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INTERNACIONAL - Evo Morales alerta para "novo Plano Condor" na América Latina
Alerta do líder boliviano ocorre após a denúncia de que os ex-presidentes Lenín Moreno, do Equador, e Mauricio Macri, da Argentina, apoiaram o golpe de Estado na Bolívia de 2019

Opera Mundi - O ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, alertou este domingo (11) que está em marcha um novo Plano Condor, que atentaria, segundo ele, contra os processos democráticos, a livre determinação dos povos e a vontade das maiorias.
Em mensagem veiculada pela rede social Twitter, Evo Morales afirmou que os povos devem “pactuar medidas para que os governos de direita na América Latina não continuem participando de golpes sob a direção dos Estados Unidos, causando luto e dor aos nossos povos”.
O alerta do líder boliviano ocorre após a denúncia do governo do presidente Luis Arce de que os ex-presidentes Lenín Moreno, do Equador, e Mauricio Macri, da Argentina, apoiaram o golpe de Estado perpetrado na Bolívia em novembro de 2019.
As autoridades bolivianas divulgaram na semana passada evidências sobre o fornecimento pelos governos Moreno e Macri de material de guerra às autoridades golpistas, e que foram utilizados para reprimir aqueles que saíram às ruas em oposição ao governo de facto.
O ex-presidente boliviano pediu aos "militantes, simpatizantes, soldados patrióticos e profissionais comprometidos com seu país" que protejam os interesses nacionais.
Da mesma forma, ele afirmou que os Estados Unidos não perdoam a Bolívia pela capacidade que teve para recuperar seus recursos naturais, nacionalizar suas empresas estratégicas e fechar a base militar estadunidense em Chimoré, localizada na província de José Carrasco, no departamento de Cochabamba.
Durante as décadas de 1970 e 1980, as ditaduras militares na América Latina lançaram uma estratégia coordenada com os EUA para eliminar a oposição política, principalmente da ideologia de esquerda.
Conhecida como Plano Condor, essa estratégia liderada pela Agência Central de Inteligência (CIA) fez com que milhares de cidadãos fossem torturados, desaparecidos e assassinados.
Créditos Brasil247
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Créditos Carta Maior

Na semana em que o golpe de 1964 completou 57 anos, o Arquivo de Segurança Nacional dos Estados Unidos divulgou arquivos de inteligência que mostram que o Brasil, sob orientação norte-americana, se empenhou ativamente para derrubar o presidente chileno Salvador Allende.
Um dos documentos é um relatório da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) sobre reuniões entre oficiais militares brasileiros e norte-americanos em 1971, em que um dos brasileiros diz crer que "os EUA obviamente querem que o Brasil 'faça o trabalho sujo' na América do Sul".
Décadas mais tarde, é possível dizer que ainda há influência dos Estados Unidos sobre o Brasil e outros países da América do Sul, embora não tão grande como foi no passado. É o que defendem Paulo Velasco, cientista político e coordenador do programa de pós-graduação em relações internacionais da UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), e a colombiana Maria Elena Rodríguez, professora de relações internacionais da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), em entrevista à Sputnik Brasil.
De acordo com os especialistas, a principal manifestação desta influência nos dias atuais é o cerco ao governo de Nicolás Maduro na Venezuela. Governos de direita da América do Sul – em especial os de Jair Bolsonaro, no Brasil, e de Sebastián Piñera, no Chile – tiveram grande alinhamento político e ideológico com o de Donald Trump nos Estados Unidos.
Segundo Rodríguez, ambos os presidentes sul-americanos passaram a pressionar Maduro a pedido da Organização dos Estados Americanos (OEA), que foi fundada sob influência norte-americana durante a Guerra Fria para se opor à chamada "ameaça vermelha" da União Soviética. Ela destaca a criação do Grupo de Lima, que atualmente conta com a participação de 15 países (além da participação dos EUA nas reuniões) e tem como prioridade declarada "encontrar uma saída política para a grave crise" da Venezuela.
"O Prosul, por exemplo, é uma escandalosa iniciativa proposta pelos presidentes de direita para criar uma agenda política, econômica e um bloco de coordenação regional para substituir o Unasul", afirma a especialista.

Já Velasco lembra que tanto Bolsonaro como Piñera – assim como outros líderes sul-americanos, como o colombiano Iván Duque e o argentino Maurício Macri – seguiram Washington em reconhecimento de Juan Guaidó como o presidente interino da Venezuela.
"Esses governos conservadores acabam um pouco inevitavelmente seguindo posições norte-americanas", avalia o pesquisador.
Velasco ressalta que, ao longo das décadas, os países sul-americanos conquistaram maior autonomia em relação aos Estados Unidos. Hoje em dia, não há mais a mesma subserviênia que se viu no passado.
"Mesmo a OEA não é mais um fantoche como foi durante tantas décadas na mão dos EUA", afirma o cientista político.
Entre os documentos revelados está um telegrama enviado em março de 1971 pelo então embaixador do Chile no Brasil, Raúl Rettig, ao Ministério das Relações Exteriores chileno, intitulado: "Forças Armadas brasileiras possivelmente realizando estudos sobre guerrilheiros sendo introduzidos no Chile".
No telegrama, classificado como "estritamente confidencial", Rettig diz que os militares brasileiros avaliavam a possibilidade de derrubar o presidente chileno Salvador Allende. O embaixador informou ainda que vários agentes brasileiros estavam infiltrados no Chile como turistas para coletar informações privilegiadas e que havia uma sala de operações no Brasil para o planejamento do golpe contra Allende.
"Nesta época havia a Doutrina Nixon, que apontava para a necessidade de os EUA terceirizarem a potências regionais aliadas a responsabilidade pela contenção ao comunismo", explica Velasco.
Segundo o pesquisador, o principal motivador do repasse desta responsabilidade foi o endividamento norte-americano com a Guerra do Vietnã: "Olhando para a América Latina, a grande potência aliada era o Brasil", completa Velasco.

Outro documento da inteligência dos EUA retrata a visita do general Emílio Garrastazu Médici à Casa Branca, em dezembro de 1971, quando o então presidente do Brasil encontrou seu homólogo norte-americano Richard Nixon. Os dois comentaram os esforços para derrubar Allende.
O líder da ditadura brasileira acreditava que o presidente chileno deveria ser deposto "pelos mesmos motivos que [João] Goulart havia sido deposto no Brasil". Já Nixon frisou a importância de os dois países trabalharem juntos "nesse âmbito" e ofereceu "ajuda discreta" às operações brasileiras contra Allende.
A conversa revela o papel de protagonismo do Brasil na deposição de Salvador Allende e no papel de grande influenciador da América Latina. Rodríguez alerta para a necessidade de evitar relegar ao Brasil o papel de marionete diplomática diante dos EUA.
"Mensurar de maneira precisa o papel dos EUA na deflagração e sustentação das ditaduras militares no Cone Sul implica evitar enxergar os atores internos como meros peões em um xadrez internacional", ressalta a especialista.

Outras ditaduras que contaram com o apoio norte-americano na América Latina foram a da Guatemala, com a derrubada do governo de Jacobo Arbenz; a da Bolívia, sob o comando de Hugo Banzer; e a do Uruguai, com o mandatário Juan María Bordaberry, além da intervenção na República Dominicana em 1965, com a qual o Brasil colaborou ativamente enviando tropas militares.
"A América Latina era sempre tida por Washington como uma área de influência a ser mantida à margem da chamada 'ameaça vermelha'. Os EUA se prestaram inclusive a intervenções militares para derrubar governos que pudessem acabar levando alguns países latino-americanos em direção à órbita soviética", finaliza Velasco.
Créditos Sputnik