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segunda-feira, 1 de agosto de 2022

LFS INTERNACIONAL --- Celso Amorim: para resolver crise na Ucrânia, objetivo deve ser chegar à paz, e não debilitar Rússia --- créditos Sputnik

Celso Amorim: para resolver crise na Ucrânia, objetivo deve ser chegar à paz, e não debilitar Rússia 


O diplomata brasileiro Celso Amorim durante coletiva de imprensa no seminário Ameaças à Democracia e a Ordem Multipolar, em São Paulo, em 13 de setembro de 2018 - Sputnik Brasil, 1920, 01.08.2022
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Após o tratado entre Kiev e Moscou envolvendo o transporte de grãos, aumentou a expectativa de que um acordo de paz é possível. Em entrevista à Sputnik Brasil, o ex-chanceler Celso Amorim falou sobre a maior dificuldade para resolver o conflito.
O primeiro carregamento de grãos deixou o porto ucraniano de Odessa nesta segunda-feira (1º), sinal de que é possível, a partir de compromissos globais e pragmatismo geopolítico, alcançar um acordo de paz ante o conflito na Ucrânia. Os desafios, entretanto, persistem, e à medida que os combates se prolongam e armas do Ocidente chegam, o diálogo parece cada vez mais difícil.
Em conversa com a jornalista Marina Lang, da Sputnik Brasil, uma entrevista que será publicada em partes ao longo da semana, o ex-chanceler Celso Amorim apresentou o seu entendimento acerca dos desafios que tangenciam uma possível solução de cessar-fogo na Ucrânia, sobretudo diante de um mundo, como ele mesmo descreveu, cada vez mais polarizado e dividido entre blocos de poder.
Amorim enfatizou que não é momento de encontrar culpados e acrescentou que parte do problema é a "falta de uma grande liderança europeia", capaz de abrir diálogo pragmático e com resultados com os múltiplos atores globais da região da Eurásia.

"Eu acho que é preciso negociar. É preciso negociar a paz. E a única pessoa em posição de poder que fala sobre isso é o papa Francisco. Nem mesmo o secretário-geral das Nações Unidas [António Guterres] fala sobre isso, embora tenha visitado Moscou", comentou.

A fala de Amorim ocorre na esteira de um importante acordo entre Kiev e Moscou, consumado após o navio Razoni, com quase 26 mil toneladas de milho, ter deixado o porto de Odessa nesta segunda-feira (1º) com destino a Trípoli, no Líbano. O anúncio foi comemorado por diversos diplomatas no mundo, pois além de trazer estabilidade à segurança alimentar mundial, o tratado é um fio de esperança para a paz.
Presidente norte-americano Joe Biden discursa na Casa Branca sobre a situação na zona de conflito no Oriente Médio, 20 de maio de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 25.07.2022
Panorama internacional
EUA queriam que acordo sobre grãos fosse assinado com sua participação, diz analista
Assinado em 22 de julho entre representantes de Rússia, Ucrânia, Turquia e Nações Unidas, o acordo permite a retomada das exportações ucranianas de grãos. Um compromisso similar com o lado russo foi fechado simultaneamente, garantindo a Moscou a comercialização de seus produtos agrícolas e fertilizantes, apesar das sanções ocidentais.
Os lados russo e ucraniano acordaram em garantir a passagem segura das embarcações que carregam os grãos pelo mar Negro e se abster de ataques contra elas, relatou um alto representante da Organização das Nações Unidas (ONU). Conforme disse o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o documento assinado "se tornará um marco importante, inspirador de esperança para a paz e uma resolução mais rápida do conflito".
Para Celso Amorim, "um grupo de países, sendo europeus, dos BRICS e até mesmo a China, que têm grande influência, poderiam ajudar a encontrar uma paz razoável. Esse acordo pressupõe concessões dos dois lados, e para isso é preciso haver diálogo", comentou. Para o ex-chanceler, não existe uma fórmula ideal, mas é possível "entrar em um acordo de paz. É preciso querer, enquanto houver transferência de culpa. Não há solução", alertou.
Segundo ele, é preciso que seja coordenada uma ampla conferência internacional, com Alemanha e França envolvidos, e também a China. Para ele, é fundamental ter um grupo de países cujo "objetivo seja chegar à paz, e não debilitar a Rússia ou dar um exemplo para a China. Esse objetivo de debilitar a Rússia não será alcançado", disse.
Comentando a participação da Turquia, ele explicou que Ancara revelou ter grande poder de negociação. "Eu acho que Ancara pode desempenhar um papel positivo, pois, embora membro da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], tem boas relações com a Rússia e a Ucrânia". Ele destaca que os turcos têm vivências geográficas e históricas importantes na região, "mas há outros atores que poderiam ajudar, até mesmo o Brasil", avaliou.
Placa no prédio do Ministério das Relações Exteriores russo em Moscou - Sputnik Brasil, 1920, 18.07.2022
Panorama internacional
MRE russo: Kiev volta hoje a confirmar que não deseja negociações com a Rússia nem quer paz
Para Nathana Garcez Portugal, doutoranda em relações internacionais pelo Programa de Pós-Graduação San Tiago Dantas, o "pacto de grãos é um primeiro ato mais significativo, que pode gerar uma abertura para novas negociações, inclusive um acordo de paz. Isso acontece, segundo ela, "principalmente porque ele [o pacto] tem anuência dos países envolvidos no conflito e é uma abertura econômica para a Ucrânia, que enfrenta um estrangulamento econômico. Esse primeiro passo alivia, ainda que pouco, as tensões locais".
Para ela, há um ponto sensível que precisa ser abordado quando o assunto é a paz para a região: o constante envio de armas por parte dos EUA e de alguns países da União Europeia (UE) para Kiev. Ela apontou que o envio de armas mantém vigente a tensão entre os dois países e explicou que "os EUA e a UE não querem se envolver ativamente no conflito, por isso eles enviam as armas. Existe interesse desses países em não sair como segundos e terceiros perdedores" uma vez que a derrota ucraniana seja confirmada.

"Esse envio de armas é para manter os confrontos por um longo período. Ao passo que esse acordo de grãos vem como uma boa notícia, a gente ainda tem elementos que fortalecem as tensões", disse.

Questionada sobre se é possível interromper esse ciclo, ela entende que sim. Inclusive, em sua opinião, "isso pode acontecer nos próximos meses". A especialista avalia que o inverno no Hemisfério Norte está se aproximando, e, com isso, "teremos uma série de países, especialmente da UE, se preparando para o frio". Essa situação pode fortalecer a posição da Rússia, sobretudo diante da dependência de gás russo da UE, disse.

"Nos próximos meses, os interesses em manter o confronto podem diminuir para que se evite novas tensões com a Rússia. Com isso, pode haver também redução do envio de armas para Kiev", concluiu.



Créditos Sputnik 







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    sexta-feira, 22 de maio de 2020

    FIM DO RAMADÃ SEM FESTA

    FIM DO RAMADÃ SEM FESTA
    O mundo islâmico celebra neste final de semana o Eid-al-Fatr (“feriado da quebra do jejum”, em árabe), que marca o fim do Ramadã, o período de quatro semanas em que os fiéis jejuam e se dedicam a práticas espirituais. Este ano, a celebração terá toque de recolher. Na Arábia Saudita, o governo já determinou que haverá um toque de recolher à noite para evitar que as pessoas saiam de casa. No Egito, os fiéis deverão estar em casa pontualmente às 17h e não poderão sair até a manhã do dia seguinte. O presidente Recep Erdogan, da Turquia, anunciou que será implantado um lockdown em todo o país durante o Eid-al-Fatr. O objetivo é evitar um súbito aumento na propagação do coronavírus. Na Turquia, já há mais de 153.000 casos registrados. Na Arábia Saudita, a covid-19 já atingiu mais de 65.000 pessoas. A maior preocupação, agora, é manter as pessoas em casa durante uma das maiores celebrações do mundo islâmico. O feriado deve começar a ser celebrado no sábado, 23, na maior parte do mundo islâmico. As comemorações, a portas fechadas, devem ir até segunda, 25, ou terça, 26. 
    Créditos Exame

    segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

    Exército sírio faz avanço significativo em Aleppo na véspera de conversações russo-turcas





    Forças do Exército da Síria retomaram áreas da província de Aleppo desde o início da guerra no país, fazendo grupos rebeldes recuar na véspera de negociações russo-turcas.
    Durante o último domingo (16), as forças do presidente sírio, Bashar Assad, avançaram por diversas localidades na província de Aleppo, no noroeste do país e limítrofe com a Turquia.
    Conforme publicou a agência estatal síria SANA, pelo menos 19 vilarejos e cidades foram reconquistados, trazendo pesadas perdas para grupos rebeldes e seu consecutivo recuo.
    O avanço seria o resultado da combinação de diversas operações de grande escala do Exército sírio.
    "Em um dia, eles [soldados do Exército sírio] tomaram uma área na qual durante oito anos eles não podiam pegar nenhum vilarejo", disse à agência Reuters o diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos, Rami Abdulrahman.

    Negociações entre Rússia e Turquia

    Recentemente, as tensões entre a Turquia e a Síria cresceram significativamente após embates entre forças de ambos os países terem decorrido na província síria de Idlib, vizinha de Aleppo.
    Por sua vez, a Turquia objetiva manter em Idlib postos de observação, ao passo que trava um conflito com forças curdas na Síria.
    Contudo, o avanço das tropas sírias teria causado desconforto em Ancara, segundo a Reuters.
    Além disso, Ancara já relatou a morte de parte de seus soldados no país árabe, o que tem estimulado negociações entre a Rússia e a Turquia, para se atingir um acordo que freie as tensões.

    Reforço turco

    No entanto, segundo informou a agência Anadolu no domingo (16), a Turquia enviou recentemente para a Síria um comboio de pelo menos 100 veículos, incluindo tanques e blindados, para reforçar suas posições.
    Vale destacar que o fornecimento de armas por parte da Turquia a grupos rebeldes em Idlib já foi denunciado por fonte militar russa.


    domingo, 16 de fevereiro de 2020

    Escalada para guerra? Tensão entre Síria e Turquia cresce com violência em Idlib



    A tensão em Idlib entre Síria e Turquia aumentou nesta segunda-feira (10), após confrontos entre militares dos dois países, na região síria que faz fronteira com a Turquia, ponto em que o Exército sírio segue avançando para recuperar a última fortaleza rebelde dominada por jihadistas.
    Depois de uma série de confrontos ocorridos por falta de coordenação bilateral, os atritos evoluíram para uma situação mais grave, com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçando atacar tropas sírias em qualquer parte do país em caso de novo ataque contra suas tropas, que ocupam diversas posições dentro do território sírio. Sendo assim, a Sputnik explica cada detalhe da nova escalada na região, bem como o possível futuro da tensa região.

    Província de Idlib

    Idlib é uma das 14 províncias da Síria, localizada no noroeste do país, na fronteira com a Turquia, e tem sido um reduto de grupos armados extremistas e antigovernamentais desde o início da guerra síria, em 2011.
    A zona de desescalada de Idlib foi estabelecida em setembro de 2018, durante uma reunião entre Rússia e Turquia, proibindo os atos de agressão na região. Entretanto, mais de 1.300 civis foram mortos em ataques dentro da zona de desescalada desde em que o acordo foi estabelecido.
    Na Síria havia quatro zonas de desescalada, sendo elas estabelecidas na província de Idlib (norte da Síria), no norte da província de Homs, em Ghouta Oriental, a leste de Damasco, e no sul do país, incluindo partes das províncias de Daraa e Quneitra.
    A província de Homs já foi por diversas vezes um dos principais redutos de opositores sírios, e essa foi a terceira zona de desescalada estabelecida.
    A região de Ghouta foi uma das primeiras áreas a se rebelar contra o presidente Bashar Assad, tendo sido alvo de um ataque com gás sarin, em 2013, que matou quase 1.500 pessoas.
    A província de Quneitra fica ao lado das Colinas de Golã, cuja maior parte foi anexada e ocupada por Israel.
    Já Daraa é considerada o berço da revolta no país, onde em 2011 eclodiram protestos pacíficos, gerando a repressão do governo e iniciando a guerra.
    Idlib é um dos últimos e maiores redutos rebeldes da Síria, que exigem a mudança de governo. Especialistas acreditam que Idlib seja a última grande batalha do conflito sírio, que já teve como palco as províncias de Homs, Ghouta Oriental e Daraa.

    Ofensiva turca eleva tensão

    A violência que está tomando conta da região síria já obrigou cerca de 700 mil pessoas a deixarem Idlib. A tensão aumentou depois das últimas ofensivas turcas, provocando confrontos na fronteira entre os dois países.
    O Exército sírio segue avançando para recuperar a última fortaleza rebelde dominada por jihadistas. Enquanto isso, a Turquia, que segue apoiando grupos rebeldes e tem tropas na região, anunciou que havia "neutralizado" mais de 100 soldados sírios.
    Além disso, forças apoiadas pela Turquia abateram com um foguete um helicóptero do Exército da Síria em uma cidade a sudeste de Idlib, segundo o Ministério da Defesa da Turquia. A ofensiva causou a morte de três pilotos, confirmada pelo correspondente da Sputnik Árabe no local.
    Pouco depois da ofensiva turca, forças do governo sírio bombardearam áreas próximas de um posto de observação turco na mesma cidade, deixando ao menos três pessoas mortas.
    A Turquia conta com 12 postos de observação no noroeste da Síria e segue enviando reforços para áreas próximas, enquanto o Exército sírio segue afirmando que responderá às agressões do Exército turco.
    Segundo uma agência turca, a Turquia estaria transferindo sistemas de mísseis para a região de conflito. Um comboio composto por 15 caminhões carregados com lançadores múltiplos de foguetes de diferentes unidades militares da Turquia já estaria a caminho.
    As medidas foram tomadas após o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçar atacar as forças governamentais da Síria, mesmo fora da zona desmilitarizada de Idlib, caso haja ações ofensivas.
    "Estamos determinados a expulsar as forças do governo [Exército governamental sírio] para fora dos postos de observação turcos até o fim de fevereiro, para isso vamos fazer tudo o que seja necessário tanto no ar como em terra", afirmou o presidente.

    Negociações entre Rússia e Turquia

    Rússia e Turquia negociam para acabar com a escalada de violência na província de Idlib.
    Recentemente, Ancara e Moscou se reuniram para pôr fim à escalada de violência que deixou 13 soldados turcos mortos. Entretanto, a reunião acabou sem um acordo, segundo fontes diplomáticas.
    O Ministério da Defesa da Rússia informou que a situação em Idlib, na Síria, tem escalado devido ao fato de os militantes receberem armamentos na fronteira com a Turquia.
    "A situação tem piorado de modo significativo na zona de desescalada em função da entrada de armas e de munições pela fronteira entre a Turquia e a Síria, bem como em função do avanço do comboio de blindados e tropas turcas pelo território da província síria de Idlib", informou a entidade em um comunicado nesta quarta-feira.
    Anteriormente, o Ministério da Defesa da Rússia também declarou que a escalada de violência em Idlib seria uma consequência das atividades de Ancara, que não cumpre seus compromissos no país.

    Preocupação norte-americana

    O secretário de Estado adjunto dos EUA para Assuntos Europeus e Eurásia, Christopher Robinson, afirmou que a Turquia estaria sendo ameaçada na fronteira síria, ressaltando sua preocupação com o avanço sírio.
    Além disso, os norte-americanos estariam preocupados com a presença das tropas russas na região, contudo, chegaram inclusive a pedir para que Moscou impeça o avanço do governo sírio.
    Mesmo com toda preocupação do Congresso norte-americano, o presidente dos EUA, Donald Trump, manteve aproximadamente 600 militares no território sírio para seguir lutando contra o Daesh (organização terrorista proibida na Rússia e em outros países).

    O que esperar da Síria?

    A Síria, que tinha parte de seu território relativamente estável com a derrota do Daesh, hoje está se afundando em direção ao caos, já que duas forças militares, representando os governos turco e sírio, entraram em conflito, elevando a tensão na região.
    Os recentes episódios estão desencadeando novos riscos, além de elevarem a instabilidade e a violência na região, com a Turquia tentando se aprofundar no território curdo utilizando os combatentes da oposição ao governo da Síria.
    Com este cenário, o futuro sírio é incerto, já que há diversas possibilidades que poderiam mudar o futuro do país, que pode ver o retorno do Daesh e o aumento dos confrontos entre curdos, militantes e os governos sírio e turco, transformando a Síria em uma região de instabilidade.