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terça-feira, 22 de abril de 2025

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Governo colombiano e grupo guerrilheiro ELN assinam cessar-fogo de seis meses

 

Governo colombiano e grupo guerrilheiro ELN assinam cessar-fogo de seis meses

Acordo assinado em Havana é ponto mais avançado das negociações e ainda prevê envolvimento de sociedade civil colombiana

Havana (Cuba) |
 
O presidente Gustavo Petro e o comandante do ELN, Antonio García, estiveram em Cuba - Presidencia Colombia

O governo da Colômbia e o grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciaram nesta sexta-feira (9) a implementação de um cessar-fogo que terá a duração de seis meses e deve ter início a partir do dia 6 de julho.

A decisão é uma das três partes de um acordo assinado por ambas as delegações em Havana, capital de Cuba, durante ato que marcou o encerramento do terceiro ciclo de diálogos entre o Estado colombiano a o grupo armado.

Com a presença do presidente Gustavo Petro e do primeiro comandante do ELN, Antonio García, que foram a Havana para participar do evento, os representantes assinaram o acordo que representa o maior avanço, até agora, nas negociações de paz.

:: Presidente da Colômbia demite chefe de Gabinete e classifica nova crise de 'golpe suave' ::

O cessar-fogo bilateral era um dos anúncios mais aguardados e entrará em vigência a partir de 6 de julho. As partes ainda anunciaram que em 10 de julho serão realizadas reuniões para aprovar os protocolos elaborados para esse período.

O segundo ponto do acordo são os preparativos para a participação da sociedade civil colombiana na construção do processo de paz por meio de uma convocatória para a formação de equipes de trabalho. Além disso, os negociadores anunciaram que o quarto ciclo de diálogos ocorrerá entre 14 de agosto e 4 de setembro, na Venezuela.

Uma foto muito esperada

Petro chegou a Havana na noite de quinta-feira (8), em meio a uma crise no governo e enfrentamentos com a direita que impõe travas às reformas do presidente no Congresso. Já o comandante guerrilheiro Antonio García chegou a Cuba em 7 de junho, depois que a Procuradoria-Geral da Colômbia suspendeu os mandados de prisão contra ele a pedido de Petro.

Ao discursar nesta sexta-feira após a assinatura do acordo, o presidente estipulou o prazo de maio de 2025 para que os diálogos acabem definitivamente com o conflito entre o ELN e o Estado colombiano, que já dura 60 anos.

"O mundo das armas e das mortes, com essa guerra eterna de décadas, deve acabar. A violência que vivemos por gerações, da qual fizemos parte, mas que tentamos superar, deve acabar. Com isso não poderemos construir uma nação, porque uma nação é um pacto entre seus integrantes", disse.

:: Governo da Colômbia e ELN prorrogam diálogos de paz em Havana até junho ::

García, por sua vez, disse confiar no processo atual, mas ponderou que o ELN espera mudanças concretas que encerrem perseguições, o que não aconteceu, segundo o líder guerrilheiro, em outras ocasiões.

"Estamos conscientes que não assinamos acordos substanciais, assinamos acordos de procedimentos, [...] mas não podemos repetir velhas histórias, temos muitos processos de paz que só terminaram com desmobilização e desarmamento e as coisas seguiram iguais", disse.

ELN x Estado: histórico de um conflito

Fundado em 1964 por um grupo de estudantes influenciados pela Revolução Cubana e pela Teologia da Libertação, o ELN declara que seu principal objetivo é a transformação da sociedade e da economia da Colômbia por meio da luta contra o "grande capital" e a "oligarquia colombiana". Por outro lado, o ELN é considerado um "grupo terrorista" pela União Europeia, pelos Estados Unidos e por alguns Estados latino-americanos.

Atualmente, o grupo está presente em 183 municípios da Colômbia, além de vários territórios fronteiriços na Venezuela. Estima-se que tenha cerca de 2,5 mil membros armados e uma rede de apoio civil. Apesar de possuir um Comando Central com cinco membros, o ELN tem diferentes frentes regionais que mantêm uma estrutura relativamente autônoma que lhes permite operar fora do controle central. Essa estrutura descentralizada foi identificada por analistas como uma das principais dificuldades para a implementação de acordos entre o Estado e a insurgência.

Desde 1985, houve sete tentativas de negociações de paz entre o Estado colombiano e o ELN, mas nenhuma delas foi bem-sucedida até o momento. A última negociação ocorreu entre 2015 e 2019, um processo que começou durante o mandato do ex-presidente Juan Manuel Santos e foi interrompido durante a gestão do direitista Iván Duque.

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As negociações de paz foram retomadas em novembro do ano passado, já sob o mandato de Petro, reiniciando formalmente os diálogos interrompidos em 2019. A agenda de seis pontos acordada por ambas as partes para avançar no processo de paz inclui: a participação da sociedade nos acordos; a exigência de democracia para a paz; o diálogo sobre as vítimas do conflito; as exigências de transformações sociais para a paz; a segurança para a paz e o abandono das armas; e garantias para o exercício da ação política.

Ao contrário das negociações de paz anteriores, o atual processo de diálogo está sendo conduzido por um governo progressista. Embora as negociações não estejam livres de tensões, as partes não são abertamente hostis, como foi o caso durante os governos de Santos e Duque.

Diferentemente das negociações de paz anteriores, o governo colombiano mantém um diálogo informal tanto com outros grupos armados - como os dissidentes das FARC que não aceitaram o acordo alcançado em 2016 - quanto com grupos criminosos, principalmente ligados ao tráfico de drogas - como o Clã do Golfo. O governo colombiano, no final de outubro do ano passado, aprovou o que chamou de legislação de "paz total", que permitiu a abertura desses canais sob a justificativa de um fim definitivo ao conflito armado.

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No caso do ELN, o governo colombiano optou por tentar estabelecer "acordos parciais" que possam melhorar as condições humanitárias nas comunidades afetadas pelo conflito em um diálogo contínuo com o grupo.

Por outro lado, o Estado colombiano não exigiu o desarmamento imediato do ELN. Assim como nos "acordos parciais", a entrega das armas da insurgência será um processo gradual e dependerá do cumprimento progressivo dos pactos. O fato de o Estado colombiano não ter cumprido o acordo de paz das FARC de 2016, após o desarmamento da guerrilha em que vários de seus membros foram massacrados, é um precedente para essa modalidade.

Um dos pontos mais polêmicos tem sido a tentativa do governo colombiano de chegar a um cessar-fogo total com o ELN, no qual todas as operações armadas cessariam. No entanto, o ELN só concordou em parar de lutar contra o Estado colombiano.

Atualmente, o ELN está envolvido em vários confrontos contra o grupo armado Clã do Golfo (principalmente nos estados de Chocó, Valle de Cauca e Bolívar) e os chamados dissidentes das FARC (em Arauca, Norte de Santander, Nariño e Cauca). A continuidade desses confrontos será um dos principais desafios para a aplicação da ajuda humanitária nesses territórios.

* Colaborou Lucas Estanislau, em Caracas (Venezuela)

Edição: Nicolau Soares


Créditos Bdf

domingo, 7 de agosto de 2022

LFS INTERNACIONAL - COLÔMBIA --- Gustavo Petro toma posse como Presidente e fala em transformar a Colômbia

 

Gustavo Petro toma posse e fala em transformar a Colômbia

Primeiro esquerdista a vencer a eleição presidencial no país foi empossado neste domingo (7), diante de mais de 100 mil pessoas na Plaza de Bolívar, em Bogotá

Gustavo Petro durante seu primeiro discurso como presidente da Colômbia
Gustavo Petro durante seu primeiro discurso como presidente da ColômbiaReprodução

Fabrício Juliãoda CNN

em São Paulo

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O esquerdista Gustavo Petro tomou posse, neste domingo (7) como presidente da Colômbia, na Plaza de Bolívar, em Bogotá. A cerimônia reuniu milhares de apoiadores no centro da capital e em locais com telões instalados.

De acordo com o presidente do Senado, Roy Barreras, a posse de Petro ocorreu diante de cerca de 100 mil pessoas, entre elas o rei espanhol, Felipe VI, e pelo menos nove presidentes latino-americanos.

Em discurso, Barreras afirmou que “o que viemos fazer hoje é tentar deter a morte e transformar a Colômbia em uma potência de vida”. “Viemos dizer ao ELN: larguem suas armas”, acrescentou.

Petro iniciou seu discurso após prestar juramento momentos antes.

“Colombianos e colombianas foram muitas vezes em nossa história condenados ao impossível, à falta de oportunidades.”

“Quero dizer a todos os colombianos e colombianas que me ouvem nesta Praça Bolívar, nos arredores, em toda a Colômbia e no exterior, que nossa segunda chance começa hoje”, disse o novo presidente. “Hoje começa a Colômbia do possível”.

“Este é o governo da vida e da paz, e por isso será lembrado”, acrescentou.

A vice-presidente Francia Márquez também falou durante seu juramento. “Até que a dignidade se torne um costume”, disse.

Petro e Márquez chegam à presidência da Colômbia depois de alcançar mais de 11 milhões de votos no segundo turno das eleições, em 19 de junho.

Perfil

Líder da esquerda, Petro é reconhecido como ex-membro do grupo de guerrilha M-19 (Movimento 19 de Abril), desmobilizado nos anos 1990. O passado como militante tornou a vida pública do primeiro colocado polêmica.

Nascido no município de Ciénaga de Oro, no departamento de Córdoba, na costa caribenha, em 1960, entrou para a vida pública ainda jovem, aos 21 anos, como conselheiro municipal, uma espécie de vereador. Foi nessa época também que se aproximou do M-19.

A eleição deste ano foi a terceira tentativa de Petro de ocupar a cadeira presidencial. Antes, o candidato foi senador e prefeito da capital colombiana, Bogotá.

O programa do Pacto Histórico encabeçado por Petro — que se define como um esquerdista “progressista” em um país altamente tradicional e de direita — levanta a necessidade de reformas profundas em áreas tão diversas como o modelo econômico e o funcionamento das Forças Armadas.

Ele traz propostas diversificadas na economia, na segurança, na igualdade de gênero e no meio ambiente. Veja aqui um resumo de suas principais propostas.

Economia na Colômbia

A Colômbia, como outros países da região, está passando por um momento econômico desafiador, com a inflação disparando e o peso seriamente desvalorizado em relação ao dólar.

Críticos dizem que o plano de Petro para que a Colômbia não tenha mais um modelo de economia petrolífera extrativista influencia para desencorajar investimentos estrangeiros, desestabilizar mercados e desvalorizar a moeda.

*Com informações da CNN Espanhol.

Créditos CNN

sábado, 2 de julho de 2022

INTERNACIONAL: COLÔMBIA PRECISA SOBREVIVER AO POPULISMO! (Moisés Naím - O Estado de S. Paulo, 27)

 

COLÔMBIA PRECISA SOBREVIVER AO POPULISMO!

(Moisés Naím - O Estado de S. Paulo, 27) A Colômbia acaba de eleger seu próximo presidente, Gustavo Petro, que, apesar de sua longa carreira política, se apresenta como um forasteiro que vai desalojar do poder as elites que sempre governaram o país. O mesmo foi prometido por Andrés Manuel López Obrador, no México, Gabriel Boric, no Chile, Pedro Castillo, no Peru, Alberto Fernández, na Argentina, e por vários outros presidentes latinoamericanos.

No dia 2 de outubro, haverá eleições no Brasil e é quase certo que o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula da Silva disputarão o cargo. Além de enfrentar agressivamente seus oponentes, todos esses líderes prometem amplas mudanças institucionais e reformas econômicas. Todos também se comprometeram a reduzir fortemente a pobreza e a desigualdade. Eles serão bem sucedidos?

Não. Por várias décadas, nenhum da longa lista de predecessores que tentaram fazer mudanças permanentes e indispensáveis teve sucesso. A exceção a essa tendência foi Hugo Chávez e seu sucessor, Nicolás Maduro, que transformaram drasticamente a Venezuela. Eles a destruíram.

POPULISMO.

O novo presidente colombiano é o mais recente membro desse clube de líderes políticos que chegam ao poder com promessas populistas que não poderão cumprir ou impor de qualquer maneira, independentemente dos custos e de outros efeitos nefastos. Além disso, terão de governar sociedades com níveis de polarização política e social que muitas vezes impossibilitam acordos e compromissos entre grupos ou segmentos da sociedade que rivalizam e não se toleram.

Como em muitas outras partes do mundo, importantes tomadas de decisão governamentais na América Latina são bloqueadas pela polarização, que se alimenta de identidades de grupo: religião, raça, gênero, região, idade, interesses econômicos, ideologias e muito mais.

Essa polarização, que sempre existiu, agora foi potencializada pela pós-verdade: o aumento da desinformação, das fake news, da manipulação e da disseminação de mensagens que provocam desconfiança.

NOVA REALIDADE.

Estes são os três “Ps” que definem as realidades políticas nestes tempos atuais: populismo (dividir e governar, prometer e vencer), polarização (o uso e abuso da discórdia) e pós-verdade (em quem acreditar?).

Governar com sucesso neste contexto torna-se ainda mais difícil quando se leva em conta a situação econômica da América Latina. A saúde das economias da região depende criticamente dos preços internacionais das matérias-primas, que constituem seus principais itens de exportação.

Quando a demanda e os preços desses produtos no mercado mundial aumentam, os governos latino-americanos obtêm recursos que alimentam os gastos públicos e, assim, aliviam os atritos políticos e sociais. Se os preços internacionais caem, o conflito político e social se intensifica. É um padrão recorrente.

CONTRAÇÃO.

Tudo parece indicar que a economia global experimentará uma forte contração e a América Latina não conseguirá evitar o impacto dos choques externos. A inflação, fenômeno até então desconhecido para a grande maioria dos jovens da região, reaparecerá após décadas em que a alta dos preços não fazia parte do cotidiano. A inflação será uma fonte perniciosa de fome, empobrecimento, desigualdade, estagnação econômica e conflito social.

Os efeitos políticos da inflação são agora agravados por uma terrível condição preexistente: a desilusão com a democracia. Milhões de latino-americanos fortemente afetados pela pandemia, pelo desemprego, pela má qualidade dos serviços públicos, pela insegurança alimentar, pela corrupção e pelo crime perderam a esperança de que as eleições e a democracia lhes deem as oportunidades que os políticos há muito lhes oferecem.

Este é o contexto em que o presidente Petro deve governar a Colômbia. Ele tem três alternativas. A primeira é dar viabilidade política a sua ambiciosa agenda de mudanças por meio de transações oportunistas com alguns líderes, partidos da oposição e grupos sociais que se opõem a ele, o que inevitavelmente exigirá que o presidente faça concessões. Aumentar essa margem de apoio será essencial e exigirá decisões bem menos virtuosas.

ACORDO NACIONAL.

A segunda alternativa é Petro propor à Colômbia um amplo e inclusivo acordo nacional. Uma aliança que permita a tomada de decisões importantes e seja sincera e possa lhe dar o apoio de que ele necessita. Novamente, isso envolve fazer concessões que podem ser difíceis de engolir para o presidente e para aqueles que o apoiaram.

A terceira opção que lhe resta é se comportar como os “presidentes 3Ps” fizeram em outras partes do mundo: enfraquecendo sorrateiramente as instituições, as normas e os freios e contrapesos que definem a democracia. Espero que a democracia colombiana sobreviva aos 3Ps.

Créditos Ex-Blog do Cesar Maia

segunda-feira, 20 de junho de 2022

INTERNACIONAL - Chapa Gustavo Petro-Francia Marquez é eleita para presidência da Colômbia - créditos Sul 21

INTERNACIONAL -  

Chapa Gustavo Petro-Francia Marquez é eleita para presidência da Colômbia.

Vantagem foi de quase 800 mil votos, com participação de 57% do eleitorado, segundo resultados preliminares 




Petro e Francia aumentaram votação em 2 milhões de votos em comparação com o 1º turno, realizado em maio. Foto: Divulgação

Petro e Francia aumentaram votação em 2 milhões de votos em comparação com o 1º turno, realizado em maio. Foto: Divulgação
Michele de Mello
Do Brasil de Fato

Na Colômbia, com quase a totalidade das urnas apuradas, os resultados apontam a vitória para a chapa de centro-esquerda Pacto Histórico no 2º turno das eleições presidenciais deste domingo (19). Com cerca de 57% de comparecimento, o segundo turno superou a participação da primeira ronda.

Com 99% da apuração, Gustavo Petro e Francia obtiveram 50% da preferência, equivalente a 11,2 milhões de votos contra 47% de Rodolfo Hernández e Marelen Castillo, da chapa de direita Liga Anticorrupção.

“Hoje é um dia de festa para o povo. Que festeja a primeira vitória popular. Que tantos sofrimentos se amorteçam na alegria que hoje inunda o coração da Pátria”, disse Petro logo após a divulgação dos resultados.

 

A vice, Francia Márquez, primeira mulher negra a ocupar o cargo, publicou “isto é pelos avôs e avós, mulheres, jovens, pessoas LGBTQI+, indígenas, camponeses, trabalhadores, vítimas, meu povo negro, que resistiram e também aqueles que já não estão. Por toda Colômbia! Hoje começamos a escrever uma nova história”.

 

“Respeito o resultado. Espero que essa decisão seja a melhor para todos. Desejo que Gustavo Petro saiba dirigir o país e seja fiel ao seu discurso de combate à corrupção”, disse Hernández.

Esta é a maior votação dos últimos oito anos na Colômbia. No primeiro turno, realizado no dia 29 de maio, cerca de 54% do eleitorado compareceu às urnas. O Pacto Histórico venceu com cerca de 8,5 milhões de votos, enquanto a Liga de Governantes Anticorrupção obteve 5,9 milhões de votos.

“Petro significa uma vitória simbólica dos Acordos de Paz. Não só a direita deve reconhecer os resultados, assim como a maioria da sociedade, porque houve esforços de distintos setores, assim como o acompanhamento internacional que garantiu um processo transparente”, analisa o cientista político colombiano, Andrés Aponte.

O atual presidente, Iván Duque (Centro Democrático) também se pronunciou, dizendo que telefonou para Petro para felicitá-lo. “Acordamos uma reunião para os próximos dias para iniciar uma transição harmônica, institucional e transparente”, disse. A posse está prevista para o dia 7 de agosto.

“Novamente concluímos a pré-contagem em menos de uma hora após o fechamento das urnas. O êxito é da democracia”, disse o chefe do Registro Civil Nacional, Alexander Vega Rocha

O resultado oficial no entanto, será oferecido durante a semana, após nova contagem iniciada na próxima terça-feira (21).

Segundo o poder eleitoral, 60 locais de votação foram alterados por questões climáticas. A Missão de Observação Eleitoral (MOE) reportou no seu segundo boletim um total de 310 denúncias de irregularidades, sendo 32 na região da capital, Bogotá.

Também é a primeira vez na historia que uma chapa do campo progressista ocupará a presidência e terá a maior bancada no Congresso. Nas eleições de março, o Pacto elegeu 19 senadores e 28 deputados. “A vitória representa a chegada de uma alternativa. Uma amálgama de distintas correntes progressistas que propõem outro projeto econômico e social, distinto do que estava vigente com bipartidarismo durante 100 anos na Colômbia”, analisa Aponte.

O Pacto Histórico propõe a implementação integral dos Acordos de Paz; a realização da reforma agrária, com distribuição de terras para pequenos agricultores, substituição de cultivos ilícitos; reforma da polícia e demais forças de segurança, acabando com a obrigatoriedade do serviço militar, e implementando conselhos regionais de segurança; reforma tributária para aumentar os impostos aos mais ricos e gerar fundos para financiar projetos de gratuidade no ensino superior.  


Créditos Sul21



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Convido-lhes a conhecer a LFS Internacional, a parte da Rede LFS de Comunicação que trata exclusivamente sobre os assuntos internacionais - https://redelfsdecomunicacao.wordpress.com/lfs-internacional 





quinta-feira, 2 de abril de 2020

*Notas internacionais (por Ana Prestes) – 01/04/20*

*Notas internacionais (por Ana Prestes) – 01/04/20*

- Infelizmente não é uma brincadeira pelo dia da mentira. O quarto mês de 2020 começa hoje, primeiro de abril, em meio a uma pandemia global provocada pelo novo coronavírus, denominado Covid19, e que já atingiu 874 mil pessoas e vitimou 43 mil em todo o globo.

- Ao contrário de janeiro e fevereiro, quando a China liderava o número de casos, hoje os EUA estão no topo dos países afetados, com 189.633 casos, o dobre da China no auge do surto. A projeção da Casa Branca, nos EUA, é de que pode haver de 100 mil a 240 mil mortes nos EUA provocadas pelo coronavírus, mesmo com as regras de distanciamento social sendo obedecidas. Somente ontem (31) 800 pessoas faleceram. É o maior número de mortes por dia até aqui. Metade dos óbitos são no estado de Nova Iorque, epicentro da epidemia no país. Trump disse: “eu quero que cada americano esteja preparado para dias difíceis. Nós vamos passar por duas semanas muito brutais”.

- Um editorial publicado ontem pelo jornal inglês The Guardian diz que Jair Bolsonaro é “um perigo para os brasileiros”. O jornal é um dos mais lidos do mundo e está prestes a completar dois séculos de existência. Segundo o editorial, “muitos governos terão que responder por seus erros e complacência quando a pandemia terminar. O desempenho de Bolsonaro está em uma categoria única”. Outros jornais e diversos veículos da imprensa internacional retratam o presidente brasileiro como um caso único de irresponsabilidade perante à pandemia.

- A OMS, com tantas coisas para fazer em meio a uma pandemia que já atinge quase um milhão de pessoas em todo o mundo e já matou mais de quarenta mil, precisou parar uns minutinhos para reiterar as distorções feitas por Bolsonaro da fala de Tedros Adhanom Ghebreyesus, seu diretor geral. O presidente brasileiro, visto em todo o mundo como o chefe de Estado mais irresponsável perante à crise, atribuiu a Tedros uma fala contrária ao isolamento social, quando na verdade, o diretor afirmou que o isolamento social deve ser combinado com o apoio econômico por parte dos Estados para os setores mais vulneráveis da sociedade, especialmente os que se encontram na atividade econômica informal.

- O Ministério Público venezuelano convocou Juan Guaidó para uma audiência pública amanhã (2) no âmbito de uma investigação por tentativas de golpe de Estado e magnicídio contra o presidente Nicolas Maduro. Nesse mesmo dia, o secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, deve apresentar nos EUA um plano para a formação de um governo de transição na Venezuela. O governo americano está chantageando a Venezuela que neste momento precisa de apoio financeiros para enfrentar a pandemia da Covid19. Alegam que suspenderão as sanções ao país caso Maduro abra mão do poder e igualmente Guiadó abra mão momentaneamente de seu poder autoproclamado e o país fique a cargo de um conselho de cinco membros eleito pela assembleia nacional que governaria o país até novas eleições presidenciais e parlamentares a serem realizadas no final de 2020. A proposta vem na sequencia da procuradoria geral dos EUA ter denunciado o presidente Maduro e mais 12 membros do governo venezuelano por narcotráfico e ter estabelecido prêmios de 15 milhões por sua prisão e 10 milhões pela prisão dos demais denunciados. Vem também na sequencia do desbaratamento de um plano de magnicídio revelado por um ex-general das forças armadas bolivarianas da Venezuela e descoberta de armas e equipamentos de segurança na fronteira com a Colômbia.

- O presidente Alberto Fernández, da Argentina, tem sido reconhecido mundialmente como um dos chefes de estado sulamericanos que melhor lida com a crise do coronavírus. Sua popularidade chegou aos 80% na condução das medidas contra a pandemia e a adesão de todo o país às medidas salta aos olhos. Houve uma trégua política notória e todos os setores se uniram, assim como todas as esferas administrativas. Mas como nem tudo é só calmaria em uma Argentina que segue arrasada economicamente pela política neoliberal de Macri e está em seu terceiro ano de recessão econômica, uma nova polêmica surgiu quando o presidente disse a empresários que era chegada a hora de “lucrar menos”. Ao dizer isso, Fernandez estava reagindo a grandes industriais que demitiram em massa, como a siderúrgica Techint, pelo twitter ele chamou os industriais de “miseráveis” e que estes se “esqueciam de quem trabalhava para eles”. A reação da classe média e alta foi de fazer protestos nas redes e nas janelas para exigir que os políticos em geral reduzam seus salários para dar o exemplo. A Argentina é um país de cultura de rua e de muita militância política. Isso se reflete também em tempos de quarentena nas janelas, sacadas e varandas. Para se ter um exemplo. Na última segunda-feira houve às 18h um “barulhaço” contra o feminicídio e a violência doméstica, às 20h30 aplausos para os profissionais da saúde e na sequencia às 21h30 um panelaço contra os políticos, para que reduzam seus salários.

- No Uruguai também circula essa ideia de redução de 30% dos salários dos três poderes, executivo, legislativo e judiciário, durante quatro meses. A proposta é puxada pelo próprio presidente recém empossado Luis Alberto Lacalle Pou.

- O novo embaixador dos EUA chegou ao Brasil. Trata-se de Todd Chapman, historiador e diplomata de carreira, e que está indicado por Trump desde outubro do ano passado. Foi confirmado pelo Senado americano em fevereiro deste ano. Ele já havia servido no Brasil como vice-chefe de Missão (2011). Viveu em SP na infância e fala português fluentemente. A própria Embaixada divulgou as palavras do novo embaixador: “Meu foco imediato será ajudar o governo brasileiro, o povo brasileiro e os 260 mil norte-americanos residentes no Brasil em sua resposta à emergência de saúde causada pela covid-19. Há muito o que fazer e estou ansioso para começar a trabalhar”. Anteriormente ele estava no Equador, no período de 2016-2019, justamente o período em que as forças políticas ligadas ao ex-presidente Rafael Correa foram afastadas do poder, com a traição de Lenin Moreno, e houve uma guinada pró-EUA no país. Há relatos dos equatorianos de pressões sobre a diplomacia do país para votos nos organismos multilaterais que favorecessem os interesses dos EUA, até mesmo em questões como incentivo ao aleitamento materno que prejudicam a indústria alimentícia americana de produtos substitutos do leite materno.

- Enquanto por aqui nas Américas, os EUA se aproveitam da crise do coronavírus para avançar sobre a Venezuela, na Europa o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, desde segunda (30) tem direito a governar por decretos por tempo ilimitado. Foi aprovada pelo parlamento húngaro uma lei que lhe dá esse direito usando a pandemia como justificativa. Na prática foi um golpe contra a democracia “com supremo com tudo”. Parlamento e Judiciário apoiaram. A Hungria é até agora o país europeu menos atingido pelo coronavírus, com 525 casos e 20 mortes. Alguns cientistas políticos tem usado o termo “autocracia eleitoral” para designar o status da Hungria. Na nova lei que dá super poderes a Orbán está prevista a prisão de até cinco anos para quem difundir informações que o governo considere incorretas sobre a pandemia e oito anos de prisão para quem desrespeitar a quarentena. Ontem (31) a presidente da comissão europeia, Ursula von der Leyen, fez um alerta, sem nominar a Hungria, que a luta contra o coronavirus não pode se tornar uma luta contra a democracia. A líder também defendeu a liberdade de imprensa.

- Continua a disputa no seio da União Europeia a respeito dos “coronabonds”, espécie de bônus para um endividamento comum de toda a comunidade enquanto investe recursos para superar a pandemia do coronavírus. A Alemanha segue sendo o país mais contrário à iniciativa. França, Espanha e Itália são os mais interessados nos bônus. Angela Merkel insiste em lidar com a crise através das ferramentas financeiras já existentes na zona do euro, como o chamado mecanismo de estabilidade europeu.

- Enquanto os EUA seguem bloqueando economicamente o Irã e prejudicado o país que tem dificuldade para adquirir medicamentos no mercado mundial em meio à pandemia por coronavírus, França, Alemanha e Reino Unido estão conseguindo driblar o bloqueio. Estão usando o INSTEX (Instrumento de apoio a intercâmbios comerciais), criado para manter ativo o pacto nuclear de 2015 quebrado unilateralmente pelos EUA. Uma declaração do ministério de relações exteriores da Alemanha, divulgada pela imprensa, diz que um primeiro envio já foi realizado e que medicamentos e suprimentos de saúde já estão no Irã. O mecanismo permite que empresas desses países exportem e importem do Irã sem o uso do dólar, fugindo assim das sanções estadunidenses.

- A Rússia enviou um avião militar com material médico e de proteção aos profissionais de saúde para os EUA. O fato ocorre após pelo menos seis anos de relação instável, sanções, fim de um pacto comum de controle armamentício, acusações de ingerência e etc. Trump disse que a Rússia “enviou uma carga de avião muito, muito grande. Equipe médica. Muito agradável”. A Rússia enviou há algumas semanas 15 aviões militares para a Itália, muito antes da União Europeia conseguir dar algum apoio concreto ao país.

- Um país da Ásia Central, o Turcomenistão, adotou uma forma inusitada de enfrentar o coronavírus. Seu governo proibiu o uso da palavra “coronavirus” na vida pública. O presidente do país determinou o banimento da palavra da mídia estatal e também privada. O país de 5,8 milhões de pessoas tem assistido a prisão de pessoas que falam sobre a doença ou que usam máscaras. O Turcomenistão está pertinho do Irã, um dos países mais atingidos pela pandemia.

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

O presidente Nicolás Maduro denunciou que a Venezuela enfrenta uma guerra não convencional que busca desmembrar o Estado e permitir uma invasão estrangeira

Venezuela enfrenta 'guerra subterrânea' para desmembrar o país, acusa Maduro

© Sputnik / Ruslan Krivobok
Presidente da Venezuela Nicolás Maduro
Sputnik/Krislan Krivobok
 

O presidente Nicolás Maduro denunciou que a Venezuela enfrenta uma guerra não convencional que busca desmembrar o Estado e permitir uma invasão estrangeira.
"Somos vítimas de uma guerra multiforme de natureza não convencional [...] não é a guerra militar tradicional, é uma guerra subterrânea, é uma guerra que visa não apenas acabar com o presidente da República, tem um objetivo maior, é desmembrar e destruir o Estado e a sociedade venezuelana para que forças exógenas entrem no controle da riqueza natural", afirmou ele no rádio e na televisão.
Maduro criticou o comportamento dos representantes da oposição, a quem ele acusou de se submeter aos projetos dos Estados Unidos.
Durante seu discurso, o chefe de Estado venezuelano destacou que a guerra contra seu país afetou os serviços públicos nos últimos anos.
"Uma guerra contra os serviços públicos e, especialmente, contra o serviço elétrico [...] a guerra contra as Forças Armadas Nacionais Bolivarianas, para dividi-la, debitá-la, confrontá-la entre si e colocá-la a serviço da oligarquia colombiana", afirmou.
Apagão em Caracas, Venezuela
© SPUTNIK / EVA MARI USKATEGI
Apagão em Caracas, Venezuela
O governo venezuelano acusou a Colômbia e os EUA de estarem por trás dos blecautes registrados neste país sul-americano desde março passado.
Maduro também rejeitou que o comandante do Comando Sul dos EUA, Craig Faller, ameace atacar a Venezuela.
"Ele diz que eles planejam tomar a Venezuela sempre que quiserem [...] você vê um oficial como Craig Faller conversando e ele não está falando como um oficial, ele está falando como um cônsul. Ele fala como governante mundial e ele fala como governante da América Latina e Caribe, porque ele é o comandante do Comando Sul. Craig Faller diminua a fumaça, você encontrou um osso duro de roer que é a união militar cívica da Venezuela", pontuou.
Em julho passado, Faller disse que seu exército continuará sobrevoando onde os padrões internacionais se aplicam, depois que a Venezuela denunciar a incursão de aviões espiões dos EUA na zona de informação do país sul-americano.
O governo venezuelano denunciou que nos últimos três meses houve um total de 78 violações de aeronaves americanas no espaço aéreo ou nas regiões de informação de seus voos.