quarta-feira, 21 de junho de 2023

DIPLOMACIA: O que está por trás do encontro de última hora entre Lula e a primeira-ministra da Itália - créditos BdF


DIPLOMACIA

O que está por trás do encontro de última hora entre Lula e a primeira-ministra da Itália

Embora seja de ultradireita, Georgia Meloni vê no Brasil caminhos de cooperação e um possível apoio para a Expo 2030

Botucatu (SP) |
 
Quando Lula chegou à Itália, o encontro com Georgia Meloni ainda não havia sido marcado - Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se encontrar com a primeira-ministra da Itália, Georgia Meloni, uma das expoentes da ultradireita mundial, durante sua visita a Roma. A agenda foi confirmada de última hora, quando o presidente já havia desembarcado na capital italiana, e será realizada nesta quarta-feira (21).

Durante o briefing à imprensa sobre a viagem, o Itamaraty havia informado que, por problemas de agenda, os dois líderes não se encontrariam.

O fato de o encontro não haver sido marcado até o embarque de Lula levantou questionamentos: seria um problema de agenda ou um sinal de distanciamento entre os dois governos?

Meloni, de ultradireita, é considerada aliada do ex-presidente Jair Bolsonaro e não compareceu, nem sequer enviou representante, à posse de Lula, fazendo com que a Itália fosse o único país europeu ausente. Oito dias depois, no entanto, republicou um tuíte do vice-premiê italiano condenando os atos golpistas que atacaram as instituições em Brasília.

“Meloni é uma liderança declarada de extrema direita, mas enxerga no Brasil, pragmaticamente, possibilidades importantes de cooperação, sobretudo econômica. Além de automóveis, infraestrutura e telecomunicações, um dos temas ressaltados no contexto da viagem é a cooperação em defesa entre os dois países.

É possível que uma boa relação com Lula ajude a intensificar o relacionamento de alto nível entre os dois países, a despeito da dimensão ideológica”, opina Guilherme Casarões, professor de Ciência Política e Política Externa na Fundação Getúlio Vargas (FGV) e coordenador do Observatório da Extrema Direita.

Questionado sobre a candidatura de Roma a sediar a Expo 2030 — Meloni foi a Paris nessa terça (20) em busca de apoio —, Casarões afirma que este pode ser, de fato, um motivo a mais para o encontro ter sido marcado. “O apoio à candidatura italiana pode representar, sim, uma moeda importante de troca."

O Brasil é membro do Bureau International des Expositions e pode ser relevante para um apoio mais amplo da América Latina a Roma, que deseja usar o evento da Expo 2030 para ampliar turismo e investimentos na cidade. Lembrando que as outras candidaturas são da Arábia Saudita (Riade) e Coreia do Sul (Busan)”. Assim como ocorre no Brasil, sediar grandes eventos na Itália tem potencial de aumentar a popularidade do mandatário e isso “pode ser capitalizado politicamente”.

O professor diz ver um possível revés para Lula no fato de se reunir com Meloni. “Apesar da relevância da relação com a Itália, um encontro com uma liderança de extrema direita poderá gerar críticas internas [na Itália], vindas de grupos que associam Meloni ao movimento bolsonarista e a outras forças da extrema direita global”.

Papa Francisco

Nesta terça, ao chegar a Roma, Lula já teve um encontro com o sociólogo Domenico de Masi. Quarta-feira, além da primeira-ministra, estará com o prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, com o presidente da Itália, Sergio Mattarella, e com o papa Francisco no Vaticano.

"Estive com o papa Francisco duas vezes. É o papa mais comprometido com o povo humilde do mundo", elogiou Lula durante o programa Conversa com o Presidente, nesta segunda. "Telefonei para ele. Tomei a iniciativa, falei que gostaria de ir a Roma fazer uma visita de agradecimento, inclusive a tudo o que ele fez por mim quando eu estava na Polícia Federal e pelos atos de solidariedade”.

Em abril último, o papa disse que Lula foi condenado sem provas pela operação Lava Jato e que o mesmo aconteceu com a ex-presidenta Dilma Rousseff no processo de impeachment. Francisco criticou o lawfare, que significa a utilização do sistema judicial como forma de perseguição política.

O presidente Lula afirmou ainda que outros motivos para a visita são o fato de o papa estar “muito interessado” em acabar com a guerra na Ucrânia e a oportunidade de dialogar sobre a desigualdade e a fome no mundo, no intuito de tentar criar uma “consciência mundial" sobre o tema.

::Guerra na Ucrânia e acordo UE-Mercosul devem marcar agenda de Lula na Europa::

Lula também reforçou que convidará Francisco para vir ao Brasil acompanhar o Círio de Nazaré, em outubro, em Belém (PA).

Pouco antes de embarcar para Roma, Lula recebeu o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Jaime Spengler, e o núncio apostólico do Vaticano no Brasil, Dom Giambattista Diquattro. Eles falaram sobre a atuação social da Igreja Católica no Brasil e as relações do país com o Vaticano.

França

Depois de Roma, Lula viaja para Paris, onde participa da Cúpula para um Novo Pacto Financeiro Global, de um almoço oferecido a ele pelo presidente Emmanuel Macron. O presidente também fará um discurso sobre o clima no evento Power our Planet, a convite da banda de rock Coldplay.

Edição: Patrícia de Matos


Créditos BdF 




sábado, 17 de junho de 2023

Notícias da China - N°151 | 17.06.2023

 

N°151 | 17.06.2023
Watch the Video

Hoje compartilhamos com vocês uma música de 杨可爱 (Yáng kě'ài), que resume a história do gaokao, exame do qual falaremos nesta edição.


Geopolítica

Honduras assina 17 acordos com a China durante a visita de Xiomara Castro e os dois países começarão a negociar um acordo de livre comércio

Depois de romper relações com Taiwan e aderir ao princípio de Uma Só China este ano, a presidenta hondurenha fez a primeira visita de Estado à República Popular da China. Honduras, que promoverá exportações de produtos como café e camarão para o gigante asiático, manifestou sua vontade de participar da Nova Rota da Seda e fez um pedido oficial para ingressar no Novo Banco de Desenvolvimento.

Brasil de Fato, 13.06.2023

Empresas chinesas investirão mais de R$ 48 bilhões na Arábia Saudita e outros países árabes após a 10ª Cúpula de Negócios Sino-Árabe

A empresa de veículos elétricos Human Horizons assinou um acordo com o Ministério de Investimentos da Arábia Saudita no valor de R$ 27 bilhões para pesquisa, desenvolvimento, fabricação e comercialização de automóveis. O comércio com a Arábia Saudita com a China aumentou 30% em 2022, atingindo R$ 511,5 bilhões, o que representa um quarto do comércio chinês com os países árabes.

South China Morning Post, 12.06.2023

China e Palestina elevam relações ao nível de “parceria estratégica”, e Xi reitera defesa de estabelecimento de um Estado palestino independente baseado nas fronteiras de 1967

Xi Jinping apresentou uma proposta de três pontos para a solução da questão palestina, que inclui a realização de uma conferência global de paz, ao seu par Mahmoud Abbas, que visitou a China por quinta vez. Os países assinaram uma série de acordos de cooperação econômica e tecnológica bilateral, e um busto de Yasser Arafat foi revelado em Pequim.

China Daily, 14.06.2023

Brasil de Fato, 16.06.2023

Segunda maior fabricante de chips da Europa vai na contramão da política de restrições dos EUA, e fará joint venture multibilionária com a China

Junto à chinesa Sanan Optoelectronics, a STMicroelectronics investirá R$ 15,4 bilhões na construção de uma fábrica de chips para atender a crescente demanda na China por dispositivos de carboneto de silício (SiC) em veículos elétricos, entre outros usos. Vendas de novos veículos elétricos na China quase dobraram em 2022, chegando a 6,9 milhões de unidades.

South China Morning Post, 12.06.2023

Economia

Participação de bancos estrangeiros em Ofertas Públicas Iniciais (OPI)  na China continental caiu para o nível mais baixo em 13 anos

Até agora, os bancos estrangeiros participaram das novas listagens com apenas R$ 1,4 bilhão, ou 1,2% do total, sendo que em 2009 sua participação representava mais de 50%. Ao contrário dos EUA, as listagens chinesas tendem a depender menos de investidores institucionais e mais de investidores de varejo, o que significa que os modelos tradicionais de bancos globais são inadequados para o mercado chinês.

Financial Times, 11.06.2023

China reestrutura seu modelo de precificação de energia para ter tarifas mais transparentes e beneficiar PMEs

Ao eliminar a categoria de usuários industriais de grande porte, todos os usuários industriais e comerciais pagarão a mesma tarifa com base em seus níveis de tensão, reduzindo os custos de energia para pequenas e médias empresas. A China tem a maior rede elétrica do mundo e subsidia energia para usuários agrícolas e residenciais.

Caixin Global, 12.06.2023

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Agricultura e Meio Ambiente

Emissão de títulos de renda fixa destinados a financiar projetos ecológicos na China cresce 35% em 2022, somando R$ 747 bilhões

O volume cumulativo dos chamados “títulos verdes” da China atingiu R$ 1,3 trilhão no final de 2022, ficando em segundo lugar depois dos EUA, que somou R$ 1,8 trilhão. Hong Kong fez sua maior emissão de títulos do tipo em 1º de junho, arrecadando R$ 28,9 bilhões.

South China Morning Post, 09.06.2023

O maior projeto de captura de carbono da Ásia foi lançado em Jiangsu

A instalação terá capacidade para capturar 500 mil toneladas de CO2 por ano, podendo também purificá-lo e reutilizá-lo ou armazená-lo para uso nos setores industrial e alimentício. A instalação tem uma taxa de captura de CO2 de mais de 90% e pode produzir CO2 com 99% de pureza com a técnica de base seca.

People’s Daily, 13.06.2023

Cultura e Vida do Povo

Um recorde histórico de quase 13 milhões de estudantes fizeram o gaokao, o vestibular da China

O exame, que dura entre dois e quatro dias, é considerado o meio mais justo de seleção de talentos no sistema meritocrático do país. Nos últimos anos, o pensamento de Xi Jinping foi incorporado aos temas do gaokao, onde os alunos são convidados a refletir e compartilhar seus pensamentos sobre o desenvolvimento do país e o chamado Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era.

South China Morning Post, 11.06.2023

Reality show chinês “Torne-se um agricultor” levou dez celebridades da Geração Z para trabalhar no campo

Os jovens têm a tarefa de cultivar um grande terreno, e morar em um armazém abandonado onde são responsáveis ​​pela limpeza e manutenção. Os participantes tiveram que aprender a operar tratores e colheitadeiras, e doaram todos os lucros aos agricultores que têm os direitos sobre a terra.

Radii, 28.02.2023

Cartaz promocional para Torne-se um Agricultor


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Créditos Coletivo Dongsheng

quinta-feira, 15 de junho de 2023

LFS Internacional: Rússia anuncia eleições em territórios ucranianos ocupados (Nova Rússia) - créditos Carta Capital

LFS Internacional:

Rússia anuncia eleições em territórios ucranianos ocupados (Nova Rússia).

Putin apresenta as regiões como terras historicamente russas e diz que a Ucrânia terá que aceitar cedê-las para alcançar a paz.


Créditos Carta Capital, leia mais: https://www.cartacapital.com.br/mundo/russia-anuncia-eleicoes-em-territorios-ucranianos-ocupados


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segunda-feira, 12 de junho de 2023

Braço direito de Zelensky diz à CNN que quer Brasil em cúpula da paz - créditos CNN

 


Braço direito de Zelensky diz à CNN que quer Brasil em cúpula da paz

Em entrevista exclusiva, Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente ucraniano, afirmou que está organizando uma reunião internacional e que o governo brasileiro pode ser um dos líderes da implementação do plano de paz proposto por Kiev

Américo Martinsda CNN

Em Londres

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Andriy Yermak, chefe de gabinete e verdadeiro braço direito do presidente Volodymyr Zelensky, disse à CNN que vai convidar o Brasil para participar de uma reunião de cúpula para discutir a paz na Ucrânia.

“Em nome do presidente, eu e o nosso Ministério das Relações Exteriores estamos trabalhando na organização da primeira Cúpula Internacional da Paz para discutir a fórmula proposta pelo presidente Zelensky”, disse ele.

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“E nós acreditamos que a cúpula não estará completa sem a participação dos países do sul global”, acrescentou, mencionando o Brasil, Índia, China, Arábia Saudita e países da África como fundamentais para a discussão.

Yermak confirmou que o Brasil será um dos principais convidados, mas não antecipou a data e o local da cúpula, afirmando que ela vai acontecer em breve, em um local neutro e de fácil acesso para os representantes de vários países.

O braço direito de Zelensky disse que o governo ucraniano “quer ver o Brasil como um dos líderes da implementação do nosso Plano de Paz”.

Ele foi muito aberto ao diálogo com Brasília, elogiando, por exemplo, as conversas que teve com Celso Amorim, o assessor especial para assuntos internacionais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que visitou Kiev em maio.

“A Ucrânia está muito interessada no desenvolvimento de suas relações com o Brasil. A Ucrânia quer muito uma parceria estratégica com o Brasil. E estamos prontos para fazer tudo o que depende de nós para atingir esse objetivo”, afirmou.

Proposta de paz da Ucrânia

O chefe de gabinete, no entanto, não abriu nenhuma possibilidade de algum tipo diferente de negociação de um processo de paz, a não ser o proposto por Kiev.

O presidente ucraniano apresentou durante uma reunião do G20, em novembro de 2022, em Bali, na Indonésia, um plano de 10 pontos para solucionar o conflito no país.

A proposta é ampla e pede, entre outras coisas, a imediata retirada dos soldados russos de territórios ucranianos ocupados e a criação de um tribunal para julgar os crimes de guerra praticados pelas forças de Moscou.

Além disso, pede a implementação de planos para garantir a segurança alimentar, redução do risco nuclear e destruição do meio ambiente.

Neste ponto, Yermak foi muito claro, reconhecendo o papel de liderança que o Brasil tem na área ambiental.

“Tenho certeza de que o Brasil pode ser um dos líderes poderosos ao lidar com questões de segurança ambiental. Sabemos que este desafio específico é importante para o seu país. Vocês tem tantas pessoas que estão engajadas profissionalmente nesta área que certamente podem nos ajudar”, afirmou.

O chefe de gabinete conversou com a CNN logo após voltar de uma viagem com o presidente Zelensky à região de Nova Kakhovka, onde uma explosão de uma barragem deixou milhares de pessoas desabrigadas e sem acesso à água potável.

“Eu diria que esse é um dos maiores desastres ambientais da história da Europa”, disse. Ele afirmou que “os russos estão atacando a infraestrutura civil, os próprios civis. É um fascismo absoluto. É um genocídio absoluto. É um ecocídio absoluto. Portanto, a comunidade mundial deve definitivamente se levantar contra isso”.

Ele disse ainda que esse foi “mais um crime de guerra, um crime contra a humanidade” praticado pelas forças do presidente russo, Vladimir Putin.

Yermak aproveitou para defender melhores laços entre os dois países. “Temos algo a oferecer ao Brasil e ao empresariado brasileiro, que queremos ver na Ucrânia. E não há necessidade de esperar até o fim da guerra”, afirmou.

No fim de junho, acontecerá em Londres a Conferência de Recuperação da Ucrânia. Esse será um evento diferente da cúpula sobre a paz, segundo assessores de Yermak.

A intenção do encontro em Londres é mobilizar o apoio internacional para a estabilização econômica e social da Ucrânia e a recuperação dos efeitos da guerra.

Procurado pela CNN, o Itamaraty afirmou que ainda não recebeu nenhum convite do governo ucraniano para participar de qualquer conferência sobre a paz. Mas o Ministério das Relações Exteriores já afirmou diversas vezes que o Brasil tem interesse em participar e ajudar a resolver o conflito no país europeu.

Créditos CNN

sexta-feira, 9 de junho de 2023

Governo colombiano e grupo guerrilheiro ELN assinam cessar-fogo de seis meses

 

Governo colombiano e grupo guerrilheiro ELN assinam cessar-fogo de seis meses

Acordo assinado em Havana é ponto mais avançado das negociações e ainda prevê envolvimento de sociedade civil colombiana

Havana (Cuba) |
 
O presidente Gustavo Petro e o comandante do ELN, Antonio García, estiveram em Cuba - Presidencia Colombia

O governo da Colômbia e o grupo guerrilheiro Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciaram nesta sexta-feira (9) a implementação de um cessar-fogo que terá a duração de seis meses e deve ter início a partir do dia 6 de julho.

A decisão é uma das três partes de um acordo assinado por ambas as delegações em Havana, capital de Cuba, durante ato que marcou o encerramento do terceiro ciclo de diálogos entre o Estado colombiano a o grupo armado.

Com a presença do presidente Gustavo Petro e do primeiro comandante do ELN, Antonio García, que foram a Havana para participar do evento, os representantes assinaram o acordo que representa o maior avanço, até agora, nas negociações de paz.

:: Presidente da Colômbia demite chefe de Gabinete e classifica nova crise de 'golpe suave' ::

O cessar-fogo bilateral era um dos anúncios mais aguardados e entrará em vigência a partir de 6 de julho. As partes ainda anunciaram que em 10 de julho serão realizadas reuniões para aprovar os protocolos elaborados para esse período.

O segundo ponto do acordo são os preparativos para a participação da sociedade civil colombiana na construção do processo de paz por meio de uma convocatória para a formação de equipes de trabalho. Além disso, os negociadores anunciaram que o quarto ciclo de diálogos ocorrerá entre 14 de agosto e 4 de setembro, na Venezuela.

Uma foto muito esperada

Petro chegou a Havana na noite de quinta-feira (8), em meio a uma crise no governo e enfrentamentos com a direita que impõe travas às reformas do presidente no Congresso. Já o comandante guerrilheiro Antonio García chegou a Cuba em 7 de junho, depois que a Procuradoria-Geral da Colômbia suspendeu os mandados de prisão contra ele a pedido de Petro.

Ao discursar nesta sexta-feira após a assinatura do acordo, o presidente estipulou o prazo de maio de 2025 para que os diálogos acabem definitivamente com o conflito entre o ELN e o Estado colombiano, que já dura 60 anos.

"O mundo das armas e das mortes, com essa guerra eterna de décadas, deve acabar. A violência que vivemos por gerações, da qual fizemos parte, mas que tentamos superar, deve acabar. Com isso não poderemos construir uma nação, porque uma nação é um pacto entre seus integrantes", disse.

:: Governo da Colômbia e ELN prorrogam diálogos de paz em Havana até junho ::

García, por sua vez, disse confiar no processo atual, mas ponderou que o ELN espera mudanças concretas que encerrem perseguições, o que não aconteceu, segundo o líder guerrilheiro, em outras ocasiões.

"Estamos conscientes que não assinamos acordos substanciais, assinamos acordos de procedimentos, [...] mas não podemos repetir velhas histórias, temos muitos processos de paz que só terminaram com desmobilização e desarmamento e as coisas seguiram iguais", disse.

ELN x Estado: histórico de um conflito

Fundado em 1964 por um grupo de estudantes influenciados pela Revolução Cubana e pela Teologia da Libertação, o ELN declara que seu principal objetivo é a transformação da sociedade e da economia da Colômbia por meio da luta contra o "grande capital" e a "oligarquia colombiana". Por outro lado, o ELN é considerado um "grupo terrorista" pela União Europeia, pelos Estados Unidos e por alguns Estados latino-americanos.

Atualmente, o grupo está presente em 183 municípios da Colômbia, além de vários territórios fronteiriços na Venezuela. Estima-se que tenha cerca de 2,5 mil membros armados e uma rede de apoio civil. Apesar de possuir um Comando Central com cinco membros, o ELN tem diferentes frentes regionais que mantêm uma estrutura relativamente autônoma que lhes permite operar fora do controle central. Essa estrutura descentralizada foi identificada por analistas como uma das principais dificuldades para a implementação de acordos entre o Estado e a insurgência.

Desde 1985, houve sete tentativas de negociações de paz entre o Estado colombiano e o ELN, mas nenhuma delas foi bem-sucedida até o momento. A última negociação ocorreu entre 2015 e 2019, um processo que começou durante o mandato do ex-presidente Juan Manuel Santos e foi interrompido durante a gestão do direitista Iván Duque.

:: Chomsky, Corbyn, Correa: Intelectuais e políticos de 20 países denunciam golpe na Colômbia ::

As negociações de paz foram retomadas em novembro do ano passado, já sob o mandato de Petro, reiniciando formalmente os diálogos interrompidos em 2019. A agenda de seis pontos acordada por ambas as partes para avançar no processo de paz inclui: a participação da sociedade nos acordos; a exigência de democracia para a paz; o diálogo sobre as vítimas do conflito; as exigências de transformações sociais para a paz; a segurança para a paz e o abandono das armas; e garantias para o exercício da ação política.

Ao contrário das negociações de paz anteriores, o atual processo de diálogo está sendo conduzido por um governo progressista. Embora as negociações não estejam livres de tensões, as partes não são abertamente hostis, como foi o caso durante os governos de Santos e Duque.

Diferentemente das negociações de paz anteriores, o governo colombiano mantém um diálogo informal tanto com outros grupos armados - como os dissidentes das FARC que não aceitaram o acordo alcançado em 2016 - quanto com grupos criminosos, principalmente ligados ao tráfico de drogas - como o Clã do Golfo. O governo colombiano, no final de outubro do ano passado, aprovou o que chamou de legislação de "paz total", que permitiu a abertura desses canais sob a justificativa de um fim definitivo ao conflito armado.

:: 'Nós não precisamos de aliados pela metade', diz analista ligado ao governo colombiano ::

No caso do ELN, o governo colombiano optou por tentar estabelecer "acordos parciais" que possam melhorar as condições humanitárias nas comunidades afetadas pelo conflito em um diálogo contínuo com o grupo.

Por outro lado, o Estado colombiano não exigiu o desarmamento imediato do ELN. Assim como nos "acordos parciais", a entrega das armas da insurgência será um processo gradual e dependerá do cumprimento progressivo dos pactos. O fato de o Estado colombiano não ter cumprido o acordo de paz das FARC de 2016, após o desarmamento da guerrilha em que vários de seus membros foram massacrados, é um precedente para essa modalidade.

Um dos pontos mais polêmicos tem sido a tentativa do governo colombiano de chegar a um cessar-fogo total com o ELN, no qual todas as operações armadas cessariam. No entanto, o ELN só concordou em parar de lutar contra o Estado colombiano.

Atualmente, o ELN está envolvido em vários confrontos contra o grupo armado Clã do Golfo (principalmente nos estados de Chocó, Valle de Cauca e Bolívar) e os chamados dissidentes das FARC (em Arauca, Norte de Santander, Nariño e Cauca). A continuidade desses confrontos será um dos principais desafios para a aplicação da ajuda humanitária nesses territórios.

* Colaborou Lucas Estanislau, em Caracas (Venezuela)

Edição: Nicolau Soares


Créditos Bdf

domingo, 4 de junho de 2023

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LFS Internacional - Arábia Saudita negocia sua incorporação ao banco dos BRICS

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 Arábia Saudita negocia sua incorporação ao banco dos Brics



A Arábia Saudita e o banco Brics estão negociando a adesão de Riad, que pode se tornar o nono membro do banco multilateral com sede em Xangai.


O Novo Banco de Desenvolvimento atribui grande importância à Arábia Saudita. Uma decisão positiva sobre a adesão levará a laços mais estreitos entre os membros do Banco, que foi criado como uma alternativa às instituições de Bretton Woods lideradas pelo Ocidente.


Os Brics incluem Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A missão do novo Banco é financiar projetos de infraestrutura e desenvolvimento nos países membros do grupo Brics. Em 2021, Bangladesh, Egito, Emirados Árabes Unidos e Uruguai aderiram à nova instituição financeira internacional.


Os beneficiários do financiamento seriam os países em desenvolvimento.


No dia 24 de março, o Conselho de Administração do novo banco elegeu, por unanimidade, Dilma Rousseff como presidente da instituição. Dilma Rousseff presidirá o Banco até julho de 2025, data em que termina o mandato do Brasil à frente da instituição financeira.


Em 13 de abril, em sua primeira visita de Estado à China desde que assumiu o cargo em janeiro, Lula defendeu uma moeda alternativa ao dólar para o comércio entre os países do Brics.


“Por que um banco como o Brics não pode ter uma moeda que seja usada no comércio entre Brasil e China, Brasil e outros países do Brics? É difícil porque alguns não estão acostumados", disse ele na cerimônia de posse de Dilma.


Lula acrescentou que outros países poderiam ser mais ativos no uso de suas próprias moedas para o comércio, sem recorrer ao dólar.


Além do Banco, a plena adesão da Arábia Saudita aceleraria o uso do yuan chinês como moeda de troca entre as principais economias. Por isso, a opção estratégica de Riad está sendo analisada com lupa, já que é o segundo maior produtor de petróleo, com mais de 10 milhões de barris por dia.


O grupo Brics planeja decidir em agosto, em sua cúpula de Durban, se admite novos membros e quais critérios eles devem atender, com Irã, Argélia e Arábia Saudita como candidatos.


Créditos MPR


LFS INTERNACIONAL - ISRAEL Repercutimos o artigo: Quo Vadis, Netanyahu?

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Quo Vadis, Netanyahu?

Netanyahu já serviu como primeiro-ministro pelo tempo mais longo da história do novo Israel. Teve um intervalo de um ano e meio, mas parece que quer montar tudo de novo. Criou ministérios que nunca existiram, só para dar emprego (e apoio) a deputados da coalizão.

Créditos Revista Bras.il.

 Leia no blog do David S Moran

sexta-feira, 2 de junho de 2023

Brics: com imunidade a Putin pela África do Sul, chanceleres preparam cúpula

 

Brics: com imunidade a Putin pela África do Sul, chanceleres preparam cúpula

Ministros planejam cúpula dos líderes em agosto e avaliam candidaturas de Cuba e Venezuela

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