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NOVOS RUMOS PARA A NOVELA DO BREXIT! (O Estado de SP, 11) --- CRÉDITOS EX-BLOG DO cÉSAR MAIA
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NOVOS RUMOS PARA A NOVELA DO BREXIT!
(O Estado de SP, 11) Além das motivações mais abstratas, culturais e emocionais da maioria de britânicos que votaram pela saída do Reino Unido da União Europeia (UE) em 2016, como se libertar do “super-Estado europeu” comandado pela “tecnocracia globalista de Bruxelas”, a expectativa era de mais controle sobre a imigração, menos impostos, mais subsídios à indústria local, menos regulação e melhores serviços públicos. Mas poucos casos ilustram mais redondamente a metáfora do “tiro no pé” que o Brexit.
Seis anos depois, e dois após o retorno das barreiras comerciais com a UE, o Reino Unido é a única economia desenvolvida que não recuperou seu tamanho após a covid, e o FMI prevê que ela terá o pior desempenho em 2023. O Brexit não é a única causa do mal-estar, mas ele agrava as outras. Modelagens do Centro para a Reforma Europeia e da Secretaria para a Responsabilidade Orçamentária sugerem que sem ele a economia estaria até 6% maior. Além disso, os investimentos teriam crescido 11%; o comércio, 7%; e a produtividade, 4%, enquanto os alimentos teriam ficado 6% mais baratos. Acordos com países fora da UE, seu maior parceiro comercial, não supriram as perdas. Para compensá-las, mantendo o padrão de seguridade social europeu ao qual os britânicos se acostumaram, foi preciso aumentar impostos.
A imigração segue alta. A diferença é que os imigrantes da UE, que em 2016 eram metade do total, hoje são um quinto, e foram substituídos por outros com menos afinidades culturais e qualificação. O mercado comum europeu eliminara os controles alfandegários entre a Irlanda do Norte e a República da Irlanda, mas o Brexit ameaça restabelecê-los, prejudicando a paz na região. Após a “guerra civil” política do Brexit, o Reino Unido já teve cinco premiês – os cinco anteriores se distribuíram em 31 anos. Não surpreende que só 28% dos britânicos acreditem que a vida melhorará em 2023, nem que a confiança no governo tenha despencado.
Pode esse reverso da fortuna ser interrompido? Para o articulista do Financial Times Gideon Rachman, sim. Hoje, quase 60% dos britânicos creem que a saída foi um erro e votariam para se reunir à UE. A demografia está a seu favor: 79% dos jovens são pela reunião. “Em algum momento, os políticos precisarão responder – e a ideia de retornar à UE se tornará o mainstream”, escreveu Rachman. Uma plausível maioria trabalhista após as eleições de 2026 facilitaria o processo. Mas Rachman não ignora as dificuldades: a UE pode resistir à volta desse parceiro recalcitrante e ela traria custos: a integração teria de ser mais profunda, incluindo compromissos com o euro, o orçamento europeu e o livre fluxo de pessoas.
A concretização desse ideal, factível ou não, depende de um pragmatismo realista que desde já estabilizaria a relação entre o Reino Unido e a UE. Muitas das frustrações dos favoráveis e dos contrários ao Brexit resultaram da recusa em aceitar os ônus da saída ou da permanência, um estado de espírito ilustrado pelo “bolismo” (cakeism) – “ter o bolo e comê-lo” – do ex-premiê Boris Johnson, que levou à opção por um Brexit duro, sem concessões. O momento pede flexibilidade.
Certas medidas encontrarão resistência dos nativistas, como o alinhamento com regulamentos europeus supervisionados pela Corte europeia, mas as evidências dos danos comerciais do Brexit podem aliviá-la. Resolver as disputas comerciais com a República da Irlanda seria um passo importante, assim como retomar a participação em programas comuns estudantis e científicos. Mais relevante, brexiteers e remainers terão de renunciar ao dogmatismo e ao voluntarismo que excitam uma polarização tóxica. “Tomar esse caminho exigirá o fim do pensamento mágico”, comentou a revista britânica The Economist. “Será um processo lento e incremental, não impulsivo e revolucionário. Isso significará nutrir a confiança e o consenso, ao invés de sustentar referendos do tipo ‘o vencedor leva tudo’ e impor ultimatos a Bruxelas.”
Em resumo, se as partes divorciadas reconstruírem a amizade, há uma chance de voltarem a se casar com laços mais firmes. Mas, independentemente desse desfecho, desde já, todos ganham com o processo de pacificação.
Créditos Brasil 247 |
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