Macron pede a suspensão dos regulamentos verdes europeus para reindustrializar a França.
Os tempos são ruins para a Agenda 2030. Na semana passada, Macron pediu duas vezes à União Europeia que pare de impor mais regulamentações ambientais, dizendo que a Europa já fez muito mais do que outras potências industriais.
GREVE GERAL NA FRANÇA DESAFIA REFORMA DA PREVIDÊNCIA DE MACRON E PROMETE CAOS!
(Folha de SP, 18) O fantasma de grandes manifestações contra o governo, que os coletes amarelos fizeram ser uma das marcas do primeiro mandato de Emmanuel Macron na França, agora rondam seu segundo governo. O país enfrenta nesta quinta-feira (19) uma greve geral, convocada em reação à reforma da Previdência anunciada no último dia 10 pela primeira-ministra, Elisabeth Borne.
Trata-se da primeira paralisação a unificar as principais centrais sindicais francesas em 12 anos. O presidente, que desde a vitória na eleição de 2022 enfrentou o revés da perda da maioria no Legislativo e os impactos amargos da Guerra da Ucrânia na Europa, agora vê uma articulação que promete gerar uma quinta-feira caótica no país.
Escolas devem fechar, parte dos serviços de transporte e saúde será suspensa e o trabalho dos correios ficará interrompido, bem como o dos setores de energia e petróleo. "Será uma mobilização muito, muito grande", afirmou à rádio France Info o sindicalista Philippe Martinez, secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT). "Diante de uma reforma tão séria, é um sinal importante que todos os sindicatos estejam unidos."
Os indícios de adesão maciça de trabalhadores aos protestos devem marcar o início de uma campanha que pretende continuar até fevereiro —e que tem tudo para ressuscitar as revoltas que geraram convulsão em 2018 depois do anúncio do aumento de uma taxa sobre combustíveis.
Revelados os planos de reforma no dia 10, os coletes amarelos já deram as caras em Paris e cidades como Toulouse, a quarta maior da França, onde uma marcha no último fim de semana fechou ruas do centro sob gritos contra Macron e sua proposta para a Previdência.
Diante de um cenário explosivo, em meio a uma população já enfurecida pela alta nos preços de alimentos e combustíveis, analistas têm sido cautelosos ao avaliar que proporções a greve pode tomar. Na saída da reunião do conselho de ministros, nesta quarta (18), o porta-voz Olivier Véran deu o tom da relação do Eliseu com a frente grevista: "Não se pode confundir manifestação e direito de greve com bloqueio".
Menos ambiciosa do que a proposta defendida por Macron na campanha pela reeleição, a reforma anunciada pelo governo quer aumentar em dois anos a idade mínima para aposentadoria, de 62 para 64 anos, até 2030. Também pretende elevar o tempo exigido de contribuição para ter acesso à pensão completa, de 42 para 43 anos, antecipando essa mudança para 2027 —uma lei de 2014 prevê a medida apenas para 2035. Esta alteração atingiria mesmo trabalhadores que se enquadram em regimes especiais, que deverão ser extintos para os novos ingressantes no sistema previdenciário.
Segundo estimativas do Ministério do Trabalho, aumentar os anos de contribuição pode render um adicional de € 17,7 bilhões ao ano para os fundos previdenciários.
"Quando há mais idosos trabalhando, aumentamos nossa riqueza coletiva, porque há mais impostos", defendeu Borne. "Esses recursos podem ser usados para reduzir nosso déficit orçamentário e para áreas prioritárias da política financeira, como saúde, educação e transição ambiental."
Para Laurent Berger, secretário-geral da Confederação Francesa Democrática do Trabalho (CFDT), o maior sindicato do país, trata-se de "uma reforma para equilibrar o Orçamento [do país] apenas nas costas dos trabalhadores".
A idade de aposentadoria na França é menor do que na maioria dos países europeus. Britânicos, por exemplo, têm acesso ao regime de Previdência aos 66 anos e os italianos, aos 67.
Macron já havia apresentado uma primeira proposta de reforma do setor em 2019, no primeiro mandato. Na ocasião, enfrentou ruas tomadas por manifestações e a mais longa greve nos transportes da história da França. O início da pandemia de Covid-19, então, o fez colocar os planos de volta na gaveta.
Quase quatro anos depois, o presidente francês afirmou, em seu discurso de Ano-Novo, que a reforma é "essencial para salvar o sistema" previdenciário e equilibrar as contas do Estado. Talvez antevendo ruídos, pediu ainda que a população se mantivesse unida.
Dias depois, a primeira-ministra explicou que, pelo modelo atual, "os membros ativos financiam as pensões dos membros aposentados". E continuou, argumentando em defesa das mudanças que viriam na proposta: "Estamos vivendo cada vez mais tempo, portanto o número de trabalhadores em relação ao número de aposentados está diminuindo constantemente".
Aos ouvidos dos franceses, no entanto, a fala soou como desculpa para a retirada de direitos. Em um comunicado conjunto, as principais centrais sindicais do país classificaram a reforma como brutal e sem justificativa, alegando que ela vai atingir duramente todos os trabalhadores.
"Se vivemos mais do que nos anos 1950, por outro lado somos muito mais produtivos", rebateu a CGT em outra nota. "Produzimos mais riqueza através de nosso trabalho, e ninguém pode contestar isso. Em teoria, temos os meios para financiar a aposentadoria."
Segundo pesquisa encomendada pelo jornal econômico Les Echos, o mais importante na área, 61% dos franceses concordam que alguma reforma da Previdência é necessária ao país, mas 66% discordam da mudança na idade mínima e 60% rejeitam o aumento no tempo mínimo de contribuição.
Para além da pressão das ruas, a proposta da dupla Macron-Borne também uniu os partidos de oposição, embaralhando campos políticos antagônicos. "É uma grave regressão social", disse Jean-Luc Mélenchon, líder da legenda de ultraesquerda França Insubmissa. Do lado oposto, Jordan Bardella, presidente da Reunião Nacional de Marine Le Pen, usou os termos "injusto e brutal" para definir o texto.
Completando o cenário, o presidente centrista aparece com a popularidade em baixa nas pesquisas, o que impõe dificuldades extras aos planos reformistas em um cenário em que não há maioria no Parlamento —perdida apenas dois meses depois de sua reeleição, em 2022.
A proposta deve ser apresentada formalmente ao conselho de ministros no próximo dia 23, para então seguir à Assembleia Nacional, onde Macron espera obter o apoio da direita para aprovar o texto ainda no primeiro trimestre. Durante esse tempo, a união dos sindicatos da França não deve dar trégua.
PRINCIPAIS MEDIDAS DA REFORMA PROPOSTA POR MACRON
Mudar progressivamente a idade da aposentadoria: de 62 anos hoje, chegaria a 64 em 2030. A idade mínima aumentará em três meses por ano a partir de 1º.set.2023
Aumentar o tempo mínimo de contribuição para ter acesso a pensão na íntegra: de 42 anos hoje, passaria a 43 em 2027. O tempo de contribuição aumentará três meses a cada ano
Quem começou a trabalhar cedo, entre 14 e 16 anos, poderá se aposentar ao completar 58 e 60 anos, respectivamente.
Perfil do presidente reeleito da França, Emmanuel Macron
2022-04-26 15:54:59丨portuguese.xinhuanet.com
Foto de arquivo tirada no dia 11 de novembro de 2021 mostra o presidente francês, Emmanuel Macron, fazendo um discurso na cerimônia de abertura do 4º Fórum da Paz de Paris na Grande Halle de la Villette em Paris, França. (Xinhua/Gao Jing)
Paris, 24 abr (Xinhua) -- O atual presidente francês, Emmanuel Macron, foi eleito para um segundo mandato depois de vencer o segundo turno presidencial de 2022 no domingo, derrotando pela segunda vez sua rival de extrema-direita, Marine Le Pen.
A seguir, um perfil de Macron.
Nascido em Amiens e criado por uma família de classe média composta principalmente por professores, Macron fez um mestrado em filosofia na Universidade de Paris Nanterre e um mestrado em relações públicas no Instituto de Estudos Políticos de Paris.
Ele se formou na Escola Nacional de Administração, treinando para uma carreira no serviço público.
Entre 2004 e 2008, trabalhou como inspetor de finanças no ministério da economia, depois de 2008 a 2012 como banqueiro de investimento no Rothschild & Cie Banque.
O presidente francês, Emmanuel Macron, beija sua esposa Brigitte Macron em um comício após o segundo turno presidencial em Paris, França, no dia 24 de abril de 2022. (Xinhua/Gao Jing)
Em 2007, ele se casou com Brigitte Trogneux, sua professora do ensino médio que é 25 anos mais velha.
Macron foi ministro da Economia de 2014 a 2016 sob a presidência de François Hollande e foi vice-secretário-geral de Hollande antes de ser ministro.
Macron criou seu próprio movimento político "En Marche!" (Em Movimento!) e venceu a eleição presidencial de 2017 com 66,1 por cento no segundo turno contra Le Pen.
Durante seu atual mandato de cinco anos, Macron adotou uma reforma do código trabalhista, uma lei de "moralização" da política e procriação medicamente assistida para mulheres solteiras e casais femininos.
O presidente francês, Emmanuel Macron (centro), durante uma visita de campanha em Saint-Denis, ao norte de Paris, França, no dia 21 de abril de 2022. (Foto por Rit Heize/Xinhua)
Sua presidência foi marcada por ataques terroristas e ele apoiou uma lei antiterrorista e uma legislação contra o separatismo islâmico. Seu mandato também foi acentuado por movimentos sociais como os protestos do movimento Coletes Amarelos em 2018.
Quando a pandemia de COVID-19 chegou na França no início de 2020, Macron decretou quarentenas e toques de recolher nacionais e, posteriormente, uma campanha de vacinação e o passe de saúde e vacina.
Macron também esteve ativamente envolvido nas negociações em meio ao conflito Rússia-Ucrânia e impôs sanções junto com a União Europeia contra a Rússia.
Durante sua campanha, Macron prometeu aumentar o poder de compra do povo francês e manter o escudo contra o aumento dos preços da eletricidade e do gás em meio à escassez de energia causada pela atual crise Rússia-Ucrânia.
O presidente francês, Emmanuel Macron, fala durante uma entrevista coletiva em Aubervilliers, Seine Saint Denis, França, no dia 17 de março de 2022. (Xinhua)
Ele também prometeu tomar mais ações ambientais e climáticas, construir um exército forte, lutar contra crimes cibernéticos, melhorar a educação, reforçar a proteção das crianças contra dispositivos eletrônicos e combater o bullying nas escolas.
Quanto à Europa, Macron planejou uma Europa mais forte e independente em tecnologia e proteção das suas fronteiras.
Atual líder Emmanuel Macron, com 28,6% dos votos, e Marine Le Pen, com 24,4%, irão disputar o segundo turno das eleições presidenciais da França, em 24 de abril
Marine Le Pen e Emmanuel Macron, candidatos à Presidência da FrançaChesnot/Getty Images
10/04/2022 às 22:40 | Atualizado 11/04/2022 às 07:00
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Os franceses foram às urnas, neste domingo (10), para o primeiro turno das eleições presidenciais. Doze candidatos concorreram, com Emmanuel Macron e Marine Le Pen despontando na frente, seguidos por Jean-Luc Mélenchon.
De acordo com estimativas do Instituto Ifop, o atual líder Macron, que teria conseguido 28,6% dos votos, e a candidata da extrema-direita Le Pen com 24,4%, irão disputar o segundo turno das eleições presidenciais da França, em 24 de abril.
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Em um discurso aos apoiadores, Macron declarou que “ainda nada está decidido” e comprometeu-se a trabalhar para convencer todos os eleitores, incluindo aqueles que se abstiveram ou votaram em candidatos da extrema-direita e da extrema-esquerda, a votarem nele.
Le Pen, por sua vez, disse que irá resolver as divisões do país se for eleita presidente. “Pretendo sem espera costurar as lágrimas que uma França dilacerada sofre e que agora o poder foi capaz de fazer.”
A segunda etapa do pleito indica que a disputa será acirrada. Macron lidera as pesquisas com cerca de 51% dos votos e Le Pen com 49%.
O primeiro turno foi marcado pela menor participação dos franceses nas urnas desde 2017. Segundo o Ministério do Interior da França, o percentual de comparecimento estava em 65% às 17h, enquanto o índice em 2017 registrado para o mesmo horário era de 69,4%.
Ao meio-dia, a participação também era reduzida em relação a 2017, mas havia expectativa dos franceses comparecerem às urnas com maior peso após o almoço. Neste horário, 25,5% dos inscritos para votar compareceram a alguma seção eleitoral; nas eleições anteriores, o percentual foi de 28,5%.
Cerca de 48,7 milhões de franceses estão registrados para votar, apesar de a participação não ser obrigatória no país.
Apoios no segundo turno
Até o momento, quatro dos candidatos que disputaram o primeiro turno, Jean-Luc Mélenchon, Anna Hidalgo, Valerie Pecresse e Yannick Jadot, declararam oposição à Le Pen neste provável segundo turno.
“Sabemos em quem nunca votaremos… Você não deve apoiar Le Pen… Não deve haver um único voto para Le Pen no segundo turno”, disse Mélenchon em discurso a seus apoiadores. O candidato da extrema-esquerda francesa teria ficado em terceiro lugar, segundo informações iniciais dos centros de pesquisa.
Hidalgo também declarou ser contrária à vitória da representante do Reagrupamento Nacional. “Para que a França não caia no ódio de todos contra todos, peço solenemente que votem em 24 de abril contra a extrema-direita de Marine Le Pen”.
Pecresse, que faz parte da ala conservadora francesa, chegou a citar a relação de Le Pen com o presidente russo para justificar seu apoio a Macron. “A proximidade histórica (de extrema-direita Marine Le Pen) com Vladimir Putin a desacredita de defender os interesses de nosso país nestes tempos trágicos. Sua eleição significaria que a França se tornaria irrelevante no cenário europeu e internacional”.
O também candidato da extrema-direita, Eric Zemmour, apoiou Le Pen para o segundo turno contra Emmanuel Macron. Falando a apoiadores, Zemmour reconheceu diferenças com a candidata, mas afirmou que não tem “dúvidas de quem é o adversário. Por isso peço aos meus apoiadores que votem em Marine Le Pen”.
Projeções
Se for reeleito, Macron deve continuar suas políticas pró-União Europeia e seu programa de reformas. Dentre as propostas para esta campanha, o presidente prometeu o aumento da aposentadoria para os 65 anos, reformas no seguro-desemprego e mercado de trabalho, relançamento de reatores nucleares, além de investimento em energia ecológica e objetivo de alcançar a neutralidade carbônica até 2050.
Banners dos candidatos à Presidência da França em Le Touquet, em 10 de abril; votação leva os dois favoritos ao segundo turno caso nenhum obtenha mais de 50% dos votos, e previsões dão conta de um novo embate entre Emmanuel Macron e Marine Le Pen
Crédito: Loic Baratoux/Anadolu Agency via Getty Images
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Votação à presidência da França em Le Touquet
Crédito: Loic Baratoux/Anadolu Agency via Getty Images
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Marine Le Pen, candidata da extrema-direita pelo partido Reagrupamento Nacional à Presidência da França, deposita o envelope com seu voto no primeiro turno das eleições em Henin-Beaumont, norte francês
Crédito: Albert Cara/Anadolu Agency via Getty Images
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Le Pen precisou "moderar" seu discurso para conseguir subir nas pesquisas, mas pautas anti-imigração e críticas à União Europeia ainda são proeminentes entre as propostas da candidata
Crédito: Sylvain Lefevre/Getty Images
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Presidente francês Emmanuel Macron vota em Le Touquet, no norte da França
Crédito: Loic Baratoux/Anadolu Agency via Getty Images
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Macron estava acompanhado da primeira-dama, Brigitte Macron; a busca pela reeleição ocorre em meio à guerra na Ucrânia, que o concedeu uma vantagem inicial já dissolvida
Crédito: Loic Baratoux/Anadolu Agency via Getty Images
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Um assessor reordena os envelopes de votação nas eleições presidenciais da França na cidade de Toulouse
Assim como para todos os líderes mundiais nos últimos dois anos, a pandemia da Covid-19 foi um dos principais desafios de seu mandato. Antes da crise sanitária, ainda no início do mandato, uma onda de protestos invadiu a França. O movimento dos “coletes amarelos” levou milhares de pessoas às ruas, engatilhado por uma medida de Macron que aumentou o preço do diesel, no fim de 2018.
Apesar de tentar suavizar a imagem de sua sigla, conhecida pela política nacionalista e anti-imigrante, Le Pen mantém alguns pontos emblemáticos em seu programa.
A candidata é conhecida por captar eleitores difíceis, de acordo com o especialista em pesquisa Emmanuel Riviere. “Ela sempre consegue seduzir pessoas que não estão interessadas na política, precisamente porque oferece a eles uma solução para expressar sua raiva em relação à política.”
(*Com informações de Stephan Rozenbaum e Renata Souza, da CNN, e da Reuters) - créditos CNN