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domingo, 17 de dezembro de 2023

Entenda o cenário político do Chile que pode influenciar plebiscito de nova Constituição - créditos CNN

 

Entenda o cenário político do Chile que pode influenciar plebiscito de nova Constituição

Analista político da Universidade Diego Portales revisou o ambiente político que antecedeu a votação chilena sobre novo texto constitucional

Presidente do Chile, Gabriel Boric, posa para foto segurando texto da primeira proposta de nova Constituição do país em Santiago. Projeto foi recusado em plebiscito.
Presidente do Chile, Gabriel Boric, posa para foto segurando texto da primeira proposta de nova Constituição do país em Santiago. Projeto foi recusado em plebiscito.04/07/2022 REUTERS/Pablo Sanhueza

Da CNN

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O Chile vai às urnas para decidir se aceita ou não um novo texto para substituir a atual Constituição da era da ditadura de Augusto Pinochet.

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Os dias que antecederam o plebiscito constitucional foram marcados por diversas polêmicas, algumas novas e outras reintegradas na agenda devido a acontecimentos específicos na política chilena.

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O analista político da Universidade Diego Portales, Claudio Fuentes, revisou o ambiente político que antecede as votações sobre a referida questão em nosso país vizinho sul-americano.

Fuentes explicou que desde 2018 “não estamos em tempos normais”, o que ele atribuiu principalmente a um surto social, que dividiu forças e instalou um sólido clima anti-establishment na sociedade.

No cenário atual, haverá uma grande presença de eleitores indecisos que reagirão aos acontecimentos atuais, como o Caso dos Convênios – primeiro grande escândalo do governo Boric envolvendo a transferência de verba milionária do Ministério da Habitação para organizações ligadas aos partidos da coalizão governista.

Presidente do Chile, Gabriel Boric / 21/07/2023 REUTERS/Gonzalo Fuentes

Outro fator que pode influenciar é o tipo de campanha que temos visto: agora não se trata do texto, mas sim da aprovação ou não do governo.

“Isso é o que chamamos de campanha emocional. Eles estão promovendo o medo em ambas as campanhas, e acredito que, efetivamente, hoje pode ter mais relevância“, explicou.

O analista também abordou o quanto a fragmentação dos republicanos – que fazem oposição a Boric – liderada por Rojo Edwards poderia ter impacto.

“Acredito que isso efetivamente gera um impacto dentro desse segmento específico, especialmente através das redes sociais. É um grupo muito homogêneo que está interagindo muito entre si de uma forma muito hermética e que ainda por cima movimenta milhões de votos, então uma quebra realmente tem um impacto importante”, disse Fuentes.

No entanto, ele destaca como percebe uma dispersão nas forças políticas em geral se compararmos com o processo anterior.

“Essa será a coisa interessante para analisarmos no dia seguinte à eleição. Se o “Contra” vencer, por exemplo, quem é o dono disso? Aí veremos uma disputa de responsabilidade dos Republicanos, do Partido Comunista, da Frente Amplio e da sociedade que está irritada com tudo“, disse ele.

Questionado sobre o quanto ele acredita que as convocações e anúncios de votação emitidos por figuras políticas importantes, como Ximena Rincón, Eduardo Frei e outros, Fuentes aponto que o momento que vivemos continua muito antipolítico e, portanto, o impacto de alguns desses líderes será muito baixo.

“Alguém que se distingue, sim, é Michelle Bachelet, que tinha atributos muito distintos da política tradicional. Nas campanhas anteriores ela sempre brincou um pouco com o fato de ser uma outsider. Essa exceção pode mover um pouco a agulha, mas no resto dos casos vejo muito pouco apego. Temos uma crise de liderança muito forte no sistema político chileno“, acrescentou.

domingo, 21 de agosto de 2022

Por que Zelensky não tem apoio na América Latina? - Analistas respondem! - créditos Sputnik

 


 


Por que Zelensky não tem apoio na América Latina?  - Analistas respondem! - créditos Sputnik


O presidente ucraniano Vladimir Zelensky voltou a tentar conseguir apoio na América Latina com uma palestra perante estudantes universitários chilenos. Entretanto, a queda da sua imagem no mundo e, especialmente, entre os latino-americanos faz com que ele volte a fracassar na sua estratégia, afirmam analistas entrevistados pela Sputnik.

Leia matéria completa: https://capitaofernandointernacional.blogspot.com/2022/08/por-que-zelensky-nao-tem-apoio-na.html 



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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Por que Zelensky não tem apoio na América Latina?

 

Por que Zelensky não tem apoio na América Latina?

Vladimir Zelensky, presidente ucraniano, vai a reunião com Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes dos EUA (fora da foto), em Kiev, Ucrânia, 1º de maio de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 19.08.2022
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O presidente ucraniano Vladimir Zelensky voltou a tentar conseguir apoio na América Latina com uma palestra perante estudantes universitários chilenos. Entretanto, a queda da sua imagem no mundo e, especialmente, entre os latino-americanos faz com que ele volte a fracassar na sua estratégia, afirmam analistas entrevistados pela Sputnik.
Jorge Elbaum, sociólogo e jornalista argentino, lembrou que o primeiro fracasso de Zelensky na América Latina ocorreu no mês de julho, quando o líder ucraniano não conseguiu que os países do Mercosul concordassem com a exibição de uma mensagem por vídeo aos participantes da cúpula realizada em Assunção, capital do Paraguai.
O analista ressaltou que Zelensky não atingiu o seu objetivo de conseguir o apoio dos países latino-americanos durante seu périplo midiático pelo mundo, apesar do suporte abrangente de Washington.

"As ações que Zelensky empreende a nível internacional, tomando em conta especialmente estas apresentações quase cinematográficas, se aproveitando de seu passado de ator, são operações muito promovidas e viabilizadas pelo Departamento de Estado dos EUA", salientou o especialista.

Presidente argentino Alberto Fernandez discursando no Museu das Malvinas, em Buenos Aires, em 2 de abril de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 18.08.2022
Panorama internacional
Presidente da Argentina alerta que conflito na Ucrânia afeta América Latina
Essa característica faz com que o presidente ucraniano seja visto, inclusive na própria Ucrânia, cada vez mais como marionete e agente dos EUA, acrescentou Elbaum. Esse alinhamento com Washington também contribui para o fato de o presidente ucraniano não conseguir se consolidar como uma figura simpática para os governos e cidadãos latino-americanos.
"Na América Latina existe uma grande desconfiança em relação aos EUA e todos veem sinais da participação de Washington nestas operações, o que impede Zelensky de ter algum suporte ao sul do Rio Bravo", defendeu.
Segundo Elbaum, o apoio que a estratégia estadunidense a favor de Zelensky possa ter entre governos de direita na região, tais como os do Equador, Uruguai e Paraguai, não é suficiente para contrapesar essa "desconfiança" dos latino-americanos, cada vez mais convencidos de que se trata de um conflito "provocado pela OTAN".
Além disso, o analista afirmou que a crescente presença da mídia estatal russa na América Latina tem contribuído para que os latino-americanos tenham mais acesso a informações diferentes sobre o conflito na Ucrânia.
"Muita gente quer conhecer uma versão que não seja a que transmite a mídia hegemônica cooptada, comprada ou aliada à lógica dos EUA", ressaltou o analista.
Bandeira da Ucrânia em Kiev e Monumento à Pátria Mãe, à direita - Sputnik Brasil, 1920, 18.08.2022
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MRE ucraniano critica Deutsche Welle por 'materiais pró-russos'
Essa mesma mídia hegemônica é a que, nas palavras de Elbaum, construiu em torno de Zelensky a imagem de "um presidente que ama o seu país e o defende em uniforme militar". No entanto, com o passar dos meses e com os avanços da Rússia na sua operação militar, a mídia teve que "disfarçar" as suas posições.
"A imagem de Zelensky se afunda nas mentiras que construíram, divulgando informações de que a Rússia vai ser derrotada e de que as armas fornecidas pelo Ocidente paralisarão a intervenção", afirmou.
Elbaum acrescentou que na visão dos latino-americanos persistem as imagens dos atos de violência cometidos por grupos neonazistas na Ucrânia, que começaram a circular nas redes sociais à medida que o conflito avançava.
"Esses grupos neonazistas não são isolados, eles têm sido premiados pelo governo desde 2014", sublinhou.
O analista argentino advertiu que o governo de Zelensky foi capaz de esconder os vínculos com estes grupos durante algum tempo, mas depois isso já deixou de ser possível.
"Isso é em parte o que está acontecendo na América Latina. Há evidências de que os grupos derrotados na Segunda Guerra Mundial, os ucranianos étnicos que acreditam serem descendentes de vikings e têm desprezado historicamente os eslavos e [em particular] os russos, são os que desenvolveram processos de aniquilação e que teriam tomado o poder em 2014", explicou o perito.
O chanceler alemão, Olaf Scholz (à esquerda), aperta a mão do presidente ucraniano, Vladimir Zelensky (à direita), enquanto o presidente francês, Emmanuel Macron, sorri, no Palácio Mariinsky em Kiev, Ucrânia, 16 de junho de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 13.08.2022
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Como Zelensky estimula o nazismo na Europa ao exigir banir os cidadãos russos da União Europeia
Em uma entrevista para a Sputnik, o analista venezuelano Sergio Rodríguez Gelfensten apontou que os EUA conseguiram um "impacto positivo" em torno da figura de Zelensky nas primeiras semanas do conflito mas que, com o desenvolver dos acontecimentos, essa imagem foi se deteriorando.

"Vamos lembrar aquela primeira votação nas Nações Unidas. Já na segunda votação, passado um mês, o número do apoio era menor e, desde então, não houve mais votações nas Nações Unidas porque se começou a saber a verdade", salientou.

Rodríguez Gelfenstein explicou que, ao mesmo tempo que Zelensky "precisa de procurar relações por todo o mundo", essa tarefa se torna "muito difícil" na Ásia e África, o que não deixa de ser resultado da influência da Rússia e da China. Assim, passou a procurar apoio nos países latino-americanos governados por setores oligárquicos ligados aos EUA. No entanto, ele não encontrou o apoio esperado.
"A maioria esmagadora dos países da América Latina optou pela neutralidade", enfatizou o analista.
Desde 24 de fevereiro, a Rússia tem conduzido uma operação militar especial para desnazificar e desmilitarizar a Ucrânia. O presidente russo Vladimir Putin declarou como seu objetivo "defender as pessoas que ao longo de oito anos têm sofrido intimidações e genocídio por parte do regime de Kiev". Segundo Putin, o objetivo final da operação é libertar Donbass e criar condições que garantam a segurança da própria Rússia.

Créditos Sputnik

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Ex-Blog do César Maia - 18/08/22 - ‘A ESQUERDA ESTÁ DE MÃOS ATADAS NA AMÉRICA LATINA’! (José Fucs - O Estado de S. Paulo, 18)

 

‘A ESQUERDA ESTÁ DE MÃOS ATADAS NA AMÉRICA LATINA’!

(José Fucs - O Estado de S. Paulo, 18) O cientista político Christopher Garman, não “compra” a ideia de que o avanço da esquerda na América Latina se deve a uma guinada ideológica dos eleitores, como dizem por aí políticos e militantes do grupo. Segundo ele, o que está levando a esquerda a vitórias em série na região é “um profundo sentimento desencanto com o sistema e de revolta contra o status quo”. Nesta entrevista, que faz parte da série sobre o avanço das esquerdas na América Latina lançada pelo Estadão, ele afirma também que, no atual cenário regional e global, os governantes do grupo na região “estão de mãos atadas” e terão dificuldade para cumprir as promessas de campanha.

Como o sr. analisa a atual onda de governos de esquerda na América Latina? O que está levando a esta guinada para a esquerda na região? Isto não está acontecendo por causa de uma predisposição em favor de plataformas de esquerda. É um movimento de revolta contra o status quo. Quando a gente olha as pesquisas, a América Latina aparece no topo do ranking global de desencanto. A geologia da opinião pública está podre. Estamos vivendo um ambiente de insatisfação muito grande com a qualidade dos serviços públicos, com falta de confiança no sistema de forma mais ampla. A confiança nas lideranças políticas, nos partidos, no Judiciário, na mídia, está num nível muito baixo.

Na sua visão, a que se deve este alto grau de desencanto? É fruto de uma expansão brutal da classe média no período de alta dos preços das commodities, do início dos anos 2000 até 2011, 2012. Milhões de famílias saíram da miséria. Isso levou a uma mudança nas demandas eleitorais. A preocupação passou a ser mais segurança, saúde, educação. O eleitor associou a corrupção à má qualidade dos serviços públicos. Antes da pandemia, a corrupção havia se tornado o primeiro ou o segundo tema mais relevante no Brasil, no Chile, na Colômbia, no México, no Peru, e houve esse descrédito total no sistema. No fundo, o que a gente está vendo é uma combinação deste choque de falta de confiança com novas demandas de uma classe média emergente que são difíceis de entregar num contexto de crescimento econômico mais baixo.

Como a pandemia se encaixa neste cenário?

A pandemia pegou a América Latina, em termos epidemiológicos, com mais força do que outras regiões. Então, houve uma queda mais acentuada do PIB (Produto Interno Bruto), a desigualdade aumentou e a capacidade de os governos atenderem a essas demandas caiu. Isso exacerbou esse mal estar. Para completar, veio o choque de inflação global que reforçou a queda de renda das famílias mais pobres. Este é o caldeirão de revolta que está elegendo a esquerda na região. Como mais governos de direita e de centro estavam no poder, eles estão sentindo mais. A esquerda estava mais bem posicionada para navegar nesta onda.

Em que medida esta nova onda de esquerda é diferente da que se propagou pela América Latina do início dos anos 2000 até meados da década passada?

O quadro atual é muito diferente. A primeira onda aconteceu em meio ao boom das commodities e a um superciclo econômico e político que proporcionou uma abundância de recursos e levou a taxas de aprovação muito altas dos governantes. Agora, este ambiente de desencanto vai impactar a esquerda politicamente. Os governantes vão ter uma lua de mel curta e uma taxa de aprovação estruturalmente baixa. A capacidade de os governantes se reelegerem também deve diminuir estruturalmente.

Agora, hoje também está ocorrendo uma alta das commodities. Isto também não pode ter um impacto positivo para os atuais governantes latino-americanos? Sim, isto ajuda o governo do lado da arrecadação. Mas, em termos de trocas, não está ajudando muito, porque o valor das importações, dos insumos, também subiu muito. Os preços das commodities estão elevados, mas a renda caiu no Brasil e em outros países. A sensação de bem estar não está acompanhando este ciclo. Os ganhos políticos, portanto, não são os mesmos que os da primeira onda. Além disso, há um cenário de recessão nos Estados Unidos, na Europa, e de desaceleração na China. Isso deverá conter esta alta das commodities. Todos os países da América Latina aumentaram os juros para tentar controlar a inflação. A conta vai chegar nos próximos 12 meses.

Que efeito isso deve ter? Os mesmos fatores que estão levando líderes da esquerda a ganhar as eleições vão dificultar seus governos e colocar restrições no que podem entregar e fazer. Por isso, o potencial de estrago da esquerda hoje está mais limitado, porque eles não vão ter capacidade de se reeleger, de encaminhar medidas mais ambiciosas, até porque muitas vezes não têm apoio parlamentar e terão de compor com o centro. Então, os governos de esquerda estão com as mãos atadas.

Créditos Ex-Blog do César Maia

domingo, 31 de julho de 2022

LFS INTERNACIONAL --- ‘OS VENTOS ESTÃO MUDANDO NA AMÉRICA LATINA’! (Ilan Goldfajn - ex-presidente do BC e diretor do FMI - O Estado de S. Paulo, 29)

 

‘OS VENTOS ESTÃO MUDANDO NA AMÉRICA LATINA’!

(Ilan Goldfajn - ex-presidente do BC e diretor do FMI - O Estado de S. Paulo, 29) Depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) elevar a projeção de crescimento da América Latina para este ano de 2,5% para 3%, o diretor do órgão para o Hemisfério Ocidental, Ilan Goldfajn, afirmou que a tendência é de desaceleração a partir deste segundo semestre. “A percepção é de que os ventos estão mudando de direção. Vamos ter aperto das condições internacionais, com os Estados Unidos subindo a taxa de juros. Isso significa que o fluxo de capital diminui para a região e que o dólar fica mais forte.”

O ex-presidente do Banco Central (BC) do Brasil disse que a inflação – o “grande problema” do mundo hoje – deve demorar para cair. Questionado sobre o aumento dos gastos públicos no País, que podem pressionar a inflação ainda mais, Goldfajn afirmou que “a questão fiscal tem de contribuir para este momento que estamos vivendo” e destacou que o BC está trabalhando para que o Brasil enfrente os “ventos contrários”. Confira, a seguir, trechos da entrevista.

Apesar da deterioração financeira global, o FMI está com uma projeção melhor de crescimento econômico para a região agora, de 3%, do que em janeiro, quando era de 2,4%. O que está por trás dessa mudança?

Observamos que a recuperação econômica de 2021, que foi forte na região, continuou no primeiro semestre de 2022. Temos países em que o turismo voltou. Temos países que dependem das forças globais, e os EUA e outros países continuaram crescendo. Tivemos um período, no primeiro semestre, em que as commodities estavam mais altas. Isso também contribuiu. Agora, temos de separar a tendência do começo do ano e o que a gente percebe daqui para frente. A percepção é de que os ventos estão mudando de direção. Vamos ter aperto das condições internacionais, com os Estados Unidos subindo a taxa de juros. Isso significa que o fluxo de capital diminui para a região e que o dólar fica mais forte. Temos uma revisão de crescimento para os EUA para 1% em 2023 (antes, a projeção era de 1,7%). Esse crescimento dos EUA menor, a China e a Europa também crescendo menos, significa que a região deve, daqui para frente, ter uma desaceleração. Por isso, houve uma revisão da projeção de crescimento para o ano que vem (de 2,5%) para 2%.

Devemos esperar instabilidade política e social na América Latina como consequência da inflação?

Inflação é o grande problema global, não só do Brasil ou da região. Você vê as altas taxas de inflação nos EUA e na Europa. Até mesmo o Japão, que tinha sempre o problema de pouca inflação, está começando a ter mais inflação. O aperto das condições monetárias deve levar à desaceleração. Nesse contexto, a região, até por sua história, teve atuação relativamente mais rápida do que a dos países avançados. O Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) está subindo a taxa de juros neste ano, quando a maioria dos BCs da região, inclusive o do Brasil, subiu antes. Não significa que a inflação esteja resolvida. Significa que, em termos de credibilidade, a reação ocorreu. Os BCs estão tentando reagir, e há uma percepção de que, ao menos em perspectivas de longo prazo, eles têm sido relativamente bem-sucedidos. Não estamos vendo as expectativas completamente desancoradas. Vemos expectativas mais altas agora e nos próximos dois ou três anos. É o efeito do choque. Vai demorar para voltar, mas os BCs estão reagindo. Acho que a institucionalidade nos últimos anos, os BCs autônomos, os regimes de meta de inflação e a ideia de que inflação é um bem público, que tem de ser cuidado, ajudaram – aí houve essa reação. Agora, a política monetária e a do governo têm de continuar.

Nos momentos em que o Fed eleva juros, crises graves ocorrem em países da região. Vocês veem esse risco?

Toda vez que há aperto de condições monetárias, há uma consequência. A consequência clássica é a reversão dos fluxos de capitais (em direção aos países avançados), o que já está ocorrendo. Segundo, o dólar fica mais forte. Isso leva a um custo interno maior. As taxas de juros domésticas sobem, e as moedas se depreciam, o que pressiona a inflação. Essa combinação leva a mais aperto monetário dentro dos países. Aí a desaceleração mundial acaba se transformando também numa desaceleração local. Estamos reduzindo a previsão de crescimento para a região porque vemos esse desenrolar.

Como fica o Brasil nesse cenário?

O Brasil se encaixa como outros países da região. Quando elevamos a projeção para este ano, o Brasil se encaixa nisso. Mas o País também vai enfrentar um cenário global mais difícil: taxas de juros globais mais altas e dólar mais forte, o que significa pressão maior sobre a taxa de câmbio, em um ambiente em que provavelmente vai ter uma desaceleração de crescimento. As commodities, que foram um fator mitigador no choque anterior, podem não ter esse efeito agora. Isso gera desafios para o Brasil e para a região.

Qual será o maior desafio para o próximo ano no Brasil?

É o mesmo desafio global. Vamos ter um 2023 com crescimento dos EUA e do resto do mundo bem menor do que em 2022. Em compensação, a região podia se colocar – e acho que está fazendo isso – como parte da solução. Se o mundo está precisando de mais alimento e de energia verde, a região pode se colocar como uma grande vendedora. Ao mesmo tempo que temos um desafio conjuntural, que é o desafio desse aperto das condições monetárias e da desaceleração da economia global, temos oportunidades. 



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segunda-feira, 11 de julho de 2022

LFS INTERNACIONAL: O CÍRCULO VICIOSO LATINO-AMERICANO! (O Estado de S. Paulo, 08) O grupo The Economist produziu um dossiê sobre a América Latina - créditos Ex-Blog do César Maia

 

O CÍRCULO VICIOSO LATINO-AMERICANO!

(O Estado de S. Paulo, 08) O grupo The Economist produziu um dossiê sobre a América Latina. O tema rendeu uma matéria de capa na revista. O título não poderia ser mais eloquente: Como as democracias declinam – Estagnação econômica, frustração popular e polarização política estão reforçando umas às outras.

Há não muito tempo o futuro era promissor. O superciclo das commodities possibilitou novos programas sociais. A redução da desigualdade reforçava a redemocratização. Mas os governantes não empenharam seu capital político em modernizações estruturais (políticas, tributárias, administrativas) e desperdiçaram o capital físico que deveria ser investido nas engrenagens de um crescimento sustentável, como infraestrutura, educação, produtividade e diversificação econômica.

Se aquele círculo virtuoso era frágil, o atual círculo vicioso é forte. Uma década de estagnação acentuou a frustração, especialmente entre os jovens, com a falta de oportunidades. A ira popular se voltou não só contra os incumbentes políticos, mas contra a política. A esperança em salvacionistas autoritários cresce. Mas, além de serem tão ou mais ineficientes que seus pares moderados, eles dilapidam o Estado Democrático de Direito. Mesmo países que logravam um razoável desenvolvimento econômico e, em parte, social, como Chile, Peru ou Colômbia, foram tomados pela febre populista.

O Financial Times publicou um editorial com um título igualmente sugestivo: O tumulto político na América Latina durará até que suas economias sejam reformadas. Com efeito, a combinação de privilégios oligopolistas e protecionismo perpetua a baixa produtividade do setor privado e a falta de investimentos e inovação que são chave para a mistura tóxica de desigualdade e baixo crescimento – tornada explosiva pela violência política, criminal e social.

Mas, na esfera pública, o centro desmorona, a direita, em nome da “liberdade”, se aferra a regalias elitistas e a esquerda, em nome da “igualdade”, a manias utopistas e ultrarregulatórias (exacerbadas quase a ponto da caricatura, por exemplo, na Constituinte do Chile).

“A política está marcada não apenas pela polarização, mas também pela fragmentação e a extrema fraqueza dos partidos políticos, tornando difícil congregar maiorias governantes estáveis”, diagnostica a Economist. “Essa espiral descendente é acelerada pela influência maligna das redes sociais e pela importação de políticas identitárias do Norte.”

O Brasil é um caso exemplar do círculo vicioso latino-americano. Exasperados com a precariedade dos serviços públicos, a corrupção e a deterioração socioeconômica, os brasileiros elegeram o (supostamente) anti-establishment Jair Bolsonaro. Mas a sua mistura de autoritarismo político e indigência administrativa só piorou essas condições. Para sustentar seu mandato ele franqueou as cartas do Executivo aos fisiologistas do Congresso, e para renová-lo inflama sua ideologia reacionária e disruptiva. Resta pouca esperança quando o favorito às eleições, Lula da Silva, só tem a oferecer os mesmos hábitos e ideias retrógrados que gestaram as condições para a ascensão de Bolsonaro.

A armadilha do subdesenvolvimento latino-americano é tanto mais dramática porque não faltam recursos para desarmá-la. Afastada de conflitos geopolíticos graves, a região é rica em culturas multiétnicas e em alimentos, minérios e energia renovável que a colocam em uma posição-chave para tirar proveito de grandes tendências políticas e econômicas globais, como a disputa entre China e EUA ou a alta das commodities, e solucionar grandes desafios do século 21, como a segurança alimentar ou as mudanças climáticas.

“A tentação será ignorar o mal-estar econômico e político e simplesmente surfar no novo boom das commodities detonado pela guerra na Ucrânia. Isso seria um erro”, adverte a Economist. “Não há atalhos. Os latino-americanos precisam reconstruir suas democracias de baixo para cima. Se a região não redescobrir a vocação para a política como um serviço público e reaprender o hábito de forjar consensos, seu destino só piorará.”


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