segunda-feira, 15 de maio de 2023

LFS INTERNACIONAL - GUATEMALA: GUATEMALA PERDE UM DE SEUS MAIORES JORNAIS APÓS PRESSÃO POLÍTICA! (Folha de S.Paulo, 15)

 

GUATEMALA PERDE UM DE SEUS MAIORES JORNAIS APÓS PRESSÃO POLÍTICA!

(Folha de S.Paulo, 15) Esta segunda-feira (15) será o último dia do jornal guatemalteco el Periódico, diário que em seus 27 anos de existência desbaratou diversos casos de corrupção no pequeno país centro-americano—feito que lhe deu relevância, mas também parece ser a causa do seu fim.

O jornal há meses vinha sofrendo pressão do governo Alejandro Giammattei, que cumpre desde 2020 um mandato repleto de escândalos, como suspeitas de subornos em obras públicas e possíveis irregularidades eleitorais. Em 2021, o presidente chegou a ser investigado pelo Ministério Público por supostamente receber propinas de empresários russos em troca da concessão de um porto.

Tal desgaste levou Giammattei a empreender, ao lado da Procuradoria-Geral, uma ofensiva contra Judiciário e imprensa, em guinada autoritária coroada com o anúncio do fim do el Periódico.

“Até o momento, quatro advogados nossos foram detidos, dois deles ainda em prisão preventiva, e seis jornalistas e três colunistas estão sendo investigados”, afirmou o jornal, em nota publicada nas redes sociais na sexta-feira (12). Os números significam que, da Redação de 30 pessoas, quase um terço está na mira da Justiça. “Com profunda tristeza, nos vimos obrigados a suspendera edição diária do el Periódico .”

O jornal é reconhecido internacionalmente por seu trabalho investigativo. Em 2021, recebeu o título de mídia de destaque da Iberoamérica. Na ocasião, foi o rei da Espanha, Felipe 6º, quem entregou a distinção ao presidente do jornal, José Rubén Zamora —profissional reconhecido pelo prêmio Maria Moors Cabot de jornalismo da Universidade Columbia.

Pouco mais de um ano depois, em julho de 2022, o jornalista seria preso, e a sede do jornal, invadida. Ele é investigado por lavagem de dinheiro, chantagem e tráfico de influência —acusações baseadas em evidências reunidas em 72 horas, segundo a mídia local.

Preso há 10 meses, Zamora viu colaboradores e anunciantes do seu jornal serem perseguidos, o que impactou o orçamento do diário. Mesmo após uma intensa campanha de financiamento, em novembro do ano passado o jornal decidiu interromper sua versão impressa e cortar 80% dos funcionários. “Pensamos que poderíamos nos adaptar, nos transformar e sobreviver”, afirmam na nota na última sexta.

Nessa empreitada para salvar o jornal, os filhos de Zamora somaram esforços à equipe. Segundo um deles, o antropólogo e pesquisador Ramón, foi possível manter a operação no começo, apesar da coação. “Nos primeiros três meses, contas nas redes sociais monitoravam e tiravam prints das empresas que nos apoiavam, em um ataque coordenado”, conta.

“A Guatemala está vivendo uma ditadura multipartidária, que decide a cada quatro anos quem vai ser o líder”, afirma Ramón. “O fim do jornal é uma mostra da deterioração da democracia aqui. Estamos perdendo um espaço de debate e pluralidade de um país que tem um dos indicadores de corrupção mais altos do mundo. Perde-se um fiscalizador.”

Da prisão, Zamora prepara um artigo para a última edição do jornal, segundo seu filho Ramón. “Ele se sente muito comovido com tudo. Lembro que ele estava muito triste por deixar de imprimir o jornal.”

“Seguiremos acreditando em uma Guatemala justa e com liberdade de expressão; uma Guatemala onde a democracia possa florescer”, afirmou o el Periódico na nota desta sexta.


Créditos Ex-Blog do Cesar Maia

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