segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Coalizão do premiê israelense dissolve Parlamento e convoca novas eleições

TEL-AVIV, ISRAEL - Os líderes dos partidos da coalizão governista em Israel chegaram a um acordo para dissolver o Parlamento e novas eleições gerais foram marcadas para abril de 2019, manobra que coloca em xeque o futuro do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. O acordo foi fechado nesta segunda-feira, 24, após a coalizão fracassar em conseguir apoio para aprovar a legislação que convoca judeus ultraortodoxos para o serviço militar.

Binyamin Netanyahu
O premiê, agora em seu quarto mandato, governa com uma maioria de 61 assentos de um total de 120 Foto: Amir Cohen/Reuters

Netanyahu, há 10 anos no poder, deve concorrer ao quarto mandato consecutivo e é favorito, segundo as pesquisas. Seu mandato acabaria em novembro do ano que vem. “A coalizão atual representa o coração da próxima. Pediremos um mandato claro aos eleitores, para continuarmos dirigindo o país com nossa política”, disse o premiê, na primeira reação ao anúncio. A imprensa israelense diz que a nova votação será 9 de abril.
A coalizão de Netanyahu enfrenta problemas desde a explosão da crise de segurança com Gaza e se agravou em novembro, com a renúncia do ministro da Defesa Avigdor Lieberman - que retirou seu partido, o Yisrael Beiteinu, da coalizão após o premiê concordar em estabelecer uma trégua com o Hamas. Lieberman justificou a decisão afirmando que Netanyahu mostrou fraqueza ao não lançar uma operação de grande envergadura contra o grupo que controla a Faixa de Gaza. Desde então, o governo possui maioria de apenas um assento dos 120 no Knesset, o Parlamento. 

Após a renúncia de Lieberman, o ministro da Educação ultranacionalista Naftali Bennett ameaçou retirar seu partido, o nacionalista Lar Judeu, do governo se não pudesse assumir a Defesa. Mas Bennett foi forçado a recuar depois que Netanyahu disse estar determinado a se manter no importante posto de segurança.
Uma declaração oficial do partido Likud, do primeiro-ministro, disse que “as responsabilidades nacionais e orçamentárias” obrigaram os líderes dos partidos da coalizão a “dissolver o Knesset”. Mas a decisão parece estar ligada à mudança na legislação sobre a obrigatoriedade do serviço militar para os judeus ultraortodoxos das Yeshiva (escolas religiosas). 
Yair Lapid, chefe do partido de oposição Yesh Atid, afirmou que não apoiaria a legislação alegando que ela não era suficiente.
Enquanto todos os judeus israelenses são obrigados a servir nas Forças Armadas ao completar 18 anos, aqueles que estudam a Torá em Yeshivas reconhecidas recebem isenção. 
A escassez de mão de obra nos últimos anos e a crescente demanda por igualdade forçaram o governo a reavaliar o assunto e a elaborar uma nova legislação que isentaria apenas os principais estudantes religiosos do serviço obrigatório.
O governo de Netanyahu não consegue fazer o Parlamento votar a legislação, então a Suprema Corte fixou o prazo de 15 de janeiro para a votação.
Lieberman, de quem a coalizão governista esperava receber apoio, apesar de sua renúncia, disse que a lei em seu formato atual foi “esvaziada de conteúdo” depois que acordos foram feitos entre o Likud e os partidos ultraortodoxos.
Além dessa crise, Netanyahu também corre o risco de ser acusado de corrupção em três casos, após uma recomendação da polícia. Analistas dizem que a convocação da eleição antecipada pode ser justamente uma forma de ele demonstrar força, em caso de vitória, ao procurador-geral, Avichai Mandelblit. 
Ainda que seja acusado, o premiê - com boa popularidade - não tem a obrigação legal de renunciar, apenas se for condenado e suas apelações forem rejeitadas. Nenhum governo nos últimos 30 anos concluiu seu mandato. / AFP, W. POST e NYT

sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

A Lie de “Desproporcionalidade”


Fred Maroun - Jewish Express

Não houve nenhuma evidência de uma fonte imparcial e credível de que as ações de Israel em Gaza foram desproporcional pelas leis da guerra. Saiba mais.
Jewish Express


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sábado, 15 de dezembro de 2018

Xadrez da geopolítica, do caso Huawei e da Lava Jato

Xadrez da geopolítica, do caso Huawei e da Lava Jato

Por Luis Nassif

Atualizado em 12/12/2018 - 09:37

Peça 1 – a geopolítica moderna

A prisão de Meng Wanzhou, filha do fundador da gigante de tecnologia Huawei, escancarou até para os idiotas da objetividade o contexto das novas disputas geopolíticas globais, tendo como pano de fundo a legislação anticorrupção e o combate ao terrorismo.
Todas as evidências sobre a interferência externa na Lava Jato eram tratadas por esses sábios da objetividade como teoria conspiratória, “coisas da CIA”, como se a CIA fosse apenas uma ficção de Will Eisner.
O modelo político brasileiro estava infectado mesmo. O financiamento de partidos passava pela Petrobras, mas também pelo Congresso, sendo utilizados pelas empreiteiras, pelo agronegócio, por bancos de investimento.
Mas o tiro certeiro foi em cima da engenharia nacional, o setor que havia acumulado o maior coeficiente de competitividade internacional e tinha papel relevante do pré-sal – os únicos setores com interesse direto de grupos americanos. E não se abriu nenhuma possibilidade de estratégias que, punindo os corruptores, preservassem as empresas. O Ministério Público Federal e o juiz Sérgio Moro conseguiram o feito extraordinário de, numa só tacada, destruir a engenharia brasileira. E coroar sua grande obra viabilizando a eleição do mais despreparado agrupamento político da história.
Antes de entrar no caso Huawei, um apanhado de análises publicadas no GGN sobre a cooperação internacional e o jogo geopolítico internacional.

Peça 2 – a prisão da filha

Meng Wanzhou foi presa no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, dentro do acordo de cooperação internacional. A acusação era a de que a Huawei teria usado uma subsidiária, a Skycom, para burlar as sanções ao Irã. Se for extraditada, Meng será acusada de conspiração e de fraudes contra instituições financeiras, cada crime sujeitando-a a penas de até 30 anos.
Comprovava-se, ali, uma suspeita levantada há tempos no GGN: a de que a cooperação internacional e a Lei Anticorrupção, aprovada no âmbito da OCDE (o grupo dos países mais industrializados) estariam sendo utilizados pelo Departamento de Estado dos EUA para objetivos geopolíticos. Pela lei, qualquer ato de corrupção que se valesse de dólares passaria a ser de jurisdição norte-americana.
No dia 21/08/2017, publicamos artigo sobre ensaio pensador francês Hervé Juvin – “Da luta anticorrupção ao capitalismo do caos, oito temas sobre uma revolução do direito” – analisando o uso geopolítico pelos EUA dos novos instrumentos organizados.
Hoje em dia há sanções extraterritoriais impostas a empresas francesas e europeias em nome das leis norte-americanas, punindo atos de corrupção (FCPA) ou violações de embargos americanos, em particular em operações de fora do território americano, mas usando o dólar como primeiro critério para garantir a jurisdição do juiz americano, explica Juvin.
Há pesados efeitos diretos e indiretos sobre a economia francesa, constatava Juvin. Os diretos são a submissão às decisões unilaterais de embargos ou sanções norte-americana. Hoje em dia há provedores de serviços dos EUA trabalhando o mercado da “conformidade” com regras dos EUA para empresas sancionadas, muitas vezes contra a lei continental europeia, explica ele.
As despesas indiretas são a paralisia estratégica decorrente daí. Que banco francês irá financiar o estabelecimento de uma empresa francesa na Rússia, Irã, Sudão etc? Que banco francês se atreverá a estudar o financiamento de uma operação comercial nesses países?

Peça 3 – o significado da operação

No caso Hauwai, o que está em jogo é a disputa de gigantes americanos com chineses pelo mercado de tecnologia.
Fundada em 1987 pelo ex-oficial do Exército vermelho Ren Zhengfei, a Huawei se tornou a maior fabricante de equipamentos de telecomunicações, e a segunda maior fabricante de celulares smartphones do mundo. Por número de aparelhos vendidos, superou a Apple este ano e conquistou 15% do mercado mundial de smartphones.
Tem receita anual de US$ 92 bilhões e é líder de mercados em vários países da África, Ásia e Europa.
No início, era considerada uma maquiadora de produtos da Cisco System e da Motorola. Ganhando musculatura, passou a investir pesadamente em desenvolvimento e se tornou líder global em tecnologia de rede de telecomunicações, passando antigos campeões, como a Nokia e a Ericsson.
Nos últimos anos avançou no desenvolvimento de chips, inteligência artificial e computação em nuvem. E montou uma rede de laboratórios por todo o mundo. No Brasil há dois laboratórios, um em Sorocaba, e uma parceria profícua com a Inatel, instalada em Santa Rita do Sapucaí.
Mas seu grande feito foi se lançar à frente das concorrentes na rede móvel de 5ª geração.
A maneira de combate-la foi levantar as teses da guerra híbrida, a versão tecnológica da guerra fria. Procuradores, órgãos de segurança dos EUA – que, ao contrário dos seus pares brasucas, têm o hábito de jogar em favor do país – passaram a difundir reiteradamente suspeitas de que os equipamentos seriam utilizados para espionagem pelo governo chinês. Não havia nenhuma evidência, mas pouco importou.
As autoridades americanas mencionavam uma norma aprovada em 2017 pela Agência Nacional de Inteligência da China, pela qual as empresas do país devem "apoiar, cooperar e colaborar com o trabalho de inteligência nacional”, E, a partir dali lançavam suspeitas de que a tecnologia 5G da Hauwei deixaria os EUA expostos a ciberataques.
O escarcéu deu resultado. Austrália e Nova Zelândia vetaram a tecnologia da Hauwei para redes 5G. O Canadá e o Japão estão reavaliando. Por outro lado, a Hauwai anunciou uma relação de vinte países com acordos já assinados para implementação da tecnologia 5G.

Peça 4 – geopolítica e globalização

Aí se entra no reverso da medalha: a importância da China para as gigantes americanas de tecnologia.
Como consequência da prisão de Meng, um tribunal chinês baniu a venda de alguns modelos antigos da Apple, sob o argumento de que violavam patentes da Qualcomm. Lá, como cá, e como nos EUA, a Justiça passou a ser instrumento de jogadas políticas e comerciais.
Especialistas calculam em 350 milhões a quantidade de upgrades dos iPhones, Desse total, cerca de 70 milhões estão na China.
Além de vender na China, a Apple depende da produção chinesa e do custo menor dos salários por lá. Foi o que levou a BBC a constatar que “ao queimar a Apple, a China estaria, até certo ponto, queimando a própria casa."
Na sequência, o ex-diplomata canadense Michael Kovrig foi detido na China.
Ambos os episódios provcaram um curto-circuito na relevante categoria dos CEOs internacionalizados, braços centrais da globalização econômica.
A Bloomberg foi mais dramática ainda: “Os EUA têm Huawei em algemas. China tem os EUA em cadeias”. E imaginou o que poderia ser a retaliação chinesa:
”Sem isso, você não pode viajar. E com maiores preocupações com a segurança e com a repressão às VPNs (que permitem que os usuários ignorem a censura chinesa na internet), sua empresa decretou que todas as discussões sobre produtos sensíveis sejam feitas pessoalmente na sede. Mas a renovação do visto está demorando muito e você está preso em Xangai, com o ciclo do produto sendo ampliado a cada dia.
Em Shenzhen, onde seus dispositivos são montados, a fábrica acaba de ser invadida pela terceira vez naquele mês. Os inspetores estão procurando violações de saúde e segurança ocupacional. Você trabalhou duro para manter as coisas das normas, embora as regras pareçam mudar constantemente. A ferrugem menor em um cano na parte de trás do local era de todas as autoridades necessárias para encerrá-lo até uma correção. Seu gerente de site não pode sequer encontrar qualquer menção de ferrugem nos regulamentos, e esse tubo não está em pior condição do que as duas inspeções programadas anteriores. Agora é um problema e a produção está parada”. 
A China monta os aparelhos da Apple, os roteadores da Cisco System, os motores da Ford Motor Co. Só Apple pagou US$ 160 bilhões de bens e serviços da China.

Peça 5 – a nova desordem

Não se sabe aonde levará essa nova desordem mundial. Em vez de guerras atômicas, o novo campo da guerra fria são as guerras cibernéticas.
O que fica demonstrado, nesses episódios, é a clareza dos EUA e da China sobre o interesse nacional. Ao contrário de um país que, de sétima economia do mundo, tornou-se alvo de chacota internacional pela extrema incapacidade de suas elites midiáticas, políticas e jurídicas, em entender e defender minimamente os interesses nacionais.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

"PROTESTOS NA FRANÇA SINALIZAM CRISE MAIS AMPLA DA DEMOCRACIA OCIDENTAL"!

"PROTESTOS NA FRANÇA SINALIZAM CRISE MAIS AMPLA DA DEMOCRACIA OCIDENTAL"!


(Ishaan Tharoor - Estado de S.Paulo, 05) 1. O presidente da França, Emmanuel Macron, gosta de se apresentar como um político moderado que consegue se manter firme diante da pressão popular. No entanto, agora ele corre o risco de ser arrebatado por uma rebelião. Pela terceira semana seguida, protestos tomaram conta do país.

2. Os distúrbios estão ligados ao movimento dos coletes amarelos. A irritação é com o aumento dos preços dos combustíveis, determinado por Macron como parte dos compromissos com o acordo sobre o clima. Mas os protestos também têm a ver com frustrações mais profundas de um segmento da sociedade francesa, que deseja uma rede de proteção social mais ampla no momento em que o país ainda registra um crescimento moroso e um alto índice de desemprego.

3. As raízes dos protestos também estão fora dos abastados centros urbanos, pequenas cidades e povoados dominados pela estagnação e pelo desespero pós-industrial que vem engolindo a classe média. Essas fissuras são familiares a britânicos, americanos e outras democracias ocidentais – assim como a incapacidade dos políticos de sanar as desigualdades.

4. Além do imposto sobre a gasolina, Macron quis impor um ambicioso programa de reformas. No entanto, há um ressentimento generalizado com seu estilo arrogante de administrar e má impressão de que ele governa para uma elite metropolitana.

5. Os inimigos de Macron têm se aproveitado dos distúrbios. Jean-Luc Mélenchon, líder da extrema esquerda, comparou o clima na França ao auge dos protestos da esquerda em 1968. A líder da extrema direita, Marine Le Pen, pediu a dissolução da Assembleia Nacional e novas eleições. Outro radical de direita ligado ao movimento de protesto, a título de provocação, exigiu que Macron renuncie em favor de um governo provisório liderado por um ex-general.

6. A república não está prestes a cair, mas os protestos mostram como Macron vem sendo tragado pelas mesmas frustrações contra o establishment que o levaram à presidência como um outsider da política. Para os seus defensores, o momento é preocupante. Muitos esperavam que sua vitória, no ano passado, fosse uma resposta aos populistas dos dois lados do Atlântico. Só que ele não conseguiu desbancar a direita radical nem convencer a esquerda, que o considera um agente dos ricos.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Príncipe herdeiro da Arábia Saudita envia condolências a filho de Khashoggi


Jamal Khashoggi, jornalista crítico ao governo da Arábia Saudita, desapareceu após entrar no consulado do seu país em Istambul — Foto: Mohammed al-Shaikh/AFP
Jamal Khashoggi, jornalista crítico ao governo da Arábia Saudita, desapareceu após entrar no consulado do seu país em Istambul — Foto: Mohammed al-Shaikh/AFP


Príncipe herdeiro da Arábia Saudita envia condolências a filho de Khashoggi

Governo reconheceu neste domingo que a morte do jornalista foi "um terrível erro". 

Leia matéria: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/10/21/principe-herdeiro-da-arabia-saudita-envia-condolencias-a-filho-de-khashoggi.ghtml

sábado, 14 de julho de 2018

China quer reformar exército para poder 'ganhar guerra' e superar os EUA

Soldados do Exército de Libertação da China marcham durante a parada militar em hominagem aos 70 anos da vitória na Segunda Guerra Mundial, Pequim, 3 de setembro de 2015
AFP/Jason Lee/Sputnik

A China planeja reformar suas Forças Armadas para expandir seu poderio militar em terra, mar e ar a fim de proteger seus interesses estratégicos em uma nova era, informou a agência japonesa Kyodo citando um relatório militar interno chinês que ficou à sua disposição.
O documento foi divulgado dentro da Comissão Central Militar do país asiático em fevereiro deste ano.
As reformas incluiriam a reorganização do sistema militar de comando e controle da estrutura de quatro níveis para uma de três, a doutrina estratégica também deveria ser ajustada, aponta o documento.
Se as reformas avançarem, existe a possibilidade de um agravamento das tensões com os países vizinhos, incluindo o Japão, no mar do Sul da China, bem como em outros lugares, adverte o documento.
"À medida que abrimos e expandimos nossos interesses nacionais para além das fronteiras, precisamos urgentemente de uma proteção abrangente para nossa própria segurança em todo o mundo", lê-se no relatório citado pela agência.
Através de uma série de ajustes na estratégia militar, o "equilíbrio, a dimensão e a expansão dos objetivos estratégicos da China" seriam reforçados. As medidas visam “lidar de forma mais eficaz com uma crise, conter um conflito, vencer uma guerra, defender a expansão dos interesses estratégicos do nosso país de maneira integral e cumprir os objetivos estabelecidos pelo partido e pelo Presidente Xi [Jinping]”.

Ultrapassar uma potência em declínio

O documento revelou também as intenções do gigante asiático de ultrapassar os EUA em termos de poderio militar. "As lições da história nos ensinam que o poderio militar forte é importante para que um país cresça de ser grande a ser forte", segundo o relatório.
"Um exército forte é o caminho para […] escapar da obsessão de desencadear uma guerra inevitável entre uma potência emergente e uma hegemonia dominante", acrescentou.
Segundo os militares chineses, as reformas das Forças Armadas são um "ponto de virada" significativo para que um país emergente ultrapasse Washington, sugerindo que os EUA se encontram em declínio, interpretou o relatório a agência Kyodo.
Créditos Sputnik - https://br.sputniknews.com/asia_oceania/2018070711660174-china-eua-exercito-forcas-armadas-poderio-guerra-conflito/ 

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Exército sírio toma controle sobre fronteira com Jordânia

Soldados do exército sírio em seus caminhões militares gritando lemas em apoio ao presidente sírio Bashar Assad, entrando em uma aldeia perto da cidade de Jisr al-Shughour, ao norte de Damasco, Síria (foto de arquivo)


Créditos Sputnik

O exército sírio tomou sob controle a fronteira com a Jordânia, a província de Daraa está praticamente livre dos terroristas. A operação foi efetuada com um número mínimo de perdas, afirmou nesta quinta-feira (12) a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova.
De acordo com ela, no sudoeste da Síria está começando a última fase de limpeza da província de Daraa e Quneitra dos terroristas.
"No momento, a província de Daraa está praticamente toda livre dos terroristas, foi fechado um acordo sobre regularização da situação nos quarteirões do sul e sudeste do centro administrativo de Daraa, que por mais de sete anos permaneceram sob controle das formações armadas ilegais", assinalou Zakharova durante o briefing.
"O exército sírio tomou sob controle a fronteira com a vizinha Jordânia, assegurando assim a possibilidade de reabertura do tráfego pela rodovia internacional Beirute-Damasco-Amã. A libertação do sudoeste [da Síria] foi efetuada com um número mínimo de perdas", acrescentou a representante do ministério russo.
Maria Zakharova destacou também que tal foi possível graças aos acordos firmados com as unidades da oposição armada que se separaram da Frente al-Nusra e do Daesh (organizações terroristas proibidas na Rússia e em vários outros países).
Além disso, a representante da chancelaria enfatizou o "papel especial" dos oficiais russos do Centro Russo de Reconciliação, bem como da polícia militar, nos últimos avanços do exército da Síria.
Créditos Sputnik
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quinta-feira, 28 de junho de 2018

TURQUIA HOJE: QUASE UM SULTANATO!


TURQUIA HOJE: QUASE UM SULTANATO!
  
(Clovis Rossi - Folha de S.Paulo, 25) 1. Com a vitória neste domingo (53%), Erdogan já é o governante há mais tempo no poder no país. A iconografia turca tem, desde este domingo (24), um novo rosto a equiparar-se ao de Kemal Atatürk, fundador da Turquia moderna. É o rosto de Recep Tayyp Erdogan, a caminho de fazer a Turquia retroceder ao estágio de sultanato, o poder absolutista do sultão, como Erdogan tem sido frequentemente chamado.

2. Erdogan já é o governante há mais tempo no poder: 15 anos, inicialmente como primeiro-ministro (2003/14) e depois como presidente em um regime em tese parlamentarista mas que já era dominado por Erdogan.
 
3. Com a votação deste domingo, a Turquia passa a ser presidencialista, com poderes pouco menos que absolutos para o mandatário. É uma enorme frustração para os que chegaram a ver em Erdogan o espelho em que poderiam mirar-se os países muçulmanos em que ocorreram os levantes da chamada Primavera Árabe.
  
4. Até mais ou menos 2013, Erdogan era o único mandatário de um país de maioria muçulmana em que a democracia gozava de boa saúde. Tão boa que, em 2005, a Turquia iniciou negociações para entrar na União Europeia. Ser um país democrático é condição essencial para aderir à Europa unificada.

5. Além de comandar uma democracia, Erdogan liderou também um processo de estabilização política e econômica, que eliminou as frequentes intervenções militares e minimizou as crises econômicas igualmente recorrentes.

6. Por que o presidente turco desandou esse caminho é uma história ainda a ser escrita. O fato é que, nos últimos cinco anos, foi se tornando mais e mais autoritário. A hipótese de aderir à UE está, por enquanto, em completa hibernação, ainda mais que a OSCE (Organização para a Segurança e Cooperação na Europa) fez sérios reparos ao processo eleitoral concluído neste domingo.

7. Um relatório preliminar divulgado antes do pleito citava uma série de irregularidades, incluindo restrições às liberdades de reunião, de associação e de expressão. E criticava o fato de que o candidato do HDP (Partido Democrático do Povo, pró-curdos), Selahattin Demirtas, fez sua campanha de uma prisão. Uma eleição sob estado de exceção, como ocorreu na Turquia, não é obviamente uma característica que seja aceitável para um país que queira fazer parte da União Europeia.

8. O fato de a Turquia, geograficamente, ter um pé na Europa e outro na Ásia acaba servindo de metáfora para sua situação político-institucional: ao derivar para o autoritarismo, Erdogan dá as costas para a Europa e se instala entre os países muçulmanos autocráticos.

9. Não será fácil, no entanto, aprofundar o modelo autoritário, mesmo com os poderes agora referendados pelo eleitorado. Erdogan, afinal, é filho da democracia (ganhou 13 eleições, incluindo a deste domingo), a oposição tem razoável presença no Parlamento e parte significativa da sociedade turca olha muito mais para a Europa do que para a Ásia/Oriente Médio e suas ditaduras.