terça-feira, 28 de maio de 2024

LFS Geopolítica - Sudão também quer reforçar os seus laços com a Rússia - créditos MPR

O Sudão também quer reforçar os seus laços com a Rússia


As potências ocidentais falharam na sua tentativa de isolar diplomaticamente a Rússia, especialmente em África. O Sudão quer reforçar os seus laços militares e económicos com a Rússia através de uma série de acordos estratégicos.


Um dos destaques das negociações é a criação de um centro russo de apoio logístico naval no Mar Vermelho. A iniciativa faz parte das atuais discussões entre os dois países, conforme confirmado pelo General Yasir Al Atta, membro do Conselho Soberano do Sudão.


A aproximação com a Rússia ocorre num contexto marcado pela guerra civil entre o exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido. A actual situação política oferece a Moscovo a oportunidade de relançar um acordo anterior que foi suspenso durante o antigo regime sudanês. Durante uma recente visita ao Porto Sudão, o enviado presidencial russo Mikhail Bogdanov ofereceu assistência militar em troca do estabelecimento do centro de apoio naval.


O General Al Atta esclareceu que a cooperação se limita a um centro de apoio logístico, e não a uma base militar completa, em troca de fornecimentos urgentes de armas e munições. Ele também destacou a importância de expandir a cooperação para além da esfera militar para incluir parcerias económicas, tais como projectos agrícolas, mineiros e de desenvolvimento portuário, propostas às quais a Rússia respondeu favoravelmente.


Uma delegação militar sudanesa visitará em breve Moscovo, seguida por uma delegação ministerial chefiada por Malik Agar, vice-presidente do Conselho Soberano. As visitas deverão conduzir à finalização de um acordo global sob a supervisão do Presidente do Conselho Soberano.


Al Atta expressou apoio ao centro naval russo, insistindo que o Sudão está aberto a acordos semelhantes com outros países, como os Estados Unidos, a Arábia Saudita e o Egipto, ao mesmo tempo que coloca os interesses sudaneses em primeiro lugar. No actual contexto geopolítico, onde prevalece a influência financeira, é crucial que o Sudão tome medidas ousadas para alcançar os seus próprios objectivos como país.


Port Sudan sempre expressou frustração pela falta de apoio das potências ocidentais para combater a influência externa das Forças de Apoio Rápido. Apesar da pressão da Arábia Saudita para abandonar o acordo naval com a Rússia em troca de investimentos, as prioridades do Sudão estão agora orientadas para uma maior colaboração com Moscovo.


A aproximação é uma surpresa porque os porta-vozes do imperialismo sempre colocaram a Rússia e, mais especificamente, Wagner, na ala do apoio externo das Forças de Apoio Rápido na guerra interna contra o exército sudanês. No ano passado, a CNN disse, por exemplo, que Wagner lhes forneceu mísseis (*), enquanto era comum a “notícia” de que ele estava a tomar conta das minas de ouro sudanesas.


Agora os alinhamentos parecem exatamente o oposto.


(*) https://cnn.com/2023/04/21/africa/sudan-fighting-ceasefire-eid-friday-intl-hnk/index.html


Créditos MPR

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