sábado, 17 de maio de 2014

Coreia do Norte constrói dois navios de combate ultramodernos

Coreia do Norte constrói dois navios de combate ultramodernos
Foto: Flickr.com/John Pavelka/cc-by
Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_05_16/Coreia-do-Norte-constoi-dois-navios-de-combate-ultramodernos-4754/



Fotografias de satélite comprovam que a Coreia do Norte possui dois navios de combate ultramodernos – os maiores que este país construíu nos últimos 25 anos. Esta informação foi divulgada pelo portal de internet 38 North.


Os especialistas do portal afirmam que os dois navios de guerra ultramodernos da Coreia do Norte dispõem de helipontos, capazes de receber uma só aeronave. Os navios estão munidos também de complexos de mísseis especiais destinados a combater os submarinos da Coreia do Sul.
Joseph Bermudez, perito americano competente em armamentos da Coreia do Norte, declarou que, na última década, as autoridades da Coreia do Norte têm conseguido prosseguir na construção de navios de guerra apesar de todas as sanções econômicas por parte da comunidade internacional e da estagnação na economia e na indústria. Na sua opinião, esta circunstância deve fazer com que a direção dos outros países avalie a eficiência das medidas que visam impedir o incremento do potencial militar de Pyongyang.

terça-feira, 13 de maio de 2014

Putin tem estratégia incerta, mas objetivos claros no leste da Ucrânia

Foto: Reuters
Opositores no leste da Ucrânia realizaram referendo de autodeterminação no fim de semana


Moscou - 13/05/14 - Há apenas quatro dias, o presidente russo, Vladimir Putin, pediu que grupos pró-Rússia no leste da Ucrânia adiassem um referendo - realizado no domingo - sobre a autodeterminação da região.
Já na segunda-feira, o Kremlin descreveu a votação de domingo nas regiões de Donetsk e Luhansk como "a vontade do povo" e deixou claro que a Rússia respeitaria os resultados.
Não foi feita nenhuma menção à ausência de observadores internacionais durante as votações, à falta de listas de eleitores atualizada ou à questão bastante confusa nas cédulas de voto.
Apesar da sugestão de Putin para que a votação fosse adiada, a simpatia de Moscou aos grupos pró-Rússia no leste da Ucrânia nunca esteve em dúvida.
Basta assistir à televisão russa sobre a crise na Ucrânia para ver isso - o canal de notícias da TV estatal teve extensa cobertura positiva na segunda-feira dos "Referendos do Povo".
No domingo, uma sala de votação chegou a ser aberta em Moscou para expatriados ucranianos.
Esse apoio envia uma mensagem para os adversários do Kremlin: as autoridades ucranianas podem classificar os referendos como "farsa" com "nenhum peso legal" ou políticos ocidentais podem alegar que os plebiscitos têm "credibilidade zero". Mas a Rússia ainda apoia aqueles que buscam maior autonomia - ou mesmo independência - de Kiev. Enquanto essa posição continuar, Kiev vai sofrer para restaurar sua autoridade em partes do leste da Ucrânia.

Esfera de influência

Mas será que isso vai continuar? Qual é o jogo final de Putin?
De acordo com a edição de segunda-feira do tabloide russo Vedomosti, ele está longe de estar claro.
"Putin mantém seus oponentes em um estado de tensão constante, atacando-os quando e onde ele quiser", disse o jornal. "(Na Ucrânia), ele não tem uma estratégia. Ele apenas reage aos acontecimentos."
Se este for o caso, torna-se difícil prever o próximo movimento do Kremlin. Mas a breve declaração da Rússia na segunda-feira sobre o referendo dá algumas pistas: pede por "diálogo" e "implementação" pacífica dos resultados da votação.

Votação na Ucrânia
Moscou pode considerar que governo fraco em Kiev e instabilidade no leste da Ucrânia podem lhe favorecer.

O Kremlin pode não ter uma estratégia. Mas seus objetivos são claros: manter influência em pelo menos parte da Ucrânia e garantir que nem todos na Ucrânia abracem a União Europeia ou - o maior pesadelo da Rússia - a Otan, a aliança militar do Ocidente.
É por isso que Moscou pode considerar que um governo central fraco em Kiev e a contínua instabilidade no leste da Ucrânia podem lhe favorecer.
Na TV russa na segunda-feira, um proeminente político ucraniano pró-Rússia pediu a Donetsk e Luhansk e outras regiões do leste e sul da Ucrânia que formem um Estado independente chamado de Novorossiya (Nova Rússia).
Esse "Estado" seria inevitavelmente leal a Moscou.
Seria, então, a Novorossiya parte do plano de longo prazo do Kremlin de manter influência em grande parte da Ucrânia? Isso poderia envolver assistência militar russa para aqueles em conflito com Kiev?
Ou será que a estratégia de curto prazo de Moscou tem mais a ver com desestabilizar as próximas eleições presidenciais na Ucrânia?
Ao impedir que a votação ocorra em grande parte do leste, a Rússia pode esperar deslegitimar o novo presidente, uma figura que provavelmente será pró-Ocidente.
Ou não há nenhum plano, apenas uma prontidão em Moscou para reagir aos fatos?
A menos de duas semanas das eleições presidenciais na Ucrânia, se o Kremlin tem um plano, ele deverá revelá-lo em breve.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Ex-chefe de inteligência de Chávez é morto a tiros na Venezuela

Foto Sainti Donaire/EFE
Caracas/ Venezuela - 30/04/2014 - O major do Exército Venezuelano, Eliézer Otaiza, ex-chefe da inteligência de Hugo Chavez foi morto a tiros na última segunda-feira ( 28). Um suspeito do crime já foi preso, porém o governo não divulgou sua identidade. Leia matéria completa


sábado, 1 de março de 2014

Legislativo russo autoriza Putin a usar força militar na Ucrânia

Em resposta a pedido do presidente Vladimir Putin, a câmara alta do Legislativo russo autorizou neste sábado (01/03) por unanimidade o uso em potencial de força militar na Ucrânia. Após a requisição de Moscou, o presidente interino da Ucrânia, Oleksander Turchinov, convocou uma reunião de emergência com sua equipe de defesa nacional para discutir os próximos passos.
Putin enviou o pedido ao Legislativo em função da "situação extraordinária" que ocorre no país vizinho. O chefe de Estado russo afirmou que a medida é necessária para proteger a população de maioria étnica russa que vive na Crimeia, bem como a vida dos oficiais que atuam na base militar que o país mantém na região.
Agência Efe
Diante de militar não identificado, população pró-Rússia se junta em frente em praça distrito autônomo da Crimeia, na Ucrânia

A legislação do país prevê que o emprego das forças armadas no exterior precise apenas do aval do Senado; a autorização da câmara baixa russa não é necessária.
O líder do Executivo regional da Crimeia já havia pedido à Rússia ajuda para preservar a segurança do território autônomo da Crimeia, região pró-Rússia que possui relativa independência do governo central da Ucrânia.
Aparição de Yanukovich
Na madrugada de hoje, a chancelaria russa já havia denunciado que homens armados partiram de Kiev em direção e tentaram invadir prédios públicos na capital da Crimeia, distrito pró-Rússia que se opõe ao afastamento do presidente eleito Viktor Yanukovich. O ataque, segundo informou a chancelaria da Rússia, deixou inúmeros feridos.
Autoridades do governo provisório da Ucrânia também afirmaram que militares russos estavam tomando pontos estratégicos na República Autônoma da Crimeia, região que possui relativa independência do governo central da Ucrânia.
Ontem, o presidente afastado da Ucrânia fez sua primeira aparição pública após deixar Kiev, há uma semana. Em entrevista coletiva em uma cidade no sul da Rússia, Yanukovich afirmou que não foi formalmente deposto e que ainda é o presidente do país. Ele acusou o Ocidente pelo fracasso do acordo firmado com a oposição sob a mediação da União Europeia.

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Companheiro de turma rema 40 min para driblar o transito do Rio de Janeiro.

Para driblar o trânsito, o major Wolney Mello faz o trajeto entre o Rio e Niterói de caiaque. Ele mora em Charitas, em Niterói, na Região Metropolitana e trabalha na Escola de Educação Física do Exército, na Urca, na Zona Sul do Rio, conforme mostrou o Bom Dia Rio nesta quinta-feira (20).
O major faz o percurso de sete quilômetros em aproximadamente 50 minutos. "Eu chego remando e ainda vou direto para o treinamento físico militar. Então, eu que gosto de atividade física, pra mim é o paraíso”, contou o major Wolney. Se o trajeto fosse feito de carro, o tempo gosto seria de cerca de 1h40. Major usa caiaque para driblar trânsito da Ponte Rio-Niterói.
Enquanto o major Wolney Mello fez o trajeto remando, uma equipe do Bom Dia fez o caminho que ele faria caso fosse de carro – Charitas, em Niterói, para a Urca (confira no vídeo do topo da página).
Wolney Mello contou que já faz o percurso há um ano e meio. Durante o trajeto, ele falou que já encontrou até golfinhos. “No caminho tem muita vida marinha, tem muita tartaruga, muito peixe pulando, em certas épocas do ano tem golfinho aqui também”, revelou.
Um problema ambiental que o major encontra diariamente é a sujeira na superfície da Baía de Guanabara. “Óleo e esgoto não tem tanto, já está bem melhor, mas a sujeira superficial é uma companheira nossa  constante aqui nas remadas”.
Os barcos grandes não oferecem perigo às remadas, contou o major. “O cargueiro por ele ser tão grande ele não faz tanta onda quando uma lancha normal. Então, é só esperar um pouco, a frente dele é curta. Se você der quatro remadas já passou”.
Wolney Mello faz o trajeto em aproximadamente 50 minutos (Foto: Reprodução/TV Globo)Wolney Mello faz o trajeto em aproximadamente 50 minutos (Foto: Reprodução/TV Globo)
O militar contou que rema desde os 14 anos. “Já são mais de 20 anos na água. Mas para uma pessoa que está começando, é recomendável procurar uma escolinha de caiaque, tem na Urca, em Niterói, procura porque vale a pena. Todos os problemas da minha vida eu resolvo aqui, de maneira muito mais sensata, muito mais tranquila. Esse contato com o mar, com a natureza me traz muita paz”, recomendou.
Depois das remadas diárias, o major Mello afirmou que se sente muito feliz. “O meu dia começa muito mais tranquilo quando eu venho remando. Não parece que eu estou chegando ao trabalho, parece que eu estou chegando no céu”, disse major Wolney Mello.

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Peru e Israel fortalecem laços de cooperação

Jerusalém (Israel), 17 fev (EFE), (Imagens: Javier Martín).=. Os presidentes, de Israel Shimon Peres, e do Peru, Ollanta Humala, expressaram nesta segunda-feira o desejo comum de fortalecer e estreitar através da cooperação econômica as "excelentes" relações de amizade que ambos países mantêm desde o estabelecimento do Estado judeu em 1948. Durante uma cerimônia na sede da Presidência israelense, Humala destacou o desejo de seu Governo de achar em Israel "caminhos de prosperidade além da pátria", que contribuam "no desenvolvimento dos dois povos unidos por desafios comuns". "Queremos assinalar que o Peru quer manter essa política de ser um parceiro importante para Israel na América Latina", disse o líder antes de ressaltar que o objetivo é consolidar os laços bilaterais no plano tecnológico e industrial. Por sua parte, Peres destacou a longa tradição de amizade e cooperação que une os dois países e lembrou que o Peru foi uma das primeiras nações a reconhecer o Estado de Israel no ano de sua fundação. "As relações são excelentes desde o primeiro momento. Peru voto a favor de nosso estado desde o princípio, é algo que nunca esqueceremos", afirmou. Após a cerimônia, os dois líderes se reuniram por trinta minutos e falaram sobre economia e política externa acompanhados de suas delegações. Créditos EFE

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Bloqueio dos EUA causou prejuízo superior a US$ 1 trilhão, diz Cuba

Casa Branca mantém embargo condenado pelas Nações Unidas em vinte assembleias anuais

Quando amanheceu o dia 7 de fevereiro de 1962, uma ordem executiva do presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy, assinada quatro dias antes, mudava drasticamente a vida dos cubanos. Como retaliação às nacionalizações de empresas norte-americanas e às crescentes relações com a União Soviética, a Casa Branca praticamente baniu vínculos comerciais com a ilha caribenha, além de proibir linhas de crédito e vários outros tipos de intercâmbio. Tinha início um dos mais duradouros e drásticos bloqueios econômicos da história moderna.

O ato administrativo de Kennedy, do Partido Democrata, foi parte de uma escalada inaugurada com a vitória da Revolução Cubana, no dia 1º de janeiro de 1959. Pouco mais de 15 meses após o triunfo da guerrilha liderada por Fidel Castro, o presidente Dwight D. Eisenhower, republicano, havia apresentado ao Congresso uma medida que reduzia em 700 mil toneladas a importação da cana-de-açúcar cubana.

Carlos Lattuf
No dia 3 de janeiro de 1961, Washington romperia relações diplomáticas com Havana. Quatro meses depois, em abril, com Kennedy já no comando, grupos oposicionistas, com apoio da CIA, foram derrotados durante invasão de Playa Girón, no litoral cubano, em operação militar destinada a derrubar o governo de Fidel. Humilhadas e enraivecidas, as correntes anticastristas encontraram abrigo norte-americano para novas aventuras. A chave-mestra era trancar a economia cubana de todas as formas possíveis.

“Ao longo desses 50 anos, as diversas medidas do bloqueio custaram mais de um trilhão de dólares ao nosso país”, afirma ao Opera Mundi o vice-ministro de Investimento Externo e Comércio Exterior, Orlando Guillén. “Os EUA não apenas romperam unilateralmente com o comércio, mas congelaram ativos do Estado cubano e estabeleceram punições a empresas de outros países que queiram ter relações normais conosco.”
Para se ter ideia do estrago, a conta é simples de ser feita. O PIB (Produto Interno Bruto) de Cuba alcançou, em 2009, a cifra de 110 bilhões de dólares. O bloqueio promovido pela Casa Branca ceifou, no mínimo, dez dos últimos 50 anos de tudo o que o país foi capaz de produzir em mercadorias e serviços. Não é pouca coisa.
Endurecimento
Com exceção do período em que governou o democrata Jimmy Carter, essas restrições só foram mais e mais endurecidas. Sem qualquer ternura. Os EUA, que clamam pelo visto de saída para a blogueira Yoani Sánchez, desde fevereiro de 1963 limitam severamente viagens de seus cidadãos para a ilha. Carter se negou, em 1979, a manter essa regulamentação, que deve ser semestralmente renovada, porém, Ronald Reagan a restabeleceu em 1982.

Outro republicano, George Bush, sancionou em outubro de 1992 a Ata para a democracia cubana, mais conhecida como Lei Torricelli. E um democrata, Bill Clinton, pôs sua assinatura, em 1996, na Ata para a liberdade cubana e a solidariedade democrática, popularmente tratada como Lei Helms-Burton. Ambas medidas ampliaram o bloqueio.

Filiais estrangeiras de empresas norte-americanas foram proibidas de comercializar com Cuba. Navios que passassem por seus portos, de qualquer bandeira, teriam que aguardar seis meses antes de lançar âncora em território da superpotência. Bancos que dessem crédito ou fizessem operações financeiras com Havana também passaram a ser vigiados e castigados.

“Tem mais gente fiscalizando nossas contas nos EUA que as da Al Qaeda”, ironiza Guillén. “Qualquer pagamento feito a partir de uma instituição bancária com ramificação norte-americana pode provocar multas e sanções.” Esse foi o caso, por exemplo, dos bancos Credit Suisse e UBS, processados em centenas de milhões de dólares, durante 2003 e 2004, por realizar transações que aparentemente violavam as leis do bloqueio. Uma das operações punidas foi a transferência de recursos do Fundo Mundial de Luta contra a AIDS, a Tuberculose e a Malária.

Efe

Apesar das severas consequências sobre a economia cubana, embargo não foi capaz de enfraquecer o comunismo na ilha

A lista de restrições é infindável. Nenhuma companhia de outros países pode exportar para os EUA produtos que contenham matéria-prima cubana. Um fabricante brasileiro de geleia, por exemplo, que utilize açúcar cubano, está lascado com o embargo. Nenhuma empresa estrangeira pode vender a Cuba produtos e serviços que utilizem tecnologia norte-americana excedente a 10% de seu valor. Qualquer empresário, não importa a nacionalidade, que investir em plantas industriais ou projetos sobre os quais pairem reivindicações indenizatórias norte-americanas, está sujeito a severas represálias.

Continuidade
Quando George W. Bush ocupou o Salão Oval, entre 2001 e 2008, as proibições ficaram ainda mais draconianas, com o recrudescimento de restrições contra o turismo, os investimentos e as remessas financeiras de familiares. Quando Barak Obama assumiu, em 2009, eram grandes as esperanças de alguma mudança. Mas seu único gesto foi, até agora, retornar ao quadro pré-Bush filho, liberando viagens de cubano-americanos e eliminando limites para as doações a parentes (atualmente equivalem a 400-600 milhões de dólares anuais, dependendo da fonte calculadora). Havana também pode comprar alimentos e remédios nos Estados Unidos, em situações emergenciais, desde que pague adiantado.

No ano passado, a Assembleia Geral das Nações Unidas deliberou pela 20ª vez contra o bloqueio. Apenas Estados Unidos e Israel votaram contra, enquanto 186 nações subscreveram a decisão, com três abstenções. Mesmo empresários norte-americanos gostariam de ver abolida essa relíquia da Guerra Fria, desejosos de fazer bons negócios com Cuba. Nada disso importa na avenida Pensilvânia.

A verdade é que o papel eleitoral da comunidade de refugiados cubanos e seus descendentes, concentrada na Florida, que foi decisivo nas últimas quatro eleições presidenciais, parece subordinar os movimentos de Washington e dos pretendentes ao mais poderoso trono do planeta.
Onze presidentes depois de vitoriosa a revolução cubana e iniciado o bloqueio, a Casa Branca continua com a mesma orientação. Seu objetivo não foi alcançado, pois os comunistas continuam governando Havana. Como recompensa a tamanho sacrifício imposto ao povo cubano, os Estados Unidos talvez tenham conseguido apenas um dos mais espetaculares fracassos em política internacional no último meio século.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

“Uma África livre da fome até 2025” – conclama a União Africana

  • Divulgação/AU
A União Africana divulgou nesta quarta-feira (5) o texto de uma importante decisão aprovada por sua XXII Sessão da Conferência de Chefes de Estado e de Governo, encerrada dia 31 de janeiro, em Adis Abeba, Etiópia. Nela os líderes africanos firmam seus compromissos para erradicar a fome na África até o ano de 2025.
A decisão tem extremo significado para o continente que, apesar de passar por um intenso processo de desenvolvimento econômico neste século XXI, ainda convive com cerca de um quarto da população, de mais de um bilhão de habitantes, em situação de insegurança alimentar. Ao se unirem agora com este mesmo objetivo, os representantes dos 54 Estados-Membros da União Africana reafirmam os desejos de integrar o continente na direção de uma maior justiça social, exatamente neste ano que definiram como ano da “Agricultura e da Segurança Alimentar”.
A resolução da União Africana é particularmente especial para o Instituto Lula, pois foi adotada a partir do relatório oficial que lhe foi encaminhado pela “Reunião de Alto Nível sobre a Parceria Renovada para Abordagens Unificadas para Erradicar a Fome na África até 2025 no Âmbito do Programa Compreensivo Para o Desenvolvimento da Agricultura na África (CAADP)”.
O Encontro de junho/julho de 2013
Essa reunião foi organizada pela União Africana, em parceria com a FAO e o Instituto Lula, nos dias 29 e 30 de junho e 1º de julho de 2013, também em Adis Abeba.
Ela contou com a presença de mais de 400 pessoas, entre elas sete chefes de Estado ou de Governo africanos, a presidenta da União Africana, Dlamini-Zuma, e o diretor-geral da FAO, José Graziano da Silva. Além do ex-presidente Lula, o Brasil esteve representado pela ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e por representantes da Embrapa e de universidades brasileiras. Os brasileiros apresentaram as políticas públicas e programas sociais exitosos no combate à exclusão social no Brasil, consideradas pelos parceiros africanos “novas abordagens”.
Também estiveram presentes os ministros da Agricultura de todos os países africanos, representantes dos governos da China e do Vietnã, dirigentes dos mais importantes organismos multilaterais, diretores de grandes ONGs com atuação na África, acadêmicos e cerca de uma centena de representantes de movimentos sociais de países africanos.
Esse fórum aprovou uma Declaração Final que indica diretrizes para o combate pela erradicação da fome na África até 2025 e um Roteiro de Atividades, a determinar as ações concretas a serem executadas com esse fim. Aprovou também a formação de dois organismos dirigentes deste processo, o Comitê Diretivo e o Comitê Técnico, formados por representantes da União Africana, da FAO, do NEPAD e do Instituto Lula.
A decisão da União Africana
Exatamente essas diretrizes foram referendadas agora pelo conjunto de chefes de Estado e de Governo da União Africana, que subscreveram formalmente a Declaração de 2013.
A Decisão aprovada neste dia 31 de janeiro pela XXII Conferência “felicita a União Africana, a FAO e o Instituto Lula, do Brasil, por seus esforços colaborativos na bem-sucedida organização da Reunião de Alto Nível”. Também solicita às três instituições parceiras “a continuarem a trabalhar juntos para apoiar os Estados-Membros nos seus esforços para alcançar a visão de uma África livre da fome até 2025” e a “intensificar seu apoio técnico e financeiro para materializar essa visão”.
Por fim, a Decisão faz um chamamento a todos os Estados-Membros “a investir na juventude, a fim de permitir-lhes contribuir de forma efetiva para a transformação agrícola”.
Muito felizes com esse desfecho, que concretiza uma das principais missões do Instituto Lula – a contribuição para a melhoria das relações do Brasil com a África – agora é o momento de discutir com nossos amigos, parceiros e colaboradores os próximos passos e a agenda de atividades decorrentes desta gratificante resolução.
Celso Marcondes. Coordenador-executivo do Iniciativa África este presente à XXII Conferência da União Africana
Leia a íntegra da Decisão da XXII Conferência da União Africana:
DECISÃO SOBRE O RELATÓRIO DA REUNIÃO DE ALTO NÍVEL SOBRE A REUNIÃO DE ALTO NÍVEL SOBRE A PARCERIA RENOVADA PARA ABORDAGENS UNIFICADAS PARA ERRADICAR A FOME NA ÁFRICA ATÉ 2025 NO ÂMBITO DO PROGRAMA COMPREENSIVO PARA O DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA NA ÁFRICA (CAADP)
Doc. EX.CL/812(XXIV)
O Conselho Executivo,
1. TOMA NOTA do Relatório da Reunião de Alto Nível sobre Parcerias que visam Erradicar a Fome na África, que foi realizada no dia 29 de junho de 2013, em Adis Abeba, Etiópia; e SUBSCREVE a “Declaração da Reunião de Alto Nível para a Erradicação da Fome na África até o ano 2025”;
2. FELICITA a Comissão, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Instituto Lula, do Brasil, por seus esforços colaborativos na bem-sucedida organização da Reunião de Alto Nível;
3. EXORTA Estados-Membros a se comprometerem e trabalharem para alcançar a visão de uma África livre da fome até 2025, efetivando a Declaração de Maputo, de julho de 2003, relativa à Agricultura e Segurança Alimentar;
4. SOLICITA à Comissão, FAO e Instituto Lula a continuarem a trabalhar juntos para apoiar os Estados-Membros nos seus esforços para alcançar a visão de uma África livre da fome até 2025;
5. SOLICITA à Comissão e NPCA para integrar esta visão e estratégia dentro dos quadros de planejamento, monitoramento e relatoria do CAADP;
6. SOLICITA aos parceiros para intensificar o seu apoio técnico e financeiro para materializar esta visão;
7. INCENTIVA os Estados-Membros a investir na juventude, a fim de permitir-lhes contribuir de forma efetiva para a transformação agrícola.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Rússia ignora acordo com os EUA e testa míssil

Congresso dos EUA cobra postura firme da Casa Branca para responder ao Kremlin. Governo americano também se preocupa com testes militares da China

Putin em reunião com Obama no México em 2012
Vladimir Putin e Barack Obama em uma reunião (Jason Reed/Reuters)
Rússia testou um novo míssil de médio alcance disparado por terra ignorando um acordo de controle de armas intercontinentais, afirmam os Estados Unidos. A informação é da edição desta quinta-feira do New York Times (NYT). Segundo o jornal, Washington informou neste mês aos seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que a Rússia vem realizando testes desta arma desde 2008.
Em 1987, Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev, respectivamente o presidente dos EUA e o chefe máximo da então União Soviética (URSS), assinaram um tratado que previa o banimento de testes de mísseis de médio alcance (até 5.400 quilômetros). Mesmo com o fim da URSS, em 1991, o acordo foi mantido por Rússia e EUA. "Os Estados Unidos nunca hesitaram em questionar o cumprimento do tratado com a Rússia, e essa questão não é uma exceção", disse Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado, conforme relatado pelo NYT. "Há um processo de revisão em curso, e nós não gostaríamos de especular o resultado", completou a porta-voz.

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O jornal também citou outras autoridades americanas não identificadas afirmando que, sem dúvida alguma, os testes violam o tratado. Membros do Congresso familiarizados com o assunto informaram o NYT que os testes já vêm acontecendo há mais de um ano e pressionam a Casa Branca por uma postura mais firme com Moscou.

A disputa pública sobre os testes pode tornar-se mais um empecilho para a relação já conturbada entre Washington e Moscou. Nos últimos meses, a relação foi desgastada por diferenças sobre como acabar com o conflito na Síria, o asilo temporário concedido a Edward Snowden pela Rússia, ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), e, mais recentemente, a turbulência na Ucrânia.


China – Além do caso envolvendo os testes russos, os EUA também estão preocupados com as atividades militares recentes da China. Na terça-feira, o Pentágono informou que em 9 de janeiro a China realizou com sucesso o teste de um novo veículo aéreo militar de "ultra-alta velocidade" (ultra-high speed, em inglês) que representaria um sério desafio para a tecnologia de ponta do exército dos EUA.  
Durante uma audiência do Comitê de Defesa da Câmara na terça-feira, Frank Kendall, subsecretário de Defesa, alertou que a China está aumentando drasticamente seus gastos militares, enquanto "os nossos orçamentos estão indo na direção oposta". Segundo o Pentágono, mísseis com nova tecnologia hipersônica da China seriam capazes de penetrar o sistema americano de defesa balística e transportar ogivas nucleares a uma velocidade recorde – o veículo aéreo não-tripulado chinês é capaz de voar a uma velocidade entre 3.800 e 12.000 quilômetros por hora. Créditos VEJA

sábado, 25 de janeiro de 2014

Argentina estuda compra de caças de Israel. Inglaterra treme nas bases



Kfir Israelense

BUENOS AIRES - O governo da presidente Cristina Kirchner estaria na reta final de uma negociação para comprar 18 aviões de combate israelenses Kfir Block 60, construídos pela Indústria Aeroespacial de Israel (IAI), segundo fontes próximas à transação. O passo da Casa Rosada formalizaria o abandono das negociações com a Força Aérea da Espanha para a aquisição de 16 aviões Mirage F-1, também de segunda mão.

Um dos motivos da opção pelos aviões israelenses seria a tentativa de Buenos Aires de reduzir a tensão com o governo de Israel após Cristina fechar um pacto com o Irã, há um ano, para uma investigação conjunta sobre o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994. Do lado técnico, o argumento é que Israel tem o modelo de melhor qualidade.
No ano passado, quando anunciou as conversações com a Espanha, o governo Kirchner destacou que a compra desses aparelhos, com 39 anos de uso, incluiria o treinamento dos pilotos argentinos. A transação era estimada em US$ 220 milhões. O negócio provocou, na época, uma série de críticas por parte de oficiais da aeronáutica e de integrantes da oposição. O ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, chegou a condenar a aquisição sem licitação prévia. "Os caças foram usados primeiro pela Jordânia e, depois, pela Espanha. Estão com quase 200 mil horas de voo", acusou Lavagna, integrante do gabinete do ex-presidente Néstor Kirchner.
Os Kfir são aparelhos com mais de 40 anos de fabricação. Foram amplamente revitalizados e contam com os motores americanos J-79 da General Electric, um radar eletrônico AESA moderno, além de armamento atualizado. A transação envolve alguma transferência de tecnologia. Mas os Kfir custariam mais do que os Mirage, já que para tê-los seria necessário desembolsar US$ 500 milhões.
Do total de aparelhos negociados, seis seriam entregues prontos. O restante seria montado na Argentina, nas instalações da Fábrica Argentina de Aviões Brigadeiro San Martín. O trabalho teria a colaboração de técnicos israelenses.
A negociação chamou a atenção da Grã-Bretanha, que em razão das Malvinas - arquipélago controlado pelos britânicos, que as denominam Falklands, mas reivindicado pela Argentina - está atenta a rearmamentos no país. Apesar das ameaças de retaliação comercial do governo Kirchner, a Argentina nunca fez qualquer intimidação militar. A diplomacia britânica teria solicitado a Israel informações sobre os Kfir.

Fonte Estadão.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Rússia disputa Mediterrâneo com OTAN

Rússia, Chipre, bandeira
Colagem Voz da Russia
A imprensa ocidental classifica de "aventura arriscada" a intenção das autoridades cipriotas de autorizar o uso por militares russos do porto de Limassol e da base aérea de Paphos. Apesar de se falar apenas de situações de emergência, os analistas da OTAN já mostram preocupações pelo acordo que ainda não foi assinado.

Segundo as informações divulgadas pela imprensa cipriota, os ministros da Defesa da Federação Russa e da República de Chipre, Serguei Shoigu e Fotis Fotiu, estiveram negociando durante os últimos nove meses. O resultado dessas negociações foi a decisão do gabinete de ministros cipriota de facultar, em caso de necessidade, o uso do porto de Limassol e da base aérea Andreas Papandreou por navios de guerra e aviões militares russos. Segundo explicou Fotis Fotiu, esse passo comprova o reforço da cooperação entre Moscou e Nicósia. O ministro sublinhou que a Rússia iria usar a base aérea e o porto exclusivamente em situações de emergência e para missões humanitárias. Os militares russos não serão autorizados a usar os armazéns e paióis portuários ou da base aérea.
Apesar de esse acordo dar à Marinha e à Força Aérea russas possibilidades bastante limitadas e ainda nem estar assinado, alguns analistas já o qualificaram como um efeito do uso por Moscou de métodos diplomáticos brandos. Por outras palavras, a Rússia usa relativamente ao Chipre o poder brando, o soft power, para criar na ilha um posto militar avançado.
Durante todo o período pós-soviético, a Rússia e o Chipre mantiveram relações bastante estáveis de parceria na esfera diplomática, na área econômica e no âmbito da cooperação técnico-militar. Em 1992, o Chipre reconheceu a Rússia como sucessora da URSS, e apenas quatro anos depois os dois países celebraram o seu primeiro acordo na área da cooperação militar. A Rússia forneceu ao Chipre helicópteros de transporte e de combate, veículos blindados BMP-3, tanques T-80, sistemas de foguetes Grad e sistemas antiaéreos, incluindo o famoso S-300.
Depois da guerra civil de 1974 entre as comunidades grega e turca, a parte norte da ilha continua ocupada pelo exército turco. Parte do território é ocupada pelas bases militares britânicas de Akrotiri e Dhekelia. Na arena internacional Moscou apoia de forma consequente os esforços de Nicósia para a desmilitarização da ilha e para a resolução do chamado problema cipriota. Já quando a República de Chipre foi vítima da crise do euro, Moscou se disponibilizou para conceder um crédito a Chipre. Com esse panorama de fundo, não é de admirar que a Rússia tenha pedido aos cipriotas a possibilidade de usar as suas bases em caso de necessidade, constatou o diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias Ruslan Pukhov:
“O mais provável é se tratar da possibilidade de aí poderem aterrissar, por exemplo, aviões militares russos que transportam ajuda humanitária. É compreensível que esse tipo de acordos não seja do agrado de muitos adversários da Rússia e daqueles que não gostariam que o Chipre praticasse uma política externa e de defesa mais independente. Como se sabe, o Chipre não é membro da OTAN, mas é membro da União Europeia. A UE tem uma política comum, por isso é bem possível que Chipre seja pressionado por Bruxelas para que não coopere com Moscou”.
O acordo de princípio entre Nicósia e Moscou para o porto de Limassol e a base aérea Andreas Papandreou é um grande avanço, mas ainda puramente diplomático, considera o perito militar Vladislav Shuryguin:
“Do ponto de vista de eficiência militar, este ainda não é o acordo que poderia dar à Rússia, por exemplo, um aeródromo de apoio no Chipre. Aqui reside um pormenor que, evidentemente, preocupa bastante a OTAN. O Chipre, como país que não faz parte da OTAN, é de fato livre de escolher seus aliados e, por consequência, dar um tratamento preferencial aos seus aliados. Um passo desses em direção à Rússia seria certamente chocante. Se no Chipre surgir de repente, numa perspectiva futura, uma base russa, isso seria uma grande perda para o potencial da OTAN nessa região”.
Segundo Vladislav Shurygin, o Chipre é praticamente um porta-aviões inafundável. O surgimento no centro do Mar Mediterrâneo de uma base, a partir da qual  a aviação russa pode atuar e para onde podem ser rapidamente deslocadas várias dezenas de aviões, altera substancialmente o equilíbrio de forças na região. Claro que isso não pode deixar de preocupar a OTAN.
Contudo, a criação no Chipre de uma verdadeira base naval ou uma base aérea da Rússia, se isso for realmente possível, será um projeto para um futuro muito longínquo. Tanto mais, sublinha Shurygin, que o atual presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, tem como objetivo a adesão à OTAN.
Entretanto, os analistas ocidentais já calcularam que só a possibilidade de os aviões receberem combustível e os navios serem reabastecidos já irá aumentar consideravelmente o potencial da Força Aérea e da Marinha russas. E por que não?

Créditos Voz da Russia

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ROBERTO LOPES – EXCLUSIVO: LONDRES EXIGE QUE TEL-AVIV DIGA COMO SERÃO OS KFIRS ARGENTINOS

Ultimato reflete a indignação dos britânicos com a notícia de que Israel transferirá 18 caças para a Força Aérea Argentina; Itamaraty e Ministério da Defesa acompanham a crise por meio de seus representantes em Buenos Aires, Londres e Tel-Aviv. Créditos DEFESANET



Londres exige que Tel-Aviv diga
como serão os Kfirs argentinos


Roberto Lopes
Jornalista especializado em assuntos militares. Em 2000 graduou-se em
Gestão e Planejamento de Defesa no Colégio de Estudos de Defesa Hemisférica
da Universidade de Defesa Nacional dos Estados Unidos, em Washington
(Fort Leslie F. McNair). É também pesquisador associado ao Laboratório de
Estudos da Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo.
Autor de vários livros, em maio de 2001 publicou a monografia
“Oportunidade para Civis na Condução dos Assuntos da Defesa Nacional: o Caso do Brasil”.



O governo do Premiê David Cameron exige receber de Israel uma descrição pormenorizada dos sistemas – eletrônicos e de motorização – a serem embarcados nos 18 caças Kfir Block 60, que a IAI (Israel Aerospace Industries) tenciona transferir, no início de 2015, para a Força Aérea Argentina.

O ultimato foi apresentado no início de dezembro, por representantes diplomáticos e do Ministério da Defesa britânico, diretamente nos gabinetes dos ministros do Exterior e da Defesa de Israel. Os ingleses temem que as aeronaves sejam empregadas para localizar e intimidar as embarcações de duas companhias petrolíferas – uma dos Estados Unidos e outra da Inglaterra – que se preparam para viajar às Ilhas Malvinas, a fim de providenciar, ano que vem, o início das sondagens submarinas em duas áreas marítimas ao norte do arquipélago.

O assunto vem sendo monitorado desde o fim de 2013 pelo Itamaraty e pelo Ministério da Defesa em Brasília.

A postura agressiva de Londres repete o comportamento adotado em abril de 1982 junto ao governo da França, depois que os argentinos invadiram as Malvinas. Os britânicos exigiram um relato detalhado dos equipamentos que haviam seguido a bordo dos caças franceses Étendard, exportados a partir do fim de 1981 para a Marinha argentina. Mas apesar de Paris ter aceitado colaborar com os ingleses, o episódio teve um desfecho surpreendente.

Os franceses informaram que os poucos mísseis Exocet exportados juntamente com os aviões – dois para cada aeronave – não haviam sido integrados à aviônica de bordo e, portanto, não estavam operacionais. O  problema é que os militares argentinos conseguiram fazer a integração entre a arma e o caça, e os Exocets foram usados com sucesso contra a frota de Sua Majestade destacada para recuperar as ilhas...

Em novembro do ano passado, o Comitê de Controle de Exportação de Armas da Câmara dos Comuns aprontou um Report of the Committees on Arms Export Controls – 900 páginas distribuídas por três volumes – no qual a Argentina aparece como país proibido de receber quaisquer sistemas bélicos. Os ingleses têm motivos para estarem temerosos.

Nesta última terça-feira, 14 de janeiro, ao ser empossado como novo Secretário de Assuntos Relativos às Ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul do ministério das Relações Exteriores argentino, o ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Daniel Filmus, voltou a ameaçar as companhias e os técnicos que se dispuserem a explorar o petróleo das águas malvinenses com prisão e penas de reclusão em regime fechado.

A preocupação do governo Cameron com a exportação de caças Kfir para os argentinos começou ainda em agosto de 2013, quando a IAI admitiu que havia dois países interessados em adquirir uma versão modernizada dos velhos caças Kfir. Surgiram especulações de que esses clientes fossem as forças aéreas da Bulgária e das Filipinas, mas logo apareceu um rumor insistente sobre o interesse da Argentina.

A notícia ganhou espaço com a decisão do governo Cristina Kirchner de dispensar a oferta feita por Madri de 20 caças de segunda mão Mirage F-1M, dos estoques da Força Aérea Espanhola.

O oferecimento implicaria em um desembolso menor que aquele que caberá a Buenos Aires fazer para obter os jatos Kfir – 160 milhões de euros (217,6 milhões de dólares) contra 500 milhões de dólares – mas a diferença qualitativa entre os dois equipamentos justifica o gasto maior.

Os Mirages espanhóis chegariam à Argentina praticamente “depenados”:

a) o GPS de alta precisão embarcado nas aeronaves espanholas opera por meio de um código conhecido como P(Y) só autorizado para forças aéreas integrantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte);
b) o sistema de identificação de aeronaves amigas/inimigas dos Mirage espanhóis conta com um interrogador que funciona por meio de uma chave criptografada também só disponível para nações filiadas à Otan;
c)  o radar Cyrano IVM do Mirage ofertado não possui capacidade de detecção diretamente para baixo, o que limita o emprego de mísseis de médio alcance por parte da aeronave;
d) os Mirages espanhóis também seriam entregues ao argentinos sem a interface eletrônica entre os sensores e os mísseis ar-mar Exocet;
e) os jatos teriam a base de dados (“biblioteca de ameaças”) do sistema alerta-radar INDRA ALR-300 vazia (!), já que esse sistema é igualmente controlado pela Otan (a Espanha prometeu fornecer um software semelhante, que não inspirou confiança aos argentinos);
f) os F-1M espanhóis destinados aos argentinos não poderiam ser equipados com os lançadores de chaff e bengalas despistadoras (de mísseis) AN/ALE-40, porque esse sistema, inicialmente produzido pela empresa americana Tracor, é, desde 1999, produzido pelo grupo britânico BAE System, e,
g) o antiquado sistema Barax Mod. 31, de interferência em emissões de radar do inimigo, não teria muita utilidade para os argentinos, já que havia sido modificado para atender os objetivos da Força Aérea Espanhola.

Em contraposição a todas essas limitações, o Kfir Block 60 deverá chegar aos seus clientes – Argentina inclusive – dotado de um moderno radar AESA EL/M-2052, que permite detecção ar-ar e ar-superfície a grande distância e com baixos níveis de emissão (indiscreção que favorece a plotagem pelo inimigo). O sistema de alerta-radar da marca Elisra permite a identificação de um alvo a distâncias maiores que 150 km.

O sistema de conexão e gerenciamento de dados do caça Kfir Block 60 não opera como um simples terminal de recepção ou emissão de informação criptografada. Ele funciona como um sistema de intranet, convertendo o Kfir no centro de uma verdadeira rede, da qual fazem parte centros de comando, radares de vigilancia, unidades navais, aeronaves de vigilância e de alerta aéreo antecipado.

Esse conjunto de sensores faz do Kfir modernizado uma aeronave de vigilância por excelência. Tudo o que os ingleses não gostariam de ter que enfrentar no Atlântico Sul.