sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Acordo entre Irã e potências tem novo impasse - Negociador iraniano afirma que direito de seu país de produzir urânio enriquecido é "inegociável."

INTERNACIONAL
Acordo entre Irã e potências tem novo impasse
Negociador iraniano afirma que direito de seu país de produzir urânio enriquecido é "inegociável."

Andrei Netto
Correspondente/Paris

O governo do Irã informou ontem, em Genebra, que não pretende suspender o enriquecimento  de urânio em troca de um acordo internacional que reduza as sanções econômicas contra seu país. O anúncio foi feito pelo vice-ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, e ampliou as dúvidas sobre a chance de um entendimento em torno do programa nuclear iraniano.
As negociações reúnem representantes diplomáticos do Irã e do P5+1, o grupo formado por  Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Rússia, China e Alemanha. O segundo dia do encontro, ontem, ressaltou uma divergência que pode ser decisiva para o acordo. Isso porque o regime iraniano se recusa a fechar suas usinas de produção de enriquecimento de urânio a 20% - a base crítica para avançar a 90% de enriquecimento, nível necessário para a construção da bomba atômica. O fechamento é uma exigência do governo da França para qualquer tipo de acordo.
"O princípio do enriquecimento não é negociável", afirmou Araghchi. Mas o negociador deu sinais de que o entendimento com os membros do P5+1 é possível. "Nós podemos discutir o volume, o nível e o local", ressaltou, com tom realista. "Nós estamos na parte mais delicada da negociação. Cada palavra tem sua importância. Nós procuramos nos colocar de acordo sobre uma formulação aceitável para as duas partes", declarou o diplomata iraniano.
A firmeza sobre a continuidade do programa de enriquecimento de urânio foi demonstrada um dia depois do pronunciamento do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, exortando seus negociadores a não cederem demais ao P5+1. "Eu insisto sobre a consolidação dos direitos nucleares do Irã", afirmou o líder religioso, em encontro na quarta-feira, a uma platéia de militantes islamistas em Teerã.
Mesmo com o limite traçado pelo Irã, Michael Mann, porta-voz da chefe da diplomacia da União Européia, Catherine Ashton, afirmou que as negociações estão evoluindo, apesar das evidências de impasse.
"Foi um dia de negociações intensas, substanciais e detalhadas, em uma boa atmosfera. Vamos  continuar nessa sexta-feira", disse Mann, sem, no entanto, garantir que um acordo seja possível.
Um indício de que as negociações não estão avançadas é o de que os ministros das Relações Exteriores dos seis países ainda não chegaram a Genebra, segundo Araghchi. "Enquanto a perspectiva  de um acordo não existir, não creio que os ministros virão", disse ele à agência iraniana Mehr.
Em paralelo ao esforço diplomático em Genebra, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, em visita à Rússia, voltou a garantir que não permitirá que o Irã chegue à fabricação de bombas atômicas - com ou sem acordo entre o país e as grandes potências. "Eu prometo que o Irã não terá a arma nuclear", reafirmou. O premiê criticou a postura de Khamenei, que na quarta-feira afirmou  que Israel "está fadada a desaparecer". "O líder supremo iraniano, Khamenei, disse "Morte à América,  morte a Israel. Ele disse que os judeus não são seres humanos. Tal Irã não deve ter a arma nuclear",  argumentou.


Em tom de conciliação, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse no mesmo encontro esperar  que uma solução "mutuamente aceitável seja encontrada em um futuro próximo".
Fonte: Folha de SP / Blog do Capitão Fernando - Internacional

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