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terça-feira, 9 de janeiro de 2024

Levantes e aproximação com a China: países africanos podem trilhar caminho de mais prosperidade a partir de 2024 - créditos Brasil de Fato

 

Levantes e aproximação com a China: países africanos podem trilhar caminho de mais prosperidade a partir de 2024

Revoltas anti-imperialistas e aproximação com a China podem criar condições mais propícias para o desenvolvimento

Brasil de Fato | Botucatu (SP) |
 
Chefes militares do Togo e da França se cumprimentam em Niamey, capital do Níger, no dia em que as últimas tropas francesas deixaram este país: sentimento no Sahel é de "fora, França!" - BOUREIMA HAMA / AFP - 22/12/2023

"A verdadeira explicação para a lentidão do desenvolvimento industrial na África está nas políticas do período colonial", escreveu Kwame Nkrumah, primeiro presidente de Gana, em seu livro de 1963, Africa Must Unite (A África Precisa se Unir, em tradução livre).

"Praticamente todos os nossos recursos naturais, para não mencionar o comércio, a navegação, os bancos, a construção e assim por diante, caíram e permaneceram nas mãos de estrangeiros que buscam enriquecer investidores e impedir a iniciativa econômica local", escreveu à época, quando muitas nações conquistavam suas independências de países europeus. No entanto, mais de meio século depois, acontecimentos indicam que uma nova realidade pode estar começando a ser delineada.

São eles: os golpes de Estado que agitaram países subsaarianos, mostrando energia renovada para a superação da lógica colonial e imperialista, e uma nova perspectiva nas relações com a grande potência asiática, que parece disposta a viabilizar recursos para o desenvolvimento sem as contrapartidas draconianas exigidas pelo Ocidente.

Paralelamente à reunião de cúpula do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) em 2023, foi lançada uma Iniciativa de Apoio à Industrialização da África, na qual a China se comprometeu a aumentar o financiamento para construir infraestrutura, projetar e criar parques industriais e ajudar os governos e as empresas africanas a desenvolverem suas políticas e setores industriais.

A ideia é apoiar um projeto de desenvolvimento que surja da experiência africana, em vez de ser imposto aos Estados africanos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) ou outras agências e países ocidentais.

Em publicações lançadas recentemente pelo Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, especialistas avaliam que a Iniciativa de Cinturão e Rota (ICR), conhecida como "novo caminho da seda chinês", lançado em 2013, tem fornecido financiamento significativo para projetos de infraestrutura que podem formar a base para a industrialização em regiões tradicionalmente exportadoras de matérias-primas e importadoras de produtos manufaturados, caso de boa parte dos países africanos.

Isso não significa que a China seja a tábua de salvação da África, até porque esse tipo de raciocínio faz parte do passado e o caminho da África pode, e deve, ser construído pelos africanos. No entanto, por sua própria experiência de construção de manufatura contra uma estrutura que reproduz a dependência, a China tem muito a compartilhar em termos de conhecimento. E, como possui enormes reservas financeiras e não impõe condicionalidades nos mesmos moldes que o Ocidente, pode também ser uma fonte de financiamento para projetos de desenvolvimento.

Em dezembro de 2022, o presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Akinwumi Adesina, afirmou que "a prosperidade da África não deve mais depender da exportação de matérias-primas, mas de produtos acabados com valor agregado". Exemplos: transformar cacau em chocolate, algodão em vestuário, grãos de café em café pronto para consumo, cobalto e níquel em baterias de íon-lítio e carros elétricos, cobre e prata em smartphones.

Como Kwame Nkrumah escreveu em 1963, a África tem tudo o que precisa para se tornar um continente moderno e industrializado.

Pelo fim da submissão

Esse novo cenário de cooperação para o desenvolvimento ocorre num momento político intenso e propício para mudanças, já que o clima na região é de ousadia para enfrentar as estruturas neocoloniais que esmagam a esperança. Os povos querem pôr fim à submissão.

A raiva contra os antigos colonizadores franceses - e que ainda exercem forte influência política na região - tem sido tão intensa que provocou pelo menos sete golpes de Estado recentes no continente africano (dois em Burkina Faso, dois no Mali, um na Guiné, um no Níger e um no Gabão) e desencadeou manifestações em massa da Argélia ao Congo, e mais recentemente no Benin.

O golpe mais recente — no Níger, que depôs o presidente Mohamed Bazoum em julho de 2023 — foi liderado por oficiais militares revoltados com a presença de tropas francesas e estadunidenses e com as crises econômicas permanentes infligidas a seus países. Nos levantes anteriores, a motivação era basicamente a mesma. Mas há outros detalhes.

Essa região no norte da África subsaariana, o Sahel, tem enfrentado uma cascata de crises: a seca da terra em decorrência da catástrofe climática, o aumento da militância islâmica devido à guerra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia em 2011, o aumento das redes de contrabando para o tráfico de armas, pessoas e drogas pelo deserto, a apropriação de recursos naturais – inclusive urânio e ouro – por empresas ocidentais que simplesmente não pagaram adequadamente por essas riquezas e o enraizamento das forças militares ocidentais por meio da construção de bases e da impune atuação de seus exércitos.

Após o golpe no Níger, o Ocidente esperava enviar uma força por procuração – liderada pela Comissão Econômica dos Estados da África Ocidental (Ecowas, na sigla em inglês) –, mas os líderes militares africanos hesitaram. Por toda a região foram criados comitês de solidariedade para defender o povo do Níger de qualquer ataque.

Enquanto isso, não só parecia que o povo do Níger resistiria a qualquer intervenção militar, como também Burkina Faso e Mali prometeram defender imediatamente o país contra qualquer intervenção desse tipo. Nesse contexto, os governos dos três países criaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES, na sigla em inglês), para estabelecer uma arquitetura coletiva de defesa e assistência mútua para o benefício das respectivas populações. Um produto de solidariedade mútua.

Mas a AES não é apenas um pacto militar ou de segurança. Na cerimônia de assinatura, o ministro da Defesa do Mali, Abdoulaye Diop, caracterizou a aliança como uma combinação de esforços militares e econômicos entre os três países. Estava lançada a semente que pode resultar numa agenda econômica que beneficie as populações e impeça a França de exercer sua autoridade sobre a região.

Histórico

Desde meados do século 19, o colonialismo francês se fez presente no Norte, Oeste e Centro da África. Em 1960, a França controlava quase cinco milhões de quilômetros quadrados (oito vezes o tamanho da própria França) somente na África Ocidental. Embora os movimentos de libertação nacional do Senegal ao Chade tenham conquistado a independência da França naquele ano, o governo francês manteve o controle financeiro e monetário por meio da Comunidade Financeira Africana ou CFA (antiga Comunidade Francesa da África), mantendo a moeda franco CFA (lê-se franco cefá) e forçando os países a manter pelo menos metade de suas reservas cambiais no Banque de France.

A França manteve as estruturas neocoloniais que permitiram que as empresas francesas sugassem os recursos naturais da região (como o urânio do Níger, que alimenta um terço das lâmpadas francesas) e impuseram uma agenda de austeridade e endividamento impulsionada pelo FMI.

O ressentimento contra a França aumentou depois que a Otan destruiu a Líbia em 2011 e exportou a instabilidade para a região do Sahel, na África. Uma combinação de grupos separatistas, contrabandistas trans-saarianos e ramificações da Al-Qaeda se uniram e marcharam ao sul do Saara para capturar quase dois terços do Mali, grandes partes de Burkina Faso e porções do Níger. A intervenção militar francesa no Sahel por meio da Operação Barkhane (2013) e a criação do projeto neocolonial G-5 Sahel levou a um aumento da violência por parte das tropas francesas, inclusive contra civis.

Políticas de substituição de importações, que haviam sido importantes para outros países do chamado Terceiro Mundo, foram rejeitadas em favor da exportação de matérias-primas baratas e da importação de produtos agregados caros. A espiral de dívida e dependência assolou o continente.

Esse estado de coisas incentivou a migração em toda a região, o que levou a Europa a implementar medidas de segurança e política externa, incluindo exportação de tecnologias de vigilância ilegal para os governos neocoloniais desse cinturão da África. O grito La France, dégage! [Fora França!] define a atitude de agitação em massa na região contra as estruturas neocoloniais que tentam estrangular o Sahel.

No entanto, uma força reacionária constantemente busca impedir a mudança necessária para o desenvolvimento autônomo e profundo da África. Ao longo dos últimos 30 anos, muitos partidos com uma história que remonta aos movimentos de libertação nacional e até mesmo aos movimentos socialistas se transformaram em representantes de suas elites, que, por sua vez, são condutores de uma agenda ocidental.

A entrada das forças de contrabandistas da Al-Qaeda deu às elites locais e ao Ocidente a justificativa para oprimir ainda mais o ambiente político, reduzindo as já limitadas liberdades sindicais e eliminando a esquerda das fileiras dos partidos políticos estabelecidos. A questão central e que os líderes dos principais partidos políticos, independentemente de sua orientação ideológica, ainda não possuem real independência em relação à vontade de Paris e Washington. Eles se tornaram fantoches do Ocidente.

 

* O texto acima foi composto com base em trechos de artigos do historiador e jornalista indiano Vijay Prashad, diretor geral do Instituto Tricontinental de Pesquisa Social, publicados no decorrer de 2023 pelo Brasil de Fato.

Edição: Rodrigo Durão Coelho

domingo, 5 de novembro de 2023

Inaugurado o maior oleoduto de África entre o Níger e o Benin



 


Inaugurado o maior oleoduto de África entre o Níger e o Benin


O oleoduto de 2.000 quilómetros de extensão entre o Níger e o Benim, inaugurado em 1 de novembro de 2023, é o maior de África. A previsão é transportar 360 mil barris de petróleo por dia.


O oleoduto é obra da West African Oil Pipeline Company (Wapco), uma empresa com sede em Accra, Gana. Custou entre 2 mil milhões e 3 mil milhões de dólares e foi financiado por uma combinação de fundos públicos e privados.


O oleoduto permitirá ao Níger exportar o seu petróleo bruto para o mercado internacional, através do porto de Semé, no Benim. Deveria gerar grandes receitas para o Níger, que planeia aumentar a participação do petróleo no seu PIB para 25 por cento.


O Níger é um dos países mais pobres do mundo, mas tem reservas estimadas em mais de 2 mil milhões de barris. Hoje a produção gira em torno de 100 mil barris por dia e deverá dobrar nos próximos anos.


O impacto positivo para a população local é incerto. No entanto, o primeiro-ministro nigeriano tentou tranquilizar neste ponto. “Os recursos resultantes da exploração [...] serão exclusivamente destinados a garantir a soberania e o desenvolvimento do nosso país com base na distribuição equitativa com as populações”, declarou Lamine Zeine, durante a cerimónia de inauguração.


O dinheiro que em breve poderá vir em abundância do sector petrolífero é uma das razões do recente golpe militar. A importância dos recursos gerados por um único sector aumenta enormemente os riscos de corrupção. O gasoduto Níger-Benim é um projecto que tem potencial para transformar a economia do Níger, mas isso alimenta a ganância.


Em primeiro lugar, a CEDEAO deve levantar as sanções contra o Níger porque as fronteiras do país estão actualmente fechadas. Apenas o Mali e o Burkina Faso continuam a negociar abertamente com o Níger. Por enquanto, Benin afirma que o gasoduto do Níger não é afectado pelas sanções impostas após o golpe. A actual situação política não tem nada a ver com a implementação do projecto, afirma Alassane Kora, vice-chefe de gabinete do Ministro das Minas e Energia do Benim.


Os Estados Unidos fecham as portas aos maus africanos

Além da CEDEAO, os Estados Unidos também bloqueiam o Níger. Na segunda-feira, Biden anunciou que vai retirar o país do programa comercial African Growth and Opportunities (Agoa), além do Gabão, Uganda e República Centro-Africana.


A decisão entrará em vigor no próximo dia 1º de janeiro.


O pretexto é o mesmo de sempre: violações dos direitos humanos por parte da República Centro-Africana e do Uganda, ao que acrescentou que o Níger e o Gabão não fizeram progressos na salvaguarda do “pluralismo político” e do “Estado de direito”.


Numa carta ao Presidente da Câmara dos Representantes, Biden diz que os países afectados não são dóceis: “Apesar do intenso envolvimento entre os Estados Unidos e a República Centro-Africana, o Gabão, o Níger e o Uganda, estes países não abordaram as preocupações dos Estados Unidos. Estados sobre sua situação.”


Mas o Presidente deixa as portas abertas: se eles se comportarem bem e obedecerem aos seus senhores, está disposto a rever a situação. Tal como as crianças na escola, estes países serão monitorizados e sujeitos a avaliação contínua e, se cumprirem os critérios da Agoa, poderão mais uma vez desfrutar da generosidade americana.


Iniciado em 2000, o Agoa oferece a certos países africanos acesso isento de impostos ao mercado dos EUA para as suas exportações. Embora o programa expire em setembro de 2025, eles estão considerando estendê-lo.


Créditos MPR

terça-feira, 29 de agosto de 2023

República Democrática do Congo deseja recuperar o controle das minas em mãos de empresas estrangeiras - créditos MPR


 



República Democrática do Congo deseja recuperar o controle das minas em mãos de empresas estrangeiras



A República Democrática do Congo atravessa atualmente um período de revisão de seus contratos mineiros, na intenção de recuperar o controle de suas minas de cobre e cobalto, que são operadas principalmente por empresas estrangeiras.


Fazem parte de uma tendência em que os países explorados, especialmente nos africanos, desejam aproveitar melhores suas riquezas naturais e garantir um desenvolvimento mais equitativo para seus habitantes.


Uma das empresas no ponto de vista é o Eurasian Resources Group (ERG). Recentemente, a empresa pública Gecamines, apoiada pelo governo congolês, expressou seu desejo de fazer carga por parte das permissões de exploração de cobre e cobalto em poder de ERG, a quem acusa de não materializar as inversões necessárias.


Este interesse renovado no controle dos depósitos minerais é explicado em parte por seu uso crescente na produção de baterias para veículos elétricos. Dado que a República Democrática do Congo fornece alrededor de 75 por cento do cobalto do mundo, o valor desses minerais nunca foi tão alto.


No entanto, a história da exposição no Congo pelas empresas mineiras sempre foi dramática. O governo congolês registrou no ERG suas promessas de inversão, que não foram cumpridas, após o governo de Kinshasa.


O ERG respondeu mencionando seus planos de investir 2.000 milhões de dólares na República Democrática do Congo nos próximos anos. É uma empresa mineira do Cazaquistão e um importante produtor de cobalto com licenças de exploração e mineração no Congo.


O governo congolês será reavaliado e, se necessário, redefinirá suas relações com empresas mineradoras estrangeiras. A maior parte do cobalto e o cobre foram extrados da província de Katanga, onde as empresas mineiras promoveram em 1960 uma guerra para lograr sua “independência”, que custou a vida a Lumumba e ao secretário geral da ONU, Dag Hammarskjöld.



O urânio com o que se fabricou as duas bombas atômicas lançadas em 1945 contra Hiroshima e Nasaki foi extraída de Katanga. Finalmente, a província, com uma extensão territorial do tamanho de Espanha, foi dividida uma vez em quatro províncias.


quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Níger sofre ataque mais mortífero de jihadistas


 


Níger sofre ataque mais mortífero de jihadistas - Os imperialistas ativaram seus peões jihadistas no país africano.


Na terça-feira, 17 soldados do exército morreram após serem emboscados por um grupo jihadista na região de Tillaberi, que faz fronteira com Mali e Burkina Faso. Além disso, há outros 20 soldados feridos.


O ataque é o mais mortífero desde o golpe militar de 26 de julho. Acontece dois dias antes de uma reunião militar crucial da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que discutirá as modalidades de uma possível intervenção armada para derrubar a junta militar que tomou o poder.


Embora ainda esteja em discussão a opção de uma intervenção militar para repor o anterior presidente, Mohamed Bazum, nas suas funções, a via diplomática parece ser um padrão de espera.


O ataque jihadista ocorreu no início da tarde de terça-feira. Num comunicado de imprensa, a CEDEAO referiu-se a “vários ataques perpetrados por grupos armados”, sem especificar as datas.


A organização condena rotineiramente os ataques e pede à junta militar do Níger "que restaure a ordem constitucional no Níger para que possa focar [sua] atenção na segurança do país", que "ficou ainda mais enfraquecido desde o golpe".


Pelo contrário, os militares que tomaram o poder, liderados pelo general Abdurahaman Tchiani, utilizaram sobretudo o argumento da "deterioração da situação de segurança" para justificar o seu golpe.


Três semanas depois, a ameaça de uma intervenção militar da CEDEAO ainda paira sobre Niamey. Hoje, os chefes de governo da África Ocidental estão reunidos em Accra, Gana, para discutir os detalhes da operação militar.


Mas os apelos por uma solução pacífica para esta crise se multiplicaram nos últimos dias, inclusive entre alguns parceiros ocidentais como os Estados Unidos. “Continuamos focados nos canais diplomáticos para obter o retorno à ordem constitucional e acredito que ainda há espaço para obter esse resultado diplomaticamente”, disse o secretário de Estado, Antony Blinken, na terça-feira.


Putin e seu homólogo do Mali, Assimi Goita, também sublinharam durante uma entrevista por telefone a importância de resolver a situação no Níger "apenas por meios político-diplomáticos pacíficos".


aliados procurados

Enquanto isso, o novo governo do Níger percorre a região em busca de aliados. O novo primeiro-ministro de Niamey, nomeado pelos militares, Ali Mahaman Lamine Zeine, deslocou-se esta terça-feira a N'Djamena, capital do Chade, onde foi recebido pelo presidente transitório Mahamat Idriss Deby Itno.


Expressando a sua irmandade, em nome do general Tchiani, quis "renovar o sentimento de boa vizinhança" entre os dois países, insistindo no entanto na "independência" do Níger.


Pela primeira vez, indicou que o seu país está "num processo de transição", sem especificar, no entanto, a duração até eventuais eleições. Zeine deixou N'Djamena ontem à tarde.


O Chade, grande potência militar na região do Sahel, indicou na semana passada que não participará de nenhuma intervenção militar ao lado da CEDEAO, à qual não pertence.


Os vizinhos Mali e Burkina, também liderados por soldados que chegaram ao poder por meio de golpes em 2020 e 2022, foram rápidos em mostrar solidariedade aos generais de Niamey.


Estes permanecem inflexíveis no momento e detêm o presidente deposto Mohamed Bazum desde 26 de julho, a quem pretendem processar por alta traição. Consideram que a invasão militar ao seu país seria uma "agressão ilegal e sem sentido" e prometeram uma "resposta imediata", caso ocorra.


O exército nigeriano está mobilizado há anos na luta contra os jihadistas, em particular na vasta região de Tillaberi, localizada na área das chamadas "três fronteiras" entre o Níger, Burkina Faso e Mali, onde o ataque na terça-feira aconteceu. 

Créditos MPR.

quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Líder golpista do Níger se reúne com junta aliada do Grupo Wagner no Mali

 Créditos CNN 


Líder golpista do Níger se reúne com junta aliada do Grupo Wagner no Mali

Centenas de mercenários da empresa militar privada estão no país para reprimir insurgência que se forma em área onde as fronteiras Mali, Burkina Faso e Níger se encontram.

General Salifou Mody durante sua visita ao Mali na quarta-feira, 2 de agosto.
General Salifou Mody durante sua visita ao Mali na quarta-feira, 2 de agosto.Presidência do Mali

Larry MadowoJessie GretenerTara Johnda CNN

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O general Salifou Mody, um dos oficiais do Níger que tomou o poder no golpe militar na semana passada, visitou o Mali na quarta-feira (2), segundo a presidência do Mali, em meio a especulações sobre um possível interesse no grupo mercenário Wagner, que tem presença no país.

O presidente de transição do Mali, Assimi Goïta, recebeu Mody e uma grande delegação militar nigeriana na quarta-feira, de acordo com fotos e um comunicado publicado no Facebook pela presidência do Mali.

Mody chamou a reunião de “parte de um contexto regional complexo”, disse a presidência do Mali, e agradeceu às autoridades malianas “pelo apoio e acompanhamento desde a tomada do poder pelo CNSP”, referindo-se ao Conselho Nacional para a Salvaguarda da Pátria, onde Mody é vice-presidente.

Centenas de contratados do Grupo Wagner estão no Mali a convite da junta militar do país, para reprimir uma insurgência islâmica que se forma em uma área onde as fronteiras do Mali, Burkina Faso e Níger se encontram.

Veja também: Golpe militar na África: General se apresenta como novo líder do Níger

O chefe do Grupo Wagner, Yevgeny Prigozhin, comemorou na semana passada o golpe no país da África Ocidental, dizendo que sua companhia militar privada também poderia ajudar em situações como a que está ocorrendo no Níger.

A dramática deposição do presidente do Níger, Bazoum, na semana passada, alarmou os líderes ocidentais, incluindo os EUA e a França, que são os principais interessados ​​na repressão do Níger às insurgências islâmicas locais.

Autoridades americanas alertaram que o grupo mercenário russo pode agora buscar novas oportunidades no Níger. “Eu não ficaria surpreso em ver Wagner tentar explorar esta situação em seu próprio benefício, como eles tentaram explorar outras situações na África em seu próprio benefício”, disse o porta-voz do Departamento de Estado, Matt Miller, na quarta-feira.

Miller acrescentou que “qualquer tentativa dos líderes militares no Níger de trazer as forças de Wagner para o país seria um sinal, mais um sinal de que eles não têm os melhores interesses do povo nigeriano no coração”.

A Presidência do Mali postou fotos e uma declaração no Facebook, anunciando que o presidente de transição do país, Assimi Goïta, entrevistou uma grande delegação militar nigeriana na quarta-feira. / Presidência do Mali

Várias investigações da CNN e outras de grupos de direitos humanos estabeleceram o envolvimento e a cumplicidade do Grupo Wagner com atrocidades contra populações civis no Sudão, Mali e na República Centro-Africana, onde foram empregados para ajudar as forças de defesa locais contra rebeliões e insurgências, e reprimir a oposição.

Reação mista

O golpe provocou uma reação dividida dos países da região do Sahel, onde a ameaça de militantes extremistas nos últimos anos desestabilizou os governos locais e levou à volatilidade.

Na segunda-feira, os governos de Mali e Burkina Faso disseram que considerariam qualquer intervenção militar “um ato de guerra” contra eles e colocariam seus exércitos em alerta.

A declaração da presidência do Mali disse que o general Mody disse ao seu anfitrião que veio para explorar “maneiras e meios de fortalecer nossa cooperação em segurança, em um momento em que alguns países planejam intervir militarmente em nosso país”.

A declaração vem depois que a Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) ameaçou no domingo usar a força se o presidente deposto do Níger, Mohamed Bazoum, não fosse reintegrado em uma semana.

A Cedeao também impôs a proibição de viagens e o congelamento de bens para os militares envolvidos na tentativa de golpe, bem como para seus familiares e civis que aceitarem participar de quaisquer instituições ou governos estabelecidos pelos oficiais.

Burkina Faso e Mali expressaram sua solidariedade com as autoridades nigerianas e disseram que não participariam de nenhuma medida da Cedeao contra o Níger, chamando as sanções de “ilegais, ilegítimas e desumanas”. A Guiné também expressou sua solidariedade com o Níger na segunda-feira.

(Tim Lister, da CNN, Christian Sierra e Jennifer Hansler contribuíram para este texto)

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

versão original


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Após França condenar golpe no Níger, manifestantes depredam embaixada do país - BdF

Créditos BdF


Após França condenar golpe no Níger, manifestantes depredam embaixada do país

Governo de Macron afirma que não tolerará nenhum ataque contra o país ou interesses franceses

São Paulo |
 
Apoiadores agitam bandeiras russas e um cartaz com um slogan anti-França enquanto se reúnem em apoio à junta militar do Níger - AFP


Manifestantes depredaram a embaixada francesa na capital do Níger, Niamey, no último domingo (30). A multidão apoiava o grupo militar responsável pelo golpe de Estado, ocorrido na quarta-feira (26), e que há quatro dias mantém o presidente deposto Mohamed Bazoum preso no palácio presidencial. O Níger foi colônia da França desde o final do século 19 (ainda como África Ocidental Francesa) até 1960.

Os manifestantes arrancaram a placa da embaixada, apedrejaram e atearam fogo em bandeiras francesas e em uma das portas do prédio. Durante o ataque, eles também exaltavam o presidente Russo, Vladimir Putin, empunhando bandeiras da Rússia.

Os ataques ocorreram após a França defender que Bazoum retorne ao governo. Os militares que tomaram o poder afirmam que os ex-colonizadores querem intervir militarmente em favor do presidente deposto.

::Rebelião e tentativa de golpe: grupo de militares mantém presidente do Níger refém::

"Na sua linha de conduta, em sua busca de formas e meios para intervir militarmente no Níger, a França, com a cumplicidade de alguns nigerinos, realizou uma reunião com o Estado-Maior da Guarda Nacional do Níger para obter as autorizações políticas e militares necessárias", afirmou o grupo militar.

Em nota, o gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron, comunicou que a reação do país será imediata se houver ataques a cidadãos franceses, ao exército, diplomatas e aos interesses franceses. "Verão a França reagir de maneira imediata e irascível", diz o comunicado.

Atualmente, 1,5 mil soldados franceses estão no Níger e realizavam operações conjuntas com o exército local contra grupos guerrilheiros islâmicos que querem instituir a "guerra santa" (jihad) no país. Os Estados Unidos e a União Europeia (UE) também enviavam ajuda aos militares nigerinos.

A França ainda disse que apoia “todas as iniciativas regionais voltadas para a restauração da ordem constitucional", reiterando a exigência do retorno ao poder do presidente Mohamed Bazoum.

O porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que a Rússia espera que a legalidade no país seja restabelecida o mais rápido possível.

Até então, para o Ocidente, o Níger era um parceiro confiável no combate aos jihadistas do Sahel africano, em especial aos integrantes do grupo islâmico Boko Haran. A região é ainda palco de disputa entre França e Rússia por maior influência na região.

 
Sanções e expectativas

Os 15 países que integram a Comunidade Econômica de Estados da África Ocidental (Ecowas, na sigla em inglês) suspenderam as relações diplomáticas com o Níger, deram o prazo de uma semana para que Bazoum volte à presidência do país e anunciaram sanções financeiras e de viagens aos responsáveis pelo golpe de Estado. A entidade disse não descartar ações militares contra o Níger.

::Golpe de Estado: militares derrubam presidente do Níger::

"Caso as exigências das autoridades não sejam atendidas dentro de uma semana, tomaremos as medidas necessárias para restaurar a ordem constitucional na República do Níger. Tais medidas podem incluir o uso da força", disse o presidente da Comissão, Omar Alieu Touray, após reunião de emergência no domingo (30).

A França e a União Europeia suspenderam o apoio financeiro ao Níger. Os EUA ameaçam fazer o mesmo.

Para os militares, Bazoum precisou ser deposto devido a sua incapacidade de controlar a violência jihadista. O que culminou na deterioração da segurança do país. O general Abdourahamane Tiani, líder da Guarda Presidencial, se autoproclamou presidente do Níger, na sexta-feira (28).

O Níger é um dos países mais pobres do mundo, com poucos recursos naturais, mas importantes reservas de urânio, material usado para a fins energéticos ou nucleares, 

 

 

 

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho