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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

LFS Internacional - PARAGUAI VÊ PARTIDO VINCULADO À CORRUPÇÃO À FRENTE NAS PESQUISAS ELEITORAIS! (Sylvia Colombo – Folha de SP, 04)

 


PARAGUAI VÊ PARTIDO VINCULADO À CORRUPÇÃO À FRENTE NAS PESQUISAS ELEITORAIS!


(Sylvia Colombo – Folha de SP, 04) O Paraguai, que irá às urnas no final de abril, aparece em segundo lugar entre os países mais corruptos da América do Sul no Índice de Percepção da Corrupção, realizado pela ONG Transparência Internacional e divulgado na última semana —os que surgem como menos corruptos são Uruguai e Chile.

Esse vizinho economicamente importante do Brasil viveu anos de instabilidade política, com o racha no famoso Partido Colorado, de direita, de longe o mais poderoso do país, colocando o governo do presidente Mario Abdo Benítez outra vez sob risco de impeachment.

Apesar de ser uma nação em que o Estado rouba muito e na qual governam máfias do contrabando, como a do intocável ex-presidente Horacio Cartes —cujo império de tráfico ilegal de cigarros se estende por toda a região—, a disputa pela Presidência a princípio mostra um Partido Colorado à frente.

Trata-se da sigla que mais aparece vinculada a casos de corrupção. Nos últimos dias, foi a vez de os EUA abrirem os olhos da nação vizinha. Os americanos pressionaram Hugo Velázquez a desistir de sua candidatura ao acusá-lo de "significativamente corrupto". O atual vice-presidente estaria vinculado a uma tentativa de suborno para interromper uma investigação contra si mesmo. Ele deixou a corrida eleitoral.

Agora, o Departamento do Tesouro dos EUA ataca outros colorados, desta vez Cartes, acusando-o de ser responsável por uma "corrupção que socava as instituições democráticas" do Paraguai. Tanto o vice como o ex-presidente estão proibidos de ter acesso a bancos dos EUA ou de fazer negócios naquele país. Os americanos também apontam possíveis ligações de Cartes com a milícia libanesa Hizbullah.

Entre as denúncias que já foram feitas contra ele estão, além da de contrabando, evasão de divisas e suborno durante a campanha que o elegeu presidente. Hoje, ele está no comando do Partido Colorado.

Em 2021, a Folha cobriu in loco as manifestações contra o governo de Abdo Benítez, em Assunção. A sensação era de que se tratava de um movimento que iria crescer, impulsionado pela presença maciça de jovens. Esse cenário, porém, não ocorreu. A forte repressão fez os protestos minguarem e a pandemia acabou por terminar com eles. A oposição, à época débil, não conseguiu capitalizar politicamente o caso.

Agora parece haver alguma diferença. Efraín Alegre, líder do Partido Liberal Radical Autêntico e candidato à Presidência em três oportunidades, conseguiu amarrar uma coalizão de partidos de centro, centro-esquerda e esquerda, com a qual crê que será possível tirar os colorados do poder. É a primeira vez que uma aliança com essas características se forma no país desde a vitória de Fernando Lugo, em 2008.

Aliado ao bolsonarismo, o Colorado de Cartes estará representado pelo economista Santiago Peña. O ex-ministro, assim como Bolsonaro, é um admirador do ditador Alfredo Stroessner. Se vencer, o predomínio do partido sobre o Paraguai se estenderá, o que facilita a impunidade de toda uma geração de políticos.

As cifras ainda não permitem indicar nenhum grande favorito, embora a balança penda mais para o lado do Colorado. Seria importante se o país tivesse alternância de poder e investigasse todos esses casos. O descrédito internacional do Paraguai prejudica, além da economia local, o Brasil e o Mercosul.

Créditos Ex-Blog do Cesar Maia

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Paraguai pede para cancelar ata sobre Itaipu assinada com Brasil; 4 altos funcionários se demitem

Por G1
 

População paraguaia fez protesto no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFPPopulação paraguaia fez protesto no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFP
População paraguaia fez protesto no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFP
Quatro membros do alto escalão do governo paraguaio renunciaram, nesta segunda-feira (29), aos cargos, incluindo o embaixador do Paraguai no Brasil, Hugo Saguier, e o ministro de Relações Exteriores, Luis Alberto Castiglioni.
Além dos dois representantes, pediram demissão, também, o presidente da Administração Nacional de Eletricidade (ANDE), Alcides Jiménez, que estava há poucos dias no cargo, e o titular paraguaio da usina hidrelétrica binacional de Itaipu, José Roberto Alderete.
O presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, aceitou as renúncias.
O presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, aceitou as renúncias.  — Foto: Jorge Adorno/ReutersO presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, aceitou as renúncias.  — Foto: Jorge Adorno/Reuters
O presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, aceitou as renúncias. — Foto: Jorge Adorno/Reuters
O motivo apontado para as renúncias é a assinatura, em maio, de uma ata bilateral sobre as condições de contratação de energia de Itaipu.O texto fixa a compra de energia de Itaipu pelo Brasil até 2022, um ano antes da renegociação do anexo C do tratado constitutivo da usina.
O documento, assinado sem consulta à opinião pública pelos governos de Brasil e Paraguai, causou grande repercussão no vizinho latinoamericano - a ponto de o agora ex-chanceler, Luis Alberto Castiglioni, anunciar no domingo (28) que o Paraguai pedirá ao Brasil para cancelar o documento.
O presidente anterior da ANDE, Pedro Ferreira, já havia pedido demissão na quarta-feira (24), porque tinha se recusado a assinar a ata. Jiménez, que renunciou nesta segunda-feira, assumiu o cargo no mesmo dia.
O agora ex-ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Luis Alberto Castiglioni. — Foto: Jorge Adorno/ReutersO agora ex-ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Luis Alberto Castiglioni. — Foto: Jorge Adorno/Reuters
O agora ex-ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Luis Alberto Castiglioni. — Foto: Jorge Adorno/Reuters
Por causa da assinatura da ata, os quatro funcionários têm sido chamados de "entreguistas" pela imprensa paraguaia.
Na quinta-feira (25), o agora ex-embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier, que participou das negociações do documento, afirmou que não houve "nenhuma renúncia de soberania" do Paraguai em relação ao Brasil. Segundo a imprensa paraguaia, ele declarou que irá ao Congresso para explicar o que aconteceu nas tratativas.

O que diz o texto

O excedente de água não usado na produção de energia escoado por uma das três calhas era o equivalente à vazão média das Cataratas do Iguaçu, 1,4 milhão de litros por segundo — Foto: Adenésio Zanella/Itaipu BinacionalO excedente de água não usado na produção de energia escoado por uma das três calhas era o equivalente à vazão média das Cataratas do Iguaçu, 1,4 milhão de litros por segundo — Foto: Adenésio Zanella/Itaipu Binacional
O excedente de água não usado na produção de energia escoado por uma das três calhas era o equivalente à vazão média das Cataratas do Iguaçu, 1,4 milhão de litros por segundo — Foto: Adenésio Zanella/Itaipu Binacional
O veículo paraguaio "ABC Color" aponta que a usina de Itaipu possui dois tipos de energia: a garantida (mais cara) e a adicional, que é um excedente (mais barato).
Em 2007, o Paraguai conseguiu se beneficiar, com prioridade, do uso de energia adicional em maior quantidade, em troca da instalação de mais duas turbinas binacionais, das quais o Brasil precisava.
Com a ata, diz o veículo, o Paraguai renuncia ao benefício da energia adicional e concorda em usar a energia garantida, mais cara, em igual proporção — o que gerará uma diferença de US$ 350 milhões (R$ 1,3 bilhão) para a ANDE, segundo especialistas da área ouvidos pelo "ABC Color".
Uma das principais preocupações da população paraguaia é que a ata se traduza em um aumento do preço da energia — o que foi descartado pelo (então) novo presidente da ANDE, Alcides Jiménez.
Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente do país,  Mario Abdo Benítez, por causa da assinatura da ata. — Foto: Norberto Duarte/AFPMulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente do país,  Mario Abdo Benítez, por causa da assinatura da ata. — Foto: Norberto Duarte/AFP
Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente do país, Mario Abdo Benítez, por causa da assinatura da ata. — Foto: Norberto Duarte/AFP
"Todos os pontos que possam ser concordados não devem, em nenhum caso, significar um aumento da tarifa no curto prazo, em um ano, um ano e meio. Não podemos precisar qual será a extensão da economia em muito longo prazo, vocês perceberão que a situação econômica, a inflação e a taxa de câmbio poderão variar no futuro", especificou Jiménez.
Sobre um dos pontos da ata, que estabelece uma limitação de 6% da quantidade de potência contratada a cada ano, Jiménez ressaltou que não é um teto para o Paraguai, mas uma "proteção à ANDE", para que não se veja obrigada a comprar energia de em grande quantidade a cada ano.
Pelo acordo de Itaipu firmado entre Brasil e Paraguai, a energia gerada pela usina é dividida em partes iguais pelos dois países. O acordo prevê que, caso uma das nações não utilize sua parte integralmente, poderá vender o excedente para o parceiro.

Sem divulgação

População paraguaia fez protesto no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFPPopulação paraguaia fez protesto no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFP
População paraguaia fez protesto no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFP
O documento foi assinado no último dia 24 de maio sem que nenhuma autoridade paraguaia tivesse informado a opinião pública a respeito — o que levou parte da oposição a denunciar que o governo de Benítez está fazendo concessões ao Brasil em relação às negociações de 2023.
Na semana passada, o agora ex-embaixador paraguaio no Brasil, Hugo Saguier, negou essa suposta concessão ao Brasil e ressaltou que, embora a população não estivesse a par destas negociações, as "partes interessadas" estavam informadas.
"Essa é uma questão que é normal. Em toda negociação existem períodos e estamos na etapa de fechar esta negociação. Depois, imediatamente, todo mundo será informado. É assim", explicou, antes de acrescentar que está sendo elaborado um relatório a respeito para ser enviado ao Congresso.
O principal questionamento a Saguier é que os técnicos do Paraguai não estavam presentes durante a assinatura da ata, enquanto os do Brasil, sim — segundo aponta o jornal paraguaio "ABC Color".
População paraguaia protestou no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFPPopulação paraguaia protestou no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFP
População paraguaia protestou no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFP
A negociação do anexo C do Tratado de Itaipu é uma questão sensível para o Paraguai, que espera recuperar em 2023 a energia excedente que agora vende a preço de custo ao Brasil, segundo informa a EFE.
De acordo com a EFE, a negociação desta ata bilateral começou em março deste ano, quando o governo do presidente Jair Bolsonarosolicitou uma reunião devido a "divergências no contrato" que deveria ser assinado entre Brasil e Paraguai sobre a contratação de potência energética.
Saguier reconheceu que a questão não foi resolvida em nível técnico e que, por esse motivo, requereu a intervenção do alto escalão, representado por ele no caso paraguaio e pelo secretário de Negociações Bilaterais e Regionais nas Américas do Itamaraty, Pedro Miguel da Costa e Silva.
População paraguaia fez protesto no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFPPopulação paraguaia fez protesto no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFP
População paraguaia fez protesto no sábado (27) em Asunción, capital do país, contra o presidente Mulher participa de protesto no sábado (27) em Asunción, capital do Paraguai, contra o presidente Mario Abdo Benítez. — Foto: Norberto Duarte/AFP
"As divergências eram mútuas. Ambas as partes tinham suas posturas e não podiam conciliar suas posições. É por isso que foram convocadas as chancelarias", ressaltou.
Nessas reuniões foi estabelecida a ata bilateral de 24 de maio, que o governo paraguaio apresentou na semana passada diante da opinião pública como "o primeiro grande triunfo do Paraguai na negociação com o Brasil, visando o compromisso que temos em 2023", nas palavras de Saguier.
Alcides Jiménez sustentou ainda que ele, ao contrário de Ferreira, assinaria o documento "porque a ANDE não esteve de acordo, mas esse é um assunto que está superado".