quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Rússia ignora acordo com os EUA e testa míssil

Congresso dos EUA cobra postura firme da Casa Branca para responder ao Kremlin. Governo americano também se preocupa com testes militares da China

Putin em reunião com Obama no México em 2012
Vladimir Putin e Barack Obama em uma reunião (Jason Reed/Reuters)
Rússia testou um novo míssil de médio alcance disparado por terra ignorando um acordo de controle de armas intercontinentais, afirmam os Estados Unidos. A informação é da edição desta quinta-feira do New York Times (NYT). Segundo o jornal, Washington informou neste mês aos seus aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que a Rússia vem realizando testes desta arma desde 2008.
Em 1987, Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev, respectivamente o presidente dos EUA e o chefe máximo da então União Soviética (URSS), assinaram um tratado que previa o banimento de testes de mísseis de médio alcance (até 5.400 quilômetros). Mesmo com o fim da URSS, em 1991, o acordo foi mantido por Rússia e EUA. "Os Estados Unidos nunca hesitaram em questionar o cumprimento do tratado com a Rússia, e essa questão não é uma exceção", disse Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado, conforme relatado pelo NYT. "Há um processo de revisão em curso, e nós não gostaríamos de especular o resultado", completou a porta-voz.

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O jornal também citou outras autoridades americanas não identificadas afirmando que, sem dúvida alguma, os testes violam o tratado. Membros do Congresso familiarizados com o assunto informaram o NYT que os testes já vêm acontecendo há mais de um ano e pressionam a Casa Branca por uma postura mais firme com Moscou.

A disputa pública sobre os testes pode tornar-se mais um empecilho para a relação já conturbada entre Washington e Moscou. Nos últimos meses, a relação foi desgastada por diferenças sobre como acabar com o conflito na Síria, o asilo temporário concedido a Edward Snowden pela Rússia, ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), e, mais recentemente, a turbulência na Ucrânia.


China – Além do caso envolvendo os testes russos, os EUA também estão preocupados com as atividades militares recentes da China. Na terça-feira, o Pentágono informou que em 9 de janeiro a China realizou com sucesso o teste de um novo veículo aéreo militar de "ultra-alta velocidade" (ultra-high speed, em inglês) que representaria um sério desafio para a tecnologia de ponta do exército dos EUA.  
Durante uma audiência do Comitê de Defesa da Câmara na terça-feira, Frank Kendall, subsecretário de Defesa, alertou que a China está aumentando drasticamente seus gastos militares, enquanto "os nossos orçamentos estão indo na direção oposta". Segundo o Pentágono, mísseis com nova tecnologia hipersônica da China seriam capazes de penetrar o sistema americano de defesa balística e transportar ogivas nucleares a uma velocidade recorde – o veículo aéreo não-tripulado chinês é capaz de voar a uma velocidade entre 3.800 e 12.000 quilômetros por hora. Créditos VEJA

sábado, 25 de janeiro de 2014

Argentina estuda compra de caças de Israel. Inglaterra treme nas bases



Kfir Israelense

BUENOS AIRES - O governo da presidente Cristina Kirchner estaria na reta final de uma negociação para comprar 18 aviões de combate israelenses Kfir Block 60, construídos pela Indústria Aeroespacial de Israel (IAI), segundo fontes próximas à transação. O passo da Casa Rosada formalizaria o abandono das negociações com a Força Aérea da Espanha para a aquisição de 16 aviões Mirage F-1, também de segunda mão.

Um dos motivos da opção pelos aviões israelenses seria a tentativa de Buenos Aires de reduzir a tensão com o governo de Israel após Cristina fechar um pacto com o Irã, há um ano, para uma investigação conjunta sobre o atentado contra a Associação Mutual Israelita Argentina (Amia), em 1994. Do lado técnico, o argumento é que Israel tem o modelo de melhor qualidade.
No ano passado, quando anunciou as conversações com a Espanha, o governo Kirchner destacou que a compra desses aparelhos, com 39 anos de uso, incluiria o treinamento dos pilotos argentinos. A transação era estimada em US$ 220 milhões. O negócio provocou, na época, uma série de críticas por parte de oficiais da aeronáutica e de integrantes da oposição. O ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, chegou a condenar a aquisição sem licitação prévia. "Os caças foram usados primeiro pela Jordânia e, depois, pela Espanha. Estão com quase 200 mil horas de voo", acusou Lavagna, integrante do gabinete do ex-presidente Néstor Kirchner.
Os Kfir são aparelhos com mais de 40 anos de fabricação. Foram amplamente revitalizados e contam com os motores americanos J-79 da General Electric, um radar eletrônico AESA moderno, além de armamento atualizado. A transação envolve alguma transferência de tecnologia. Mas os Kfir custariam mais do que os Mirage, já que para tê-los seria necessário desembolsar US$ 500 milhões.
Do total de aparelhos negociados, seis seriam entregues prontos. O restante seria montado na Argentina, nas instalações da Fábrica Argentina de Aviões Brigadeiro San Martín. O trabalho teria a colaboração de técnicos israelenses.
A negociação chamou a atenção da Grã-Bretanha, que em razão das Malvinas - arquipélago controlado pelos britânicos, que as denominam Falklands, mas reivindicado pela Argentina - está atenta a rearmamentos no país. Apesar das ameaças de retaliação comercial do governo Kirchner, a Argentina nunca fez qualquer intimidação militar. A diplomacia britânica teria solicitado a Israel informações sobre os Kfir.

Fonte Estadão.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Rússia disputa Mediterrâneo com OTAN

Rússia, Chipre, bandeira
Colagem Voz da Russia
A imprensa ocidental classifica de "aventura arriscada" a intenção das autoridades cipriotas de autorizar o uso por militares russos do porto de Limassol e da base aérea de Paphos. Apesar de se falar apenas de situações de emergência, os analistas da OTAN já mostram preocupações pelo acordo que ainda não foi assinado.

Segundo as informações divulgadas pela imprensa cipriota, os ministros da Defesa da Federação Russa e da República de Chipre, Serguei Shoigu e Fotis Fotiu, estiveram negociando durante os últimos nove meses. O resultado dessas negociações foi a decisão do gabinete de ministros cipriota de facultar, em caso de necessidade, o uso do porto de Limassol e da base aérea Andreas Papandreou por navios de guerra e aviões militares russos. Segundo explicou Fotis Fotiu, esse passo comprova o reforço da cooperação entre Moscou e Nicósia. O ministro sublinhou que a Rússia iria usar a base aérea e o porto exclusivamente em situações de emergência e para missões humanitárias. Os militares russos não serão autorizados a usar os armazéns e paióis portuários ou da base aérea.
Apesar de esse acordo dar à Marinha e à Força Aérea russas possibilidades bastante limitadas e ainda nem estar assinado, alguns analistas já o qualificaram como um efeito do uso por Moscou de métodos diplomáticos brandos. Por outras palavras, a Rússia usa relativamente ao Chipre o poder brando, o soft power, para criar na ilha um posto militar avançado.
Durante todo o período pós-soviético, a Rússia e o Chipre mantiveram relações bastante estáveis de parceria na esfera diplomática, na área econômica e no âmbito da cooperação técnico-militar. Em 1992, o Chipre reconheceu a Rússia como sucessora da URSS, e apenas quatro anos depois os dois países celebraram o seu primeiro acordo na área da cooperação militar. A Rússia forneceu ao Chipre helicópteros de transporte e de combate, veículos blindados BMP-3, tanques T-80, sistemas de foguetes Grad e sistemas antiaéreos, incluindo o famoso S-300.
Depois da guerra civil de 1974 entre as comunidades grega e turca, a parte norte da ilha continua ocupada pelo exército turco. Parte do território é ocupada pelas bases militares britânicas de Akrotiri e Dhekelia. Na arena internacional Moscou apoia de forma consequente os esforços de Nicósia para a desmilitarização da ilha e para a resolução do chamado problema cipriota. Já quando a República de Chipre foi vítima da crise do euro, Moscou se disponibilizou para conceder um crédito a Chipre. Com esse panorama de fundo, não é de admirar que a Rússia tenha pedido aos cipriotas a possibilidade de usar as suas bases em caso de necessidade, constatou o diretor do Centro de Análise de Estratégias e Tecnologias Ruslan Pukhov:
“O mais provável é se tratar da possibilidade de aí poderem aterrissar, por exemplo, aviões militares russos que transportam ajuda humanitária. É compreensível que esse tipo de acordos não seja do agrado de muitos adversários da Rússia e daqueles que não gostariam que o Chipre praticasse uma política externa e de defesa mais independente. Como se sabe, o Chipre não é membro da OTAN, mas é membro da União Europeia. A UE tem uma política comum, por isso é bem possível que Chipre seja pressionado por Bruxelas para que não coopere com Moscou”.
O acordo de princípio entre Nicósia e Moscou para o porto de Limassol e a base aérea Andreas Papandreou é um grande avanço, mas ainda puramente diplomático, considera o perito militar Vladislav Shuryguin:
“Do ponto de vista de eficiência militar, este ainda não é o acordo que poderia dar à Rússia, por exemplo, um aeródromo de apoio no Chipre. Aqui reside um pormenor que, evidentemente, preocupa bastante a OTAN. O Chipre, como país que não faz parte da OTAN, é de fato livre de escolher seus aliados e, por consequência, dar um tratamento preferencial aos seus aliados. Um passo desses em direção à Rússia seria certamente chocante. Se no Chipre surgir de repente, numa perspectiva futura, uma base russa, isso seria uma grande perda para o potencial da OTAN nessa região”.
Segundo Vladislav Shurygin, o Chipre é praticamente um porta-aviões inafundável. O surgimento no centro do Mar Mediterrâneo de uma base, a partir da qual  a aviação russa pode atuar e para onde podem ser rapidamente deslocadas várias dezenas de aviões, altera substancialmente o equilíbrio de forças na região. Claro que isso não pode deixar de preocupar a OTAN.
Contudo, a criação no Chipre de uma verdadeira base naval ou uma base aérea da Rússia, se isso for realmente possível, será um projeto para um futuro muito longínquo. Tanto mais, sublinha Shurygin, que o atual presidente do Chipre, Nicos Anastasiades, tem como objetivo a adesão à OTAN.
Entretanto, os analistas ocidentais já calcularam que só a possibilidade de os aviões receberem combustível e os navios serem reabastecidos já irá aumentar consideravelmente o potencial da Força Aérea e da Marinha russas. E por que não?

Créditos Voz da Russia

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

ROBERTO LOPES – EXCLUSIVO: LONDRES EXIGE QUE TEL-AVIV DIGA COMO SERÃO OS KFIRS ARGENTINOS

Ultimato reflete a indignação dos britânicos com a notícia de que Israel transferirá 18 caças para a Força Aérea Argentina; Itamaraty e Ministério da Defesa acompanham a crise por meio de seus representantes em Buenos Aires, Londres e Tel-Aviv. Créditos DEFESANET



Londres exige que Tel-Aviv diga
como serão os Kfirs argentinos


Roberto Lopes
Jornalista especializado em assuntos militares. Em 2000 graduou-se em
Gestão e Planejamento de Defesa no Colégio de Estudos de Defesa Hemisférica
da Universidade de Defesa Nacional dos Estados Unidos, em Washington
(Fort Leslie F. McNair). É também pesquisador associado ao Laboratório de
Estudos da Etnicidade, Racismo e Discriminação da Universidade de São Paulo.
Autor de vários livros, em maio de 2001 publicou a monografia
“Oportunidade para Civis na Condução dos Assuntos da Defesa Nacional: o Caso do Brasil”.



O governo do Premiê David Cameron exige receber de Israel uma descrição pormenorizada dos sistemas – eletrônicos e de motorização – a serem embarcados nos 18 caças Kfir Block 60, que a IAI (Israel Aerospace Industries) tenciona transferir, no início de 2015, para a Força Aérea Argentina.

O ultimato foi apresentado no início de dezembro, por representantes diplomáticos e do Ministério da Defesa britânico, diretamente nos gabinetes dos ministros do Exterior e da Defesa de Israel. Os ingleses temem que as aeronaves sejam empregadas para localizar e intimidar as embarcações de duas companhias petrolíferas – uma dos Estados Unidos e outra da Inglaterra – que se preparam para viajar às Ilhas Malvinas, a fim de providenciar, ano que vem, o início das sondagens submarinas em duas áreas marítimas ao norte do arquipélago.

O assunto vem sendo monitorado desde o fim de 2013 pelo Itamaraty e pelo Ministério da Defesa em Brasília.

A postura agressiva de Londres repete o comportamento adotado em abril de 1982 junto ao governo da França, depois que os argentinos invadiram as Malvinas. Os britânicos exigiram um relato detalhado dos equipamentos que haviam seguido a bordo dos caças franceses Étendard, exportados a partir do fim de 1981 para a Marinha argentina. Mas apesar de Paris ter aceitado colaborar com os ingleses, o episódio teve um desfecho surpreendente.

Os franceses informaram que os poucos mísseis Exocet exportados juntamente com os aviões – dois para cada aeronave – não haviam sido integrados à aviônica de bordo e, portanto, não estavam operacionais. O  problema é que os militares argentinos conseguiram fazer a integração entre a arma e o caça, e os Exocets foram usados com sucesso contra a frota de Sua Majestade destacada para recuperar as ilhas...

Em novembro do ano passado, o Comitê de Controle de Exportação de Armas da Câmara dos Comuns aprontou um Report of the Committees on Arms Export Controls – 900 páginas distribuídas por três volumes – no qual a Argentina aparece como país proibido de receber quaisquer sistemas bélicos. Os ingleses têm motivos para estarem temerosos.

Nesta última terça-feira, 14 de janeiro, ao ser empossado como novo Secretário de Assuntos Relativos às Ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul do ministério das Relações Exteriores argentino, o ex-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Daniel Filmus, voltou a ameaçar as companhias e os técnicos que se dispuserem a explorar o petróleo das águas malvinenses com prisão e penas de reclusão em regime fechado.

A preocupação do governo Cameron com a exportação de caças Kfir para os argentinos começou ainda em agosto de 2013, quando a IAI admitiu que havia dois países interessados em adquirir uma versão modernizada dos velhos caças Kfir. Surgiram especulações de que esses clientes fossem as forças aéreas da Bulgária e das Filipinas, mas logo apareceu um rumor insistente sobre o interesse da Argentina.

A notícia ganhou espaço com a decisão do governo Cristina Kirchner de dispensar a oferta feita por Madri de 20 caças de segunda mão Mirage F-1M, dos estoques da Força Aérea Espanhola.

O oferecimento implicaria em um desembolso menor que aquele que caberá a Buenos Aires fazer para obter os jatos Kfir – 160 milhões de euros (217,6 milhões de dólares) contra 500 milhões de dólares – mas a diferença qualitativa entre os dois equipamentos justifica o gasto maior.

Os Mirages espanhóis chegariam à Argentina praticamente “depenados”:

a) o GPS de alta precisão embarcado nas aeronaves espanholas opera por meio de um código conhecido como P(Y) só autorizado para forças aéreas integrantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte);
b) o sistema de identificação de aeronaves amigas/inimigas dos Mirage espanhóis conta com um interrogador que funciona por meio de uma chave criptografada também só disponível para nações filiadas à Otan;
c)  o radar Cyrano IVM do Mirage ofertado não possui capacidade de detecção diretamente para baixo, o que limita o emprego de mísseis de médio alcance por parte da aeronave;
d) os Mirages espanhóis também seriam entregues ao argentinos sem a interface eletrônica entre os sensores e os mísseis ar-mar Exocet;
e) os jatos teriam a base de dados (“biblioteca de ameaças”) do sistema alerta-radar INDRA ALR-300 vazia (!), já que esse sistema é igualmente controlado pela Otan (a Espanha prometeu fornecer um software semelhante, que não inspirou confiança aos argentinos);
f) os F-1M espanhóis destinados aos argentinos não poderiam ser equipados com os lançadores de chaff e bengalas despistadoras (de mísseis) AN/ALE-40, porque esse sistema, inicialmente produzido pela empresa americana Tracor, é, desde 1999, produzido pelo grupo britânico BAE System, e,
g) o antiquado sistema Barax Mod. 31, de interferência em emissões de radar do inimigo, não teria muita utilidade para os argentinos, já que havia sido modificado para atender os objetivos da Força Aérea Espanhola.

Em contraposição a todas essas limitações, o Kfir Block 60 deverá chegar aos seus clientes – Argentina inclusive – dotado de um moderno radar AESA EL/M-2052, que permite detecção ar-ar e ar-superfície a grande distância e com baixos níveis de emissão (indiscreção que favorece a plotagem pelo inimigo). O sistema de alerta-radar da marca Elisra permite a identificação de um alvo a distâncias maiores que 150 km.

O sistema de conexão e gerenciamento de dados do caça Kfir Block 60 não opera como um simples terminal de recepção ou emissão de informação criptografada. Ele funciona como um sistema de intranet, convertendo o Kfir no centro de uma verdadeira rede, da qual fazem parte centros de comando, radares de vigilancia, unidades navais, aeronaves de vigilância e de alerta aéreo antecipado.

Esse conjunto de sensores faz do Kfir modernizado uma aeronave de vigilância por excelência. Tudo o que os ingleses não gostariam de ter que enfrentar no Atlântico Sul.