domingo, 28 de fevereiro de 2021

Clipping Internacional 28/02/2021 - Carta Maior

 

Clipping Internacional - 28/02/2021

Notícias internacionais sobre o Brasil; Notícias do Mundo; e Artigos

 
28/02/2021 11:45

(Carl de Souza/AFP)

Créditos da foto: (Carl de Souza/AFP)

 

1. NOTÍCIAS INTERNACIONAIS SOBRE O BRASIL

PANDEMIA/Bolsonaro desencoraja máscara enquanto mortes diárias batem recordeO Brasil ultrapassou dois marcos sombrios, já que as mortes por Covid-19 ultrapassaram 251.000 e o país viu seu maior número diário de vítimas desde que o coronavírus foi detectado lá, um ano atrás. E o presidente Jair Bolsonaro novamente desencoraja o uso de máscara, enquanto o país luta com uma implementação lenta da vacinação, novas variantes da doença e uma resposta descoordenada do governo. Dados parciais mostraram que a nova cepa encontrada no estado do Amazonas (P1) possui uma mutação no aminoácido 501, a mesma das cepas do Reino Unido e da África do Sul. A mudança permite que P1 seja mais contagioso e perigoso. (The Guardian, Inglaterra) | bit.ly/3dUWHIc

BOLSONARO/Recorde de mortes e o presidente critica o uso de máscara. O Brasil atingiu o número mais elevado de mortes por Covid-19 num dia. 1.582 pessoas perderam a vida no país devido à doença. Desde o início da pandemia, mais de 250 mil brasileiros morreram infetadas por ela. Mas na sua transmissão em direto semanal, feita nesse dia, o presidente Jair Bolsonaro não mencionou estes fatos, preferindo criticar o uso de máscaras de proteção. (Esquerda.net, Portugal) | bit.ly/3pXNb9z

SATÉLITE BRASILEIRO/Índia lança satélite desenvolvido no BrasilA Índia lançou com sucesso o Amazon 1, o primeiro satélite de monitoramento da Terra totalmente projetado, fabricado e operado pelo Brasil, no domingo, como parte da estreita colaboração espacial entre os dois países. O lançamento foi realizado com um veículo a partir de uma plataforma na base de Sriharikota, no estado de Andhra Pradesh, informou a Organização de Pesquisa Espacial Indiana (ISRO). (El Diário, Espanha) | bit.ly/2NQiOEN

COVID-19/Gestão caótica, 250 mil mortes e negacionismoUm ano após o primeiro caso de coronavírus, que também foi o primeiro na América Latina, a pandemia continua fora de controle no Brasil, com 250 mil mortes e um presidente que se recusa a reconhecer sua gravidade, enquanto a nova variante amazônica se espalha silenciosamente pelo país. Desde 26 de fevereiro de 2020, cerca de 10,4 milhões de brasileiros sofreram de covid-19, embora se estima que o número real seja até duas ou três vezes maior. O presidente do Brasil, o de extrema direita Jair Bolsonaro, insiste em virar a página e disse recentemente que "não adianta ficar em casa chorando". (El Diário, Espanha; El Periódico, Espanha) | bit.ly/3aZxNVG | bit.ly/3r291K9

BOLSONARO/Alas do capital e a radical se zangam com BolsonaroValor de mercado da Petrobras cai 76 mil milhões de reais depois do presidente substituir um economista por um general no comando da petrolífera. Na mesma semana, o Planalto ignorou a prisão de um deputado bolsonarista. Na mesma semana, Jair Bolsonaro irritou duas das alas que mais contribuíram para a sua eleição como presidente da República em 2018: a alta finança, que influencia a política brasileira a partir da Faria Lima, em São Paulo, o equivalente à Wall Street nova-iorquina, e a extrema-direita radical, que manipula as redes sociais. Em causa, a substituição no comando da Petrobras de um economista por um general e o silêncio cúmplice do Planalto perante a prisão de um deputado bolsonarista. (Diário de Notícias, Portugal) | bit.ly/3r6Cenl

INDÍGENAS/Último Juma morre por Covid. Amazônia: um povo desaparece como resultado do Covid-19. O último homem na terra indígena Juma morreu com o vírus. Um desaparecimento que sugere as consequências dramáticas da pandemia para as populações indígenas. Amoim Aruká foi o último homem do povo indígena Juma da Amazônia brasileira. Mas ele morreu em 17 de fevereiro, com a idade estimada de 86 anos (ele não tinha um estado civil oficial) da Covid-19. Ao longo de sua vida, ele testemunhou uma série de massacres que reduziram seu povo de 15.000 no início do século 20 para cinco em 2002. Somente suas três filhas poderão continuar a carregar a cultura de seu povo. (Libération, França) | bit.ly/3kxKEBW

AMAZÔNIA/331 defensores dos direitos humanos e ambientais foram mortos em 2020. Para as famílias dos ativistas que foram mortos, a ameaça da crise climática é pessoal: o caso de Claudelice. Durante 2020, 331 defensores dos direitos humanos e ambientais foram mortos - a segurança individual também precisa ser protegida. Após anos de violência crescente, a situação para Claudelice - e para muitos outros que se manifestam - está se tornando cada vez mais perigosa. A estratégia do presidente Jair Bolsonaro de “desmantelar” a legislação ambiental e a proteção dos direitos humanos aumentou a extração ilegal de madeira e mineração na Amazônia. Sua decisão de alterar as leis sobre armas - com a oposição de cerca de dois terços dos brasileiros - significa que as pessoas podem comprar mais armas de fogo e munições com mais facilidade; com menos fiscalização da polícia federal e do exército. (The Independent, Inglaterra) | bit.ly/3b6hNBD

AMAZÔNIA/ Terras na Amazônia ilegalmente à venda no Facebook. Embora a lei não permita, terras indígenas e áreas de floresta da Amazónia estão sendo vendidas ilegalmente no Facebook. Algumas áreas à venda são o equivalente a mais de mil campos de futebol. Segundo uma investigação da BBC, "pessoas invadem e desmatam ilegalmente partes da floresta e depois anunciam no Facebook em busca de compradores". O Facebook Marketplace tem sido a ferramenta escolhida para proceder às vendas ilegais dos terrenos. Algumas palavras-chave como "floresta", "selva nativa" e "madeira" são suficientes para encontrar um dos lotes. (Jornal de Notícias, Portugal) | bit.ly/3pXN6CN

DESEMPREGO/Taxa de desemprego alcança 12,5 %. O Brasil registrou 13,5% de desemprego em 2020, o equivalente a 13,4 milhões de pessoas e o maior nível desde 2012, informou o IBGE. O desemprego no país sul-americano cresceu 6,7%, ou 840 mil pessoas, no ano passado em relação a 2019, quando o indicador era de 11,9%, segundo o IBGE. O desemprego no Brasil aumentou em 2020 como resultado dos esforços para conter a pandemia Covid-19, como medidas de quarentena e fechamento de empresas. No entanto, o desemprego diminuiu nos últimos meses de 2020, coincidindo com uma ligeira recuperação da atividade económica, embora não tenha impedido que atingisse o nível mais elevado em oito anos. (Xihuanet, China) | bit.ly/3dSOYtU

2. NOTÍCIAS DO MUNDO

CUBA/O país testa duas vacinas na fase 3 em marçoDuas vacinas candidatas cubanas contra Covid-19, que produziram uma "poderosa resposta imunológica", passarão por testes clínicos de fase 3 a partir de março, anunciou um dos cientistas responsáveis pelo projeto. Essas duas vacinas candidatas, batizadas de Soberana 2 e Abdala, "mostraram que são vacinas seguras" e garantem "a indução de uma poderosa resposta imunológica contra a doença", disse aos repórteres Eduardo Martinez, presidente da empresa própria para as indústrias de biotecnologia e farmacêutica. A ilha de 11,2 milhões de pessoas registrou 312 mortes por Covid-19 para 47.566 casos notificados, uma taxa muito menor do que na maioria dos outros países da América Latina e do Caribe. (La Presse, Canadá) | bit.ly/37UWbFY

ARGENTINA/O escândalo do crédito atípico que o FMI deu a Macri. O FMI e os dólares VIP. O escândalo do inusitado empréstimo de 57 bilhões de dólares, dos quais 45 bilhões de dólares foram desembolsados, ao governo Macri e que vincula a economia argentina ao FMI há décadas. A pesada herança financeira que Alberto Fernández deve renegociar. As opções padrão, o ajuste ou a flexibilidade dos termos e condições. A complexidade de negociar com o Fundo Monetário Internacional por um crédito político opaco e irregular. A instituição pressiona por um acordo rápido, que restaure as políticas que levaram à catástrofe, mas o Governo aposta em fazer pesar a responsabilidade do Fundo num empréstimo “avulso” destinado à fuga de capitais. (Página 12, Argentina) | bit.ly/3kuyqcY

AMÉRICA DO SUL/5 % das vacinas do mundo. Cenário de desigualdade na distribuição de vacinas. A desigualdade na distribuição de vacinas para o coronavírus tem um de seus cenários na América do Sul. De um total de 234 milhões de vacinas distribuídas globalmente, a América do Sul recebeu 5%, quando acumula 17,5% do total de mortes. O subcontinente parece atolado em um 'para si quem pode', onde as estratégias regionais são escassas. O Chile vem realizando uma campanha bem-sucedida que já atingiu 17,5% de seus habitantes. Eles são seguidos, muito atrás, por Brasil e Argentina, os únicos dois países da região com produção própria. (Página 12, Argentina) | bit.ly/3sutIi8

PERU/Narcos assassinam dois chefes indígenas na Amazônia peruanaDois líderes indígenas que denunciam o tráfico de drogas assassinados na Amazônia peruana. “O Estado é indolente com tantas coisas que estamos passando”, denuncia Berlin Diques, uma das lideranças que em dezembro alertou o Governo sobre ameaças de morte contra lideranças indígenas. (El País, Espanha) | bit.ly/2ZVgPBL

EL Salvador/Eleições hoje para o CongressoSegundo pesquisas, o presidente salvadorenho Bukele sairá mais forte das eleições de domingo. A violência eleitoral marcou a campanha para as eleições legislativas e municipais de El Salvador. Segundo as pesquisas de intenção de voto, as eleições de domingo podem reforçar a figura de Nayib Bukele, o presidente de El Salvador, apesar do papel questionado que desempenhou durante a campanha eleitoral. O partido Novas Ideias, que apoia Bukele e é liderado por um primo dele, aparece em primeiro lugar nas urnas para as eleições legislativas de domingo. (La Diaria, Uruguai) | bit.ly/37X4l0H

ARGELIA/ Milhares de manifestantes voltam às ruas de Argel. Hirak volta às ruas da Argélia. Milhares de manifestantes voltaram a ocupar as ruas do país depois do movimento de contestação contra o regime ter parado por causa do confinamento. Em meados de fevereiro de 2019, nascera um poderoso movimento pela democratização do país. O motivo imediato foi o anúncio da recandidatura do então presidente Bouteflika para um quinto mandato. A dimensão do protestou levou o presidente a sair de cena, juntou com alguns do seu círculo mais restrito, mas o poder não mudou essencialmente de mãos e a sonhada democratização continuou por realizar. Assim, as manifestações continuaram. Até pararem por motivos sanitários com a chegada da pandemia. (Esquerda.net, Portugal) | bit.ly/37WgH9j

ARÁBIA SAUDITA/Principe saudita, acusado, constrangido, mas ileso pela realpolitik dos EUASexta-feira foi o dia em que o alardeado impulso de Joe Biden para colocar os direitos humanos de volta no centro da política externa dos EUA bateu, como costuma acontecer, na parede de tijolos da grande potência realpolitik. Como havia prometido, o novo governo obedeceu à lei aprovada pelo Congresso e ignorada por seu antecessor. Publicou um resumo não classificado da avaliação da inteligência de que o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, “aprovou” o assassinato e desmembramento do reformador saudita e colunista do Washington Post Jamal Khashoggi. EUA consideram o príncipe saudita aprovado o assassinato de Khashoggi. Entretanto, não o sancionam. (The Guardian, Inglaterra) | bit.ly/37Qj5P1

MIANMAR/Repressão policial se intensifica contra manifestantes. O país tem sido agitado por comícios pró-democracia desde que os militares derrubaram o governo em 1º de fevereiro. Novas manifestações pró-democracia na Birmânia foram violentamente dispersas no domingo, 28 de fevereiro, pelas forças de segurança. Seis manifestantes foram mortos, a repressão mais mortal desde o golpe, disseram a jornalistas equipes de resgate e um ex-parlamentar. (Le Monde, França) | bit.ly/3dUESJ9

CHINA/Orçamento militar da China avança em 2021. O orçamento de defesa da China continuará a aumentar em 2021, apoiado pela retomada econômica e forte base fiscal: especialistas. Com a economia chinesa, tendo assumido a liderança global em emergir das consequências do Covid-19, no caminho para uma recuperação robusta este ano, a normalização do orçamento do déficit do governo está no devido tempo, acreditam os especialistas, citando encargos muito menores dos pandemia de recursos do governo. (Global Times, China) | bit.ly/3sxp0Ao

3. ARTIGOS/ENTREVISTAS/REPORTAGENS

José Antonio Ocampo, Joseph Stiglitz e Jayati Ghosh – Globalismo (Common Dreams, EUA) | “'Imposto Mínimo Global sobre Multinacionais': Uma Carta Aberta a Joe Biden sobre Tributação Corporativa Internacional” | bit.ly/3q6LKW5

Eric Nepomuceno – Brasil (Página 12, Argentina) | “O drama do Brasil de Bolsonaro” | bit.ly/3sAlmpr

Naiara Galarraga Gortázar, reportagem - Brasil (El País, Espanha) | “Prisões brasileiras sem guardas ou armas vistas de dentro” | bit.ly/3sxp1UY

Roger Harris – EUA (Counterpunch, EUA) | “Política externa de Joe Biden nos EUA: Retorno ao Velho Normal?” | bit.ly/3sB1zpP

Trita Parsi – EUA (The Guardian, Inglaterra) | “Biden disse 'A diplomacia está de volta!' Então ele começou a jogar bombas” | bit.ly/3r3t8rw

Alba Vastano – Capitalismo (Sinistra in Rete, Itália) | “'Capital desumano'. Retrato de um tecnocrata, do jocoso ao sério” | bit.ly/2MBK5dI

Daniele Burgio, Massimo Leoni e Roberto Sidoli – China (Sinistra in Rete, Itália) | “China contemporânea, principal herdeira do Outubro Vermelho e do bolchevismo. Para o 100º aniversário do Partido Comunista Chinês” | bit.ly/37TlMPI

Robert Reich – EUA (The Guardian, Inglaterra) | “Trump capturou o Partido Republicano – e isso é ótima notícia para Biden” | bit.ly/37VDQc6

Andrés Asiain – Argentina (Página 12, Argentina) | “A necessária intervenção do Estado para equilibrar parcialmente as desigualdades criadas pelo mercado” | bit.ly/3q35g6b

Garcia Linera, entrevista – Bolívia (Página 12, Argentina) | “Estamos na segunda onda progressista” | bit.ly/3014Lia


 

Fonte - https://www.cartamaior.com.br/?/Editoria/Clipping-Internacional/Clipping-Internacional-28-02-2021/44/50011 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

INTERNACIONAL - Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 25/02/21 - Uma pesquisa realizada nos EUA com 2596 cidadãos, pelo Pew Research Center, entre 1º e 7 de fevereiro, e comentada em artigo de Rafael Balago na FSP, mostra que 75% dos americanos esperam que a política externa de Biden seja capaz de promover a proteção dos empregos nacionais. Junto com emprego, as maiores preocupações dos americanos em relação à política externa são o terrorismo e as doenças contagiosas, ambos preocupam 71% dos americanos. O controle da proliferação de armas de destruição em massa foi citado por 64%. A pesquisa fez ainda uma estratificação entre as pessoas que se identificam com republicanos ou democratas. Aqueles que se identificam como republicanos se preocupam mais com a proteção ao emprego (85%) e terrorismo (81%). Já os que se identificam como democratas se preocupam mais com controle de doenças contagiosas (80%) e mudanças climáticas (70%). Mais infos: https://tinyurl.com/8cbxn3sj - Ainda sobre o artigo de Balago na FSP, ele nos lembra que, sob Trump, o desemprego nos EUA chegou a ficar em 3,5% antes da pandemia. Menor índice em meio século. Depois da pandemia, no entanto, foi para 14,7%, maior índice desde a grande depressão causada pela crise de 1929. Em janeiro deste ano (2021) o índice ficou em 6,3%, ou seja, 10,1 milhões de norte-americanos em busca de trabalho. - Os EUA querem voltar pra valer para o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Segundo o chefe do departamento de Estado, Antony Blinken, os americanos vão abandonar a política da “cadeira vazia” de Trump. Eles vão concorrer a um assento para o mandato de 2022-2024. Trump havia abandonado o conselho em 2018. Em seu discurso, no entanto, Blinken não deixou de dar uma alfinetada no CDH dizendo que o órgão dá uma “atenção desproporcional a Israel”. Criticou ainda a Rússia pelo tratamento dado aos opositores de Putin, com citação nominal a Navalny e a China por “atrocidades” cometidas em Xinjiang e Hong Kong. O CDH tem 47 membros plenos, eleitos pela maioria dos Estados da AGNU (assembleia geral da ONU) para um mandato de três anos. Os demais países não eleitos ficam como observadores. Hoje os EUA têm status de observadores nesta 46ª sessão do CDH que começou segunda (22). - Por falar na 46ª sessão do CDH, o Brasil participa através do ministro Ernesto Araújo e da ministra Damares Alves. A ministra falou do projeto “Abrace o Marajó” que deverá cuidar da Amazônia e da população que vive no bioma amazônico. Ela também pintou um quadro de ficção sobre o enfrentamento do governo brasileiro à pandemia. Segundo ela, “o governo brasileiro apresentou planos de contingência, estruturados nos eixo saúde, proteção social e proteção econômica” e que o governo garantiu a vacinação de profissionais de saúde, idosos e povos indígenas. A fala de Araújo tentou ser protocolar: “trabalharmos para uma ordem internacional que honre os padrões estabelecidos na Declaração Universal...”, mas na prática foi absurda, com sua bandeira da Ordem de Cristo ao fundo, disse que as populações estão sacrificando suas liberdades em troca de saúde. Em sua coluna, Jamil Chade, comenta que cerca de 60 organizações brasileiras fizeram uma carta afirmando que a fala do governo brasileiro no CDH não representa a realidade, pois a verdade é que o próprio governo patrocina graves e persistentes violações dos direitos humanos na condução das políticas frente à pandemia no país. Coluna de J. Chade: shorturl.at/yKR23 - O governo da Venezuela declarou Isabel Brilhante, Embaixadora da União Europeia no país, persona non grata. Deu 72 horas para que ela deixe o país. A decisão veio após o bloco apresentar novas sanções contra 19 funcionários, incluindo Indira Alfonzo, presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e Remigio Ceballos, militar de alta patente. As sanções incluem a proibição de viagens para os países do bloco e o congelamento de bens. - Em Israel, um estudo realizado com 1,2 milhão de pessoas confirma que a vacinação massiva tem potencial de deter a pandemia. Os israelenses estão usando a vacina Pfizer/Biontech. Este é o primeiro grande estudo em condições de vacinação em massa com a vacina Pfizer e foi publicado ontem (24) na New England Journal of Medicine. O uso das duas doses do imunizante reduziu os casos sintomáticos de covid-19 em 94% em todas as faixas etárias. A vacinação começou em Israel em 19 de dezembro e até hoje, dos mais de 9 milhões de habitantes, metade já recebeu a primeira dose e um terço as duas doses. Transformando o país em um laboratório de estudo do “mundo real”. Mais infos: https://tinyurl.com/2cxyxz2b - Mas por falar em Israel e vacina, circulam informações de que procurado por vários países para obtenção de vacinas, o premiê Benjamin Netanyahu estaria condicionando doações ao reconhecimento de Jerusalém como capital do país. A denúncia foi feita pelo jornalista Sami Boukhelifa, correspondente da Rádio França Internacional (RFI) em Israel. - Quando olhamos para o mapa de evolução da vacinação pelo mundo, a situação dos países da União Europeia chama atenção. Na média dos países, apenas 6% da população foi vacinada com a primeira dose dos imunizantes. Resultado bastante distante do Reino Unido, por exemplo. A pressão está tão forte que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que representa os 27 países membros, foi obrigada a admitir falhas em recente entrevista. Segundo ela: “demoramos para autorizar, fomos muito otimistas quanto à capacidade de produção e talvez muito confiantes de que o que pedimos seria realmente entregue”. Os três fabricantes contratados fizeram cortes nas quantidades vendidas: Pfizer, Astrazeneca e Moderna. Boatos sobre a ineficácia das vacinas e exigências para a população, como na França em que se requer consulta médica para tomar a vacina, também tem colaborado pela estagnação do processo. Mais infos: shorturl.at/loxAL - Já na América Latina, o Chile lidera a corrida da vacinação com 14% da população já vacinada. O país foi o primeiro a iniciar a vacinação na região e em 21 dias mais de 3 milhões de pessoas já haviam recebido pelo menos a primeira dose, segundo o Our World in Data. O país possui 19 milhões de habitantes e pretende ter 5 milhões de vacinados até o fim de março e 15 milhões até o fim de julho. Eles estão usando as vacinas da Sinovac, Astrazeneca, Pfizer e Johnson & Johnson. Você pode acessar o mapa de vacinação no site do Opera Mundi: shorturl.at/nsGZ0 - O primeiro país a receber um lote de vacinas do fundo Covax será Gana, localizado na África Ocidental. O país deve receber 600 mil doses da vacina AstraZeneca, fabricada pelo Instituto Serum, da Índia. O mesmo instituto vai fabricar o primeiro bilhão de doses do fundo. Foi o primeiro passo daquele que pode ser o maior empreendimento de fornecimento e distribuição de vacinas da história do planeta. Só em 2021, cerca de 2 bilhões de vacinas podem ser distribuídas. A OMS tem sistematicamente denunciando que países ricos estão minando o sistema Covax ao abordarem diretamente os fabricantes para obterem mais doses. - Uma situação que não comentei por aqui, mas está se desenrolando desde o final de semana passado é o da desestabilização política na Armênia. Poucos meses após o conflito com Azerbaijão pelo território de Nagorno-Karabakh, que comentei bastante aqui nas Notas, Forças Armadas e governo armênio estão em confronto. O comando do Estado-Maior pediu a renúncia do premiê Nikol Pashinyan alegando “incapacidade de tomar decisões adequadas”. O premiê está denunciando tentativa de golpe, destituiu o chefe do Estado-Maior e está convocando a população para protestar nas ruas. Pashinyan sofre pressão desde o confronto com o Azerbaijão, com mediação de um cessar-fogo pela Rússia, em que aceitou a conquista de áreas de Nagorno-Karabakh por azeris, além da retirada de tropas armênias da região. O cessar-fogo é visto pelos militares como humilhação nacional.






Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 25/02/21
 
- Uma pesquisa realizada nos EUA com 2596 cidadãos, pelo Pew Research Center, entre 1º e 7 de fevereiro, e comentada em artigo de Rafael Balago na FSP, mostra que 75% dos americanos esperam que a política externa de Biden seja capaz de promover a proteção dos empregos nacionais. Junto com emprego, as maiores preocupações dos americanos em relação à política externa são o terrorismo e as doenças contagiosas, ambos preocupam 71% dos americanos. O controle da proliferação de armas de destruição em massa foi citado por 64%. A pesquisa fez ainda uma estratificação entre as pessoas que se identificam com republicanos ou democratas. Aqueles que se identificam como republicanos se preocupam mais com a proteção ao emprego (85%) e terrorismo (81%). Já os que se identificam como democratas se preocupam mais com controle de doenças contagiosas (80%) e mudanças climáticas (70%). Mais infos: https://tinyurl.com/8cbxn3sj
 
- Ainda sobre o artigo de Balago na FSP, ele nos lembra que, sob Trump, o desemprego nos EUA chegou a ficar em 3,5% antes da pandemia. Menor índice em meio século. Depois da pandemia, no entanto, foi para 14,7%, maior índice desde a grande depressão causada pela crise de 1929. Em janeiro deste ano (2021) o índice ficou em 6,3%, ou seja, 10,1 milhões de norte-americanos em busca de trabalho.
 
- Os EUA querem voltar pra valer para o Conselho de Direitos Humanos da ONU. Segundo o chefe do departamento de Estado, Antony Blinken, os americanos vão abandonar a política da “cadeira vazia” de Trump. Eles vão concorrer a um assento para o mandato de 2022-2024. Trump havia abandonado o conselho em 2018. Em seu discurso, no entanto, Blinken não deixou de dar uma alfinetada no CDH dizendo que o órgão dá uma “atenção desproporcional a Israel”. Criticou ainda a Rússia pelo tratamento dado aos opositores de Putin, com citação nominal a Navalny e a China por “atrocidades” cometidas em Xinjiang e Hong Kong. O CDH tem 47 membros plenos, eleitos pela maioria dos Estados da AGNU (assembleia geral da ONU) para um mandato de três anos. Os demais países não eleitos ficam como observadores. Hoje os EUA têm status de observadores nesta 46ª sessão do CDH que começou segunda (22).
 
- Por falar na 46ª sessão do CDH, o Brasil participa através do ministro Ernesto Araújo e da ministra Damares Alves. A ministra falou do projeto “Abrace o Marajó” que deverá cuidar da Amazônia e da população que vive no bioma amazônico. Ela também pintou um quadro de ficção sobre o enfrentamento do governo brasileiro à pandemia. Segundo ela, “o governo brasileiro apresentou planos de contingência, estruturados nos eixo saúde, proteção social e proteção econômica” e que o governo garantiu a vacinação de profissionais de saúde, idosos e povos indígenas.  A fala de Araújo tentou ser protocolar: “trabalharmos para uma ordem internacional que honre os padrões estabelecidos na Declaração Universal...”, mas na prática foi absurda, com sua bandeira da Ordem de Cristo ao fundo, disse que as populações estão sacrificando suas liberdades em troca de saúde. Em sua coluna, Jamil Chade, comenta que cerca de 60 organizações brasileiras fizeram uma carta afirmando que a fala do governo brasileiro no CDH não representa a realidade, pois a verdade é que o próprio governo patrocina graves e persistentes violações dos direitos humanos na condução das políticas frente à pandemia no país. Coluna de J. Chade: shorturl.at/yKR23
 
- O governo da Venezuela declarou Isabel Brilhante, Embaixadora da União Europeia no país, persona non grata. Deu 72 horas para que ela deixe o país. A decisão veio após o bloco apresentar novas sanções contra 19 funcionários, incluindo Indira Alfonzo, presidente do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) e Remigio Ceballos, militar de alta patente. As sanções incluem a proibição de viagens para os países do bloco e o congelamento de bens. 
 
- Em Israel, um estudo realizado com 1,2 milhão de pessoas confirma que a vacinação massiva tem potencial de deter a pandemia. Os israelenses estão usando a vacina Pfizer/Biontech. Este é o primeiro grande estudo em condições de vacinação em massa com a vacina Pfizer e foi publicado ontem (24) na New England Journal of Medicine. O uso das duas doses do imunizante reduziu os casos sintomáticos de covid-19 em 94% em todas as faixas etárias. A vacinação começou em Israel em 19 de dezembro e até hoje, dos mais de 9 milhões de habitantes, metade já recebeu a primeira dose e um terço as duas doses. Transformando o país em um laboratório de estudo do “mundo real”. Mais infos: https://tinyurl.com/2cxyxz2b
 
- Mas por falar em Israel e vacina, circulam informações de que procurado por vários países para obtenção de vacinas, o premiê Benjamin Netanyahu estaria condicionando doações ao reconhecimento de Jerusalém como capital do país. A denúncia foi feita pelo jornalista Sami Boukhelifa, correspondente da Rádio França Internacional (RFI) em Israel.
 
- Quando olhamos para o mapa de evolução da vacinação pelo mundo, a situação dos países da União Europeia chama atenção. Na média dos países, apenas 6% da população foi vacinada com a primeira dose dos imunizantes. Resultado bastante distante do Reino Unido, por exemplo. A pressão está tão forte que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que representa os 27 países membros, foi obrigada a admitir falhas em recente entrevista. Segundo ela: “demoramos para autorizar, fomos muito otimistas quanto à capacidade de produção e talvez muito confiantes de que o que pedimos seria realmente entregue”. Os três fabricantes contratados fizeram cortes nas quantidades vendidas: Pfizer, Astrazeneca e Moderna. Boatos sobre a ineficácia das vacinas e exigências para a população, como na França em que se requer consulta médica para tomar a vacina, também tem colaborado pela estagnação do processo. Mais infos: shorturl.at/loxAL
 
- Já na América Latina, o Chile lidera a corrida da vacinação com 14% da população já vacinada. O país foi o primeiro a iniciar a vacinação na região e em 21 dias mais de 3 milhões de pessoas já haviam recebido pelo menos a primeira dose, segundo o Our World in Data. O país possui 19 milhões de habitantes e pretende ter 5 milhões de vacinados até o fim de março e 15 milhões até o fim de julho. Eles estão usando as vacinas da Sinovac, Astrazeneca, Pfizer e Johnson & Johnson. Você pode acessar o mapa de vacinação no site do Opera Mundi: shorturl.at/nsGZ0
 
- O primeiro país a receber um lote de vacinas do fundo Covax será Gana, localizado na África Ocidental. O país deve receber 600 mil doses da vacina AstraZeneca, fabricada pelo Instituto Serum, da Índia. O mesmo instituto vai fabricar o primeiro bilhão de doses do fundo. Foi o primeiro passo daquele que pode ser o maior empreendimento de fornecimento e distribuição de vacinas da história do planeta. Só em 2021, cerca de 2 bilhões de vacinas podem ser distribuídas. A OMS tem sistematicamente denunciando que países ricos estão minando o sistema Covax ao abordarem diretamente os fabricantes para obterem mais doses.
 
- Uma situação que não comentei por aqui, mas está se desenrolando desde o final de semana passado é o da desestabilização política na Armênia. Poucos meses após o conflito com Azerbaijão pelo território de Nagorno-Karabakh, que comentei bastante aqui nas Notas, Forças Armadas e governo armênio estão em confronto. O comando do Estado-Maior pediu a renúncia do premiê Nikol Pashinyan alegando “incapacidade de tomar decisões adequadas”. O premiê está denunciando tentativa de golpe, destituiu o chefe do Estado-Maior e está convocando a população para protestar nas ruas. Pashinyan sofre pressão desde o confronto com o Azerbaijão, com mediação de um cessar-fogo pela Rússia, em que aceitou a conquista de áreas de Nagorno-Karabakh por azeris, além da retirada de tropas armênias da região. O cessar-fogo é visto pelos militares como humilhação nacional.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 22/02/21






Notas Internacionais (por Ana Prestes) – 22/02/21

 

- O final de semana foi agitado na Argentina com a demissão do Ministro da Saúde, Ginés González García, na sexta (19), a pedido do presidente Alberto Fernández, após ter sido descoberto um esquema de desvio de vacinas contra Covid19. O jornal Página 12 trouxe as seguintes aspas de Fernández: “Ginés foi um grande ministro. E, além disso, o adoro. Mas o que ele fez é imperdoável. (...) Eu não tolero coisas assim. Não faço coisas assim. Dirijo meu próprio carro. Quando eu não era funcionário público e me ofereceram para ir à sala VIP sem fila, eu recusei. Como presidente não posso consentir que esses privilégios sejam concedidos”. Pessoas que não faziam parte dos grupos prioritários que estão sendo vacinados, profissionais de saúde e maiores de 70, e que têm relações próximas ao Ministro foram vacinadas. No sábado assumiu o ministério, como substituta, a médica Carla Vizzotti que já trabalhava na pasta na secretaria de acesso à Saúde. Ela foi uma das principais articuladoras para trazer a vacina russa Sputnik V para a Argentina. A imprensa argentina está chamando o caso de “Vacinação VIP”. As pessoas teriam sido vacinadas na própria sede do ministério. 

 

- Por falar em vacina russa, a Rússia acaba de registrar sua terceira vacina contra a Covid19. Foi o anúncio do primeiro-ministro Mikhail Mishustin no sábado (20). Segundo ele, as doses da terceira vacina já estarão disponíveis em março, embora os testes de fase 3 ainda não tenham sido realizados. A notícia foi muito comemorada pelo governo russo, pois a Rússia é hoje o único país que possui três vacinas praticamente prontas. O nome da nova vacina será Kovivak. As outras duas são a Sputnik V e a EpiVacCorona. A diferença da última vacina anunciada é que ela usa a tecnologia tradicional do vírus inativado (partes do próprio vírus Sars-CoV-2 morto), enquanto as outras usam vetores de adenovírus (vetor viral não-replicante de adenovírus de chimpanzé com gene do Sars-CoV-2 inserido), mesma tecnologia da vacina da Oxford/AstraZeneca. A vacina russa Sputnik V, que a princípio foi vista com desconfiança pela comunidade internacional, melhorou sua imagem ao ser validada pela revista científica The Lancet e já está sendo aplicada na Argentina, na Bolívia e na Venezuela por aqui na América Latina.

 

- Ainda no tema das vacinas russas, o precioso imunizante está se transformando em instrumento de ação geopolítica não somente na América Latina, mas em cenários mais complexos também. Foi muito comentado no final de semana o vazamento da informação sobre uma cláusula secreta de um acordo envolvendo a Rússia, a Síria e Israel para troca de prisioneiros. Segundo esta cláusula, como parte da troca para trazer de volta seus cidadãos que estão presos na Síria, Israel compraria milhares de doses da Sputnik V e doaria para a Síria.

 

- E por falar em Israel, o país passará por nova eleição daqui justamente um mês, no dia 23 de março. Justamente em um momento em que Netanyahu é réu em três processos na justiça, o Tribunal Penal Internacional tem acolhido denúncias contra seu governo e ele ainda tem recebido forte pressão internacional por não estender seu programa de vacinação para a população palestina na Cisjordânia e Gaza. Esta já é a quarta eleição em apenas dois anos. Os prognósticos eleitorais não são nada animadores, dado que pode haver ainda maior recrudescimento da direita sionista comandada por Netanyahu e que alimenta os colonos fundamentalistas. 

 

- Em seu discurso anual no Conselho de Direitos Humanos da ONU, que realiza sua 46ª reunião, o Secretário Geral da organização, António Guterres, citou apenas um país: Mianmar. O país vive protestos intensos e muita repressão há semanas, já relatados aqui nestas Notas, desde que o exército do país deu um golpe e impediu a posse em 1º de fevereiro do governo liderado pela Sra. Aung San Suu Kyi (agora presa) reeleita em novembro do ano passado. Mesmo os militares dizendo que as pessoas que vão aos protestos se “arriscam a morrer”, as manifestações tem sido gigantescas. Guterres também citou uma outra chaga do país que é a limpeza étnica da população rohingya.

 

- Um comboio das Nações Unidas foi atacado na República Democrática do Congo e matou o Embaixador da Itália no país, Lucca Attanasio. Foi um ataque a tiros em Goma, na face leste do país, próximo à fronteira com a Ruanda. O comboio fazia um monitoramento do Programa Mundial de Alimentos. Além do Embaixador, mais duas pessoas teriam morrido no ataque. A região é área de disputa por controle de riquezas naturais.

 

- O final de semana foi também de intensas manifestações em Barcelona, capital da Catalunha, na Espanha, após a prisão, no decorrer da semana, do rapper Pablo Hasél. Nas ramblas (avenidas para trânsito de pedestres) barricadas foram formadas por manifestantes para se defenderem da polícia. O rapper foi preso e condenado a nove meses de prisão por tweets em que ataca a monarquia e a polícia. O governo espanhol está dividido sobre os protestos, de um lado o PSOE de Pedro Sánchez condena e do outro o Podemos de Pablo Iglésias apoia os manifestantes.

 

- Por falar na Catalunha, a região passou por eleições no último dia 14 de fevereiro. Houve grande abstenção com mais de 50% da população não indo votar. No entanto, dos que foram votar, mais de 50% votou em uma pauta pró-independentista. O Partido Socialista foi o mais votado com 23% dos votos. Em seguida veio a Esquerda Republicana com 21,31% e o Juntos pela Catalunha (de Carles Puigdemont) com 20,04%. Uma surpresa foi o Vox ter alcançado 11 cadeiras no parlamento e a queda do Ciudadanos de 36 cadeiras para 6. O PP também foi mal com 3 cadeiras conquistadas. Apesar da votação do PSOE, as siglas separatistas devem formar governo, a ERC (esquerda republicana) junto com o JxCAT (juntos por Catalunha) e a CUP (unidade popular) somam 74 parlamentares de uma assembleia com 135 assentos. Esses partidos são os mesmos que patrocinaram o plebiscito separatista de 2017 que obteve 98% de votos pela independência da região. Para quem não conhece essa história, o governo não reconheceu o plebiscito e seus principais articuladores foram presos, o presidente regional de então, Puigdemont continua foragido em Bruxelas, na Bélgica.

 

- Vai ocorrer amanhã (23) uma cúpula de líderes mundiais do Conselho de Segurança da ONU para tratar das "implicações da mudança climática para a paz mundial”. A reunião será por videoconferência e foi convocada por Boris Johnson, premiê do Reino Unido, que ocupa a presidência rotativa do Conselho. Estão previstos os discursos de John Kerry, responsável pelo tema no governo Biden, do presidente francês E. Macron, do ministro chinês das relações exteriores Wang Yi e dos primeiros ministros da Irlanda, Vietnam e Noruega, entre outros. A reunião debaterá os aspectos de segurança mundial frente à mudança climática. Há uma polêmica hoje instalada se o tema ambiental deveria ser foco de reuniões do Conselho de Segurança da ONU. 

 

- Finalmente o Conselho Nacional Eleitoral – CNE - do Equador anunciou ontem (21) o resultado oficial das eleições presidenciais de 7 de fevereiro, apontando que Andrés Arauz disputará o segundo turno em 11 de abril com Guilherme Lasso. Arauz teve 32,72% dos votos e Lasso 19,74% segundo o órgão eleitoral. Uma marcha indígena está se dirigindo à capital do país, Quito, para protestar contra o resultado que o candidato Yaku Pérez alega ser fraudulento. 

 

- Outra notícia muito comentada no final de semana foi a chegada do robô Perseverance à superfície de Marte. Trata-se de uma sonda produzida pela NASA e que viajou 480 milhões de quilômetros, ao longo de 8 meses e teve pouso bem sucedido, após ter entrado em Marte a uma velocidade de 20 mil km/h. Uma grande frustração se deu, no entanto, por conta da má qualidade das primeiras imagens enviadas pós-pouso. Mas logo a NASA conseguiu publicar imagens melhores. O objetivo da sonda é identificar sinais de vidas passadas no planeta, como vestígios químicos de vida nas rochas com restos de compostos orgânicos (carbono) ou comunidades microbianas fossilizadas (Infos: G1 Mundo).

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Clipping Internacional Carta Maior - 21/02/2021 - Notícias internacionais sobre o Brasil; Notícias do Mundo; e Artigos Por Carlos Eduardo Silveira

 

Clipping Internacional - 21/02/2021

Notícias internacionais sobre o Brasil; Notícias do Mundo; e Artigos

 
21/02/2021 12:37

Araraquara, no interior de São Paulo, entrou em lockdown após a identificação de casos da cepa brasileira do coronavírus (Dudu Contursi/Estadão Conteúdo)

Créditos da foto: Araraquara, no interior de São Paulo, entrou em lockdown após a identificação de casos da cepa brasileira do coronavírus (Dudu Contursi/Estadão Conteúdo)

 
1. NOTÍCIAS INTERNACIONAIS SOBRE O BRASIL

FORA BOLSONARO/ Caravanas saem às ruas do Brasil para a saída de Bolsonaro. Carreatas voltaram às ruas de várias cidades neste sábado para pedir que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, seja submetido a impeachment para efeito de demissão por sua questionada gestão em face da pandemia da Covid-19. Diversos movimentos, principalmente de esquerda, convocaram protestos neste sábado e domingo em pelo menos 70 cidades do país para exigir a aceleração do processo de vacinação contra o coronavírus, a devolução do auxílio estatal aos mais vulneráveis e, também, a retirada do presidente de extrema direita. Em São Paulo, a cidade mais populosa do Brasil com cerca de 12 milhões de habitantes, as manifestações aconteceram em vários pontos. (El Diário, Espanha; Últimas Notícias, Venezuela; Diario Correo, Peru) | bit.ly/3sjFBrn | bit.ly/3sdPWF5 | bit.ly/3senpPH

PETROBRÁS/Bolsonaro demite presidente e nomeia generalBolsonaro intervém para destituir o chefe da Petrobras e nomeia um general. Presidente populista de direita pretende substituir chefe do produtor de petróleo por general do exército. Na sexta-feira, as ações ordinárias da Petrobras caíram 7,92% e as ações preferenciais caíram 6,63% no fechamento da Bolsa de Valores de São Paulo, após declarações do presidente da extrema direita pela manhã sobre a empresa. A empresa aumentou os preços dos combustíveis em 35% em apenas dois meses. (Le Monde, França; Financial Times, EUA; Jornal de Notícias, Portugal; El Diário, Espanha; El País, Espanha; Jornal de Notícias, Portugal; Deutsche Welle, Alemanha; El País, Uruguai) | bit.ly/3kbf0tO | on.ft.com/3s6BNJU | bit.ly/3bpN9SD | bit.ly/3uj1YPp | bit.ly/3uiYzQu | bit.ly/3bpN9SD | bit.ly/2OUmTYN | bit.ly/2SyOJsO

ARMAS/Novas liberalizações ampliam o descontrole o que beneficia criminososNa véspera do Carnaval, o governo federal publicou quatro decretos que aumentam o acesso a armas e munições no Brasil. Questionados no STF, os decretos se somam a mais de 30 normativas editadas desde o início do governo Bolsonaro que flexibilizam o acesso a armas de fogo e fragilizam seu controle no país. As regras alteram o Estatuto do Desarmamento, em vigor desde 2003, em três eixos: a facilitação do acesso às armas, a liberação de armas com maior poder de fogo e o enfraquecimento do controle. “Hoje o que a gente tem é um descontrole absoluto das armas de fogo em circulação e isso coloca a sociedade em risco”, avalia Melina Risso, diretora de projetos do Instituto Igarapé. (RFI, França) | bit.ly/2MbGpPF | bit.ly/3s9SFzy

BOLSONARISTA/Câmara dos deputados aprova prisão de deputado bolsonaristaA Câmara dos Deputados aprovou a prisão de deputado que insultou altos magistrados. Ele foi preso na terça-feira após divulgar um vídeo em suas redes sociais no qual insulta com palavras pesadas e de baixo calão ameaçando vários magistrados do STF. Por 364 votos a favor do presídio, 130 contra e três abstenções, a Câmara endossou a continuidade da prisão do deputado, advogado e ex-policial militarizado que faz parte da base aliada do presidente Jair Bolsonaro e já havia sido investigado para outras acusações. (El Diário, Espanha) | bit.ly/3ujW94o

GOVERNO BOLSONARO/Governo de Bolsonaro decreta morte de parte da Amazônia. Ao autorizar a empresa controlada pela Eletrobrás a secar a Vuelta Grande del Xingú, o órgão ambiental brasileiro mudou de lado e assinou a licença para cometer um ecocídio na maior floresta tropical do mundo. A Amazônia é hoje o principal motivo pelo qual o Brasil mantém certa relevância internacional. Os principais acordos internacionais, como o Mercosul com a União Europeia, o maior de todos, dependem da conservação da maior floresta tropical do planeta, o maior sumidouro de carbono terrestre do mundo. A autorização e aceitação de produtos brasileiros nos mercados europeus e nos Estados Unidos de Joe Biden dependem cada vez mais da sobrevivência da floresta. (El País, Espanha) | bit.ly/3aEuwuK

COVID-19/ Brasil ultrapassa as 245 mil mortes de covid-19. O Brasil está a ser fortemente afetado por uma segunda vaga da doença e viu a sua campanha de vacinação, que começou há um mês, paralisada em várias cidades devido à falta de vacinas. O Brasil ultrapassou as 245 mil mortes associadas à Covid-19, enquanto o número de casos confirmados de infeção com o vírus SARS-CoV-2 ultrapassa já os 10,1 milhões, informou o Ministério brasileiro da Saúde. Nas últimas 24 horas, o país sul-americano registou 1.212 mortes associadas à covid-19, elevando o número total de mortes para 245.977, de acordo com os últimos dados oficiais divulgados. (Jornal de Notícias, Portugal; Xihuanet, China) | bit.ly/3k8VFJo bit.ly/3pFGAjQ

2. NOTÍCIAS DO MUNDO

AMAZON/ Trabalhadores da Amazon lutam pelo seu primeiro sindicato nos EUAUma das principais empresas de tecnologia do mundo tem motivos para se preocupar. Pelo menos 5.800 trabalhadores em um centro de distribuição da Amazon começaram a votar esta semana para decidir se querem entrar no Sindicato de Varejo, Atacado e Lojas de Departamento. Começou a votação pelo correio de 5.800 funcionários de armazém no Alabama. O gigante do comércio eletrônico é o segundo maior empregador dos Estados Unidos. A empresa fundada por Jeff Bezos está pressionando agressivamente seus funcionários a rejeitar a iniciativa coletiva. “Eles recebem várias mensagens de texto em seus telefones todos os dias. Eles são bombardeados com proclamações antissindicais dentro das instalações, até com cartazes nos banheiros”. (Página 12, Argentina) | bit.ly/3saSZ0T

EUA /Desastre do Texas revela a fraqueza dos EUA em face da mudança climática. No Texas a incomum tempestade de inverno que atingiu o sul do estado nesta semana fez com que várias cidades batessem seu recorde de temperatura mínima e em Houston - a cidade mais populosa do estado e a quarta do país - a sensação térmica chegou a -20 graus. A maior nevasca registrada no sul do estado causa cortes de energia por mais de três dias e as autoridades pedem que metade da população ferva água depois que centenas de canos quebraram. Nas terras do maior produtor americano de gás natural, petróleo e energia eólica, mais de quatro milhões de residentes sofreram cortes de energia por 72 horas e dezenas de milhares ainda permanecem no escuro. O colapso da rede elétrica gerou um debate sobre o estado da infraestrutura e entre ambientalistas e céticos das mudanças climáticas sobre as energias renováveis. (El País, Espanha) | bit.ly/3duOhXH

EL SALVADOR/Tensão política e intolerância social nas eleições de 28/02Em meio a um cenário de tensão política e intolerância social, El Salvador aproxima-se das eleições legislativas e municipais de domingo, 28. Dois simpatizantes da Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional foram assassinados após participarem de um ato dessa organização política de esquerda. Enquanto as investigações estão em andamento, elas têm como alvo um crime político, alimentado por mensagens de ódio promovidas por altos funcionários do país, incluindo o presidente Nayib Bukele, que chegou a afirmar que foi um auto-ataque. O que está acontecendo em El Salvador? (La Diária, Uruguai) | bit.ly/2MaAHgN

FACEBOOK-AUSTRÁLIA/ Remuneração da mídia: Facebook se envolve em impasse com a Austrália. Opondo-se a uma lei em debate no Parlamento de Canberra que visa pagar aos editores quando o seu conteúdo é retomado, o Facebook baniu todos os artigos de imprensa de sua plataforma local. Este é, sem dúvida, um conflito de um novo tipo que marcará para sempre as relações internacionais: coloca um dos famosos Gafams (Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft) contra um Estado soberano. Facebook, já que é ele, decidiu banir todos os artigos de notícias de sua versão australiana. Os usuários australianos da Internet não terão acesso a documentos, sejam locais ou internacionais. Essa retaliação da gigante de Cupertino ocorre no momento em que o Parlamento australiano está estudando um projeto de lei para forçar as plataformas digitais a firmarem acordos de licenciamento com grupos de mídia na ilha. (L’Humanité, França) | bit.ly/37A34fV

PANDEMIA E VACINAÇÃO/Atrasos na vacinação favorecem formação de novas cepas. Os atrasos na vacinação da Covid-19 podem levar a mais variantes do vírus e impedir os esforços para acabar com a pandemia. Os cientistas afirmam que as altas taxas de disseminação viral em uma população parcialmente imunizada podem estimular mutações que tornam o vírus mais difícil de conter. E que o mundo atingiu um ponto precário na pandemia de Covid-19, onde as condições estão maduras para o surgimento de mais novas variantes do coronavírus que podem complicar os esforços para controlar a doença. (The Wall Street Journal, EUA) | on.wsj.com/3aGMxZI

EQUADOR/O banqueiro Lasso disputará o segunto turno contra o correísta ArauzNo primeiro turno, o jovem economista Andres Arauz, 36, liderou o primeiro turno com 32,72% dos votos, contra 19,74% do ex-banqueiro de direita Guillermo Lasso, de 65 anos, e 19,39% do líder indígena de esquerda Yaku Perez.O conservador Guillermo Lasso vai disputar, no dia 11 de abril, o segundo turno das eleições presidenciais contra o economista Andrés Arauz, aliado do ex-presidente socialista Rafael Correa. Inconformado, o Líder indígena Yaku Perez denuncia fraude. (Le Monde, França) | bit.ly/2OZQeBh

MIANMAR/ Protestos continuam em Mianmar, Facebook fecha página do exército. O banimento da rede social veio enquanto a internet ficou bloqueada por uma semana no país em revolta. Dois manifestantes antigolpe em Mandalay foram mortos ontem. O Facebook fechou a página do exército birmanês (conhecida como Tatmadaw) por violar as regras da plataforma, que proíbem o incitamento à violência. Enquanto isso, é revelado que a polícia prendeu um ator famoso, Lu Min, por seu apoio aos protestos. O ator, que já atuou em inúmeros filmes e ganhou diversos prêmios em casa, já havia participado de alguns eventos. (La Stampa, Itália) | bit.ly/3dxTpKB

CHINA/Biden busca alianças no G7 contra a China. O presidente dos EUA, Joe Biden, previsivelmente, usou suas primeiras aparições multilaterais desde que assumiu o cargo para reunir o apoio dos aliados para enfrentar a China, mas enfrentou um muro, já que a cooperação com a China é inevitável para a Europa enfrentar a pandemia COVID-19 e outros desafios e usando "ideologia" unir a aliança é perder sua atração. Em um discurso na cúpula virtual do G7, Biden enfatizou a necessidade dos EUA e seus aliados lidarem coletivamente com as ameaças econômicas apresentadas pela China. (Global Times, China) | bit.ly/3scgtTg

3. ARTIGOS/ENTREVISTAS/REPORTAGENS

Thiago Amparo – Brasil (Americas Quaterly, EUA) | “A política autodestrutiva por trás da agenda pró-armas de Bolsonaro” | bit.ly/2NoWQbK

Eric Nepomuceno – Brasil (Página 12, Argentina) | “Dias confusos em um Brasil caótico” | bit.ly/3bs0ZDL

Francisco Louçã – Vacina (Esquerda.net, Portugal) | “O mercado é incompetente para vacinar o mundo” | bit.ly/3umLWnQ

Rebeca Grynspan Mayufis – Vacina (El País, Espanha) | “Vacinas, um bem público global. Se não agirmos com pressa, superando o nacionalismo e o desejo de lucro, o drama econômico e de saúde crescerá.” | bit.ly/3uiYsV4

Andrés Arauzentrevista– Equador (Jacobin, EUA) | “Os planos de Andrés Arauz para vencer as eleições, reconstruir o partido, e aprofundar a revolução cidadã.” | bit.ly/2NMM9zw

John Naughton – Big Techs (The Guardian, Inglaterra) | “A Austrália mostra o caminho. É função dos governos, não das empresas de ‘big tech’ administrar as democracias” | bit.ly/3pyZtVC

Marina Hyde – Facebook (The Guardian, Inglaterra) | “A pergunta que todo político deveria fazer é: o que Mark Zuckerberg quer conosco?” | bit.ly/2MeQHhY

Carlos de Castilho – Facebook/Austrália (El Diário, Espanha) | “A experiência do que acontece se um país e um gigante da tecnologia colidem: o confronto entre Facebook e Austrália” | bit.ly/3qSyfKQ

Baltazar Garzón – Extrema Direita (Telesur, Venezuela) | “A herança maldita de Trump: avanço da extrema direita / fascista na nova ordem mundial do capitalismo selvagem?”. | bit.ly/3ulfiTu

Paul Street – Capitalismo (Counterpunch, eUA) | “Tempos ‘interessantes’: o capitalismo mata tudo” | bit.ly/3bv0KYC

Fosco Giannini –Itália (Sinistra in Rete, Itália) | “Contra o governo Draghi” | bit.ly/3pFpen6