sábado, 27 de janeiro de 2024

Brasil, Gaza e o julgamento na corte internacional (Folha de S. Paulo, 20/01/2024)


 


Brasil, Gaza e o julgamento na corte internacional (Folha de S. Paulo, 20/01/2024)


Venho acompanhando com vivo interesse o debate que se estabeleceu em torno do anúncio do apoio político do país, pelo presidente Lula, à iniciativa da África do Sul de acionar a Corte Internacional de Justiça (CIJ) para proteger a população palestina, ao amparo da Convenção para a Repressão e Punição do Crime de Genocídio. Como o Brasil, pelo menos 65 países expressaram apoio político à petição sul-africana, tendo 2 deles, Jordânia e Bangladesh, formalizado intenção de intervir, como terceira parte, no caso.

O apoio político não prejulga qualquer decisão do mérito quanto à determinação de eventuais violações da convenção. Compete aos 15 juízes da corte deliberar de forma independente sobre a matéria, inclusive no que diz respeito à obrigação, da qual nenhum Estado pode eximir-se, de prevenir e de punir o crime de genocídio.

E por que o apoio do Brasil à ação sul-africana na corte?

Organizações internacionais, peritos independentes e agências humanitárias competentes têm ressaltado, com veemência inédita, a possibilidade de graves violações ao direito internacional em Gaza, inclusive à Convenção de Genocídio. De fato, há alarmante número de vítimas civis em reduzido intervalo de tempo.

São mais de 24 mil mortos, dos quais 70% mulheres e crianças, em pouco mais de cem dias de operações militares. Há ainda graves relatos de cerceamento de acesso a serviços básicos e obstáculos à prestação de assistência humanitária, em cenário de ampla destruição da infraestrutura civil de Gaza.

Diante da grave situação no terreno, que inclui alarmantes cifras de 142 funcionários de agência humanitária das Nações Unidas e cerca de 100 jornalistas entre os mortos, parece-nos fundamental que o principal órgão judiciário da ONU se manifeste.

É importante sublinhar, ademais, que as medidas cautelares solicitadas pela África do Sul para afastar o risco de genocídio, ao requererem "a suspensão imediata das operações militares dentro e contra Gaza", poderiam fomentar necessário alívio humanitário e desejável ambiente de diálogo político que permita a retomada de negociações para a solução de dois Estados, convivendo lado a lado, em paz e segurança, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas.

O Brasil reitera que Israel tem o direito de defender e de proteger seus cidadãos, e, nesse sentido, de atuar, nos parâmetros do direito internacional para prevenir e punir atos terroristas. De forma consistente e coerente com sua política externa, o Brasil condenou, de modo imediato e incisivo, os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro. O Brasil também confere absoluta prioridade à urgência da cessação de hostilidades em Gaza, como demonstrou em sua atuação no Conselho de Segurança da ONU.

Tentar caracterizar a ação movida pela África do Sul como manifestação de antissemitismo é forma desafortunada de tentar mudar de assunto. No limite, é também forma desafortunada de questionar a legitimidade de importante democracia multirracial do Sul Global, marcada por emblemática história de luta contra a discriminação racial, de acionar a CIJ para resguardar os direitos mais fundamentais da humanidade.

A crítica de que a posição brasileira afetaria suas credenciais como suposto mediador nesta e em outras questões globais parte de pressuposto equivocado de que o Brasil é candidato a ser uma espécie de mediador universal. Essa pretensão não existe e não é realista. Mediadores são escolhidos pontualmente pelas partes em conflito.

Para além de coerência e consistência em sua política externa, o prestígio e o reconhecimento do Brasil perante a comunidade internacional pressupõem coragem e altivez para se posicionar a respeito de indícios de graves violações dos direitos fundamentais de um povo.


Fonte: MRE - https://www.gov.br/mre/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/discursos-artigos-e-entrevistas/ministro-das-relacoes-exteriores/discursos-mre/mauro-vieira/declaracao-a-imprensa-pelo-ministro-mauro-vieira-sobre-a-i-reuniao-da-comissao-conjunta-de-chanceleres-e-tecnicos-da-guiana-e-da-venezuela 

"O Império está sendo derrotado pela China comunista", diz Pepe Escobar - créditos Brasil 247

 


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domingo, 21 de janeiro de 2024

LFS Internacional - O novo governo sírio aproxima-se da Irmandade Muçulmana - Créditos MPR


 


LFS Internacional - 

O novo governo sírio aproxima-se da Irmandade Muçulmana - 

Créditos MPR.



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terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Quem é o novo primeiro-ministro da França, Gabriel Attal, de 34 anos - créditos CNN

 

Quem é o novo primeiro-ministro da França, Gabriel Attal, de 34 anos

Premiê é o mais jovem a assumir o cargo e também o primeiro abertamente gay

Gabriel Attal em Paris
Gabriel Attal em Paris17/10/2018 REUTERS/Gonzalo Fuentes

Priscila Yazbekda CNN

Paris

O novo primeiro-ministro da França, Gabriel Attal, de 34 anos, é o mais jovem a ocupar o cargo na história da Quinta República da França, iniciada em 1958.

O político, nomeado pelo presidente francês Emmanuel Macron nesta terça-feira (9), também é o primeiro chefe de governo abertamente gay da história do país, o que o torna um dos políticos LGBT mais proeminentes e poderosos do mundo.

Além disso, o jovem primeiro-ministro chama atenção pela ascensão meteórica na política e por ser cotado como um possível sucessor de Macron.

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Por outro lado, Attal também desperta críticas entre partidos de esquerda que o acusam de adotar medidas populistas e conservadoras, como a proibição das abayas (um vestido usado por muçulmanos) nas escolas, na tentativa de atrair o eleitorado da extrema-direita de Marine Le Pen.

Veja a seguir seis fatos para entender quem é o novo primeiro-ministro francês, Gabriel Attal.

1) Família rica

Gabriel Nissim Attal nasceu em 16 de março de 1989, em Clamart, uma comuna que fica na mesma região que engloba Paris, em uma família de classe alta.

Seu pai, Yves Attal, é judeu, de origem tunisiana, e foi advogado e produtor de cinema. Ele trabalhou em filmes como “Stiletto Heels”, de Pedro Almodóvar, em 1991; “The Monster”, de Roberto Benigni, em 1994; e “Stolen Beauty”, de Bernardo Bertolucci, em 1996.

Sua mãe, Marie de Couriss, também era funcionária de uma produtora de cinema. É cristã ortodoxa, descendente de russos de origem grega.

Attal cresceu em alguns dos bairros mais nobres de Paris e já admitiu em entrevistas que “teve a sorte de ter nascido em um ambiente rico”.

Ele estudou na famosa École Alsacienne, frequentada pela elite parisiense. Em entrevista à emissora francesa TF1, Attal contou que quando era criança, seu pai lia biografias de Napoleão para ele.

2) Interesse na política aos 13 anos

A trajetória política de Gabriel Attal se iniciou cedo, aos 17 anos, quando ele ingressou no Partido Socialista (PS) em 2006. Mas seu interesse pelo tema começou muito antes.

De acordo com relatos de Attal a jornais franceses, seus pais o levaram a uma manifestação em 2002 contra a presença do líder de extrema-direita Jean-Marie Le Pen, pai de Marine Le Pen, no segundo turno das eleições presidenciais.

Ele tinha 13 anos à época, e diz que essa foi a virada de chave que o despertou para o mundo da política.

Attal ingressou no PS quando fazia parte do movimento de Dominique Strauss-Kahn, ex-ministro da Economia francês e ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI), que colaborou para a implementação do euro, e posteriormente foi alvo de acusações de abuso sexual.

Enquanto estava na faculdade, na prestigiada Sciences Po, Attal fez parte do comitê de apoio à Íngrid Betancourt, ativista franco-colombiana sequestrada pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

3) Eleito o político mais popular em 2023

Gabriel Attal foi eleitoa personalidade política preferida dos franceses, segundo a pesquisa Ipsos-Le Point, de dezembro de 2023.

Desde 2018 no governo Macron e leal ao presidente, o novo primeiro-ministro francês já ocupou quatro cargos diferentes. Atuou como porta-voz do governo durante a pandemia da Covid-19, depois como ministro de Obras Públicas e, em julho do ano passado, foi nomeado ministro da Educação.

Como porta-voz do governo, virou um rosto familiar na política francesa e passou a ser reconhecido como um bom comunicador.

4) Dono de projetos polêmicos, como a proibição de abayas

Entre os projetos aprovados como ministro da educação, Attal criou um plano de combate ao bullying escolar e implementou aulas de empatia nas escolas primárias.

Mas uma das medidas de maior repercussão foi a proibição das abayas nas escolas públicas, as túnicas usadas por mulheres muçulmanas.

Junto ao ministro do Interior, Gerald Darmanin, de 40 anos, Attal é visto como uma estrela em ascensão e um dos cotados para assumir o lugar de Macron quando ele deixar o cargo em 2027.

Opositores afirmam que ambos os políticos vêm recorrendo a discursos anti-imigração e falas conservadoras para aumentar sua popularidade e frear a ascensão de membros da extrema-direita, como Marine Le Pen.

5) Primeiro chefe de governo abertamente gay

Gabriel Attal afirmou abertamente que é gay em 2018, durante uma entrevista, para pôr fim aos rumores sobre sua vida privada que circulavam na Assembleia Nacional.

Em 2017, ele assinou um Pacto Civil de Solidariedade (Pacs, equivalente ao contrato de união estável no Brasil) com o ex-conselheiro de Macron e atual deputado do parlamento europeu Stéphane Séjourne.

Em 2021, o jornal francês Le Monde publicou uma reportagem intitulada “Stéphane Séjourné e Gabriel Attal, um casal no centro do poder”. No artigo, o jornal afirma que Attal conheceu Séjourné em 2015, quando ele era assessor da ministra da Saúde, Marisol Touraine, e Séjourné era assessor do então ministro da Economia, Emmanuel Macron. “Foi uma paixão imediata entre os dois”, relata o Le Monde.

Embora existam rumores de separação do casal, nenhum deles confirma ou nega.

6) Vítima de bullying

Em uma entrevista à TF1, em novembro do ano passado, Attal revelou que foi vítima de bullying quando era adolescente e estudava na École Alsacienne.

Ele conta que estava no final do Ensino Médio, com 14 ou 15 anos, e um aluno da escola criou um site com comentários sobre o físico dos alunos.

“Nesta ocasião, experimentei uma enxurrada de insultos. Durou vários meses e foi muito violento”, disse o primeiro-ministro durante a entrevista.

Créditos CNN

Levantes e aproximação com a China: países africanos podem trilhar caminho de mais prosperidade a partir de 2024 - créditos Brasil de Fato

 

Levantes e aproximação com a China: países africanos podem trilhar caminho de mais prosperidade a partir de 2024

Revoltas anti-imperialistas e aproximação com a China podem criar condições mais propícias para o desenvolvimento

Brasil de Fato | Botucatu (SP) |
 
Chefes militares do Togo e da França se cumprimentam em Niamey, capital do Níger, no dia em que as últimas tropas francesas deixaram este país: sentimento no Sahel é de "fora, França!" - BOUREIMA HAMA / AFP - 22/12/2023

"A verdadeira explicação para a lentidão do desenvolvimento industrial na África está nas políticas do período colonial", escreveu Kwame Nkrumah, primeiro presidente de Gana, em seu livro de 1963, Africa Must Unite (A África Precisa se Unir, em tradução livre).

"Praticamente todos os nossos recursos naturais, para não mencionar o comércio, a navegação, os bancos, a construção e assim por diante, caíram e permaneceram nas mãos de estrangeiros que buscam enriquecer investidores e impedir a iniciativa econômica local", escreveu à época, quando muitas nações conquistavam suas independências de países europeus. No entanto, mais de meio século depois, acontecimentos indicam que uma nova realidade pode estar começando a ser delineada.

São eles: os golpes de Estado que agitaram países subsaarianos, mostrando energia renovada para a superação da lógica colonial e imperialista, e uma nova perspectiva nas relações com a grande potência asiática, que parece disposta a viabilizar recursos para o desenvolvimento sem as contrapartidas draconianas exigidas pelo Ocidente.

Paralelamente à reunião de cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em 2023, foi lançada uma Iniciativa de Apoio à Industrialização da África, na qual a China se comprometeu a aumentar o financiamento para construir infraestrutura, projetar e criar parques industriais e ajudar os governos e as empresas africanas a desenvolverem suas políticas e setores industriais.

A ideia é apoiar um projeto de desenvolvimento que surja da experiência africana, em vez de ser imposto aos Estados africanos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) ou outras agências e países ocidentais.

Em publicações lançadas recentemente pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, especialistas avaliam que a Iniciativa de Cinturão e Rota (ICR), conhecida como "novo caminho da seda chinês", lançado em 2013, tem fornecido financiamento significativo para projetos de infraestrutura que podem formar a base para a industrialização em regiões tradicionalmente exportadoras de matérias-primas e importadoras de produtos manufaturados, caso de boa parte dos países africanos.

Isso não significa que a China seja a tábua de salvação da África, até porque esse tipo de raciocínio faz parte do passado e o caminho da África pode, e deve, ser construído pelos africanos. No entanto, por sua própria experiência de construção de manufatura contra uma estrutura que reproduz a dependência, a China tem muito a compartilhar em termos de conhecimento. E, como possui enormes reservas financeiras e não impõe condicionalidades nos mesmos moldes que o Ocidente, pode também ser uma fonte de financiamento para projetos de desenvolvimento.

Em dezembro de 2022, o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, afirmou que "a prosperidade da África não deve mais depender da exportação de matérias-primas, mas de produtos acabados com valor agregado". Exemplos: transformar cacau em chocolate, algodão em vestuário, grãos de café em café pronto para consumo, cobalto e níquel em baterias de íon-lítio e carros elétricos, cobre e prata em smartphones.

Como Kwame Nkrumah escreveu em 1963, a África tem tudo o que precisa para se tornar um continente moderno e industrializado.

Pelo fim da submissão

Esse novo cenário de cooperação para o desenvolvimento ocorre num momento político intenso e propício para mudanças, já que o clima na região é de ousadia para enfrentar as estruturas neocoloniais que esmagam a esperança. Os povos querem pôr fim à submissão.

A raiva contra os antigos colonizadores franceses - e que ainda exercem forte influência política na região - tem sido tão intensa que provocou pelo menos sete golpes de Estado recentes no continente africano (dois em Burkina Faso, dois no Mali, um na Guiné, um no Níger e um no Gabão) e desencadeou manifestações em massa da Argélia ao Congo, e mais recentemente no Benin.

golpe mais recente — no Níger, que depôs o presidente Mohamed Bazoum em julho de 2023 — foi liderado por oficiais militares revoltados com a presença de tropas francesas e estadunidenses e com as crises econômicas permanentes infligidas a seus países. Nos levantes anteriores, a motivação era basicamente a mesma. Mas há outros detalhes.

Essa região no norte da África subsaariana, o Sahel, tem enfrentado uma cascata de crises: a seca da terra em decorrência da catástrofe climática, o aumento da militância islâmica devido à guerra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia em 2011, o aumento das redes de contrabando para o tráfico de armas, pessoas e drogas pelo deserto, a apropriação de recursos naturais – inclusive urânio e ouro – por empresas ocidentais que simplesmente não pagaram adequadamente por essas riquezas e o enraizamento das forças militares ocidentais por meio da construção de bases e da impune atuação de seus exércitos.

Após o golpe no Níger, o Ocidente esperava enviar uma força por procuração – liderada pela Comissão Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas, na sigla em inglês) –, mas os líderes militares africanos hesitaram. Por toda a região foram criados comitês de solidariedade para defender o povo do Níger de qualquer ataque.

Enquanto isso, não só parecia que o povo do Níger resistiria a qualquer intervenção militar, como também Burkina Faso e Mali prometeram defender imediatamente o país contra qualquer intervenção desse tipo. Nesse contexto, os governos dos três países criaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES, na sigla em inglês), para estabelecer uma arquitetura coletiva de defesa e assistência mútua para o benefício das respectivas populações. Um produto de solidariedade mútua.

Mas a AES não é apenas um pacto militar ou de segurança. Na cerimônia de assinatura, o ministro da Defesa do Mali, Abdoulaye Diop, caracterizou a aliança como uma combinação de esforços militares e econômicos entre os três países. Estava lançada a semente que pode resultar numa agenda econômica que beneficie as populações e impeça a França de exercer sua autoridade sobre a região.

Histórico

Desde meados do século 19, o colonialismo francês se fez presente no Norte, Oeste e Centro da África. Em 1960, a França controlava quase cinco milhões de quilômetros quadrados (oito vezes o tamanho da própria França) somente na África Ocidental. Embora os movimentos de libertação nacional do Senegal ao Chade tenham conquistado a independência da França naquele ano, o governo francês manteve o controle financeiro e monetário por meio da Comunidade Financeira Africana ou CFA (antiga Comunidade Francesa da África), mantendo a moeda franco CFA (lê-se franco cefá) e forçando os países a manter pelo menos metade de suas reservas cambiais no Banque de France.

A França manteve as estruturas neocoloniais que permitiram que as empresas francesas sugassem os recursos naturais da região (como o urânio do Níger, que alimenta um terço das lâmpadas francesas) e impuseram uma agenda de austeridade e endividamento impulsionada pelo FMI.

O ressentimento contra a França aumentou depois que a Otan destruiu a Líbia em 2011 e exportou a instabilidade para a região do Sahel, na África. Uma combinação de grupos separatistas, contrabandistas trans-saarianos e ramificações da Al-Qaeda se uniram e marcharam ao sul do Saara para capturar quase dois terços do Mali, grandes partes de Burkina Faso e porções do Níger. A intervenção militar francesa no Sahel por meio da Operação Barkhane (2013) e a criação do projeto neocolonial G-5 Sahel levou a um aumento da violência por parte das tropas francesas, inclusive contra civis.

Políticas de substituição de importações, que haviam sido importantes para outros países do chamado Terceiro Mundo, foram rejeitadas em favor da exportação de matérias-primas baratas e da importação de produtos agregados caros. A espiral de dívida e dependência assolou o continente.

Esse estado de coisas incentivou a migração em toda a região, o que levou a Europa a implementar medidas de segurança e política externa, incluindo exportação de tecnologias de vigilância ilegal para os governos neocoloniais desse cinturão da África. O grito La France, dégage! [Fora França!] define a atitude de agitação em massa na região contra as estruturas neocoloniais que tentam estrangular o Sahel.

No entanto, uma força reacionária constantemente busca impedir a mudança necessária para o desenvolvimento autônomo e profundo da África. Ao longo dos últimos 30 anos, muitos partidos com uma história que remonta aos movimentos de libertação nacional e até mesmo aos movimentos socialistas se transformaram em representantes de suas elites, que, por sua vez, são condutores de uma agenda ocidental.

A entrada das forças de contrabandistas da Al-Qaeda deu às elites locais e ao Ocidente a justificativa para oprimir ainda mais o ambiente político, reduzindo as já limitadas liberdades sindicais e eliminando a esquerda das fileiras dos partidos políticos estabelecidos. A questão central e que os líderes dos principais partidos políticos, independentemente de sua orientação ideológica, ainda não possuem real independência em relação à vontade de Paris e Washington. Eles se tornaram fantoches do Ocidente.

 

* O texto acima foi composto com base em trechos de artigos do historiador e jornalista indiano Vijay Prashad, diretor geral do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, publicados no decorrer de 2023 pelo Brasil de Fato.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

Marechal Haftar viaja a Israel para se preparar para as eleições presidenciais na Líbia

Líbia - créditos MPR


Marechal Haftar viaja a Israel para se preparar para as eleições presidenciais na Líbia

hHá 10 anos, a NATO assassinou Gaddafi e devastou a Líbia, iniciando então uma carnificina que agora parece estar a aproximar-se do fim. O país prepara-se para realizar as suas primeiras eleições presidenciais em 24 de dezembro.

A Líbia está dividida por uma guerra entre um governo paralelo, supervisionado pela ONU, Turquia e Qatar, e o marechal Khalifa Haftar, apoiado pelos Emirados Árabes Unidos, Egipto e Jordânia, entre outros.

As tropas de Haftar tentaram conquistar a capital, Trípoli, para estabelecer o seu domínio sobre toda a Líbia, mas ele foi impedido pela intervenção militar turca, a pedido do Governo de Unidade Nacional (GNA).

Em Outubro do ano passado, foi acordado um cessar-fogo entre ambos os lados. Desde então, a Líbia tem-se preparado para eleições presidenciais e legislativas, que deverão pôr fim a anos de guerra brutal.

Para se preparar para as eleições, um avião da comitiva de Haftar pousou na pista do aeroporto David Ben Gurion de Tel Aviv, informa a Al Jazeera, citando um jornalista israelense.

“Um avião executivo (P4-RMA) usado pelos homens do marechal líbio Khalifa Haftar, que controla o leste da Líbia, está a caminho do Aeroporto Ben Gurion vindo de Dubai, e mais tarde decolará para o Egito”, escreveu o jornalista israelense, acrescentando. que houve vazamentos de apoio israelense a Haftar.

A Al Jazeera acrescentou que os dados de navegação obtidos pela agência Palestina Sand confirmaram a aterragem do avião de Haftar em Tel Aviv.

As autoridades israelenses e a comitiva de Haftar não comentaram o voo e nada foi revelado sobre a identidade das pessoas que estavam no avião. Há uma semana, um jornal israelense noticiou que Seif el Islam Gaddafi e Khalifa Haftar contrataram uma empresa israelense para conduzir sua campanha eleitoral para as eleições presidenciais da Líbia, segundo a mídia do Catar.

O filho de Gaddafi e o senhor da guerra do leste da Líbia poderão enfrentar-se nas eleições presidenciais de 24 de dezembro.

Em Junho passado, o presidente argelino Abdelmadjid Tebboune revelou numa entrevista à Al Jazeera que a Argélia estava disposta a intervir na Líbia para impedir que Haftar tomasse Trípoli militarmente.

“Não podíamos aceitar que uma primeira capital magrebina e africana fosse ocupada por mercenários”, disse o chefe de Estado. “Íamos intervir”, revelou. “Militar?”, perguntou-lhe o jornalista.

sábado, 6 de janeiro de 2024

LFS Internacional - Suécia faz duro ataque econômico contra o Mali como vingança


 

LFS Internacional - 

Suécia faz duro ataque econômico contra o Mali como vingança.

Houve uma retaliação contra o Mali por não ter votado na ONU a favor da retirada das tropas russas da Ucrânia.

Créditos MPR.





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Na ONU o voto dos países não é livre, especialmente o dos africanos. Você não pode votar o que quiser, mas sim o que lhe ditam. A Suécia retaliou o Mali por não ter votado na ONU a favor da retirada das tropas russas da Ucrânia.


O governo sueco irá cortar a sua ajuda ao desenvolvimento ao país africano, explicou Johan Forssell, o ministro sueco da Cooperação Internacional.


“Quando cooperamos com outros países, queremos que esses países também queiram cooperar com a Suécia, mas a junta militar no Mali olha mais para a Rússia”, disse ele. Os países africanos não deveriam olhar para a Rússia se não quiserem ser sancionados, tal como a Rússia.


A retaliação faz parte de uma estratégia de pressão. Ou nós ou a Rússia. As boas relações diplomáticas com a Rússia devem ser caras.


A Suécia destinou cerca de 352 milhões de dólares para o desenvolvimento do Mali nos últimos dez anos.


Desde o início da guerra, os países imperialistas não têm gostado dos votos dos países africanos na ONU porque minam a sua noção de “comunidade internacional” e, portanto, a sua hegemonia. Todos os países do mundo deveriam votar da mesma forma que os Estados Unidos. É por isso que são chamadas de “nações unidas”.


Em Fevereiro do ano passado, a Assembleia Geral da ONU aprovou uma resolução exigindo que a Rússia retirasse imediatamente as suas tropas da Ucrânia. 141 países votaram a favor, 7 votaram contra e 32 se abstiveram.


O mesmo aconteceu com a votação das reparações económicas que os imperialistas querem obrigar a Rússia a pagar, que nada mais é do que a legalização do confisco de bens russos, ou seja, um roubo de grandes proporções.