a fechar por conta do aumento exponencial do número de casos. O pib vai cair igualmente, na média entre 6% e 7% como está ocorrendo com outros países. De nada adiantou resistir ao fechamento. 
 
- Na Europa, governos da Alemanha, França, Itália, Espanha e Portugal publicaram declaração conjunta acusando Google e Apple de oferecerem aplicativos de rastreamento de casos de coronavírus sem autorização governamental. Os governos firmantes dizem que UE precisa de uma “soberania digital, base para que a Europa seja competitiva”.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

FIM DO RAMADÃ SEM FESTA

FIM DO RAMADÃ SEM FESTA
O mundo islâmico celebra neste final de semana o Eid-al-Fatr (“feriado da quebra do jejum”, em árabe), que marca o fim do Ramadã, o período de quatro semanas em que os fiéis jejuam e se dedicam a práticas espirituais. Este ano, a celebração terá toque de recolher. Na Arábia Saudita, o governo já determinou que haverá um toque de recolher à noite para evitar que as pessoas saiam de casa. No Egito, os fiéis deverão estar em casa pontualmente às 17h e não poderão sair até a manhã do dia seguinte. O presidente Recep Erdogan, da Turquia, anunciou que será implantado um lockdown em todo o país durante o Eid-al-Fatr. O objetivo é evitar um súbito aumento na propagação do coronavírus. Na Turquia, já há mais de 153.000 casos registrados. Na Arábia Saudita, a covid-19 já atingiu mais de 65.000 pessoas. A maior preocupação, agora, é manter as pessoas em casa durante uma das maiores celebrações do mundo islâmico. O feriado deve começar a ser celebrado no sábado, 23, na maior parte do mundo islâmico. As comemorações, a portas fechadas, devem ir até segunda, 25, ou terça, 26. 
Créditos Exame