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domingo, 21 de agosto de 2022

LFS INTERNACIONAL -- Repercutimos para você o Informativo Vozes Chinesas|No.57 | 21.08.2022 -- créditos Coletivo Dongsheng

LFS INTERNACIONAL  --  

Repercutimos para você o Informativo Vozes Chinesas|No.57 | 21.08.2022  --  créditos Coletivo Dongsheng 



No.57 | 21.08.2022
Trabalhadores da construção civil em Shenzhen, província de Guangdong [Xinhua]
Estatais vêm garantindo a entrega de edifícios residenciais em Shenzhen
Shēn Wǎn Yī Bīng (深晚一兵)
Shen Wan Yi Bing é especialista em pesquisas de relações urbanas e investimentos imobiliários na área da Baía Guangdong–Hong Kong–Macau.

Contexto:

Um dos resultados da reunião de 28 de julho de 2022 do Bureau Político do Comitê Central do PCCh foi o de determinar a estabilização do mercado imobiliário sob o princípio de que "as casas são para viver, não para especular". Uma série de políticas será implementada de acordo com cada situação local para satisfazer as necessidades razoáveis de moradia das pessoas. Os governos locais são responsáveis por garantir a entrega de edifícios residenciais prontos para serem ocupados. Espera-se que o mercado imobiliário entre num ciclo de desenvolvimento mais saudável no segundo semestre deste ano, com a ajuda de ativos estatais.

Pontos-chave:

Em Shenzhen, as empresas estatais estão envolvidas em vários projetos imobiliários que estão à beira do colapso financeiro.

  • Em 30 de maio, a Peninsula Estate declarou que lhe faltavam os fundos para entregar um projeto de construção residencial. Todos os seus funcionários foram dispensados por seis meses. A partir de abril, a Nanhai Corporation Limited, a companhia que controla a Peninsula Estate, teve suas negociações na Bolsa de Valores de Hong Kong suspensas. Em 1º de agosto, a China Merchants Real Estate (uma das quatro principais estatais do mercado imobiliário) e a Peninsula Estate assinaram um "Acordo de Cooperação Estratégica sobre o Projeto Fase V da Península" para ampliar a cooperação na liquidação de passivos e aquisição de ações. Foi um passo chave para ajudar a Nanhai a superar a maré desfavorável.
  • A KAISA, outra empresa imobiliária privada, se viu envolvida em atraso nos pagamentos e má administração financeira, o que a forçou a encerrar um projeto do Fengming Water Bank no distrito de Baoan. A estatal Sinochem Capital forneceu apoio financeiro para que a KAISA retomasse as operações. A China International Trust Investment Corporation (CITIC) foi uma das principais credoras da KAISA, fornecendo 30 bilhões de yuans (R$ 22,7 bilhões) em 2016. Atualmente, a CITIC Urban Development & Operation assumiu quatro projetos da KAISA em Shenzhen, com um valor patrimonial de mais de 50 bilhões de yuans (R$ 37,9 bilhões).
  • Afetado por atritos comerciais, o ressurgimento da Covid-19, e a “maior chuva em um século” em Zhengzhou, a China South City tem sido ainda mais afetada em seu desempenho e liquidez. Em 31 de março de 2022, sua dívida total com juros era de 31,26 bilhões de yuans (cerca de R$ 23,7 bilhões), com um índice de 69,4% de dívida em relação ao capital. Em março, a China South City e a estatal UPDIS de Shenzhen SEZ Construction and Development Group lançaram projetos de renovação urbana no valor de 100 bilhões de yuans (R$ 75,8 bilhões).
  • As estatais aliviaram o risco de solvência a curto prazo e a pressão sobre a Peninsula Estate, KAISA, e China Cidade do Sul, desenvolvendo uma cooperação de projetos de maior qualidade e estabilidade econômica.

A Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais (SASAC, na sigla em inglês) do Governo Popular do Município de Shenzhen tem sido ativa em atividades comerciais importantes na China e tem melhorado sua carteira de ativos.

  • Na que foi a maior tentativa hostil de aquisição no mercado de ações do tipo A da China (composto apenas de empresas chinesas sediadas no país), em 2017, a Baoneng, uma empresa privada, tentou obter os direitos de administração da Vanke. Para resgatar a Vanke da especulação da Baoneng, a SASAC comprou 29,38% das ações A da Vanke, tornando-se o maior acionista. Em 2020, a SASAC investiu 25 bilhões de yuans (R$ 18,9 bilhões) na Evergrande através de seu Shenzhen Talents Housing Group, ajudando a Evergrande a superar sua crise de endividamento. A Shenzhen Zhixin New Information Technology, uma subsidiária da Comissão, adquiriu todos os ativos comerciais da marca Huawei's Honor (a marca de smartphones de última geração), protegendo-a de uma aquisição hostil. A SASAC também comprou 23% do Grupo Suning no valor de 14,8 bilhões de yuans (R$ 11,2 bilhões) para aliviar suas dificuldades imediatas de endividamento.
  • A SASAC de Shenzhen possui cerca de 4 trilhões de yuans (R$ 3 trilhões) em ativos. A Comissão e as estatais já se tornaram um fator importante para assegurar a estabilidade do mercado e da sociedade.
O significado da reedição da tese "Tigre de Papel" de Mao
Coleção ampla da história do Partido (党史博采)
Fundada em 1988, a Extensa Coleção da História do Partido é um periódico quinzenal que conta histórias sobre o Partido Comunista da China (PCCh). A cada mês, os dois números são divididos por assuntos: o primeiro número divulga principalmente documentação sobre figuras e assuntos importantes da história do PCCh a partir de uma perspectiva geral, multifocal e ampla. O segundo número é dedicado à pesquisa e estudos teóricos sobre a história do PCCh.

Contexto:

Após o bombardeio de Jinmen em 1958, quase uma década após a fundação da República Popular da China (RPC), Mao Tse Tung reiterou e aprofundou sua famosa tese do "tigre de papel" para uma audiência mais ampla. A tese foi publicada pela primeira vez numa entrevista de 1946, pouco antes das tropas do Kuomintang tomarem Yan'an, que naquela época era a "capital vermelha" do PCCh. Essa tese revigorou muito o espírito de luta da nação chinesa, tanto antes quanto depois da fundação da RPC, e hoje continua inspirando o povo chinês a permanecer confiante em sua luta contra o imperialismo liderado pelos Estados Unidos e a continuar corajosamente o desenvolvimento do socialismo.

Nota do editor:

O Bombardeio de Jinmen foi uma grande operação militar, projetada pelo próprio Mao, para reprimir a conspiração liderada pelos Estados Unidos para a independência de Taiwan em 1958. Essa operação testou a atitude dos Estados Unidos em relação à independência de Taiwan e mostrou que a proteção de Taiwan pelas forças americanas enfrentava limites e restrições reais. Esse ataque militar surpresa foi planejado com muito cuidado e mantido em sigilo com meses de antecedência. No dia do bombardeio, todas as comunicações por cabo na Ilha Jinmen foram interrompidas, e três generais de alta patente do Kuomintang se tornaram vítimas de guerra.

Pontos-chave:

  • Após o bombardeio de Jinmen, os Estados Unidos responderam imediatamente, emitindo uma declaração intimidadora que ameaçava o povo chinês com uma guerra. Mao, no entanto, permaneceu calmo e inabalável. Ele afirmou que o intervencionismo do Ocidente deveria ser detido não só na China, mas também em toda Ásia, África e América Latina. Segundo ele, a China deveria tratar o imperialismo como um tigre de papel, mostrar desprezo por ele estrategicamente, mas lidar com ele seriamente em nível tático.
  • Naquela época, os militares estadunidenses defendiam o uso de armas nucleares contra a China, enquanto seu aliado, a União Soviética, não queria se envolver na questão de Taiwan e hesitava fornecer tecnologia nuclear à China. Mao pediu ao Diário do Povo que publicasse suas declarações intituladas "O imperialismo e todos os reacionários são tigres de papel". O artigo dirigia seu apelo a todos os progressistas, marxistas e revolucionários, tanto na China como no campo socialista, para incutir neles mais confiança e determinação revolucionárias na luta contra o imperialismo. Mao compartilhou sua crença de que "o vento oriental prevaleceu sobre o vento ocidental" dentro da China e em todo o campo socialista internacional. Tratar o imperialismo conduzido pelos Estados Unidos como um tigre de papel constituiria uma condição espiritual indispensável para a vitória dos revolucionários internacionais.
  • A reiteração da tese do "tigre de papel" não só orientou a luta militar, mas também motivou a indústria nacional da China a se esforçar para superar o Reino Unido, já que esse foi um período de desenvolvimento crucial para a China, conhecido como o "Grande salto para frente". Liu Zhijian, então vice-diretor do Departamento de Política Geral do ELP, destacou o significado da "onda de estudo" que se seguiu à publicação do artigo de Mao. Ele testemunhou o fato de que a tese de Mao ajudou a quebrar a superstição e o medo que o povo tinha do imperialismo estadunidense. Zhou Enlai considerou a tese de Mao um documento extremamente importante; ele ordenou que o texto fosse colocado à disposição dos quadros em todos os níveis e do público chinês.

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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2022

Vozes Chinesas|No.33 | 20.02.2022 - créditos Coletivo Dong Sheng

 Vozes Chinesas|No.33 | 20.02.2022 - créditos Coletivo Dong Sheng

No.33 | 20.02.2022
O Presidente argentino Alberto Fernández visita o Museu Memorial do Presidente Mao Zedong em 5 de Fevereiro de 2022. [Casa Rosada]
A Iniciativa do "Belt and Road" no contexto da cooperação sino-latinoamericana: conquistas e desafios
Cao Ting
Cao Ting (曹廷) é pesquisadora associada do Instituto de Estudos Latino-Americanos, Instituto Chinês de Relações Internacionais Modernas

Contexto

Em 6 de fevereiro, a Argentina e a China assinaram uma série de acordos de cooperação, incluindo um memorando de entendimento (MoU, por sua sigla em inglês) para promover conjuntamente a Iniciativa de Cinturão e da Rota (Belt and Road Initiative ou BRI, por sua sigla em inglês). Contra o pano de fundo da deterioração das relações China-EUA e do retorno da Doutrina Monroe, os Estados Unidos aumentaram sua intervenção nos países latino-americanos, e as relações entre a China e alguns destes se estreitaram. O artigo de Cao Ting analisa os resultados da crescente cooperação entre a China e a América Latina através do BRI desde que Xi Jiping assumiu a liderança do país asiático em 2012, e o que tem impulsionado esta tendência.

Pontos-chave

  • Desde 2012, 21 países latino-americanos assinaram memorandos de entendimento com a China sobre a iniciativa BRI.
  • O investimento da China na América Latina tem mudado da dependência dos recursos energéticos para o aumento da cooperação industrial voltada para promover a produção diversificada, expandindo-se para áreas emergentes, como indústria inteligente, energia e comunicações. Desde agosto de 2021, os países da América Latina e Caribe estabeleceram 34.633 empresas na China e investiram US$ 237,05 bilhões no país.
  • A China continua a acelerar a cooperação em infraestrutura nos países da América Latina, especialmente nas áreas de energia, transporte e TI. Por exemplo, a Huawei possui nove centros de dados na região: dois no Brasil, Chile, Peru e México cada um, e um na Argentina. Isto é mais do que qualquer outro fornecedor de nuvens públicas.
  • A cooperação financeira entre a China e a América Latina continua a se aprofundar. A China criou bancos de compensação de RMB na Argentina e no Chile, e sete países, incluindo Brasil, Argentina e Chile aderiram ao Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB, por sua sigla em inglês).
  • Da perspectiva da China, a cooperação entre o país e a América Latina pode ajudar em sua própria transformação econômica e desenvolvimento futuro. Para a América Latina, um dos benefícios é que o BRI aumentou o livre fluxo de bens, capital, serviços e mão-de-obra na região através da construção de infraestrutura, o que acelerou a integração latino-americana.

Resumo

Segundo Cao Ting, a cooperação entre a China e os países latino-americanos também está enfrentando desafios, como a falta de conhecimento do país asiático sobre as condições e sistemas domésticos do continente. As diferenças entre os países latino-americanos e as normas chinesas em matéria de tributação, trabalho, proteção ambiental e normas legais têm criado dificuldades na cooperação. A cooperação entre a China e a América Latina, no entanto, tem uma base sólida e um enorme espaço para o crescimento. A China e os países latino-americanos devem cultivar uma cooperação de alta qualidade; um exemplo disso é a construção de uma "Rota da Seda verde" para criar uma série de projetos de cooperação piloto que promovam o desenvolvimento econômico local, assim como protejam seu meio ambiente e beneficiem a população. Com o objetivo de explorar os motores comuns de crescimento econômico, a cooperação sino-latino-americana poderia ser um bom modelo para fomentar o desenvolvimento sustentável nos países em desenvolvimento.

Como a COVID-19 aumentou a confiança do povo chinês no governo
You Yu
You Yu (游宇) é professor associado da Escola de Assuntos Públicos, Universidade de Xiamen
Ma Deyong
Ma Deyong (马得勇) é professor do Departamento de Ciência Política, Escola de Relações Internacionais, Universidade Renmin da China
Chen Chao
Chen Chao (陈超) é professor associado da Escola de Assuntos Internacionais e Públicos, Universidade Jiaotong de Xangai

Contexto

A COVID-19 converteu-se em um teste decisivo de viabilidade dos governos a partir dos desafios à proteção de seus cidadãos e, portanto, teve implicações sobre o nível de confiança de seu povo em tais instituições. Desde a propagação da pandemia, muitos governos ao redor do mundo mergulharam em uma crise de confiança, e as pessoas saíram às ruas para se opor às políticas governamentais. Na China, ao contrário, após a desconfiança inicial dos cidadãos no governo nos primeiros meses da epidemia, a confiança pública aumentou à medida que o controle de sua propagação se tornou mais eficaz. Com base em dados de três rodadas de "pesquisas de consciência social dos internautas", pré e pós-pandêmicas, You Yu, Ma Dayong e Chen Chao observam os mecanismos por trás da evolução dinâmica da confiança pública no governo chinês durante a crise de COVID-19.

Pontos-chave

  • No início da crise, os governos locais falharam em sua resposta, levando a um declínio significativo no nível de confiança por parte da população.
  • Em comparação com o governo central, os governos locais sofreram uma perda de confiança significativamente maior após o surto.
  • Após melhorias nas medidas de prevenção e controle da pandemia, o nível de confiança dos governos central e local aumentou acentuadamente e até superou os níveis anteriores a seu início.
  • A mudança nos níveis de confiança da população está intimamente relacionada à sua avaliação quanto à resposta do governo à pandemia e à cobertura da mídia; um nível mais baixo de resposta do governo se correlaciona com um nível relativamente mais baixo de confiança do público.
  • Os canais de informação do público também têm um efeito significativo em seu nível de confiança política. Aqueles que acessam informações e seguem noticiários políticos por meio das estações de TV chinesas têm maior confiança no governo em todos os níveis, enquanto aqueles que frequentemente navegam na mídia internacional têm menos confiança no governo.

Resumo

Segundo o artigo, ao contrário da crise da SARS de 2003, o surto da COVID-19 está ocorrendo em um momento em que o rápido desenvolvimento da rede ferroviária de alta velocidade da China aumentou a mobilidade e a migração das pessoas. O uso generalizado da mídia online elevou os níveis de participação do público na produção de notícias, criando novos desafios para responder à opinião pública e gerar confiança entre a população. O governo chinês mostrou que pode superar crises e transformá-las em êxitos, controlando a propagação da pandemia através de medidas eficazes de prevenção e restrição, ao mesmo tempo em que obtém apoio popular.

Como a China pode melhorar seu sistema de distribuição para alcançar a prosperidade comum?
Wang Shaoguang
Wang Shaoguang é Professor Emérito do Departamento de Governo e Administração Pública da Universidade Chinesa de Hong Kong

Contexto:

A China tem se comprometido a alcançar a prosperidade comum até 2050. De acordo com Wang Shaoguang, a concepção de "comum" envolve distribuição e redistribuição, enquanto "prosperidade" abarca produção e reprodução. Portanto, quando falamos de equidade, devemos levar em conta o estágio específico do atual déficit de produtividade, e assegurar um sistema de distribuição eficiente sem comprometer o desenvolvimento dos meios de produção. Wang propõe um conceito de "distribuição pré-primária"(零次分配 líng cì fēnpèi), um tipo histórico de distribuição para reduzir a desigualdade antes da distribuição primária. O artigo é a primeira parte de uma série em duas partes.

Pontos-chave:

  • A sociedade chinesa, de base ética é, de fato, fundada na ideia de "distribuição pré-primária", na qual os membros da comunidade aderem à "doutrina dos recursos comuns"(共财之义 gòng cái zhī yì) para sustentar o padrão de vida de sua comunidade. O distribuidor não é o governo, mas sim os membros da família, irmãos, parentes e amigos.
  • A "distribuição pré-primária" desempenha um grande papel na China. Por exemplo, entre 1996 e 2006, uma onda de desemprego (70 milhões postos extintos), causada pela reforma das empresas estatais, não levou a uma crise social, principalmente porque esses trabalhadores e suas famílias estavam protegidos por um apoio familiar, uma obrigação legal na China.
  • De acordo com Marx, a distribuição primária (初次分配 chūcì fēnpèi) não é regulada apenas pelo mercado, mas está intimamente relacionada com o modo de produção, relações de produção e a propriedade dos meios de produção. Também é influenciada por fatores como grandes eventos históricos, ideologias dominantes e tradições culturais.
  • Após a fundação da Nova China, a reforma agrária e a transformação socialista beneficiaram centenas de milhões de pessoas; o nível de desigualdade na distribuição primária diminuiu dramaticamente, com o coeficiente de Gini caindo de mais de 0,56 em 1949 para cerca de 0,27 antes de 1978. Isso se deve exatamente à distribuição primária.
  • A distribuição secundária (二次分配 èr cì fēnpèi) pode reduzir a disparidade de renda até certo ponto. No entanto, sua eficiência varia entre os países. Ao mesmo tempo, ela não consegue conter a tendência de ampliação do foço salarial.

Resumo

Wang sugere que o governo deva incentivar a "distribuição pré-primária" em várias políticas, tais como as de tributação, habitação e promoção do desenvolvimento de economias rurais coletivas. Comparada à distribuição secundária, a distribuição primária desempenha um papel maior na redução da desigualdade. Sob o sistema socialista com características chinesas, a distribuição primária deve aderir ao princípio do "quanto mais esforço, mais ganho" (多劳多得 duō láo duō dé), concentrando-se em proteger a renda auferida e aumentar a participação do trabalho, especialmente a participação dos trabalhadores da linha de frente na renda nacional.

Até que ponto os jovens chineses estariam dispostos a se filiar ao Partido?
Shi Yiwen
Shi Yiwen (时怡雯) é professora da Universidade de Ciência Política e Direito de Xangai. Ela pesquisa o Serviço Social no contexto da juventude

Contexto

Como a geração mais jovem da China vê o Partido Comunista da China (PCCh) e como sua vontade de ingressar no Partido mudou durante a pandemia? A partir da realização de três pesquisas (em maio e outubro de 2019 e dezembro de 2020) com 4.026 estudantes de graduação em 16 universidades em Xangai, Shi Yiwen analisa o desejo por parte destes de se filiarem ao Partido e o que influenciou tal intenção.

Pontos-chave

  • As pesquisas constataram que a vontade dos universitários de aderir ao PCCh vem aumentado gradualmente desde o 70º aniversário da fundação da República Popular da China (RPC) e seu sucesso na luta contra a pandemia. A proporção daqueles que estão "muito ávidos" para ingressar no Partido aumentou de 19,4% para 30,7%.
  • As universitárias estão mais dispostas a se unir ao Partido do que os universitários; os estudantes nascidos depois de 2000 têm um grau mais elevado de reconhecimento e apoio ao PCCh. Líderes estudantis e estudantes com notas mais altas têm um desejo mais forte de se filiarem.
  • Os estudantes das universidades comuns estão mais dispostos a aderir ao Partido do que os das melhores instituições, assim como os estudantes de formação em Ciências, Agricultura e Medicina, em oposição aos em Humanidades e Ciências Sociais.
  • Os universitários provenientes das zonas rurais têm um desejo mais forte de entrar para o Partido do que os das zonas urbanas. Como o status social e econômico dos estudantes oriundos das áreas rurais é relativamente mais baixo, a afiliação ao Partido, como um importante símbolo de capacidade e status político do indivíduo, é vista como uma vantagem na avaliação do desempenho dos universitários e na busca de emprego.
  • A familiaridade com a história do Partido aumenta a vontade de filiação, pois aumenta a compreensão e a concordância dos universitários com os conceitos fundadores e a governança do Partido, assim como com seu espírito de servir ao povo.

Resumo

Shi Yiwen asisnala que há uma tendência utilitarista na motivação dos estudantes para ingressar no Partido. No entanto, os estudantes, principalmente os nascidos após 2000, mantêm um alto grau de identificação com o PCCh e estão ansiosos para ingressar no partido. Ela acredita que os universitários, como um grupo altamente instruído, farão escolhas racionais sobre a adesão ou não ao Partido. Por meio de cursos de Política na universidade, eles terão uma compreensão mais abrangente do processo e da história do desenvolvimento do PCCh, o que também aumenta sua identificação com o Partido e sua lealdade a ele.

Como a Conferência de Gutian de 1929 influenciou o primeiro salto da sinicização do Marxismo?
Luo Ronghuan
Luo Ronghuan (罗荣桓) é um dos fundadores da República Popular da China e do Exército de Libertação do Povo, sendo um dos Dez Grandes Marechais (十大元帅)da China

Contexto

Durante o período da fundação da Base Revolucionária da Montanha Jinggang (井冈山革命根据地 jǐnggāngshān gémìng gēnjùdì), de 1927 a 1929, os comunistas chineses aplicaram a teoria da construção partidária de Lenin às condições concretas da China, logrando os primeiros avanços na sinicização do Marxismo. Depois da Insurreição de Nanchang (南昌起义 nánchāng qǐyì), em agosto de 1927, e da Revolta da Colheita do Outono (秋收起义 qiūshōu qǐyì), em setembro do mesmo ano, a questão sobre que tipo de exército o Partido Comunista da China queria construir tornou-se cada vez mais proeminente. Em dezembro de 1929, o 9º Congresso do Partido do 4º Exército Vermelho, também conhecido como Conferência de Gutian (古田会议 gǔtián huìyì), foi realizado no município que lhe conferiu o nome, no leste da província de Fujian, visando a criticar as diversas ideologias não proletárias existentes dentro do Partido, reafirmar a orientação democrática do exército e estabelecer a liderança política do Partido sobre o exército. Luo Ronghuan, participante da conferência e ulterior membro do Birô Político do Comitê Central do PCCh, recorda esse processo histórico.

Pontos-chave

  • A caminho da Montanha Jinggang, Mao Zedong realizou a famosa "Reorganização de Sanwan" (三湾改编 sān wān gǎibiān) na aldeia de Sanwan, província de Jiangxi. O objetivo era "construir as unidades do Partido organizadas em base de companhia" (支部建在连上 zhībù jiàn zài lián shàng) para assegurar a liderança absoluta do Partido sobre o Exército Vermelho.
  • A Conferência de Gutian se opôs à ideia de "caudilhismo" (流寇 liúkòu), caracterizada pelo emprego de métodos de combate desorganizados e indisciplinados, bem como por sua objeção à criação de áreas de base sólidas. Mao criticou severamente esse erro e propôs as "três disciplinas principais " (三大纪律 sān dà jìlǜ) e "oito pontos de atenção" (八项注意 bā xiàng zhùyì), que clarificaram a disciplina militar e estabeleceram regras para as relações entre militares e civis.
  • A Conferência de Gutian resolveu o problema dos "caudilhos militares" (军阀主义 jūnfá zhǔyì). Naquela época, os oficiais militares à moda antiga puniam os soldados à vontade e criavam confrontos entre oficiais e soldados. Portanto, Mao propôs que o trabalho político fosse a linha vital do exército do povo, e ele deveria ser reforçado para assegurar que as ações das tropas estivessem em conformidade com as exigências do Partido e agissem de acordo com suas políticas. A relação entre oficiais e soldados foi substancialmente melhorada.
  • A Conferência de Gutian se opôs à visão de que a tarefa do exército era apenas combater em guerras. A educação ideológica proletária e a mobilização de massa são tão importantes quanto as tarefas militares.

Resumo

Em junho de 1929, a oposição ao ponto de vista de Mao Zedong sobre o estabelecimento de áreas de base consolidadas e o controle do Partido sobre o exército obrigaram Mao a sair de sua posição de liderança durante o 7º Congresso do 4º Exército Vermelho, realizado em Longyan, província de Fujian. Apenas depois que o comandante militar Chen Yi trouxe à tona uma carta de orientação do Comitê Central do PCCh em Xangai é que os pontos de vista de Mao foram confirmados, levando, assim, à Conferência de Gutian. As resoluções dessa conferência resumiram o sistema de comitês partidários, liderança coletiva, democratização, unidade entre o exército e o povo, e entre oficiais e soldados – políticas que o Exército de Libertação do Povo continua até os dias de hoje.

(O “Vozes Chinesas” continuará a interpretar o contexto histórico e a lógica de desenvolvimento da sinicização do Marxismo)

Créditos Coletivo Dongsheng

segunda-feira, 3 de janeiro de 2022

Repercutimos a edição n° 27 - de 02/01/2022 do Informativo Vozes Chinesas

 

No.27 | 02.01.2022
Os contêineres que transportam mercadorias para exportação são vistos no Porto de Qingdao, província de Shandong, no leste da China. [VCG]

Querido(a) leitor(a),

Para iniciar o novo ano, o coletivo editorial do Vozes Chinesas traz para você uma retrospectiva de 2021. Durante as nossas 26 edições, publicamos 130 artigos excelentes, originalmente escritos em mandarim. Caso você tenha perdido algum deles, aqui você encontrará seis dos nossos favoritos - uma combinação de insights aprofundados sobre a China, pensamento de autores influentes e análise de tópicos importantes. Um novo ano significa um novo capítulo. Em 2022, nós vamos continuar a compartilhar com você Vozes Chinesas importantes que contribuem para delinear a China atual.

—Dongsheng coletivo editorial

Os EUA estão tentando impedir a ascensão da China. Como a China alcançará sua meta para o “segundo centenário”?
Lin Yifu
Justin Lin Yifu (林毅夫) é diretor do Instituto de Nova Economia Estrutural, diretor do Instituto de Cooperação e Desenvolvimento Sul-Sul e professor e diretor honorário da Escola Nacional de Desenvolvimento da Universidade de Pequim. Ele foi vice-presidente sênior e economista-chefe do Banco Mundial

Em meio ao que o Presidente Xi chama de "mudanças profundas nunca vistas em um século" (百年未有之大变局 bǎinián wèi yǒu zhī dà biànjú), provocadas pela ascensão da China, pelo declínio do Ocidente e pela subsequente tensão entre os EUA e a China, como esta alcançará seu objetivo para o “segundo centenário” de se tornar um "país socialista forte, democrático, civilizado, harmonioso e moderno?" Do ponto de vista econômico, o Professor Lin argumenta que quando o PIB per capita da China atingir a metade do dos Estados Unidos, que entretanto perderá a vantagem tecnológica que usa para manter a China sob constrição, as relações China-EUA caminharão em direção a uma nova fase de aceitação mútua e coexistência pacífica. Por mais de quatro décadas, a China tem usado sua "vantagem de retardatária" - imitando, importando ou integrando tecnologias e indústrias existentes - para alcançar seu rápido crescimento. Atualmente, no contexto da repressão dos EUA contra as empresas tecnológicas chinesas, Lin argumenta que a China pode continuar a melhorar suas capacidades de inovação através da cooperação com países da Europa e Ásia, e pode impulsionar a inovação interna em áreas-chave através de um sistema chinês de abrangência nacional (举国体制 jǔguó tǐzhì). Apesar dos grandes desafios, como o envelhecimento da população, neutralidade de carbono e revitalização rural, a China ainda alcançará uma taxa de crescimento anual de pelo menos 6% até 2035, seguida por uma taxa de crescimento de 4% até 2049, quando atingirá um PIB per capita de metade do tamanho dos EUA e cumprirá sua meta do “segundo centenário”.

O próximo desafio da China: da segurança do alimento em direção à segurança da cadeia de alimentos
Chen Xiwen
Chen Xiwen (陈锡文) é membro do Comitê Permanente do Congresso Nacional do Povo e presidente do Comitê Agrícola e Rural do Congresso Nacional do Povo

A China tem conferido grande importância a garantir a autossuficiência de grãos e a segurança absoluta dos alimentos básicos (口粮绝对安全 kǒuliáng juéduì ānquán). Durante seis anos consecutivos, a produção total anual de grãos da China permaneceu acima de 650 milhões de toneladas (2015-2020) e a produção per capita excedeu 470 kg, bem acima do padrão internacional de segurança alimentar (400 kg/capita). Entretanto, de acordo com Chen Xiwen, a dependência do país dos mercados internacionais dos principais produtos alimentícios continua elevada. Por exemplo, mais de 30% do açúcar, carne bovina e leite e 70% do óleo comestível são importados. Como um país com uma grande população, a dependência da China em relação à importação de alimentos representa uma variedade de riscos. No ano passado, durante a pandemia de COVID-19, 18 países restringiram as exportações de alimentos e outros produtos agrícolas, impactando a cadeia de fornecimento global e causando flutuações de preços significativas. Desde que a China se tornou uma sociedade moderadamente próspera (全面小康社会quánmiàn xiǎokāng shèhuì), Chen propõe que o conceito de "segurança do alimento" (粮食安全 liángshí ānquán) seja expandido para o conceito mais abrangente de "segurança de abastecimento alimentar" (食物供给安全 shíwù gōngjǐ ānquán). O país deveria melhorar sua própria capacidade de fornecimento de alimentos, especialmente em alimentos básicos importantes, como grãos, óleo e açúcar. Primeiramente, a China deve aderir estritamente ao mínimo de 1,8 bilhões de mu (120 milhões de hectares) estabelecido pela política da "linha vermelha" do governo. A terra arável do país é atualmente de 1,92 bilhões de mu (128 milhões de hectares), mas diminuiu em 113 milhões de mu (7,5 milhões de hectares) nos últimos dez anos. Para melhorar os níveis de produtividade agrícola, a China deve promover a inovação da indústria de sementes e o progresso na ciência e tecnologia agrícola. Por exemplo, a produção de milho da China de 6,32 toneladas por hectare (2020) é 9,3% superior à média mundial de 5,78 toneladas, mas permanece muito inferior à dos Estados Unidos, Brasil e Argentina. Enquanto isso, o autor reconhece que a China não pode contar apenas com recursos internos para alimentar 18% da população mundial com apenas 9% do total da terra arável. Portanto, estabelecer uma cadeia de abastecimento alimentar internacional estável e segura é uma escolha inevitável e necessária.

A "vantagem de retardatário" da China em alcançar a neutralidade de carbono
Li Junfeng
Li Junfeng (李俊峰) é ex-diretor do Centro Nacional para Estratégia de Câmbio Climático e Cooperação Internacional

Uma semana antes da abertura da 26ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP26) em Glasgow, a China apresentou suas metas climáticas e planos de implementação às Nações Unidas. O país pretende atingir o pico de emissões de CO2 até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2060. Muitas pessoas, no entanto, permanecem céticas sobre se a China será capaz de cumprir seus compromissos. Li Junfeng acredita que o gigante asiático vai cumprir suas metas. Desde 2006, a China tem implementado medidas eficazes de redução de carbono, como a política de "controle duplo" de redução da intensidade e do consumo de energia com indicadores-chave de desempenho para todos os níveis de governos regionais. Em 2013, a maioria das províncias teve um crescimento mais lento das emissões de carbono, exceto para seis províncias e regiões autônomas, incluindo Ningxia, Xinjiang e Mongólia Interior. Com uma taxa de aumento das emissões de 2% ao ano, essas regiões foram responsáveis por 70% do aumento total das emissões do país. Embora o consumo de carvão da China tenha se recuperado entre 2017 e 2019, a taxa de crescimento da média anual de emissões de carbono vem se desacelerando, caindo de 12,7% no período do 10º Plano Quinquenal (2001-2005) para 1,7% durante o 13º Plano Quinquenal (2016-2020). Caso essa tendência continue, a China será capaz de atingir o pico de emissões em 2025. Além disso, Li afirma que a China possui "vantagem de retardatário" (后发优势 hòufā yōushì), o que significa que precisa atingir um nível per capita de pico mais baixo e pode usufruir de novas tecnologias energéticas de menor custo em comparação com os países desenvolvidos que atingiram o pico mais cedo. Por exemplo, os EUA atingiram seu pico de emissão em 2007 com quase 20 toneladas per capita, que é o dobro da China (10 toneladas per capita em 2019). Além disso, o custo da energia não fóssil na China, especialmente de energia renovável, caiu significativamente e se tornou mais competitivo - o custo unitário das células fotovoltaicas, dispositivos que convertem a luz solar em energia, caiu mais de 80% desde 2010. As condições para a paridade entre tais matrizes - quando o custo da energia limpa se torna igual ao das fontes convencionais de energia - já estão em marcha na maioria das regiões. Enquanto isso, a China detém a vantagem de possuir a maioria dos veículos elétricos do mundo. Juntos, esses fatores ajudarão a China a atingir a neutralidade de carbono até 2060.

Relações sino-russas e um novo paradigma da Eurásia
Feng Shaolei
Feng Shaolei (冯绍雷) é professor da Universidade Normal do Leste da China, diretor do Centro Colaborativo de Inovação para Cooperação e Desenvolvimento Periféricos e do Centro de Estudos Russos

O professor Feng Shaolei acredita que a retirada militar dos EUA do Afeganistão revela os entraves institucionais do Ocidente liderado pelo país norte-americano. As ações dos EUA não apenas levam seus aliados ocidentais a refletirem sobre as consequências de seguirem sua liderança, mas também fornecem aos países não ocidentais uma estrutura para pensar em caminhos alternativos em direção ao desenvolvimento independente. Feng ressalta que, por mais de duas décadas, não houve "reversão do processo Nixon", referindo-se aos esforços conjuntos dos EUA e da Rússia para inibir a China. Os EUA e seus aliados desencadearam uma série de grandes conflitos e crises, como a expansão da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a Guerra do Iraque, as “revoluções coloridas", os conflitos na Ucrânia e as provocações contra a China no Mar do Sul da China e no Mar Oriental da China – o que vem gradualmente aproximando Rússia e China. Os dois países têm se tornado cada vez mais unidos na defesa dos princípios de governança, a fim de salvaguardar a soberania e resistir à hegemonia. Isso explica por que as tentativas de alijar as duas nações sempre fracassaram. Enfrentando a confrontação estadunidense, os países eurasianos unem forças sob a tendência de "nova neutralidade", como exemplificada pela proposta russa de "novo não-alinhamento". Feng sustenta que essa tendência indica o seguinte: primeiramente, a maioria dos países evitaria, a todo custo, um confronto baseado no alinhamento. Em segundo lugar, todas as nações e povos são livres para escolher seu próprio caminho de desenvolvimento. Terceiro, a política de "novo não-alinhamento" é uma posição pragmática mutuamente benéfica para todos os países. Em harmonia com esse fluxo, a estrutura institucional inclusiva da Iniciativa do Cinturão e Rota (Nova Rota da Seda ou Belt and Road Initiative) detém o maior potencial para o aprofundamento da cooperação eurasiática.

A prosperidade comum enfatiza o desenvolvimento econômico e a ética de trabalho socialista em vez de criar um "Estado de bem-estar social"
Lü Dewen
Lü Dewen (吕德文) é pesquisador do Centro de Administração e Pesquisa Rural da China, Universidade de Wuhan

Em uma recente entrevista à mídia, Lü Dewen aponta que os esforços da China no sentido de eliminar a pobreza absoluta e trabalhar em prol da prosperidade comum refletem a essência do sistema socialista sob a liderança do PCCh. Existe um debate vivo e contínuo sobre como alcançar a prosperidade comum, e se o PCCh deve se concentrar na distribuição primária, secundária ou terciária. O país está avançando por meio de uma série de reajustes em suas políticas econômicas e sociais voltados para remediar os impactos negativos das reformas anteriores baseadas no mercado, incluindo custos altos de habitação e ansiedade no setor da Educação. O objetivo da prosperidade comum é aliviar a polarização entre ricos e pobres. Segundo Lü, como a China acaba de ser definida como um país de renda média, o desenvolvimento econômico deve continuar a ser a tarefa central do PCCh. Enquanto sustenta um alto nível de desenvolvimento econômico, a China deve se concentrar na melhoria do sistema de distribuição primária, o que facilitará a transição de um número significativo de trabalhadores migrantes no país para se tornarem indivíduos de renda média. As distribuições secundária e terciária podem apenas desempenhar um papel suplementar. Lü também argumenta que a China deveria evitar a armadilha do assistencialismo e desencorajar a dependência exclusiva de auxílios (等靠要 Děng kào yào), a fim de alcançar a prosperidade comum. Um país socialista também enfatiza o conceito de que o trabalho cria satisfação, o que consiste em um valor fundamental do espírito socialista. Somente através da ética do trabalho árduo para a construção de uma sociedade socialista as pessoas se tornarão donas do país e, por sua vez, refletirão o gozo compartilhado da riqueza social.

Esta instituição liderada por Zhou Enlai é a chave para entender o “novo sistema para toda a nação”
Lu Feng
O Dr. Lu Feng (路风) é professor e supervisor de doutorado no Departamento de Economia Política, Escola de Governo, Universidade de Pequim. Ele também é diretor do Instituto Leo Ko-Guan para Negócios e Governo
As lideranças políticas da China propuseram a adoção de um "novo modelo de sistema para toda a nação" para "fazer grandes avanços e alcançar um desenvolvimento significativo", tais como a inovação tecnológica substancial. Em seu artigo, o Dr. Lu revela como o Comitê Central Especial do Partido Comunista da China foi o órgão decisório por trás do projeto historicamente relevante "Duas bombas, um submarino, um satélite" dos anos 60, reconhecido como um exemplo de "sistema para toda a nação". Essa instituição, autorizada pelas mais altas lideranças, tendo o Premier Zhou Enlai como seu diretor, foi responsável pela implementação e resultados do projeto. As atividades do Comitê refletiram o "sistema para toda a nação" da China durante a era de economia planificada do país. Este artigo examina o Conselho de Produção de Guerra e o Projeto Manhattan - os homólogos estadunidenses do Comitê durante a Segunda Guerra Mundial -, assim como a Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa dos EUA (DARPA, por sua sigla em inglês), que está ativa até hoje. Com base nas experiências históricas da China e dos EUA, o autor sustenta que o "sistema para toda a nação" é único e eficaz, sendo tanto adequado para os sistemas de economia planejada, quanto de mercado.

Créditos Vozes Chinesas