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terça-feira, 20 de maio de 2014
Tailândia - Exército impõe Lei Marcial. Medida seria um "contra-golpe" à possível deposição da Monarquia local.
Foto:
CHRISTOPHE ARCHAMBAULT/AFP
O Exército tailandês decretou a
lei marcial
no país e mobilizou os soldados para Bankocue (a capital) devido à vaga de protestos antigovernamentais violentos que, desde há seis meses, já fizeram 28 mortos.
“A lei
marcial
não é um
golpe de Estado
” e a decisão visa “restaurar a paz e a ordem pública”, disseram os militares na manhã desta terça-feira na televisão pública.
Soldados e
veículos militares
ocuparam o centro da capital e cercaram as zonas onde existem mais hotéis e
estações de televisão
. Dezenas de homens posicionaram-se também junto do local, nos arredores da cidade, onde se mantém uma manifestação de “camisas vermelhas”.
Há seis meses que a Tailândia está em crise política. A oposição mobilizou-se para exigir a
saída
do poder da primeira-ministra Yingluck Shinawatra, que tentou aprovar uma amnistia que permitiria ao irmão, o antigo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra (deposto e condenado a dois anos de prisão
mas que
fugiu do país), regressar e retomar a actividade política. Há algumas semanas, o Tribunal Constitucional depôs a primeira-ministra por
abuso de poder
.
A oposição e a elite
que apoia
o rei consideram o clã Shinawatra uma ameaça à monarquia e temem que usem o seu poder para realizar um golpe contra o rei Bhumibol Adulyadej,
de 86 anos.
A calma que se seguiu, porém, foi
de curta duração
e surgiram as manifestações dos “camisas vermelhas” e dos “camisas amarelas” (oposição, que usa a cor da monarquia) descontentes com a permanência no governo provisório de antigos ministros dos Shinawatra e contra a realização de eleições legislativas que, dizem as estatísticas, deverão dar nova vitória à força política que foi afastada do poder.
O Exército tinha advertido que poderia intervir, para pôr fim à violência e ao caos que paralisa o país há meses. Para já, decretou a lei marcial, mas poderá dar mais um passo se a calma não regressar às ruas — e tudo indica que não será assim.
“Vamos ficar nos nossos lugares. As nossas posições mantêm-se”, disse à AFP Jatuporn Prompan, chefe dos “
camisas vermelhas
”, que acrescentou que o seu movimento não aceitará um golpe de Estado.
Do lado da oposição, a decisão dos
militares
foi entendida como um sinal positivo — esperam que seja escolhido o primeiro-ministro e um
governo
neutro, como pedem à meses. “Estamos convictos de que a lei marcial vai beneficiar o nosso movimento e a nossa causa”, disse Sathit Wongnongtoey, da oposição.
Esta terça-
feira
, o chefe do Exército, general
Prayuth Chan-ocha, advertiuq ue os militares agirão contra quem use armas ou ameace os civis. E deixou um apelo aos intervinienets políticos: "Pedimos a todas as partes que conversem de forma a que se encontre uma forma de o país sair desta situação".
A História da Tailândia está repleta de golpes de Estado — 18, uns falhados outros bem sucedidos, desde que foi instaurada a monarquia constitucional em 1932. O último dos golpes de Estado deu-se em Setembro de 2006, quando os generais aliados do palácio afastaram Thaksin Shinawatra. Mas em Setembtro de 2010 uma
intervenção militar
contra os "camisas vermelhas" resultou na morte de 90 pessoas.
Thaksin Shinawatra, que no exílio se tinha mantido em silêncio
sobre
a crise, falou finalmente, através do Twitter: disse esperar que a lei marcial não “destrua a democracia na Tailândia”.
Ao abrigo da lei marcial, o Exército decretou a censura nos
meios de comunicação
social e fechou o sinal de dez rádios, entre elas a BlueSky da oposição, e as AsiaUpdate e UDD, pró-governo deposto. Foram acusadas de “manipular a informação” e de “agravarem o conflito”. Os militares têm também o direito de realizar buscas em casas de cidadãos, de revistar veículos, de inspeccionar correspondência e de proibir reuniões.
Créditos: http://www.publico.pt/mundo/noticia/exercito-tailandes-declara-a-lei-marcial-no-pais-1636673#/0
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