quinta-feira, 25 de abril de 2024

LFS Internacional - Revolução dos Cravos 50 anos: Entenda movimento que derrubou ditadura em Portugal - créditos CNN

LFS Internacional - 

Revolução dos Cravos 50 anos: Entenda movimento que derrubou ditadura em Portugal.

Créditos CNN




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Revolução dos Cravos 50 anos: Entenda movimento que derrubou ditadura em Portugal

Dia 25 de abril de 1974 marca "início da vida democrática" no país europeu

Revolução dos Cravos em Lisboa, Portugal, em 25 de abril de 1974
Revolução dos Cravos em Lisboa, Portugal, em 25 de abril de 1974Jean-Claude FRANCOLON/Gamma-Rapho via Getty Images

Tiago Tortellada CNN

em São Paulo

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Há exatos 50 anos, a ditadura do Estado Novo era derrubada em Portugal, após um movimento que ficou conhecido como Revolução dos Cravos. Assim, o dia 25 de abril de 1974 ficou marcado como “início da vida democrática” no país europeu.

Esse levante, que especialistas destacam ter sido pacífico, teve a adesão das Forças Armadas e da população civil, insatisfeitos com o rumo do país e a luta do governo contra a independência das colônias. O Estado Novo foi a ditadura mais longa da Europa, começando em 1933.

O ditador Antonio Oliveira Salazar comandou o país até 1968, mas o regime teve fim apenas em 1974.

A revolução também abriu caminho para a resolução de lutas por liberdade de colônias de Portugal. Três meses depois, foi reconhecida a independência de Guiné-Bissau, e, em 1975, foi a vez de Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Moçambique e Angola, por exemplo.

Os cravos vermelhos se tornaram símbolo da revolução, pois a população saiu às ruas e distribuiu essas flores aos soldados rebeldes, que as colocaram nos canos dos fuzis.

Soldados portugueses com cravos nos uniformes e nos canos das armas montam guarda em Lisboa, em 29 de abril de 1974
Soldados portugueses com cravos nos uniformes e nos canos das armas montam guarda em Lisboa, em 29 de abril de 1974 / UPI/Bettmann Archive/Getty Images

Movimento de independência das colônias

Após a Segunda Guerra Mundial, e, principalmente, com a criação da Organização das Nações Unidas (ONU), a colonização passou a ser uma prática cada vez mais criticada, compreendida como um atentado à liberdade dos povos.

A partir da década de 1960, diversas colônias portuguesas começaram a luta por independência. Em 1973, Guiné-Bissau declarou unilateralmente independência.

Além de ser um ponto de atrito na diplomacia, Portugal teve baixas e gastos consideráveis nos conflitos, o que também potencializou a insatisfação da população com o governo.

Na terça-feira (23), o presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, reconheceu que o país cometeu crimes durante a era colonial e da escravidão, sugerindo necessidade de reparações.

Portugal traficou quase seis milhões de africanos, mais do que qualquer outra nação europeia.

25 de abril de 1974

Em 25 de abril de 1974, uma quinta-feira, soldados saíram dos quartéis e tomaram as ruas da capital Lisboa, exigindo a deposição de Marcello Caetano, então presidente do Conselho do Estado Novo, e de Américo Tomás, presidente.

O golpe de Estado foi planejado por um grupo de capitães. Entretanto, teve apoio de civis e foi majoritariamente pacífico.

Como dito, nesta data, a população, que também saiu para protestar contra o governo ditatorial, distribuiu cravos vermelhos em forma de agradecimento às tropas, tornando a flor o símbolo da revolução.

Comemoração em Lisboa no dia 25 de abril de 1974
Comemoração em Lisboa no dia 25 de abril de 1974 / Miranda Castela, Arquivo Fotográfico da Assembleia da República

Após a deposição do Estado Novo, foi instituída uma Junta de Salvação, que fez a transição para a democracia e encerrou instituições ditatoriais, como a Polícia Internacional e de Defesa do Estado e a censura.

Com isso, líderes de partidos da oposição também retornaram do exílio.

Novo governo e turbulência

O general António de Spinola, considerado um dos heróis da revolução, foi o primeiro presidente após a queda da ditadura, mas só permaneceu no cargo durante cinco meses, à medida que o clima de tensão e instabilidade política aumentava no país.

Entre maio de 1974 e julho de 1976, Portugal teve seis governos provisórios.

Um dos principais fatores de instabilidade após a revolução foram as divisões que surgiram em diferentes unidades militares.

Nova Constituição e eleições

Um pacto entre partidos políticos e o Movimento das Forças Armadas viabilizou a realização das eleições para a Assembleia Constituinte no dia 25 de abril de 1975.

Os trabalhos desse órgão tiveram início em 2 de junho de 1975, um dos períodos mais conturbados após a revolução.

Nos meses seguintes, houve agravamento da tensão e de violência política, com o confronto entre os defensores da “via revolucionária” e os do “modelo europeu de democracia”.

Em 12 de novembro de 1975, uma manifestação cercou o Palácio de São Bento, onde a assembleia se reunia. Grande parte daquele público era de trabalhadores da construção civil, que lutavam pela assinatura do contrato coletivo de trabalho.

Cerco ao Palácio de São Bento, Portugal, em novembro de 1975, onde a Assembleia Constituinte se reunia
Cerco ao Palácio de São Bento, Portugal, em novembro de 1975, onde a Assembleia Constituinte se reunia / Fernando Ricardo, Arquivo Fotográfico da Assembleia da República

Dias mais tarde, em 25 de novembro de 1975, militares moderados conseguiram vencer oficiais da extrema esquerda, marcando a derrota da “ala revolucionária” do Movimento das Forças Armadas e reconduzindo os partidos políticos ao centro da vida política.

A nova Constituição de Portugal foi aprovada pela Assembleia Constituinte em 2 de abril de 1976. Apenas o Partido do Centro Democrático e Social votou contra o texto.

Conforme destaca o Parlamento português, a Constituição de 1976 consagra direitos e deveres fundamentais como:

  • o princípio da igualdade;
  • a liberdade de imprensa;
  • a liberdade religiosa;
  • direitos trabalhistas, sociais e culturais;

Em 25 de abril de 1976, foram realizadas primeiras eleições para a Assembleia da República, com maioria do Partido Socialista: 35% dos votos e 107 deputados.

Ramalho Eanes foi eleito presidente da República em 27 de junho; já Mário Soares, líder do Partido Socialista, tomou posse como primeiro-ministro do primeiro Governo Constitucional em julho.

Mário Soares, primeiro-ministro do primeiro Governo Constitucional de Portugal, em 1976
Mário Soares, primeiro-ministro do primeiro Governo Constitucional de Portugal, em 1976 / Miranda Castela, Arquivo Fotográfico da Assembleia da República

*com informações da Agência Brasil, Parlamento português e da Reuters

quarta-feira, 24 de abril de 2024

LFS Internacional - Chade também deseja expulsar as tropas estadounidenses do país - créditos MPR





LFS Internacional - 

Chade também deseja expulsar as tropas estadounidenses do país.

Notícias apontam que os EUA estão perdendo cada ve mais apoio e influência na África.

Créditos MPR.


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Chade também deseja expulsar as tropas estadunidenses do país.


Nas últimas semanas, o governo militar nigerino estabeleceu um acordo militar firmado entre ambas as nações e permitiu que membros do exército estadunidense operassem livremente em sua terra.


A decisão foi tomada pelos diplomatas estadunidenses, que não pensavam que a expulsão poderia ser tão repentina.


Sua surpresa é a mesma quando o vizinho Chade anuncia que deseja seguir o exemplo do Níger. Através de uma carta enviada aos representantes da embaixada estadunidense, o governo chadiano amenaza com poner fin al acordo de segurança (SOFA) que vincula ambos os países.


O documento foi enviado de forma bastante surpreendente e foi recebido de uma forma clássica. Um documento firmado pelo chefe do Estado Prefeito da Força Aérea Chadiana, Idriss Amin. No entanto, isso é incomum, especialmente em uma questão tão importante que, geralmente, é entregue à mão.


Washington suspeita que Chad deseja renegociar o acordo existente para que o resultado seja mais benéfico.


Muito em jogo, até o momento em que o general estadunidense Langley visitou o Chade em janeiro. Estive acompanhado pelo assessor principal da Africom, o sargento prefeito Michael Woods. Ambos se reuniram com o general Abakar Abdelkerim Daoud, chefe do prefeito do Estado do exército chadiano, para discutir a questão da influência russa e a segurança na região.


Os Estados Unidos estão perdendo cada vez mais influência na África. Recentemente, um relatório constatou que Washington foi mais enérgico na questão dos vínculos políticos e comerciais com os países africanos. Sem embargo, está sucedendo tudo o contrário.


quinta-feira, 18 de abril de 2024

Desafios da América Latina é tema do Janela Internacional - créditos FPA

Créditos FPA


Desafios da América Latina é tema do Janela Internacional
O Janela Internacional que estreou em 17 de abril fala sobre desafios e características da América Latina. A convidada do programa é Monica Valente, secretária-executiva do Foro de São Paulo. O programa pode ser assistido no canal do Youtube da Fundação Perseu Abramo. Leia mais

terça-feira, 16 de abril de 2024

A resposta estratégica do Irão quebra o que resta do prestígio de Israel na região - Fonte: Al Mayadeen

 A resposta estratégica do Irão quebra o que resta do prestígio de Israel na região - Fonte: Al Mayadeen



A resposta estratégica do Irão quebra o que resta do prestígio de Israel na região

Após paciência estratégica, o Irão entrou numa nova fase no confronto com a entidade ocupante. O ataque, sem precedentes na sua forma e dimensão, quebrou, e pela primeira vez directamente no interior do Estado ocupante, o que “Tel Aviv” e Washington construíram durante décadas. Atingiu fortemente o prestígio de “Israel” na região, depois do que fez à Resistência de Gaza meses atrás.

sábado, 13 de abril de 2024

'Importância de peso': analistas enumeram como Nigéria poderia reforçar o BRICS

 Créditos Sputnik.


'Importância de peso': analistas enumeram como Nigéria poderia reforçar o BRICS

Presidente da Nigéria Bola Ahmed Tinubu, durante cerimônia de posse. Abuja, 29 de maio de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 12.04.2024
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Com o movimento de expansão do BRICS, diversos países se aplicaram para entrar no grupo, como Bolívia, Venezuela, Vietnã, Paquistão, Cazaquistão, Tailândia e Senegal. No entanto, um dos que mais tem perspectiva de sucesso é a Nigéria.
Desde que começou a sua expansão, o BRICS tem sido extremamente procurado por nações de todos os cantos do globo. Ao todo, 15 países se candidataram formalmente para entrar no grupo multipolar, enquanto outros 23 expressaram o desejo de se juntar à agregação.
A política de expansão do BRICS, contudo, é bem pensada e busca sempre incluir países estratégicos em seu rol de membros. Com países integrantes como África do Sul, Etiópia e Egito no mesmo continente, o que a Nigéria teria a acrescentar ao BRICS?
Essa pergunta foi o principal fio do episódio desta sexta-feira (12) do Mundiokapodcast da Sputnik Brasil apresentado pelos jornalistas Melina Saad e Marcelo Castilho.

Nigéria: do petróleo a protagonista regional

Para o historiador Eden Pereira Lopes da Silva, doutorando em história comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), pesquisador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos sobre África, Ásia e as Relações Sul-Sul (NIEAAS) e membro do Grupo de Estudos 9 de Maio, a adição da Nigéria entre os integrantes do BRICS teria uma "importância de peso".
Yusuf Tuggar, ministro das Relações Exteriores da Nigéria, fala durante coletiva de imprensa com Sergei Lavrov, seu homólogo russo, após reunião em Moscou, Rússia, 6 de março de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 07.03.2024
Panorama internacional
Nigéria planeja aderir ao BRICS e não sucumbirá à pressão ocidental, diz chanceler (VÍDEO)
Em primeiro lugar, diz, "a Nigéria tem uma população com uma projeção de crescimento grande, ou seja, em termos de nível econômico, de mercado, e também no que diz respeito à produção, ao dinamismo; vai ser muito importante para o bloco do BRICS".
Outro ponto importante, afirma Pereira, é a "potência energética" que é a Nigéria no continente africano. Hoje, o país é o maior produtor de petróleo da África, o que se alia aos interesses do BRICS de trazer para dentro do grupo nações com recursos estratégicos.

"E também porque é um país inserido em uma região onde o BRICS ainda não tem uma inserção tão grande: a África Ocidental."

A nação, explica Pereira, possui grande influência dentro da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), tendo na prática poder de veto frente às políticas do grupo.
"Não é que ela tenha esse poder de veto no bloco de respeito à sua posição mesmo institucional, mas tem a posição de veto porque é o país mais poderoso da CEDEAO", disse.

"Então, se a Nigéria disser não para alguma coisa, aqueles países da CEDEAO, vai ser difícil contrariarem a opinião da Nigéria."

Para Faustino Henrique, jornalista e especialista em relações internacionais, a Nigéria consegue juntar todas essas variáveis, desde "a posição estratégica no golfo da Guiné" com ser "a maior economia da África" e ser "um país rico do ponto de vista dos recursos minerais, petróleo, gás e até […] do ponto de vista agrícola".

"Apesar da África do Sul ser a mais industrializada, é a Nigéria com seus cerca de 220 milhões de habitantes a maior economia da África", diz Henrique.

Segundo ele, tudo isso faz com que seja bom para o BRICS ter a Nigéria como membro, até porque é "do interesse do grupo se expandir para que possa ter maior barganha política e econômica no cenário mundial".
"Sobretudo para ser uma alternativa ao G7", diz Faustino.
Visto por outro lado, afirmam os analistas, a Nigéria também tem muito a ganhar junto ao BRICS, em especial para conseguir certo alívio financeiro.
"A maior parte dos países africanos vivem com problemas permanentes de liquidez, razão pela qual têm que recorrer sempre ao Fundo Monetário Internacional [FMI] para, muitas vezes, equilibrar a própria balança de pagamentos."
A Nigéria tem uma inflação na casa dos 30% ao mês, sublinhou Pereira, o que faz com que tenham um problema de carestia. "Isso acontece porque o país é muito dependente da forma como a atual economia internacional está formada, sobretudo ancorada pelo dólar".
O presidente da França, Emmanuel Macron (à esquerda), cumprimenta a primeira-dama brasileira, Rosângela Lula da Silva, depois de presenteá-la com a Legião de Honra, condecoração francesa, enquanto o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, observa. Palácio do Planalto, Brasília, Brasil, 28 de março de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 09.04.2024
Notícias do Brasil
Expulsa do Níger, França tenta tirar vantagem em acordo nuclear com Brasil?
Nesse sentido, um dos principais benefícios de se juntar ao BRICS para a Nigéria é ter acesso a melhores acordos bilaterais de troca em moedas locais, uma das principais bandeiras do grupo do Sul Global. "Muitos países estão obviamente interessados em passar a transacionar uma moeda alternativa ao dólar. A Índia e a Arábia Saudita já manifestaram esse interesse", afirmou Henrique.

"A Nigéria, ao tentar se juntar ao BRICS, possibilita e oferece a ela uma oportunidade de conseguir recursos por meio de outros países", destaca Pereira.

Ainda assim, alertam os especialistas, falta à Nigéria ter claro qual é o seu interesse em entrar no BRICS. Não basta apenas querer entrar, afirmam, até porque o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) está ampliando seu funcionamento agora.
Apoiadores do atual presidente de Camarões, Paul Biya, do partido Agrupamento Democrático do Povo Camarones (RDPC, na sigla em francês), comemoram sua vitória eleitoral na capital, Yaoundé, em 22 de outubro de 2018 - Sputnik Brasil, 1920, 23.03.2024
Panorama internacional
Camarões: qual a importância geopolítica do país centro-africano?
"Se a Nigéria, em algum momento, perceber que não tem muita clareza no que diz respeito à função e ao papel do BRICS para, por exemplo, solucionar algum dos seus problemas, pode ser que se retire", disse Pereira.
"A Indonésia, por exemplo, quer uma projeção para dentro do Sudeste Asiático. E a Nigéria, o que a Nigéria quer com essa entrada dela no BRICS? Eu acho que isso é algo que tem que estar claro por parte do governo nigeriano […] para não gerar qualquer tipo de problema em um processo posterior."