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sexta-feira, 30 de junho de 2023

Berlusconi: quando a máfia chegou ao poder na Itália

 Berlusconi: quando a máfia chegou ao poder na Itália



Nos países mediterrâneos sempre se cumpre o dito “De mortuis nihil nisi bonum”: de los muertos não se deve hablar mal porque um muerto não pode ser defendido. Mas os meios de comunicação, dentro e fora da Espanha, tiveram outros motivos para não falar mal de Berlusconi depois de sua queda. Era um magnata, uma personificação do capital, e não apenas nas grandes cadeias de comunicação de sua propriedade, como Mediaset, o mar, Telecinco, Quatro, FDF, Energy, Divinity, Be Mad...


Um “empreendedor” como é o arrastrador da aura do “homem que se atreve a si mesmo”, o triunfador, uma figura cercana ao “trepa”, o arribista que sempre esconde quem é filho dos que o têm contado e como es.


No início dos anos, Berlusconi não era mais do que um agente imobiliário, de onde passou para a construção, é dito, ao ladrilho, em uma época de emigração e urbanismo. Para acoger a los obreros del sur, las ciudades del norte de Italia precisam de novos bairros, edifícios, obras e carreteras, que sempre precisam de bons contatos políticos em ayuntamientos e ministérios para mover os papéis.


Mas antes que nada um “empreendedor” precisasse de dinheiro, capital e respaldo econômico, que Berlusconi logrou de um fundo obscuro financeiro com sede na Suíça. Fue la Cosa Nostra la que puso el dinero para que el magnata fundara Fininvest. A máfia trouxe enormes benefícios do narcotráfico para as empresas de Berlusconi.


Hace bien poco los tribunales italianos lo admitieron, pero al revés: “Fininvest ha financiado a la mafia” (*). O intermediário entre as duas partes foi o senador Marcello Dell'Utri, cofundador do Forza Italia e condenado em 2014 por "um delito de cumplicidade externa na associação mafiosa".


O pacto entre a Cosa Nostra e Berlusconi foi firmado em 1974 por ocasião de uma reunião em Milão entre o magnata Dell'Utri, o entonces padrino da máfia de Palermo, Stefano Bontate, e o mafioso Francesco di Carlo. Según los tribunales italianos, permaneceu em vigor até 1992, pouco antes de chegar à Presidência da República.


No início dos anos ochenta, com a privatização da televisão, os padrinhos de Berlusconi chegaram ao setor audiovisual. Compró Telemilano, que se converteu no embrião de uma televisão comercial, dirigido primeiro pela Fininvest e depois pela Mediaset.


Os políticos e os bancos foram contratados por Berlusconi e quem dirigiu a ambos (políticos e banqueiros) era Michele Sindona, es decir, a máfia. Además de sus vínculos con la Cosa Nostra, Sindona tenía vínculos con el banco vaticano, luego llamado IOR (Instituto para las Obras de Religión).


A amálgama política e financeira foi vendida por La Logia P2 (a que pertença a Berlusconi) e seu escapamento eleitoral, a Democracia Cristiana.


Berlusconi foi muito mais descarado que seus apologistas e nunca renegou seus vínculos com notórios miembros da Máfia, entre eles o capo Stefano Bontate, que nos anos sete foi o padrino máximo do mundo mafioso, ni con o gângster Vittorio Mangano, um quien o juez Paolo Borsellino descreveu como “uma das cabeças de puente da máfia”.


Na segunda guerra da máfia, os “corleonesi” derrotaram os “palermitani” e Toto Riina se colocaram à frente da organização. Mas os recém-chegados mantiveram o cuerdo selado em 1974 com Berlusconi. O padrino em pessoa cultivou as relações com Fininvest a través de Craxi, é decir, do partido socialista.


Em 1991, Berlusconi e Dell'Utri estavam interessados em comprar a zona antiga de Palermo e fue Riina quem preparou o contrato. Três anos depois, quando Berlusconi se converteu no Presidente da Itália, a máfia havia conseguido seu objetivo. Para um gângster não pode haver maior satisfação do que chegar ao mais alto, à cúspide de um país.


(*) http://www.lindipendente.online/2021/10/21/la-corte-di-cassazione-conferma-fininvest-ha-finanziato-la-mafia/


Créditos MPR

quarta-feira, 21 de junho de 2023

DIPLOMACIA: O que está por trás do encontro de última hora entre Lula e a primeira-ministra da Itália - créditos BdF


DIPLOMACIA

O que está por trás do encontro de última hora entre Lula e a primeira-ministra da Itália

Embora seja de ultradireita, Georgia Meloni vê no Brasil caminhos de cooperação e um possível apoio para a Expo 2030

Botucatu (SP) |
 
Quando Lula chegou à Itália, o encontro com Georgia Meloni ainda não havia sido marcado - Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se encontrar com a primeira-ministra da Itália, Georgia Meloni, uma das expoentes da ultradireita mundial, durante sua visita a Roma. A agenda foi confirmada de última hora, quando o presidente já havia desembarcado na capital italiana, e será realizada nesta quarta-feira (21).

Durante o briefing à imprensa sobre a viagem, o Itamaraty havia informado que, por problemas de agenda, os dois líderes não se encontrariam.

O fato de o encontro não haver sido marcado até o embarque de Lula levantou questionamentos: seria um problema de agenda ou um sinal de distanciamento entre os dois governos?

Meloni, de ultradireita, é considerada aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro e não compareceu, nem sequer enviou representante, à posse de Lula, fazendo com que a Itália fosse o único país europeu ausente. Oito dias depois, no entanto, republicou um tuíte do vice-premiê italiano condenando os atos golpistas que atacaram as instituições em Brasília.

“Meloni é uma liderança declarada de extrema direita, mas enxerga no Brasil, pragmaticamente, possibilidades importantes de cooperação, sobretudo econômica. Além de automóveis, infraestrutura e telecomunicações, um dos temas ressaltados no contexto da viagem é a cooperação em defesa entre os dois países.

É possível que uma boa relação com Lula ajude a intensificar o relacionamento de alto nível entre os dois países, a despeito da dimensão ideológica”, opina Guilherme Casarões, professor de Ciência Política e Política Externa na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e coordenador do Observatório da Extrema Direita.

Questionado sobre a candidatura de Roma a sediar a Expo 2030 — Meloni foi a Paris nessa terça (20) em busca de apoio —, Casarões afirma que este pode ser, de fato, um motivo a mais para o encontro ter sido marcado. “O apoio à candidatura italiana pode representar, sim, uma moeda importante de troca."

O Brasil é membro do Bureau International des Expositions e pode ser relevante para um apoio mais amplo da América Latina a Roma, que deseja usar o evento da Expo 2030 para ampliar turismo e investimentos na cidade. Lembrando que as outras candidaturas são da Arábia Saudita (Riade) e Coreia do Sul (Busan)”. Assim como ocorre no Brasil, sediar grandes eventos na Itália tem potencial de aumentar a popularidade do mandatário e isso “pode ser capitalizado politicamente”.

O professor diz ver um possível revés para Lula no fato de se reunir com Meloni. “Apesar da relevância da relação com a Itália, um encontro com uma liderança de extrema direita poderá gerar críticas internas [na Itália], vindas de grupos que associam Meloni ao movimento bolsonarista e a outras forças da extrema direita global”.

Papa Francisco

Nesta terça, ao chegar a Roma, Lula já teve um encontro com o sociólogo Domenico de Masi. Quarta-feira, além da primeira-ministra, estará com o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, e com o papa Francisco no Vaticano.

"Estive com o papa Francisco duas vezes. É o papa mais comprometido com o povo humilde do mundo", elogiou Lula durante o programa Conversa com o Presidente, nesta segunda. "Telefonei para ele. Tomei a iniciativa, falei que gostaria de ir a Roma fazer uma visita de agradecimento, inclusive a tudo o que ele fez por mim quando eu estava na Polícia Federal e pelos atos de solidariedade”.

Em abril último, o papa disse que Lula foi condenado sem provas pela operação Lava Jato e que o mesmo aconteceu com a ex-presidenta Dilma Rousseff no processo de impeachment. Francisco criticou o lawfare, que significa a utilização do sistema judicial como forma de perseguição política.

O presidente Lula afirmou ainda que outros motivos para a visita são o fato de o papa estar “muito interessado” em acabar com a guerra na Ucrânia e a oportunidade de dialogar sobre a desigualdade e a fome no mundo, no intuito de tentar criar uma “consciência mundial" sobre o tema.

::Guerra na Ucrânia e acordo UE-Mercosul devem marcar agenda de Lula na Europa::

Lula também reforçou que convidará Francisco para vir ao Brasil acompanhar o Círio de Nazaré, em outubro, em Belém (PA).

Pouco antes de embarcar para Roma, Lula recebeu o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Jaime Spengler, e o núncio apostólico do Vaticano no Brasil, Dom Giambattista Diquattro. Eles falaram sobre a atuação social da Igreja Católica no Brasil e as relações do país com o Vaticano.

França

Depois de Roma, Lula viaja para Paris, onde participa da Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global, de um almoço oferecido a ele pelo presidente Emmanuel Macron. O presidente também fará um discurso sobre o clima no evento Power our Planet, a convite da banda de rock Coldplay.

Edição: Patrícia de Matos


Créditos BdF 




terça-feira, 27 de setembro de 2022

EXTREMA DIREITA À ITALIANA! (O Estado de S. Paulo, 27) Os italianos elegeram o governo mais à direita desde a era fascista.


EXTREMA DIREITA À ITALIANA!

(O Estado de S. Paulo, 27) Os italianos elegeram o governo mais à direita desde a era fascista. O Irmãos da Itália, liderado por Giorgia Meloni, levou 26% dos votos. Sua coalizão com o Liga Norte e o Força Itália conquistou, com 44% dos votos, uma confortável maioria parlamentar.

O Irmãos da Itália é resolutamente nacionalista e conservador e descende de movimentos neofascistas do pós-guerra. Na juventude, Meloni elogiou Mussolini. Também defendeu a saída da União Europeia e bombardeou a agenda progressista. “Não pode haver mediação possível”, disparou há poucos anos: “Sim à família natural! Não ao lobby LGBT! Sim à identidade sexual! Não à ideologia de gênero! Não à imigração em massa! Sim aos empregos para os nossos! Não às grandes finanças internacionais! Não aos burocratas de Bruxelas”.

Não surpreende que Bruxelas esteja apreensiva e que a esquerda tenha enquadrado sua campanha como uma ameaça à democracia, alertando que Meloni inaugurará uma “autocracia eleitoral” na Itália, como fez Viktor Orbán na Hungria. Mas há razões estruturais e conjunturais para temperar esses temores.

Uma constituição talhada para evitar a volta do fascismo garante há décadas um sistema razoavelmente descentralizado e a resiliência de instituições como a presidência, o Banco Central, a Suprema Corte ou a burocracia estatal, mesmo com governos proverbialmente instáveis e propensos ao populismo.

O contexto importa. O eixo das políticas econômicas da União Europeia pós-pandemia e na crise energética mudou da austeridade para o assistencialismo. A Itália é a maior beneficiária dos fundos de recuperação europeus, e para receber seus ¤200 bilhões terá de se comprometer com reformas já aprovadas.

O momento pede mais adaptação que radicalização. Meloni parece saber disso. Ao contrário de seus colegas de coalizão, ela pavimentou uma campanha rumo ao centro e os votos ao seu partido (em 2018 foram só 4%) mostraram que os italianos querem isso.

Meloni enfrentará um inverno rigoroso, que não lhe deixa margem para queimar capital político em pautas de costume ou imigração. Mesmo mantendo o credo estatista, corporativista e nacionalista de seu partido, Meloni repudiou abertamente a tradição fascista. Hoje, apoia inequivocamente a aliança ocidental contra Vladimir Putin. Os cortes de impostos aliados a subsídios às famílias e empresas prometidos pelo partido terão de ser forçosamente ponderados em um país cuja dívida é periclitante.

Na campanha, Meloni alertou várias vezes para a responsabilidade fiscal. Após as eleições, prometeu “unir o povo” e “governar para todos”. Isso dependerá em boa parte da sua capacidade de mitigar as arestas de sua coalizão e agregar quadros técnicos a um partido com pouca experiência de governo.

Sua reorientação mais moderada é conveniência ou convicção? A dúvida é pertinente. Mas o fato é que os italianos querem mudanças que nem a esquerda nem a centro-direita tradicional lhes proveram. Há riscos na escolha por Meloni. Mas que tenha sido ela ao invés de seus colegas mais extremistas é mais reconfortante do que inquietante.

Créditos Ex Blog do César Maia

 




sexta-feira, 3 de abril de 2020

China envia médicos e material para ajudar dezenas de países combater a pandemia


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"Administração de Aviação Civil da China realizou 178 vôos fretados, transferindo 100 especialistas e pessoal médico e 2.635 toneladas de materiais de prevenção de epidemias, envolvendo mais de 40 países, incluindo EUA, Reino Unido, Irã, Iraque, Paquistão, Itália e assim por diante.". Créditos Notícias da China Twitter.

terça-feira, 17 de março de 2020

China enviará mais médicos para a Itália

China enviará mais médicos para a Itália


A China enviará mais especialistas médicos para a Itália e fará todo o possível para fornecer suprimentos médicos e outras formas de assistência, disse o presidente chinês, Xi Jinping, em conversa por telefone com o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, na noite da segunda-feira.
Na conversa, Xi enfatizou que a China e a Itália experimentaram recentemente o teste severo da epidemia da COVID-19.
Após meses de trabalho duro, o trabalho de prevenção e controle da epidemia na China mostrou mudanças positivas e fez grandes progressos na atual etapa, disse Xi, acrescentando que a recuperação do desenvolvimento econômico e social foi acelerada ao mesmo tempo.
A China agirá com prudência do começo ao fim e lutará por uma vitória rápida e completa contra a epidemia, a fim de oferecer confiança a outros países em seus esforços de prevenção e controle.
Observando que o governo italiano tomou uma série de medidas resolutas de prevenção e controle de resposta à epidemia, Xi disse que a China apoia firmemente a Itália e tem confiança total na vitória da Itália contra a epidemia.
A China identifica as preocupações urgentes da Itália e enviará mais especialistas médicos para a Itália e fará todo o possível para fornecer suprimentos médicos e outras assistências, assinalou Xi.
A China está disposta a trabalhar com a Itália para contribuir à cooperação internacional no combate à epidemia e na construção de uma Rota da Seda da Saúde, disse Xi.
Ele expressou sua convicção de que, através dessa luta conjunta contra a epidemia, a amizade tradicional e a confiança mútua entre os dois países serão aprofundadas, e a cooperação bilateral em todos os aspectos terá perspectivas ainda mais amplas.
Conte observou que o governo chinês tomou medidas resolutas para controlar efetivamente a epidemia, o que encorajou e forneceu uma referência à Itália e outros países, acrescentando que a Itália parabeniza a China pela conquista.
Conte agradeceu ao lado chinês por seu valioso apoio e assistência para a Itália nesses tempos difíceis, acrescentando que isso prova mais uma vez a profunda amizade entre os dois povos.
Em nome do governo e do povo italiano, Conte expressou seus sinceros agradecimentos ao lado chinês e disse que acredita que após a epidemia, as relações entre a Itália e a China serão mais fortes.
Créditos Xinhua, publicado originalmente em - http://portuguese.xinhuanet.com/2020-03/17/c_138886739.htm