terça-feira, 31 de dezembro de 2024

LFS Internacional - O novo governo sírio aproxima-se da Irmandade Muçulmana

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O novo governo sírio aproxima-se da Irmandade Muçulmana - 

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A fotografia da capa, tirada há poucos dias no palácio presidencial sírio, causou espanto nos meios de comunicação egípcios próximos do general Sissi. No centro está o chefe da HTC e novo senhor de Damasco, Ahmed Al Sharaa, aliás Al Jolani, e à sua direita está um dos líderes da Irmandade Muçulmana Egípcia, Mahmud Fethi, que reside na Turquia e à sua esquerda, o conselheiro de relações exteriores do partido de Erdogan.


A Irmandade Muçulmana quase foi apagada do cenário político árabe na Síria, Tunísia, Egipto e Emirados Árabes Unidos. No conflito entre palestinianos e israelitas desencadeado pelo ataque de 7 de Outubro do ano passado, os “irmãos” tiveram dificuldade em posicionar-se, mesmo com a sua habitual duplicidade, entre o apoio inquestionável ao Hamas e o ódio ao Irão.


Esta perda de influência foi explicada pela atomização do movimento após os reveses sofridos no Egipto e na Tunísia. Desde o golpe militar que levou o marechal Sissi ao poder em 2013, a Irmandade Muçulmana Egípcia dividiu-se em três sectores: um clandestino no Cairo, outro em Londres e um terceiro em Istambul. Os seus mais fervorosos apoiantes, a Turquia e o Qatar, tornaram-se mais próximos, se não reconciliados, com a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Egipto, regimes que classificam a Irmandade Muçulmana entre organizações terroristas.


Em 2022, os “irmãos” perderam as suas duas figuras mais proeminentes, o pregador catariano Youssef Qaradawi, apresentador de longa data de um programa de televisão na Al Jazira, e o egípcio Ibrahim Munir, exilado em Londres.


A fotografia indica a proximidade entre os três líderes sírios, turcos e egípcios com a Irmandade Muçulmana. O novo governo sírio deu poucos sinais de abertura aos movimentos de oposição sírios e não iniciou uma verdadeira reunião com os representantes das principais minorias que vivem na Síria.


A presença em Damasco de Fethi, membro activo da Irmandade Muçulmana que se refugiou na Turquia, preocupa o governo egípcio, que pode mergulhar numa desestabilização como a de há 20 anos. A gestão do General Sissi, abandonada pelos sauditas, está sobrecarregada por uma crise profunda e por uma dívida colossal.


Fethi é bem conhecido dos serviços de segurança do Cairo porque desempenhou um papel muito activo na Primavera Árabe que levou à queda do Presidente Hosni Mubarak. Desde muito jovem foi conselheiro de Jayrat Al Chater, líder da Irmandade Muçulmana entre 2012 e 2013.


Desde que deixou o Egipto, em 2013, tem sido uma personagem muito activa na capital turca, onde muito recentemente rompeu com o seu partido para criar um novo movimento, denominado “A Nação Egípcia”, no qual pretende integrar algumas correntes jihadistas.


Créditos MPR

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