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quarta-feira, 13 de outubro de 2021

terça-feira, 13 de julho de 2021

internacional - Evo Morales alerta para "novo Plano Condor" na América Latina

INTERNACIONAL - Evo Morales alerta para "novo Plano Condor" na América Latina

Alerta do líder boliviano ocorre após a denúncia de que os ex-presidentes Lenín Moreno, do Equador, e Mauricio Macri, da Argentina, apoiaram o golpe de Estado na Bolívia de 2019

Evo Morales
Evo Morales (Foto: © REUTERS/David Mercado/Direitos Reservados)
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Opera Mundi - O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, alertou este domingo (11) que está em marcha um novo Plano Condor, que atentaria, segundo ele, contra os processos democráticos, a livre determinação dos povos e a vontade das maiorias.

Em mensagem veiculada pela rede social Twitter, Evo Morales afirmou que os povos devem “pactuar medidas para que os governos de direita na América Latina não continuem participando de golpes sob a direção dos Estados Unidos, causando luto e dor aos nossos povos”. 

O alerta do líder boliviano ocorre após a denúncia do governo do presidente Luis Arce de que os ex-presidentes Lenín Moreno, do Equador, e Mauricio Macri, da Argentina, apoiaram o golpe de Estado perpetrado na Bolívia em novembro de 2019. 

As autoridades bolivianas divulgaram na semana passada evidências sobre o fornecimento pelos governos Moreno e Macri de material de guerra às autoridades golpistas, e que foram utilizados para reprimir aqueles que saíram às ruas em oposição ao governo de facto. 

O ex-presidente boliviano pediu aos "militantes, simpatizantes, soldados patrióticos e profissionais comprometidos com seu país" que protejam os interesses nacionais. 

Da mesma forma, ele afirmou que os Estados Unidos não perdoam a Bolívia pela capacidade que teve para recuperar seus recursos naturais, nacionalizar suas empresas estratégicas e fechar a base militar estadunidense em Chimoré, localizada na província de José Carrasco, no departamento de Cochabamba. 

Durante as décadas de 1970 e 1980, as ditaduras militares na América Latina lançaram uma estratégia coordenada com os EUA para eliminar a oposição política, principalmente da ideologia de esquerda. 

Conhecida como Plano Condor, essa estratégia liderada pela Agência Central de Inteligência (CIA) fez com que milhares de cidadãos fossem torturados, desaparecidos e assassinados. 


Créditos Brasil247

sexta-feira, 25 de junho de 2021

CUBA - China confronta EUA e pede suspensão imediata do bloqueio econômico contra Cuba

China confronta EUA e pede suspensão imediata do bloqueio econômico contra Cuba

Comunicado de Pequim lembrou que o país norte-americano viola 29 resoluções aprovadas pela Assembleia Geral da ONU e que essa postura de hostilidade contra o país caribenho é uma contradição com o discurso de contribuir com a manutenção da paz e da estabilidade no mundo


(Alexandre Meneghini/Reuters)

Créditos da foto: (Alexandre Meneghini/Reuters)

 
Em um comunicado publicado nesta quinta-feira (24/6), o Ministério de Relações Exteriores da China resolver confrontar o governo dos Estados Unidos e solicitar a suspenção imediata de todas as restrições econômicas e financeiras impostas por este governo a Cuba.

Segundo Zhao Lijian, porta-voz oficial da chancelaria chinesa, a posição expressada pelo seu país se baseia na recente resolução da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre este tema, a qual por sua vez, replica outras 29 resoluções aprovadas todos os anos, todas elas condenando a imposição do bloqueio econômico a Cuba por parte do governo dos Estados Unidos.

A última dessas 29 resoluções foi publicada nesta quarta-feira (23/6) e contou com o apoio de 184 países membros da ONU. Apenas dois países (Israel e os Estados Unidos) votaram contra e houve três abstenções (Colômbia, Ucrânia e Emirados Árabes).

“A Assembleia Geral aprovou 29 vezes resoluções consecutivas que requerem o levantamento do bloqueio econômico e financeiro a Cuba. No entanto, é uma pena que essas decisões não tenham sido colocadas em prática por muitos anos”, lamentou Zhao, em uma entrevista coletiva que ofereceu a meios chineses e estrangeiros logo após a divulgação do comunicado.

Em seguida, o porta-voz enviou um recado mais direto a Washington: “pedimos aos Estados Unidos que levantem todas as restrições econômicas e financeiras contra Cuba. Este não é um pedido da China, e sim um apelo comum de toda a comunidade internacional”.

Antes de encerrar a entrevista, Zhao Lijian disse que a China mantém a esperança de que os Estados Unidos mudarão suas políticas com relação a Cuba, e voltará a ter relações com a ilha socialista mais de acordo com o estabelecido na Carta da ONU, “para evitar cair em uma contradição com seu discurso de contribuir com a manutenção da paz e da estabilidade na América Latina e no mundo”.

O embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba está próximo de completar 60 anos: a medida foi lançada em 7 de fevereiro de 1962 pelo então presidente John Kennedy e foi sendo aprimorada através dos tempos.

No entanto, o repúdio internacional ao embargo também alcançará um aniversário redondo no próximo ano: a primeira resolução da Assembleia Geral da ONU contra essa política aconteceu em maio de 1992, e desde então tem sido renovada todos os anos, cada vez com maior adesão.

Diante desse cenário, o governo de Joe Biden declarou, em janeiro de 2021, que pretende rever as políticas dos Estados Unidos com relação a Cuba. Porém, não está claro se essa declaração se refere apenas às medidas tomadas pelo seu antecessor, Donald Trump, que endureceu o bloqueio sobre a ilha, ou se irá rever os abusos cometidos por Washington contra o país socialista nos últimos 60 anos.

Também vale destacar que, nos últimos anos, os Estados Unidos vêm reforçando sua política de bloqueios e sanções contra países que considera adversários geopolíticos. Na lista de países afetados por essa doutrina não consta somente Cuba, mas também: Rússia, China, Irã, Venezuela, Síria, Coreia do Norte, Iêmen, Líbano, Bielorrússia, Sérvia, Zimbábue, Burundi, Sudão, Líbia, Congo, Somália e República Centro-Africana.

*Com informações de Xinhua 

Créditos Carta Maior

sexta-feira, 2 de abril de 2021

CIA mostra Brasil cúmplice dos EUA na derrubada de Allende: 'Foram grandes aliados', diz pesquisador

 O general Augusto Pinochet ( de branco) acena na carreata de 11 de setembro de 1973 em Santiago, logo após o golpe que matou o presidente Salvador Allende


Na semana em que o golpe de 1964 completou 57 anos, o Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos divulgou arquivos de inteligência que mostram que o Brasil, sob orientação norte-americana, se empenhou ativamente para derrubar o presidente chileno Salvador Allende.

Um dos documentos é um relatório da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) sobre reuniões entre oficiais militares brasileiros e norte-americanos em 1971, em que um dos brasileiros diz crer que "os EUA obviamente querem que o Brasil 'faça o trabalho sujo' na América do Sul".

Décadas mais tarde, é possível dizer que ainda há influência dos Estados Unidos sobre o Brasil e outros países da América do Sul, embora não tão grande como foi no passado. É o que defendem Paulo Velasco, cientista político e coordenador do programa de pós-graduação em relações internacionais da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), e a colombiana Maria Elena Rodríguez, professora de relações internacionais da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), em entrevista à Sputnik Brasil.

De acordo com os especialistas, a principal manifestação desta influência nos dias atuais é o cerco ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela. Governos de direita da América do Sul – em especial os de Jair Bolsonaro, no Brasil, e de Sebastián Piñera, no Chile – tiveram grande alinhamento político e ideológico com o de Donald Trump nos Estados Unidos.

Segundo Rodríguez, ambos os presidentes sul-americanos passaram a pressionar Maduro a pedido da Organização dos Estados Americanos (OEA), que foi fundada sob influência norte-americana durante a Guerra Fria para se opor à chamada "ameaça vermelha" da União Soviética. Ela destaca a criação do Grupo de Lima, que atualmente conta com a participação de 15 países (além da participação dos EUA nas reuniões) e tem como prioridade declarada "encontrar uma saída política para a grave crise" da Venezuela.

"O Prosul, por exemplo, é uma escandalosa iniciativa proposta pelos presidentes de direita para criar uma agenda política, econômica e um bloco de coordenação regional para substituir o Unasul", afirma a especialista.
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e mais 6 presidentes sul-americanos assinam a Declaração de Santiago, que marca o início do processo de criação do Fórum para o Progresso da América do Sul (Prosul).
© FOTO / MARCOS CORRÊA/PR
O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e mais 6 presidentes sul-americanos assinam a Declaração de Santiago, que marca o início do processo de criação do Fórum para o Progresso da América do Sul (Prosul).

Já Velasco lembra que tanto Bolsonaro como Piñera – assim como outros líderes sul-americanos, como o colombiano Iván Duque e o argentino Maurício Macri – seguiram Washington em reconhecimento de Juan Guaidó como o presidente interino da Venezuela.

"Esses governos conservadores acabam um pouco inevitavelmente seguindo posições norte-americanas", avalia o pesquisador.

Velasco ressalta que, ao longo das décadas, os países sul-americanos conquistaram maior autonomia em relação aos Estados Unidos. Hoje em dia, não há mais a mesma subserviênia que se viu no passado.

"Mesmo a OEA não é mais um fantoche como foi durante tantas décadas na mão dos EUA", afirma o cientista político.

Agentes brasileiros infiltrados no Chile

Entre os documentos revelados está um telegrama enviado em março de 1971 pelo então embaixador do Chile no Brasil, Raúl Rettig, ao Ministério das Relações Exteriores chileno, intitulado: "Forças Armadas brasileiras possivelmente realizando estudos sobre guerrilheiros sendo introduzidos no Chile".

No telegrama, classificado como "estritamente confidencial", Rettig diz que os militares brasileiros avaliavam a possibilidade de derrubar o presidente chileno Salvador Allende. O embaixador informou ainda que vários agentes brasileiros estavam infiltrados no Chile como turistas para coletar informações privilegiadas e que havia uma sala de operações no Brasil para o planejamento do golpe contra Allende.

"Nesta época havia a Doutrina Nixon, que apontava para a necessidade de os EUA terceirizarem a potências regionais aliadas a responsabilidade pela contenção ao comunismo", explica Velasco.

Segundo o pesquisador, o principal motivador do repasse desta responsabilidade foi o endividamento norte-americano com a Guerra do Vietnã: "Olhando para a América Latina, a grande potência aliada era o Brasil", completa Velasco.

Uma multidão marcha em apoio a Salvador Allende para presidente em Santiago, Chile, em 5 de setembro de 1964
© FOTO / BIBLIOTECA DO CONGRESSO DOS EUA
Uma multidão marcha em apoio a Salvador Allende para presidente em Santiago, Chile, em 5 de setembro de 1964

Derrubar Allende 'pelos mesmos motivos que Goulart', disse Médici

Outro documento da inteligência dos EUA retrata a visita do general Emílio Garrastazu Médici à Casa Branca, em dezembro de 1971, quando o então presidente do Brasil encontrou seu homólogo norte-americano Richard Nixon. Os dois comentaram os esforços para derrubar Allende.

O líder da ditadura brasileira acreditava que o presidente chileno deveria ser deposto "pelos mesmos motivos que [João] Goulart havia sido deposto no Brasil". Já Nixon frisou a importância de os dois países trabalharem juntos "nesse âmbito" e ofereceu "ajuda discreta" às operações brasileiras contra Allende.

A conversa revela o papel de protagonismo do Brasil na deposição de Salvador Allende e no papel de grande influenciador da América Latina. Rodríguez alerta para a necessidade de evitar relegar ao Brasil o papel de marionete diplomática diante dos EUA.

"Mensurar de maneira precisa o papel dos EUA na deflagração e sustentação das ditaduras militares no Cone Sul implica evitar enxergar os atores internos como meros peões em um xadrez internacional", ressalta a especialista.
O ex-presidente Emílio Garrastazu Médici ao lado do ex-presidente norte-americano Richard Nixon, em visita à Casa Branca, em 7 de dezembro de 1971, em Washington, EUA
O ex-presidente Emílio Garrastazu Médici ao lado do ex-presidente norte-americano Richard Nixon, em visita à Casa Branca, em 7 de dezembro de 1971, em Washington, EUA

Outras ditaduras que contaram com o apoio norte-americano na América Latina foram a da Guatemala, com a derrubada do governo de Jacobo Arbenz; a da Bolívia, sob o comando de Hugo Banzer; e a do Uruguai, com o mandatário Juan María Bordaberry, além da intervenção na República Dominicana em 1965, com a qual o Brasil colaborou ativamente enviando tropas militares.

"A América Latina era sempre tida por Washington como uma área de influência a ser mantida à margem da chamada 'ameaça vermelha'. Os EUA se prestaram inclusive a intervenções militares para derrubar governos que pudessem acabar levando alguns países latino-americanos em direção à órbita soviética", finaliza Velasco. 


Créditos Sputnik