*”Com ajuda de Trump, Israel e Emirados Árabes Unidos assinam acordo histórico”*
- Com intermédio do presidente dos EUA, Donald Trump, Israel e Emirados Árabes Unidos chegaram a um acordo histórico que deve normalizar as relações diplomáticas entre os dois países. O pacto foi anunciado nesta quinta-feira (13) por Trump, o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Mohammed bin Zayed al-Nahyan. "Este histórico passo diplomático avançará a paz no Oriente Médio e é um testemunho da ousada diplomacia e da visão dos três líderes e da coragem dos Emirados Árabes Unidos e de Israel para traçar um novo caminho, que desbloqueará o grande potencial da região", afirma a declaração dos três países. O tratado representa uma vitória diplomática para Trump e faz parte da tática de investimento em política externa que pode ajudar o líder republicano em sua campanha de reeleição. Também fortalece a oposição ao Irã, visto como uma ameaça pelos três países. De um lado, Israel e Estados Unidos acusam o país persa de desenvolver armas nucleares, o que Teerã nega. De outro, o Irã está envolvido em guerras por procuração da Síria ao Iêmen, onde os Emirados Árabes Unidos têm sido um dos principais membros da coalizão saudita contrária às forças iranianas na região.
Sob o acordo, Israel concorda em "suspender a declaração de soberania" sobre áreas da Cisjordânia que constam no projeto de anexação do território —ao menos por um período. Horas depois da divulgação do tratado, Netanyahu afirmou que a suspensão foi um pedido do presidente Trump para que o acordo pudesse ser implementado e que não houve mudanças nos planos israelenses de "aplicar a soberania em plena coordenação com os Estados Unidos". "Disseram-me que é impossível trazer a paz aos países árabes se não renunciarmos aos territórios. Eu provei o contrário", disse o premiê. "Assim como trouxe paz, também trarei soberania. Nunca desistirei dos nossos direitos em nosso país." Os conflitos entre árabes e judeus já duram séculos e foram mais acentuados a partir do reconhecimento de Israel como um país, em 1948, e das disputas territoriais com os palestinos. Historicamente, judeus recorrem aos textos sagrados da Bíblia e da Torá para reivindicar o direito de posse das terras. Da parte dos Emirados Árabes Unidos, a decisão intensifica a campanha internacional do país para ser visto como um símbolo de tolerância no Oriente Médio —embora seja liderado por autocratas. Israel assinou acordos de paz com o Egito em 1979 e com a Jordânia em 1994. Mas os Emirados Árabes Unidos, junto com a maioria das outras nações árabes, não reconheciam nem mantinham relações diplomáticas ou econômicas formais com os israelenses até agora. A nova declaração também prevê acordos bilaterais para "investimentos, turismo, voos diretos, segurança, telecomunicações, tecnologia, energia, saúde, cultura, ambiente e estabelecimento de embaixadas". Para concretizar essa parte do trato, delegações dos dois países se reunirão nas próximas semanas. Israel e Emirados Árabes Unidos ainda anunciaram a decisão de "expandir e acelerar" a cooperação em relação ao tratamento e ao desenvolvimento de uma vacina para o coronavírus. "Trabalhando juntos, esses esforços ajudarão a salvar vidas de muçulmanos, judeus e cristãos em toda a região."
Semanas antes, Netanyahu havia anunciado uma parceria com os Emirados contra a Covid-19, classificando o esforço como uma mudança nas relações com o país. Em troca, porém, viu os árabes emitirem uma declaração modesta, em que o trato era descrito como um acordo entre empresas privadas. Enquanto o premiê de Israel definiu o anúncio desta quinta como um "dia histórico" e o secretário de Estado americano, Mike Pompeo, comparou o acordo com os tratados de paz firmados por Israel com o Egito e a Jordânia, o movimento islâmico palestino Hamas, que detém o poder na Faixa de Gaza, disse que o pacto representa um "cheque em branco" para a ocupação da Cisjordânia. "Rejeitamos e condenamos este acordo. Não ajuda a causa palestina e é visto como uma continuação da negação dos direitos do povo palestino", disse Hazem Qasem, porta-voz do Hamas. Na mesma direção, a agência de notícias iraniana Tasnim chamou o acordo de vergonhoso. Mahmoud Abbas, presidente da Autoridade Nacional Palestina, por sua vez, convocou uma reunião de emergência. Já secretário-geral da ONU, o português António Guterres, por meio de um porta-voz, deu boas-vindas a "qualquer iniciativa que promova a paz e a segurança no Oriente Médio". Os Emirados Árabes Unidos disseram que seguirão como um forte apoiador dos palestinos e que o acordo mantém a viabilidade de uma solução para o conflito com Israel que defenda a existência de dois Estados.
O presidente Jair Bolsonaro elogiou o trato no Twitter, com uma foto dele ao lado de Donald Trump. "Dessa forma, abre-se o sonhado caminho para a paz e prosperidade no Oriente Médio", escreveu. No Salão Oval, Trump disse que acordos similares estão sendo discutidos com outros países na região e que uma cerimônia de assinatura do tratado será realizada na Casa Branca nas próximas semanas. "Todos disseram que seria impossível", afirmou o presidente. "Depois de 49 anos, Israel e Emirados Árabes Unidos vão normalizar suas relações diplomáticas." Da mesma forma, Joe Biden, candidato do Partido Democrata que vai enfrentar Trump nas urnas, em novembro, saudou o acordo como um passo histórico em direção à estabilidade do Oriente Médio. "A oferta dos Emirados Árabes Unidos de reconhecer publicamente o Estado de Israel é um ato de estadista bem-vindo, corajoso e extremamente necessário", disse o ex-vice-presidente. "A anexação [das terras da Cisjordânia por Israel] seria um golpe mortal para a causa da paz, e é por isso que me oponho agora e me oporia como presidente."
Depois de falhar, ou não conseguir avançar em outras frentes da política externa americana, a decisão desta quinta pode resultar em ganho de capital eleitoral para Trump. O fim ainda não concretizado da guerra no Afeganistão e a falta de resultados consolidados nas propostas de paz entre israelenses e palestinos, por exemplo, pesam contra o líder republicano. Agora, ele busca retomar o papel hegemônico dos EUA no cenário internacional como forma de afirmação da força do seu governo. Os reiterados ataques à China, contra quem o americano vive uma espécie de Guerra Fria 2.0, seguem também a mesma lógica. Os dois países protagonizam um embate que se manifesta em aspectos econômicos e ideológicos, além das tentativas de demonstração de poderio militar e das respostas de Washington e Pequim à pandemia do novo coronavírus. Outra direção de enfrentamento do regime de Xi Jinping é a defesa de direitos humanos. Os EUA engrossam o coro de críticas da comunidade internacional à forma como a China lida com os uigures, minoria muçulmana no oeste do país asiático, e contra o que vem sendo apontado como uma interferência de Pequim nas liberdades democráticas e direitos individuais dos cidadãos de Hong Kong. Em junho, o Congresso chinês aprovou uma nova lei de segurança nacional para o território com o objetivo de punir quaisquer atividades que a China considere subversão, secessão, terrorismo ou conluio com agentes estrangeiros.
Créditos FPA
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