sábado, 19 de junho de 2021

INTERNACIONAL - Ultraconservador e linha-dura antiocidental: conheça novo presidente do Irã

 Chefe do Judiciário da República Islâmica, Ebrahim Raisi foi eleito presidente do Irão. Foto de arquivo

ORIENTE MÉDIO E ÁFRICA
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O Ministério do Interior do Irã confirmou neste sábado (19) que o chefe do Judiciário da República Islâmica, Ebrahim Raisi, 60 anos, venceu a eleição presidencial no país com 61.95% dos votos.

O principal juiz do Irã garantiu a maioria dos votos na eleição presidencial de sexta-feira (18), o que lhe permitiu assumir o segundo posto mais alto do país a partir de 3 de agosto. Ebrahim Raisi é considerado um linha-dura quando se trata de relações com países ocidentais. Ainda assim, especialistas consideram que o Ocidente pode ter uma chance de chegar a acordos com Teerã, especialmente sobre o acordo nuclear.

Juiz com vínculos com o clero

Ebrahim Raisi passou a maior parte de sua carreira no judiciário do Irã e atualmente ocupa o cargo mais alto neste ramo do poder. Considerado ultraconservador quando se trata da Sharia (lei islâmica), acredita-se que Raisi tenha laços estreitos com o clero iraniano e que recebeu o apoio do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e poderia até assumir esse posto após a morte de Khamenei.

Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, à chegada para votar na eleição presidencial, 18 de junho de 2021
© AFP 2021 / ATTA KENARE
Líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, à chegada para votar na eleição presidencial, 18 de junho de 2021

Dessa forma, a vitória de Ebrahim Raisi na eleição presidencial pode ser vista como um passo nesse caminho, já que o atual líder supremo foi também presidente iraniano por dois mandatos, de 1981 a 1989.

Economia de Estado

No entanto, a competência de Raisi não se limita apenas à esfera judicial e ter ligações em cargos de chefia. Em 2016, ele foi nomeado para liderar a fundação Astan Quds Razavi, uma instituição de caridade que administra uma ampla gama de negócios no Irã e desempenha um papel econômico e político significativo no país.

Por ser um conservador, Raisi provavelmente promoverá o conceito de desenvolvimento econômico liderado pelo Estado. Todavia, deve recusar tornar o país mais aberto aos investimentos estrangeiros, principalmente depois que estes fugiram ao primeiro sinal das sanções norte-americanas em 2018.

O novo presidente também deve adotar uma abordagem mais conservadora quando se trata de liberdades sociais e políticas, sugere Alam Saleh, professor de estudos iranianos na Universidade Nacional da Austrália.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif (à esquerda) encontra seu homólogo venezuelano, Jorge Arreaza, em Caracas, Venezuela, 5 de novembro de 2020
© AP PHOTO / MATIAS DELACROIX
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif (à esquerda) encontra seu homólogo venezuelano, Jorge Arreaza, em Caracas, Venezuela, 5 de novembro de 2020

Linha-dura contra o Ocidente

Os países ocidentais provavelmente serão os que terão mais dificuldade para se comunicar com Raisi por vários motivos, afirma o especialista. O presidente eleito é um oponente linha-dura do Ocidente e das políticas ocidentais.

Raisi também está sujeito a sanções que foram introduzidas pelos EUA em 2019 por causa de seu apoio ao líder supremo aiatolá Khamenei, o que pode complicar as tentativas do Ocidente de negociar com ele. Ao mesmo tempo, Raisi está enfrentando acusações de fazer parte de um "comitê da morte" de quatro homens que supostamente ordenou a execução de milhares de prisioneiros no Irã em 1988. Teerã nega veementemente ter ordenado tais assassinatos.

Não está claro se essas acusações afetarão as relações entre o Irã e o Ocidente. No entanto, depois que os EUA aplicaram sanções a Teerã, é provável que este último desvie o foco de sua política externa do Ocidente para o Oriente, acredita Alam Saleh.

Centrífugas de nova geração do Irã vistas em exposição durante o Dia Nacional da Energia Nuclear do Irã em Teerã, 10 de abril de 2021
© REUTERS / WANA / PRESIIDÊNCIA DO IRÃ
Centrífugas de nova geração do Irã vistas em exposição durante o Dia Nacional da Energia Nuclear do Irã em Teerã, 10 de abril de 2021
"A eleição de Raisi é o resultado da pressão ocidental sobre o Irã, minando sua segurança [...] especialmente após a retirada do presidente Trump do acordo nuclear [em 2018, que] prejudicou a confiança do Irã no Ocidente […]. Veremos um relacionamento mais próximo e uma dependência mais forte da Rússia e da China por muitos anos", complementa Saleh.

O especialista acrescenta que a eleição de Raisi pode influenciar a maneira como o Irã se comporta na região. Saleh observa que, uma vez que a confiança do Irã no Ocidente, e especialmente nos EUA, foi minada e Washington começou a reduzir seu envolvimento na região, Teerã pode sentir que está "em uma posição mais confortável" e desafiar os interesses ocidentais no Oriente Médio nos próximos anos.

Futuro do acordo nuclear

Uma das questões mais agudas sobre a futura política externa do Irã envolve as negociações em andamento sobre a restauração do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês). Embora Teerã tenha informado que algum progresso foi alcançado nas negociações recentes em Genebra, os EUA e o Irã ainda não chegaram a um acordo sobre os termos de retorno ao acordo nuclear.

Enrique Mora, vice-secretário-geral do Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS, na sigla em inglês) e Abbas Araghchi, negociador do Ministério das Relações Exteriores do Irã, aguardam o início da reunião da Comissão Mista do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) em Viena, Áustria, 17 de abril de 2021
© REUTERS / DELEGAÇÃO DA UNIÃO EUROPEIA EM VIENA, ÁUSTRIA / HANDOUT
Enrique Mora, vice-secretário-geral do Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS, na sigla em inglês) e Abbas Araghchi, negociador do Ministério das Relações Exteriores do Irã, aguardam o início da reunião da Comissão Mista do Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA, na sigla em inglês) em Viena, Áustria, 17 de abril de 2021

Embora a eleição de uma linha-dura antiocidental possa ter prejudicado esses planos, Ebrahim Raisi ainda pode concordar em renovar o acordo. Ele pediu o levantamento das sanções norte-americanas no passado, e o acordo nuclear atualmente parece ser a única maneira de alcançar esse objetivo. Além disso, o líder supremo do Irã também apoiou a ideia de restaurar o acordo.

Um acordo restaurado, no entanto, será diferente do documento original de 2015, apoiado pelo Conselho de Segurança da ONU, enfatiza Alam Saleh. O especialista afirma que que o Irã não confia mais no Ocidente e, portanto, não concordará com os termos anteriores enquanto for governado por um linha-dura. 


Créditos Sputnik

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Ex-blog do César Maia - IRÃ DRIBLOU TRUMP E NETANYAHU! (Guga Chacra – O Globo, 17)

 

IRÃ DRIBLOU TRUMP E NETANYAHU!

(Guga Chacra – O Globo, 17) Ao longo de seus 12 anos no poder em Israel, Benjamin Netanyahu aproveitou quase todas as oportunidades em que teve um interlocutor ou uma audiência estrangeira para mencionar a suposta ameaça nuclear iraniana. Todos os anos, no palanque da Assembleia Geral das Nações Unidas, dizia que o Irã estava a poucos meses de uma bomba atômica se nada fosse feito. Chegou a levar um desenho em um de seus discursos para dar o seu show.

Até o último minuto de seu governo em Israel, insistiu na ameaça iraniana em discurso na Knesset (Parlamento de Israel). Disse que seria um erro o retorno dos EUA ao JCPOA, como é conhecido o acordo nuclear entre o Irã e as grandes potências. Agora na oposição, certamente continuará com essa sua “cruzada” contra os iranianos e o novo governo americano. Obviamente, também contra o novo governo israelense, embora este já tenha se posicionado contra o acordo nuclear.

O problema é que Netanyahu perdeu. Não apenas em Israel. Também na questão nuclear iraniana. Toda a sua estratégia foi focada em derrotar os democratas nas eleições de 2016 e provar que seria possível um acordo melhor do que o negociado por Obama, caso sanções ainda mais duras fossem aplicadas. Bibi, como é conhecido o premier israelense, atingiu seu objetivo com a chegada de Donald Trump ao poder e sua decisão de retirar os EUA do JCPOA, apesar de o Irã estar respeitando as regras segundo os serviços de inteligência dos EUA e dos outros signatários, além da própria Agência Internacional de Energia Atômico.

Parecia uma vitória do líder israelense, mas esse experimento dele e de Trump fracassou, como sabemos. O Irã não se rendeu, apesar de as sanções terem sufocado ainda mais a economia iraniana, afetando acima de tudo a população mais pobre. Ao contrário, o regime de Teerã passou a enriquecer e armazenar urânio bem acima dos patamares permitidos pelo JCPOA. Nos próximos meses, deve voltar a respeitar as regras com o provável retorno dos EUA, agora governados por Biden, ao acordo nuclear. Afinal, Netanyahu também perdeu em Washington, com a derrota de seu aliado republicano na tentativa de se reeleger.

Tampouco o Irã reduziu sua influência no Oriente Médio, ao contrário do que previam Netanyahu e Trump. Mesmo com a ação dos EUA para matar Qassem Suleimani, principal líder das Guardas Revolucionárias, os iranianos têm saído vitoriosos nos principais conflitos na região. Na Síria, Bashar al-Assad venceu a guerra com a ajuda do Irã e da Rússia. A oposição jihadista ligada à al-Qaeda controla apenas uma província. Os americanos também estão praticamente fora do Iraque, onde as milícias xiitas pró-Irã se fortaleceram. O Hezbollah mantém sua aliança com os cristãos libaneses da Frente Patriótica Nacional do presidente Michel Aoun no Líbano, além de possuírem um arsenal de dezenas de milhares de mísseis apontados contra Israel. O Hamas, no último conflito em Gaza, mostrou ser capaz de atingir Tel Aviv. Os houthis, por sua vez, seguem no poder no Iêmen.

Para completar, Netanyahu e Trump ajudaram indiretamente a linha dura iraniana. Desta vez, não há candidatos fortes reformistas, como o ex-presidente Mohammad Khatami, ou moderados, como o atual, Hassan Rouhani. A tendência é que seja eleito o conservador Ebrahim Raisi, chefe da Justiça iraniana e cotado para ser líder supremo no futuro no lugar do aiatolá Khamenei.

terça-feira, 15 de junho de 2021

Clipping Mundo - 15/06/2021 Notícias internacionais sobre o Brasil; Notícias do Mundo; e Artigos Por Carlos Eduardo Silveira - Carta Maior

 

Clipping Mundo - 15/06/2021

Notícias internacionais sobre o Brasil; Notícias do Mundo; e Artigos

 
15/06/2021 09:05

O Brasil acumula 488.827 mortos pela Covid-19 (Pilar Olivares/Reuters)

Créditos da foto: O Brasil acumula 488.827 mortos pela Covid-19 (Pilar Olivares/Reuters)

 
1. NOTÍCIAS INTERNACIONAIS SOBRE O BRASIL

LAVA JATO/Congressistas indagam sobre a ingerência de Washington na Lava JatoUm grupo de 23 deputados democratas aguarda a resposta do procurador geral para saber de que modo a principal potência mundial se intrometeu nos assuntos internos brasileiros. A lupa é colocada sobre as daninhas implicações para o Brasil da Lava Jato e o papel que o Departamento de Estado dos EUA cumpriu. Proscrito e encarcerado Lula e Dilma destituída, o ovo da serpente resultou no que já se conhece, a ascensão de um ex militar que reivindica a ditadura, a tortura e cujo governo negacionista multiplicou as trágicas consequências da pandemia. (Página 12, Argentina) | bit.ly/3wto3vo

BOLSONARO/ Bolsonaro se veste de uma estética mussoliniana. O presidente de extrema direita defende publicamente a força como instrumento de exercício do poder e incentiva a coerção política por meio de "milícias" vigilantes e Chico Buarque considera que Brasil tem um pé no fascismo. O presidente de extrema direita defende publicamente a força como instrumento de exercício do poder e incentiva a coerção política por meio de "milícias" vigilantes. Desfilando com motociclistas à frente do pelotão de 12 mil motocicletas estava Bolsonaro. cena evocou as imagens em preto e branco de Benito Mussolini nos anos 1930 passeando por Roma, rodeado de camisas pretas. Essas estéticas são surpreendentemente semelhantes: não apenas para motocicletas. Há um mês o capitão aposentado fez um passeio a cavalo pelo centro de Brasília, ritual ao qual Mussolini também gostava. (Página 12, Argentina) | bit.ly/3wrbZe9

VACINA PFIZER/ Bolsonaro, agora, pede à Pfizer para antecipar a entrega de vacinas contra o coronavírus. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, pediu à americana Pfizer que antecipasse a entrega das vacinas contra o coronavírus contratadas por seu governo, depois de ignorar pelo menos uma oferta da farmacêutica em 2020 e semear dúvidas sobre a eficácia da fórmula. “Pedimos, entre outras questões, que verifiquemos a possibilidade de antecipar ao máximo as doses contratadas deste primeiro contrato”, disse o secretário executivo do Ministério da Saúde, Rodrigo Cruz em vídeo conferência. A rapidez agora exigida pelo governo Bolsonaro contrasta com a demora em responder à primeira oferta feita pela Pfizer em agosto de 2020 e que o gabinete da presidente ignorou por meses até que finalmente em março deste ano foi assinado o contrato de compra. 100 milhões de doses. (El Diário, Espanha) | bit.ly/2TBSGQQ

BOLSONARISTAS/ Os "bolsonaristas" reclamam a perda de milhares de seus seguidores no Twitter. Aliados do presidente brasileiro, o de extrema direita Jair Bolsonaro, reclamaram da perda repentina de milhares de seus seguidores no Twitter, que informarou que haviam realizado um procedimento de rotina contra contas suspeitas. O Twitter informou em nota enviada à mídia local que apenas realizou um procedimento de rotina contra relatos de "comportamento suspeito", a fim de evitar a proliferação de robôs na rede social. “Para proteger a integridade e legitimidade das conversas em seu serviço, o Twitter solicita regularmente que contas com comportamento suspeito em todo o mundo confirmem detalhes como senha ou número de celular, verificando se há uma pessoa por trás delas”, indicou. (El Diário, Espanha; Diario Correo, Peru) | bit.ly/3wtGwI2 | bit.ly/3xnVZcN

NETANYAHU/ Bolsonaro se despede de seu "amigo" Netanyahu e promete permanecer ao lado de Israel. O presidente brasileiro Jair Bolsonaro se despediu de seu "grande amigo" Benjamin Netanyahu como primeiro-ministro israelense. “Agradeço a Netanyahu, meu grande amigo, pelo excelente trabalho que pudemos desenvolver juntos no fortalecimento da aliança entre nossos países na promoção do bem-estar de nossos povos. Tenho certeza que não faltará sorte e seu imenso talento nesta nova etapa", escreveu Bolsonaro em seu perfil oficial no Twitter. (El Diário, Espanha) | bit.ly/3pXjc3e

VACINA BUTANVAC/ Vacina ButanVac vai custar R$ 10 por dose, um sétimo das outras, diz Dória. Na semana passada, a Anvisa concedeu autorização para que o Instituto Butantan, de São Paulo, realizasse testes da sua vacina contra a Covid-19, ButanVac, em humanos. A vacina é 100% brasileira. A CoronaVac, do laboratório Sinovac, custa R$ 58,20 a dose, enquanto a Pfizer/Biontech é vendida por R$ 100 por dose. Já a AstraZeneca/Oxford custa cerca de R$ 20. (Sputnik News, Rússia) | bit.ly/35kDYjt

ÍNDIOS/ Brasil autoriza polícia de elite em terra indígena invadida por mineiros. O Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil autorizou, esta terça-feira, o uso da Força Nacional no território indígena Yanomami, maior reserva em extensão territorial do país, onde mineradores têm provocado conflitos e ameaçado indígenas. Desde maio, indígenas que vivem na área são ameaçados por mineradores ilegais que chegaram a efetuar disparos contra os habitantes de uma aldeia localizada no estado de Roraima. Líderes indígenas afirmaram que duas crianças Yanomami, de 1 e 5 anos, foram encontradas mortas na comunidade de Palimiú depois do ataque armado de mineradores. (Jornal de Notícias, Portugal) | bit.ly/35kxtxc

COPA AMÉRICA/41 casos Covid-19 ligados a evento da Copa América. O Ministério da Saúde do Brasil documentou 41 casos de Covid-19 relacionados à Copa América, incluindo 31 jogadores ou funcionários e 10 trabalhadores que foram contratados para o evento. (The Independent, Inglaterra; Telesur, Venezuela) | bit.ly/2RXRLtt | bit.ly/3gw7R7b

COVID-19/ O Brasil registra 827 mortes por Covid-19 em 24 horas. O Brasil registrou 827 mortes por Covid-19 nas últimas 24 horas, elevando o número acumulado de mortes para 488.228. Também foram registrados 39.846 casos novos nas últimas 24 horas, elevando o total acumulado de infectados para 17.452.612. (La Jornada, México) | bit.ly/2TyXsyt

2. NOTÍCIAS DO MUNDO

NICARÁGUA/ O golpe mais simbólico de Daniel Ortega na Nicarágua. O regime deteve três importantes figuras do sandinismo, camaradas do presidente nicaraguense na luta guerrilheira contra a ditadura de Somoza. Daniel Ortega desferiu um duro golpe contra o sandinismo. O presidente da Nicarágua, um ex-guerrilheiro que se tornou autocrata, ordenou no domingo a prisão de três destacadas figuras sandinistas e ex-companheiros de armas na luta contra a ditadura da dinastia Somoza (1937-1979): Dora María Téllez, Víctor Hugo Tinoco e Hugo Torres. (El País, Espanha) | bit.ly/3pS8WsU

NICARÁGUA/ Governo acusa oponentes presos de estarem a soldo dos Estados Unidos. O governo da Nicarágua acusou na segunda-feira os quatro oponentes e potenciais candidatos presidenciais presos pelas autoridades de serem "usurpadores" financiados pelos Estados Unidos para derrubar o presidente Daniel Ortega. Esses oponentes, presos cinco meses antes das eleições presidenciais, não "representam a verdadeira oposição na Nicarágua", disse o governo em um texto intitulado "Nicarágua: em defesa da soberania e do Estado de Direito". "A única coisa em comum que este grupo de usurpadores tem é sua lealdade ao governo dos Estados Unidos", acrescentou o governo, que estima que "por meio de suas respectivas ONGs receberam milhões de dólares" de Washington para "derrubar o governo eleito" do Presidente Ortega. (La Presse, Canadá) | bit.ly/3gxr8Ut

PERU/ Mario Vargas Llosa e seu esforço para demonizar Pedro Castillo. Levantou o espectro da fraude na derrota virtual de Keiko Fujimori. Em outra de suas tentativas de lançar dúvidas sobre a vontade popular ao dar as costas à direita conservadora, o escritor Mario Vargas Llosa saiu para levantar o espectro da "fraude". Ele deu sustentação às denúncias sobre supostas irregularidades levantadas por Keiko Fujimori e pediu para esperar que a mesa eleitoral as confirme ou não aceite a derrota. Em entrevista a uma mídia espanhola, Vargas Llosa reconheceu que "a palavra fraude é muito perigosa" e se recusou a admitir a vitória de Pedro Castillo por quase 50 mil votos de diferença. (Página 12, Argentina) | bit.ly/3gqqLw7

EUA – EXTREMA DIREITA/ Autoridades eleitorais dos EUA ainda atormentadas por ameaças após certificar a derrota de Trump. Uma enxurrada de ameaças de morte contra funcionários e voluntários de partidários do ex-presidente pode dificultar o recrutamento de funcionários eleitorais. As implacáveis alegações falsas de Trump de que o voto foi "fraudado" contra ele desencadeou uma campanha para aterrorizar os funcionários eleitorais em todo o país, desde altos funcionários como Raffensperger até os trabalhadores eleitorais locais de nível mais baixo. Enquanto relatos de ameaças contra autoridades da Geórgia surgiram nas acaloradas semanas após a votação, entrevistas com mais de uma dúzia de trabalhadores eleitorais e altos funcionários - e uma revisão de textos perturbadores, mensagens de voz e e-mails que eles e suas famílias receberam - revelam a amplitude e a severidade das táticas ameaçadoras. (The Guardian, Inglaterra) | bit.ly/35oOeYi

GUERRA FRIA: EUA-RÚSSIA/ GUERRA FRIA/ Nenhum sinal de degelo entre a Rússia e os EUA antes da cúpula de Genebra. Analistas dizem que o evento será "enfadonho", já que ambos os lados tentam reiniciar após o encontro catastrófico entre Trump e Putin em 2017. Os sinais de um degelo entre a Rússia e os EUA antes da cúpula de quarta-feira não são imediatamente evidentes na TV estatal, mas, novamente, esse é o último lugar onde eles estariam. (The Guardian, Inglaterra) | bit.ly/3pUYtNe

GUERRA FRIA: EUA-CHINA/ A OTAN amplia o foco para a China, uma vitória de Biden em sua primeira viagem à destruída aliança. Os líderes da Otan na segunda-feira concordaram em direcionar sua aliança para uma postura mais confrontadora em relação à China, uma mudança histórica enquanto o presidente Biden buscava impulsionar e reorientar a organização após as erupções e conflitos que marcaram a era Trump. (The Washington Post, EUA) | wapo.st/2TAUZDp

GUERRA FRIA: CHINA/ A China rebate as afirmações da Otan, diz que não vai recuar diante de desafios sistêmicos. A China respondeu na terça-feira sobre as acusações contra a China de um comunicado divulgado após a conclusão da cúpula da OTAN e advertiu que não se recuaria se quaisquer outros representassem desafios sistêmicos para ela, e que observará de perto os ajustes estratégicos da OTAN em relação à China. As afirmações da OTAN caluniaram o desenvolvimento pacífico da China, julgaram mal a situação internacional e seu próprio papel e continuaram a mentalidade da Guerra Fria misturada com política de grupo. (Global Times, China) | bit.ly/3iEFV2l

ISRAEL-EXTREMA DIREITA/ Israel-Palestina, conflito sem fim? Em Israel, uma marcha da extrema direita na terça-feira em Jerusalém Oriental, provoca temor de conflitos. Ativistas judeus nacionalistas e de extrema direita obtiveram permissão para se reunir na terça-feira na área ocupada palestina da Cidade Santa e novos conflitos podem ocorrer. O novo governo de Israel deu luz verde a uma polêmica marcha na terça-feira (15 de junho) de ativistas judeus nacionalistas e de extrema direita em Jerusalém Oriental, realizada na área ocupada palestina da Cidade Santa, aumentando o temor de mais violência. (Libération, França) | bit.ly/2TsVHTk

FILIPINAS/ Rumo a uma investigação sobre a guerra às drogas de Duterte. Acusações de crimes contra a humanidade. Dezenas de milhares de mortos. A promotora do Tribunal Criminal Internacional (TPI) disse na segunda-feira que pediu uma investigação sobre os assassinatos ordenados entre 2016 e 2019 pelo presidente filipino Rodrigo Duterte em sua guerra contra as drogas. O TPI lançou um exame preliminar sobre esses crimes em fevereiro de 2018. (Libération, França) | bit.ly/3vrVLjm

VACINA PFIZER/ Pfizer investiga vacinados que contraíram doença. “Dados imunológicos, clínicos do 'mundo real'” serão usados para determinar, “quando for necessário”, uma vacina de reforço, revelou um especialista em epidemiologia clínica da empresa. Em 30 de abril, foram detectados 10.200 casos de infecção em pessoas vacinadas nos Estados Unidos contra ou covid-19. (Diário de Notícias, Portugal) | bit.ly/3gqpODR

3. ARTIGOS/ENTREVISTAS

Shi Zhengli, entrevista – China/coronavírus (The New York Times, EUA) | “As especulações sobre seu laboratório em Wuhan são infundadas. Mas o sigilo habitual da China torna suas afirmações difíceis de validar.” | nyti.ms/3vAsqUh

Daniel Ellsberg, entrevista – EUA/Guerra Fria (El Diário, Espanha; Democracy Now, EUA) | “Nunca me arrependi” | bit.ly/35kxrW6 | bit.ly/3wtrVML

L’Obs, reportagem - Europa/Brexit (Le Nouvel Observateur, França) | “O que é a 'guerra da salsicha' entre o Reino Unido e a União Europeia?” | bit.ly/3gytTVl

Michel Löwy – Che Guevara (Jacobinlat, América Latina) | “Nem plágio, nem cópia: Che Guevara em busca de um novo socialismo” | bit.ly/3zw0CDp

José Carlos LLerena Robles e Vijay Prashad – Peru (Counterpunch, EUA) | “O golpe que está ocorrendo no Peru” | bit.ly/3vm6fRj

Giacomo Gabellini – Capitalismo global/tributação (Sinistra in Rete, Itália | “A ilusão da globalização fiscal” | bit.ly/3wvoSne

Ariel Gold – Israel (Common Dreams, EUA) | “Novo governo israelense, mesmo apartheid israelense” | bit.ly/3vrVLzS
 


Créditos Carta Maior