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Créditos Brasil 247

O governo da Colômbia e o grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciaram nesta sexta-feira (9) a implementação de um cessar-fogo que terá a duração de seis meses e deve ter início a partir do dia 6 de julho.
A decisão é uma das três partes de um acordo assinado por ambas as delegações em Havana, capital de Cuba, durante ato que marcou o encerramento do terceiro ciclo de diálogos entre o Estado colombiano a o grupo armado.
Com a presença do presidente Gustavo Petro e do primeiro comandante do ELN, Antonio García, que foram a Havana para participar do evento, os representantes assinaram o acordo que representa o maior avanço, até agora, nas negociações de paz.
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O cessar-fogo bilateral era um dos anúncios mais aguardados e entrará em vigência a partir de 6 de julho. As partes ainda anunciaram que em 10 de julho serão realizadas reuniões para aprovar os protocolos elaborados para esse período.
O segundo ponto do acordo são os preparativos para a participação da sociedade civil colombiana na construção do processo de paz por meio de uma convocatória para a formação de equipes de trabalho. Além disso, os negociadores anunciaram que o quarto ciclo de diálogos ocorrerá entre 14 de agosto e 4 de setembro, na Venezuela.
Uma foto muito esperada
Petro chegou a Havana na noite de quinta-feira (8), em meio a uma crise no governo e enfrentamentos com a direita que impõe travas às reformas do presidente no Congresso. Já o comandante guerrilheiro Antonio García chegou a Cuba em 7 de junho, depois que a Procuradoria-Geral da Colômbia suspendeu os mandados de prisão contra ele a pedido de Petro.
Ao discursar nesta sexta-feira após a assinatura do acordo, o presidente estipulou o prazo de maio de 2025 para que os diálogos acabem definitivamente com o conflito entre o ELN e o Estado colombiano, que já dura 60 anos.
"O mundo das armas e das mortes, com essa guerra eterna de décadas, deve acabar. A violência que vivemos por gerações, da qual fizemos parte, mas que tentamos superar, deve acabar. Com isso não poderemos construir uma nação, porque uma nação é um pacto entre seus integrantes", disse.
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García, por sua vez, disse confiar no processo atual, mas ponderou que o ELN espera mudanças concretas que encerrem perseguições, o que não aconteceu, segundo o líder guerrilheiro, em outras ocasiões.
"Estamos conscientes que não assinamos acordos substanciais, assinamos acordos de procedimentos, [...] mas não podemos repetir velhas histórias, temos muitos processos de paz que só terminaram com desmobilização e desarmamento e as coisas seguiram iguais", disse.

ELN x Estado: histórico de um conflito
Fundado em 1964 por um grupo de estudantes influenciados pela Revolução Cubana e pela Teologia da Libertação, o ELN declara que seu principal objetivo é a transformação da sociedade e da economia da Colômbia por meio da luta contra o "grande capital" e a "oligarquia colombiana". Por outro lado, o ELN é considerado um "grupo terrorista" pela União Europeia, pelos Estados Unidos e por alguns Estados latino-americanos.
Atualmente, o grupo está presente em 183 municípios da Colômbia, além de vários territórios fronteiriços na Venezuela. Estima-se que tenha cerca de 2,5 mil membros armados e uma rede de apoio civil. Apesar de possuir um Comando Central com cinco membros, o ELN tem diferentes frentes regionais que mantêm uma estrutura relativamente autônoma que lhes permite operar fora do controle central. Essa estrutura descentralizada foi identificada por analistas como uma das principais dificuldades para a implementação de acordos entre o Estado e a insurgência.
Desde 1985, houve sete tentativas de negociações de paz entre o Estado colombiano e o ELN, mas nenhuma delas foi bem-sucedida até o momento. A última negociação ocorreu entre 2015 e 2019, um processo que começou durante o mandato do ex-presidente Juan Manuel Santos e foi interrompido durante a gestão do direitista Iván Duque.
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As negociações de paz foram retomadas em novembro do ano passado, já sob o mandato de Petro, reiniciando formalmente os diálogos interrompidos em 2019. A agenda de seis pontos acordada por ambas as partes para avançar no processo de paz inclui: a participação da sociedade nos acordos; a exigência de democracia para a paz; o diálogo sobre as vítimas do conflito; as exigências de transformações sociais para a paz; a segurança para a paz e o abandono das armas; e garantias para o exercício da ação política.
Ao contrário das negociações de paz anteriores, o atual processo de diálogo está sendo conduzido por um governo progressista. Embora as negociações não estejam livres de tensões, as partes não são abertamente hostis, como foi o caso durante os governos de Santos e Duque.
Diferentemente das negociações de paz anteriores, o governo colombiano mantém um diálogo informal tanto com outros grupos armados - como os dissidentes das FARC que não aceitaram o acordo alcançado em 2016 - quanto com grupos criminosos, principalmente ligados ao tráfico de drogas - como o Clã do Golfo. O governo colombiano, no final de outubro do ano passado, aprovou o que chamou de legislação de "paz total", que permitiu a abertura desses canais sob a justificativa de um fim definitivo ao conflito armado.
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No caso do ELN, o governo colombiano optou por tentar estabelecer "acordos parciais" que possam melhorar as condições humanitárias nas comunidades afetadas pelo conflito em um diálogo contínuo com o grupo.
Por outro lado, o Estado colombiano não exigiu o desarmamento imediato do ELN. Assim como nos "acordos parciais", a entrega das armas da insurgência será um processo gradual e dependerá do cumprimento progressivo dos pactos. O fato de o Estado colombiano não ter cumprido o acordo de paz das FARC de 2016, após o desarmamento da guerrilha em que vários de seus membros foram massacrados, é um precedente para essa modalidade.
Um dos pontos mais polêmicos tem sido a tentativa do governo colombiano de chegar a um cessar-fogo total com o ELN, no qual todas as operações armadas cessariam. No entanto, o ELN só concordou em parar de lutar contra o Estado colombiano.
Atualmente, o ELN está envolvido em vários confrontos contra o grupo armado Clã do Golfo (principalmente nos estados de Chocó, Valle de Cauca e Bolívar) e os chamados dissidentes das FARC (em Arauca, Norte de Santander, Nariño e Cauca). A continuidade desses confrontos será um dos principais desafios para a aplicação da ajuda humanitária nesses territórios.
* Colaborou Lucas Estanislau, em Caracas (Venezuela)
Edição: Nicolau Soares
Créditos Bdf
Primeiro esquerdista a vencer a eleição presidencial no país foi empossado neste domingo (7), diante de mais de 100 mil pessoas na Plaza de Bolívar, em Bogotá

Fabrício Juliãoda CNN
em São Paulo
O esquerdista Gustavo Petro tomou posse, neste domingo (7) como presidente da Colômbia, na Plaza de Bolívar, em Bogotá. A cerimônia reuniu milhares de apoiadores no centro da capital e em locais com telões instalados.
De acordo com o presidente do Senado, Roy Barreras, a posse de Petro ocorreu diante de cerca de 100 mil pessoas, entre elas o rei espanhol, Felipe VI, e pelo menos nove presidentes latino-americanos.
Em discurso, Barreras afirmou que “o que viemos fazer hoje é tentar deter a morte e transformar a Colômbia em uma potência de vida”. “Viemos dizer ao ELN: larguem suas armas”, acrescentou.
Petro iniciou seu discurso após prestar juramento momentos antes.
“Colombianos e colombianas foram muitas vezes em nossa história condenados ao impossível, à falta de oportunidades.”
“Quero dizer a todos os colombianos e colombianas que me ouvem nesta Praça Bolívar, nos arredores, em toda a Colômbia e no exterior, que nossa segunda chance começa hoje”, disse o novo presidente. “Hoje começa a Colômbia do possível”.
“Este é o governo da vida e da paz, e por isso será lembrado”, acrescentou.
A vice-presidente Francia Márquez também falou durante seu juramento. “Até que a dignidade se torne um costume”, disse.
Petro e Márquez chegam à presidência da Colômbia depois de alcançar mais de 11 milhões de votos no segundo turno das eleições, em 19 de junho.
Líder da esquerda, Petro é reconhecido como ex-membro do grupo de guerrilha M-19 (Movimento 19 de Abril), desmobilizado nos anos 1990. O passado como militante tornou a vida pública do primeiro colocado polêmica.
Nascido no município de Ciénaga de Oro, no departamento de Córdoba, na costa caribenha, em 1960, entrou para a vida pública ainda jovem, aos 21 anos, como conselheiro municipal, uma espécie de vereador. Foi nessa época também que se aproximou do M-19.
A eleição deste ano foi a terceira tentativa de Petro de ocupar a cadeira presidencial. Antes, o candidato foi senador e prefeito da capital colombiana, Bogotá.
O programa do Pacto Histórico encabeçado por Petro — que se define como um esquerdista “progressista” em um país altamente tradicional e de direita — levanta a necessidade de reformas profundas em áreas tão diversas como o modelo econômico e o funcionamento das Forças Armadas.
Ele traz propostas diversificadas na economia, na segurança, na igualdade de gênero e no meio ambiente. Veja aqui um resumo de suas principais propostas.
A Colômbia, como outros países da região, está passando por um momento econômico desafiador, com a inflação disparando e o peso seriamente desvalorizado em relação ao dólar.
Críticos dizem que o plano de Petro para que a Colômbia não tenha mais um modelo de economia petrolífera extrativista influencia para desencorajar investimentos estrangeiros, desestabilizar mercados e desvalorizar a moeda.
*Com informações da CNN Espanhol.
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INTERNACIONAL -
Chapa Gustavo Petro-Francia Marquez é eleita para presidência da Colômbia.
Vantagem foi de quase 800 mil votos, com participação de 57% do eleitorado, segundo resultados preliminares

Na Colômbia, com quase a totalidade das urnas apuradas, os resultados apontam a vitória para a chapa de centro-esquerda Pacto Histórico no 2º turno das eleições presidenciais deste domingo (19). Com cerca de 57% de comparecimento, o segundo turno superou a participação da primeira ronda.
Com 99% da apuração, Gustavo Petro e Francia obtiveram 50% da preferência, equivalente a 11,2 milhões de votos contra 47% de Rodolfo Hernández e Marelen Castillo, da chapa de direita Liga Anticorrupção.
“Hoje é um dia de festa para o povo. Que festeja a primeira vitória popular. Que tantos sofrimentos se amorteçam na alegria que hoje inunda o coração da Pátria”, disse Petro logo após a divulgação dos resultados.
A vice, Francia Márquez, primeira mulher negra a ocupar o cargo, publicou “isto é pelos avôs e avós, mulheres, jovens, pessoas LGBTQI+, indígenas, camponeses, trabalhadores, vítimas, meu povo negro, que resistiram e também aqueles que já não estão. Por toda Colômbia! Hoje começamos a escrever uma nova história”.
“Respeito o resultado. Espero que essa decisão seja a melhor para todos. Desejo que Gustavo Petro saiba dirigir o país e seja fiel ao seu discurso de combate à corrupção”, disse Hernández.
Esta é a maior votação dos últimos oito anos na Colômbia. No primeiro turno, realizado no dia 29 de maio, cerca de 54% do eleitorado compareceu às urnas. O Pacto Histórico venceu com cerca de 8,5 milhões de votos, enquanto a Liga de Governantes Anticorrupção obteve 5,9 milhões de votos.
“Petro significa uma vitória simbólica dos Acordos de Paz. Não só a direita deve reconhecer os resultados, assim como a maioria da sociedade, porque houve esforços de distintos setores, assim como o acompanhamento internacional que garantiu um processo transparente”, analisa o cientista político colombiano, Andrés Aponte.
O atual presidente, Iván Duque (Centro Democrático) também se pronunciou, dizendo que telefonou para Petro para felicitá-lo. “Acordamos uma reunião para os próximos dias para iniciar uma transição harmônica, institucional e transparente”, disse. A posse está prevista para o dia 7 de agosto.
“Novamente concluímos a pré-contagem em menos de uma hora após o fechamento das urnas. O êxito é da democracia”, disse o chefe do Registro Civil Nacional, Alexander Vega Rocha
O resultado oficial no entanto, será oferecido durante a semana, após nova contagem iniciada na próxima terça-feira (21).
Segundo o poder eleitoral, 60 locais de votação foram alterados por questões climáticas. A Missão de Observação Eleitoral (MOE) reportou no seu segundo boletim um total de 310 denúncias de irregularidades, sendo 32 na região da capital, Bogotá.
Também é a primeira vez na historia que uma chapa do campo progressista ocupará a presidência e terá a maior bancada no Congresso. Nas eleições de março, o Pacto elegeu 19 senadores e 28 deputados. “A vitória representa a chegada de uma alternativa. Uma amálgama de distintas correntes progressistas que propõem outro projeto econômico e social, distinto do que estava vigente com bipartidarismo durante 100 anos na Colômbia”, analisa Aponte.
O Pacto Histórico propõe a implementação integral dos Acordos de Paz; a realização da reforma agrária, com distribuição de terras para pequenos agricultores, substituição de cultivos ilícitos; reforma da polícia e demais forças de segurança, acabando com a obrigatoriedade do serviço militar, e implementando conselhos regionais de segurança; reforma tributária para aumentar os impostos aos mais ricos e gerar fundos para financiar projetos de gratuidade no ensino superior.
Créditos Sul21
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